chuva caía forte naquela noite, como se o mundo lá fora estivesse tentando abafar o que ela sentia por dentro.
Fer estava parada na varanda, braços cruzados, olhando o nada. Mas não era o vazio que a incomodava… era ele.
— Você não devia estar aqui — ela disse, sem nem virar.
Mesmo assim, sabia que ele estava ali. Sempre soube.
— E você devia parar de fingir que não quer que eu esteja.
A voz dele era baixa, firme… perigosa.
Fer fechou os olhos por um segundo. Aquilo já tinha ido longe demais. Muito mais do que deveria.
— Isso é errado — ela insistiu, agora virando pra encarar ele.
Mas foi aí que tudo complicou.
Porque ele estava perto. Perto demais.
— Então por que você não se afasta?
Silêncio.
O coração dela acelerou.
E ela não se mexeu.
Ele deu mais um passo.
— Eu tô tentando… — ela sussurrou, quase sem voz.
— Não parece.
Quando ela percebeu, ele já estava ali. A poucos centímetros. O calor, o cheiro, a presença… tudo dela reagia.
— Se a gente continuar… — ela começou, mas não terminou.
— Eu sei.
Mas ele não se afastou.
E nem ela.
O mundo lá fora podia até estar desabando… mas ali, naquele momento, só existia uma escolha:
Parar… ou sentir.
E quando os lábios dele finalmente tocaram os dela, Fer soube—
Ela já tinha escolhido há muito tempo.