— Você sabe que, se aceitarmos… um deles começou, a voz grave.
— você entra como substituta.
Eu mantive o olhar firme.Mesmo com o coração batendo rápido demais.
— Eu sei.
O silêncio pesou por um instante.Então outro falou, cruzando os braços:
— Eu não quero ela… parece sem sal.
Aquilo deveria ter doído.E doeu.Mas não do jeito que ele esperava.Eu apenas levantei o queixo.
— Engraçado…
respondi, fria.
— porque mesmo “sem sal”… eu sou a única aqui que ainda pode resolver o problema de vocês.
Os olhos dele escureceram.Mas eu continuei.
— Se vocês não aceitarem… como pretendem ter a dívida paga?
Silêncio.Eles trocaram olhares entre si.Como se estivessem decidindo algo que ia muito além de mim.
O homem que parecia liderar deu um passo à frente.A presença dele era… sufocante.Dominante.
— Olha, garota…
ele disse, agora me encarando de verdade.
— isso é mais sério do que um simples contrato entre o seu pai e o nosso.
Meu estômago revirou.Mas eu não recuei.
— Como você pode ver…
ele continuou.
— somos militares.
Meu olhar passou pelos quatro.Agora fazia sentido.A postura.O jeito de falar.O controle.
— E nós quatro…
outro completou, com um leve sorriso.
— estamos solteiros.
Meu coração travou por um segundo.Algo ali… não estava certo.Não mesmo.
— Acho que a ideia do nosso pai…
o primeiro voltou a falar
— de perdoar a dívida do seu… com esse contrato…
Ele deu um pequeno passo, se aproximando mais.Perto demais.
— Era só uma forma de nos dar uma esposa.
O mundo parou.Minha respiração falhou.
— Uma esposa…?
repeti, quase em um sussurro.
— Exatamente
ele respondeu, simples.
— Ou melhor…
O olhar dele percorreu meu corpo lentamente.Sem pressa.Sem vergonha.
— Uma candidata.
Meu corpo inteiro ficou rígido.Aquilo era pior do que eu imaginava.
Muito pior.Não era só sobre dívida.Não era só sobre contrato.Era sobre escolha.Posse.Controle.
— E você acha…
outro deles falou, com um tom quase entediado.
— que pode ocupar esse lugar?
Eu respirei fundo.Tentando controlar o medo.Tentando controlar a raiva.
— Eu não acho.
Levantei o olhar.Direto.Firme.
— Eu sei.
O silêncio que veio depois…Foi diferente.Mais pesado.Mais perigoso.Um deles riu baixo.
— Ela tem coragem… isso eu admito.
— Ou é só inconsequente. outro rebateu.
O que me chamou de “sem sal” deu um passo à frente.Agora bem na minha frente.Próximo demais.
— Você entende o que está oferecendo? ele perguntou, a voz baixa.
Eu fiquei em silêncio por um segundo.A verdade?Não.Eu não entendia completamente.
Minhas irmãs já tinham sido levadas.Eu não podia fazer nada por elas.Nada.E mesmo assim…Eu estava ali.
— Eu sei o suficiente.
respondi, seca.Ele me encarou, tentando ler algo em mim.
— Um ano com a gente… não é algo que você simplesmente sobrevive.
Meu coração acelerou.Mas dessa vez…Eu não falei por elas.Eu falei por mim.
— Eu não estou fazendo isso por estratégia…
minha voz saiu mais baixa.
— nem por escolha.
Eu dei um pequeno sorriso, sem humor nenhum.
— Eu só não vou ficar aqui… fingindo que nada aconteceu.
O silêncio pesou.
— Então é orgulho?
um deles provocou.
— Não.
Eu levantei o olhar.Frio.Direto.
— É raiva.
Aquilo fez eles prestarem mais atenção.
— Raiva de vocês… continuei dele… olhei de relance para meu pai e principalmente de mim mesma.
Minhas mãos se fecharam.
— Eu fiquei parada.
Minha voz falhou por um segundo.
— Eu não fiz nada.
O silêncio ficou mais pesado.Mais real.
— Então entra nisso sabendo… ele disse.que pode se arrepender.
Eu respirei fundo.E respondi sem hesitar:
— Eu já me arrependi de não ter feito nada.
Dessa vez…O silêncio mudou.E então veio a resposta:
— Tudo bem.
Meu coração apertou.
— Nós aceitamos.
— O nosso contrato não é de um ano… um deles disse, a voz firme
— mas de dois.
Meu coração apertou.Dois anos.Aquilo pesou de um jeito diferente.Mais longo.Mais sufocante.
— Você vai passar a morar na base ele continuou. onde ficamos a maior parte do tempo.
Base.Militar.Aquilo só piorava tudo.
— Vai fazer o que mandarmos… quando mandarmos.
O silêncio ficou pesado.
— E não pense que algum de nós vai se apaixonar por você.
A frieza na voz dele…Foi como um tapa.
— Agora… assina.
Ele estendeu o contrato.O papel parecia mais pesado do que deveria.
Como se não fosse só tinta.Mas destino.Minha mão hesitou por um segundo.
Só um.Mas foi o suficiente pra eu sentir tudo.Medo.Raiva.Dúvida.E ainda assim…Eu peguei a caneta.
— Eu sou o capitão John Smith. o homem à minha frente disse, finalmente se apresentando.
Minha atenção voltou pra ele.Então esse era o líder.Fazia sentido.A postura.O olhar.A forma como os outros não interrompiam.
— E esses são meus irmãos…
ele continuou.Um por um, eles me encararam.Como se quisessem gravar meu rosto.Ou me medir.
— Jardo Smith. Jadson Smith.E Jake Smith.
Quatro.Irmãos.Aquilo deixou tudo ainda mais… estranho.Mais intenso.
Meu olhar passou por cada um.Tentando entender.Tentando prever.Mas não dava.Eles eram… fechados demais.Perigosos demais.
— Última chance. John falou, me olhando diretamente. Depois que assinar… não tem volta.
Minha mão apertou a caneta.Eu sabia disso.Sabia muito bem.Mas também sabia de outra coisa.
Ficar ali…Não era uma opção.Eu assinei.O som da caneta no papel ecoou mais alto do que deveria.
Como um ponto final.Ou talvez…O começo de algo pior.Quando terminei, empurrei o contrato de volta.
John pegou o papel sem pressa.Leu rapidamente.E então…Um leve sorriso apareceu.
— Agora… você é nossa responsabilidade.
Responsabilidade.A palavra soou errada.Muito errada.Jake deu um passo à frente, cruzando os braços.
— Vamos ver quanto tempo você aguenta.
Jardo apenas me observava em silêncio.Mas o olhar dele…Era o mais difícil de ler.Já Jadson…Soltou um pequeno riso.
— Isso vai ser interessante.
Um arrepio percorreu meu corpo.Forte.Instintivo.
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Atualizado até capítulo 87
Comments
𓍢ִ໋🌷 𝐿𝑒𝓉í𝒸𝒾𝒶 🌷͙֒
eles vão maltratar ela, já tô até vendo
2026-07-18
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