Havia anos costurados em risos e confidências,
segredos guardados como flores entre grades,
um laço antigo, firme nas pequenas evidências
de quem conhece até o silêncio das saudades.
Mas o tempo, às vezes, brinca de escolha e engano,
e o novo brilha forte, embora seja breve clarão,
fazendo esquecer o que resistiu ano após ano,
como se a história pudesse caber em uma ilusão.
E houve também palavras tortas, sem cuidado,
olhares que não souberam ver além do que é diferente,
como se amar precisasse ser sempre igualado,
como se o outro não tivesse um mundo na mente.
Mas amizade não é medida por tempo ou aparência,
nem se curva a julgamentos que ferem sem perceber;
ela cresce na empatia, na escuta e na paciência,
no esforço de entender, não no desejo de excluir ou escolher.
Que os vínculos não se percam por falta de ternura,
nem se quebrem por preconceito disfarçado de razão;
pois toda alma merece respeito em sua forma mais pura,
e toda amizade verdadeira nasce da aceitação.