Nas sombras calmas de um sonho calado,
Guardei teu nome, segredo guardado,
Como quem cuida de um bem delicado,
Mesmo sabendo: não sou teu amado.
Te vi sorrindo em tardes douradas,
Luz refletindo em tuas palavras,
E eu, tão perto, mas longe de tudo,
Sendo silêncio no teu mundo mudo.
Teu riso leve, solto no vento,
Era pra mim mais que um momento,
Mas teus olhos, em doce distração,
Nunca pousaram no meu coração.
Eu te escrevia em versos ocultos,
Em pensamentos densos e incultos,
Buscando formas de te alcançar,
Mesmo sem nunca me revelar.
E cada gesto teu, sem notar,
Virava história pra eu contar,
Enquanto o teu amor, tão bonito,
Seguia outro caminho infinito.
Ah, como dói esse amor contido,
Flor que nasceu sem ser permitido,
Raiz profunda em terra vazia,
Que cresce à noite, mas morre ao dia.
Não te culpo por não perceber,
Nem por não poder me querer,
O coração não aprende a fingir,
Nem se obriga a alguém escolher ou sentir.
Mas fica em mim essa chama acesa,
Mistura doce de dor e beleza,
Porque amar, mesmo sem ter retorno,
Ainda é fogo que aquece o inverno.
Talvez um dia eu deixe de olhar
Teu nome escrito em todo lugar,
E esse amor que hoje me prende,
Vire memória que o tempo dissolve e entende.
Até lá sigo, em passos discretos,
Guardando sonhos incompletos,
Amando em silêncio, sem voz, sem som…
Um amor só meu — e nunca de nós. 💔