A floresta fingia ser tranquila durante o dia.
Passarinhos cantavam, folhas dançavam com o vento e os coelhos corriam felizes… ou pelo menos tentavam.
Porque toda vez que a lua aparecia, alguém sumia misteriosamente.
E no centro de todas as fofocas estava ele:
Raposa-vermelha Dante.
Elegante demais pra ser confiável, sorriso torto de quem claramente devia imposto emocional pra metade da floresta, olhos dourados e um hábito preocupante de aparecer do nada atrás das pessoas.
As mães coelhas diziam:
— Se comporta, ou a raposa te pega.
O problema começou quando a menor e mais azarada das coelhas resolveu perder o medo.
Luna era uma Coelho-europeu pequena, branca e completamente sem instinto de sobrevivência.
Enquanto os outros fugiam da raposa, ela fazia perguntas.
— Mas por que ele usa capa se aqui faz calor?
— LUNA, FOCA NO PERIGO! — gritavam os amigos.
Numa noite chuvosa, ela acabou presa numa armadilha de caçador.
Tentou puxar a pata.
Nada.
Tentou chorar dramaticamente.
Também nada.
— Ótimo… vou morrer fedendo a lama.
Então passos surgiram entre as árvores.
Lentos. Calmos.
Assustadores.
Dante apareceu saindo da escuridão como se tivesse ensaiado a entrada durante horas.
A capa preta arrastava no chão molhado e ele segurava uma lanterna velha só pra parecer mais misterioso.
Luna encarou ele por dois segundos e falou:
— Tu pratica isso em casa, né?
Silêncio.
A raposa estreitou os olhos.
— Você não deveria estar gritando?
— Eu tô presa numa armadilha, não num teatro gótico.
Pela primeira vez em anos, Dante ficou sem resposta.
E infelizmente foi exatamente ali que começou o pior erro da vida dos dois.