Carrego um mundo que não se vê,
um ruído constante por dentro,
como se cada detalhe gritasse
e eu nunca pudesse abaixar o volume.
As luzes são fortes demais,
as palavras, às vezes, duras demais,
e o silêncio que eu queria
raramente encontra lugar.
Dizem que é só viver,
mas viver pesa como pedra molhada,
cada passo exige um cálculo,
cada gesto, um ensaio invisível.
E quando a tristeza vem,
não bate — ela ocupa,
se espalha pelas frestas
e apaga as cores devagar.
Ser assim é caminhar
entre excesso e vazio,
sentir tudo ao mesmo tempo
e ainda assim parecer distante.
Mas no meio do cansaço,
há pequenos instantes —
um padrão bonito, um som preciso,
um respiro que quase é paz.
Não resolve tudo, eu sei.
Nem apaga o peso dos dias difíceis.
Mas lembra, em silêncio,
que ainda existe algo além da dor.
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