Foi o silêncio.
Um silêncio anormal, denso… como se o mundo tivesse sido pausado.
Alex percebeu.
Não por intuição.
Por padrão.
O vento havia parado.
Os pássaros sumiram.
Até os sons distantes da cidade… desapareceram.
Ele estava sentado no muro baixo do orfanato, observando o céu com olhar vazio — não de distração, mas de análise.
Algo estava errado.
Então o céu respondeu.
Rasgou.
Não como um meteoro comum.
Mas como fissuras de luz, abrindo o azul em dezenas de cortes incandescentes.
Alex não se moveu.
Trajetória irregular.
Velocidade inconsistente.
Não é natural.
O impacto veio depois.
O som voltou — multiplicado, distorcido, esmagador.
O chão tremeu.
O prédio do orfanato rangeu.
Vidros explodiram.
Gritos começaram.
Mas Alex não gritou.
Ele observou.
As fissuras não desapareceram.
Elas… permaneceram.
Girando.
Expandindo.
Como portais.
— TODO MUNDO PRA DENTRO! — a diretora gritou, puxando as crianças.
Correria.
Desespero.
Caos.
Alex desceu do muro sem pressa.
Entrar agora aumenta risco de esmagamento.
Ficar fora aumenta exposição.
Ele hesitou por meio segundo.
Escolheu o meio.
Moveu-se lateralmente, evitando o fluxo principal.
Então a onda de choque atingiu.
Seu corpo foi lançado contra o chão de concreto.
O impacto foi seco.
Ar saiu dos pulmões.
Visão turva.
Mas sua mente permaneceu funcional.
Levanta.
Ele ignorou a dor.
Forçou o corpo a responder.
Quando conseguiu se apoiar, o céu já não era mais o mesmo.
Buracos.
Coloridos.
Instáveis.
E algo… por trás deles.
Observando.
O segundo estágio começou.
O ar mudou.
Mais pesado.
Mais denso.
Como se cada respiração carregasse… energia.
Alex sentiu primeiro no peito.
Depois nos ossos.
Depois… em algo mais profundo.
Uma dor surgiu.
Não superficial.
Interna.
Como se algo estivesse sendo construído à força dentro dele.
Ele caiu de joelhos.
Sem controle.
Ao redor, outras crianças gritavam.
Algumas desmaiavam.
Outras… mudavam.
Veias brilhando.
Olhos alterando cor.
Mas Alex não olhava para elas.
Ele estava olhando para dentro.
E então viu.
Escuridão.
Um espaço vazio dentro de si.
Sem forma.
Sem limite.
Até que—
Uma faísca surgiu.
Pequena.
Instável.
Ela se expandiu.
Explodiu.
E criou… um universo.
Alex não entendeu.
Mas reconheceu uma coisa:
Aquilo não deveria existir.
Antes que pudesse reagir—
Outro universo nasceu.
Depois outro.
E outro.
Nove.
Nove estruturas colossais girando dentro dele, como engrenagens de uma máquina impossível.
E então—
Os sóis nasceram.
Um em cada universo.
Mas eram diferentes.
Cada um carregava uma “presença”.
Algo antigo.
Pesado.
Observador.
Como se não fossem apenas energia…
Mas entidades.
O corpo de Alex reagiu.
Mal.
As primeiras rachaduras apareceram na pele.
Linhas finas de luz atravessando braços, peito, pescoço.
Sangue escorreu.
Mas não caiu.
Foi puxado de volta.
Absorvido.
Alimentando os universos.
Excesso de energia.
Sem estrutura de suporte.
Colapso iminente.
Ele estava morrendo.
Mas não entrou em pânico.
Ele analisou.
E então—
Sorriu.
Pequeno.
Controlado.
— Então esse é o novo padrão do mundo…
Dor extrema.
Sistema desconhecido.
Alta probabilidade de morte.
Mas também—
Vantagem absoluta.
Se sobrevivesse.
Um estrondo ecoou atrás dele.
Alex virou o rosto.
Uma das fissuras no céu… se abriu completamente.
Algo caiu.
Não — saiu.
Uma criatura.
Alta.
Distorcida.
Membros longos demais.
Olhos demais.
Ela aterrissou no pátio do orfanato.
E não hesitou.
Avançou.
Direto nas crianças mais próximas.
Gritos.
Pânico.
Paralisia coletiva.
Alex observou.
Distância.
Velocidade.
Tempo de impacto.
Seu corpo estava instável.
Se usasse energia—
Risco de colapso: extremo.
Se não usasse—
Múltiplas mortes imediatas.
Ele decidiu.
Sem emoção.
Sem hesitação.
Levantou a mão.
— Não.
Os nove sóis reagiram.
Violentos.
Descontrolados.
O espaço ao redor dele… distorceu.
O ar pesou.
A criatura parou por um instante.
Instinto.
Medo.
Reconhecimento de algo superior.
Mas já era tarde.
Alex deu o primeiro passo.
E, naquele momento—
O mundo deu o primeiro passo na direção dele.
Resumo breve
O mundo entra em colapso com a queda de meteoros e abertura de portais. Alex, um órfão analítico e distante, desperta um sistema anômalo com nove universos internos e nove sóis, sofrendo dano extremo por sobrecarga. Uma criatura invade o orfanato, e ele decide agir mesmo à beira da morte.