— Era uma vez, uma princesa que vivia numa torre alta guardada por um ogre enorme e por uma elfo poderosa. A princesa não conhecia o mundo como os outros lá fora conheciam. Ela via todas as meninas brincarem felizes no jardim, trançando os cabelos, lendo livros proibidos e principalmente... Beijando meninos. Isso era o que mais despertou a curiosidade da princesa, pois ela queria saber qual era a sensação. Ela tinha três amigas passarinhos, a clara, a anjinha e a chocolate, mas ela tinha uma amiga corvo que amava demais por seus conselhos, o nome dela era canela. Suas três amigas sempre piavam para a princesa sobre as maravilhas de ter alguém para beijar, sobre como era bom ser tocada e sobre a sensação que se podia sentir com o toque de um homem. A princesa se recusava a sair da torre, desobedecer seus guardiões e se aventurar, pois eles lhe diziam que o mundo era perigoso e enquanto ela não soubesse lidar com o mundo lá fora e enquanto ela fosse nova, ela não poderia sair da torre e ser como as passarinhos. Mas secretamente a princesa tinha uma chama de curiosidade. E num belo dia, um plebeu se aproximou da torre, curioso e a escalou, para ver o que tem dentro e assim que entrou pela janela da torre a princesa tomou um susto, mas não se afastou. O fogo que estava dentro dela, alimentando por suas amigas passarinhos tinha lhe dado coragem o suficiente para conseguir olhar para aquele garoto e se permitir sorrir e deixar ele ficar na torre dela. Ela desobedeceu seus guardiões pela primeira vez, mas nem se importava, pois estava vivendo um lindo roamance com o plebeu. O plebeu era esperto e inteligente, ele conhecia o mundo e a mostrou como era, mostrou como eram os beijos, os toques, e as carícias. A princesa sentiu tudo o que suas amigas passarinhos descreviam e era bom, porém, ela se sentia culpada pois estava desobedecendo seus pais, algo que jurou nunca fazer, mas estava fazendo. Com o passar do tempo, a princesa e o plebeu eram felizes, até que o plebeu começou a demonstrar ter liberdade demais, tanta, que ele não se importava se suas acções feriam a princesa. O plebeu gostava de ser livre, gostava de viver de explorar e sempre que a princesa falasse o quanto estava magoada com as acções do plebeu, ele ignorava e dizia que a princesa era dramática. Confusa com suas próprias emoções, a princesa apenas decidiu abafar a sua dor e ser submissa às acções do príncipe. O príncipe brincava com outras meninas lá no jardim, onde a princesa não poderia alcançar por estar presa na torre, o plebeu ignorava a tristeza e o desconforto da princesa e dizia que esse era o jeito dele. Um dia, o plebeu convidou a princesa para sair da torre, mas a princesa recusou com muita dor e tristeza no coração, ela sabia que magoada o plebeu, mas ela não poderia desobedecer mais seus guardiões do que já desobedecia e isso deixou o plebeu zangado, mas ele fingiu. Com o passar do tempo o plebeu ficou ainda mais indiferente á princesa, e a princesa ficou mais dependente emocionalmente do plebeu, ela queria agradar o plebeu em tudo, queria ser o ombro amigo do plebeu e ajudá-lo com seus problemas, mas o plebeu não deixava, ele a afastava e a magoava, a princesa até entendia e tentava ajudar apenas com sua presença, mas mais uma vez o plebeu a afastou.
Enquanto estava em seu quarto, chorando mais uma noite por causa do príncipe, sua amiga, a corvo canela, apareceu para consolar a princesa. Canela sempre esteve lá para a princesa, ela sempre aconselhou a princesa a deixar o plebeu pois via o sofrimento de princesa, mas a princesa ainda tinha esperanças de que o plebeu mudasse e finalmente notasse o quanto a machucava com duas acções. Pois o plebeu sempre dizia que a amava, todos os dias, ele dizia que a amava.
Mas naquele dia... Tudo desmoronou. O plebeu abandonou a princesa, quebrou seu coração sem mais nem menos. Ele saiu como entrou. O amor que o plebeu dizia sentir pela princesa, acabou num piscar de olhos. O plebeu nunca amou de verdade a princesa, o plebeu nem sequer tentou lutar junto com a princesa para que as coisas entre eles dessem certo. O plebeu simplesmente desistiu de tudo, das palavras bonitas, das músicas românticas, das lembranças de beijos na chuva e de todo amor e dedicação que a princesa dava a ele.
A princesa poderia não ver o mundo como ele enxergava, duro, frio, mortal, mas ela gostava de o fazer enxergar o mundo como ela via, às vezes amável, às vezes doce na medida certa e com a companhia certa.
Mas toda a história de amor que a princesa tanto ansiava construir... Não teve um fim.
A princesa nunca deveria ter desobedecido seus guardiões.
E hoje ela aprendeu isso.
(Baseado em factos reais)
Ass: Ady Romah.