Eu acordo cedo
como quem corre atrás de um nome
que ainda não alcançou.
Tem dias em que o cansaço
mora nos meus ossos,
mas eu continuo,
porque lembro das mãos do meu pai
marcadas pelo trabalho,
e dos olhos da minha mãe
fazendo força para acreditar
que meu futuro será mais leve.
Eu tento.
Deus sabe o quanto eu tento.
Em cada porta fechada,
em cada medo engolido,
em cada madrugada
em que finjo não estar quebrando
só para não preocupar ninguém.
Queria entregar a eles
uma vida bonita.
Daquelas que cabem em fotografias sorrindo,
em contas pagas,
em notícias boas na mesa do jantar.
Queria que eles descansassem
sabendo que valeu a pena.
Que todos os sacrifícios,
os ônibus lotados,
as renúncias silenciosas,
as noites sem dormir
não foram em vão.
Às vezes acho que estou longe disso.
Outras vezes,
penso que talvez o orgulho
não esteja só na chegada,
mas na filha que cai
e ainda escolhe continuar.
Porque amar os pais
também é carregar no peito
essa vontade imensa
de vencer na vida
só para vê-los sorrir
sem preocupação nenhuma
por alguns segundos.