Quando eu tinha 11 anos, mudei de escola.
Tudo era novo, estranho… e solitário. Tirando uma velha amiga de infância, eu não tinha ninguém. Me sentia meio perdida naquele lugar.
Foi na segunda semana que ele apareceu.
Ele chegou do nada, com aquele jeito extrovertido, como se já me conhecesse há anos.
— Qual é o seu nome?
— Elena.
E foi assim, simples… que tudo começou.
A gente começou a conversar, e sem perceber, já éramos amigos. Eu gostava da companhia dele. Ele era divertido, falava de tudo, me fazia rir até quando eu não queria.
O nome dele era Lucas.
Mas tinha um problema. Ele “namorava” uma menina da escola. Ela era bonita, isso ninguém podia negar… mas também era metida, do tipo que se achava melhor que todo mundo. E, por algum motivo, ela começou a me odiar. Achava que eu queria tirar ele dela.
Sendo que, naquela época… eu nem sentia nada por ele.
Até que um dia, tudo mudou.
Eu percebi que Lucas estava me usando para fazer ciúmes nela. Aquilo me machucou. Não pela menina… mas por ele. Pela atitude dele.
Então eu me afastei. Sem briga, sem drama. Eu só… me afastei.
Eu não sentia raiva de nenhum dos dois. Só não queria fazer parte daquilo.
Depois de um tempo, eles brigaram. Lucas percebeu que ela estava me fazendo mal… e terminaram. Rápido, como se nunca tivesse sido importante.
E aí… a gente se reaproximou.
Mas dessa vez, era diferente.
Nossa amizade ficou mais forte. A gente saía, ia lanchar, ficava na praça conversando sobre coisas sem sentido. Minha mãe gostava dele, dizia que ele parecia ser um bom menino.
E ele realmente era.
No final daquele ano… algo mudou dentro de mim.
Eu comecei a reparar no sorriso dele. Nas piadas sem graça que mesmo assim me faziam rir. Nos olhares… nos silêncios.
E quando percebi… já era tarde.
Eu tinha me apaixonado por Lucas.
Um ano se passou. Nossa amizade parecia de uma vida inteira. Mas então… ele mudou.
Ele ficou mais próximo. Me olhava diferente. Era um olhar… que eu nunca tinha visto antes. Apaixonado.
E foi aí que tudo começou a dar errado.
Porque, ao mesmo tempo que parecia perfeito… parecia impossível.
Era como se o mundo dissesse “não”.
E dentro de mim, começou uma guerra.
Meu coração dizia:
“Vocês são perfeitos juntos.”
Mas minha consciência gritava:
“Isso não pode acontecer.”
Todos os dias era a mesma batalha. E como toda guerra… aquilo começou a destruir tudo.
Lucas começou a se afastar. A perder o interesse. E quanto mais ele se afastava… mais eu me prendia. Era como cair… sem conseguir parar.
Até que, de repente… ele voltou.
Voltou a me tratar como antes. A me olhar daquele jeito. A me fazer acreditar de novo.
E eu não entendia.
Como alguém pode ir embora… e depois voltar como se nada tivesse acontecido?
No final de mais um ano… éramos melhores amigos. Três anos de amizade… mas parecia uma vida inteira.
E, às vezes, eu penso…
"Desde o dia que eu conheci Lucas, minha mente viajou para outro lugar. Eu achava que era amor. Mas talvez… fosse só dor."
Com o tempo, eu percebi uma coisa que doeu mais do que qualquer briga:
Lucas já não sentia o mesmo.Os olhares mudaram. As conversas perderam aquela intensidade. Ele ainda estava ali… mas não da mesma forma.
E eu? Eu nunca deixei de sentir.
Mesmo tentando esquecer, mesmo fingindo que não importava… uma parte de mim ainda era dele.
E talvez sempre fosse.
Hoje, nós ainda somos melhores amigos.
Mas também somos… dois velhos apaixonados.
Só que, dessa vez, apenas um ainda sente.
Um dia, ele me olhou em silêncio, como se procurasse alguma resposta no meu rosto. Ele perguntou:
— "Você me odeia?"
Eu segurei o ar por um segundo. Tantas coisas passaram pela minha mente… tudo o que fomos, tudo o que eu ainda sentia.
Mas, no fim, eu apenas dei um leve sorriso — daqueles que escondem mais do que mostram. Então disse:
— "Não… porque o ódio é um sentimento.
E eu não sinto nada por você."
Desviei o olhar, antes que ele pudesse perceber.
Porque, no fundo…
eu sentia tudo. 💔