Ekaterina
No dia seguinte, Ivan marca comigo em um shopping do centro.
Assim que me vê, ele me analisa da cabeça aos pés como se estivesse avaliando uma mercadoria.
— Você é até bonitinha — ele comenta com desdém. — Mas hoje à noite eu preciso de uma mulher fatal.
Eu reviro os olhos internamente, mas permaneço em silêncio.
Entramos em uma loja cara demais pro meu padrão de vida.
Ivan escolhe tudo sem nem perguntar minha opinião.
O vestido vermelho parece colado na minha pele de tão justo. O decote me deixa desconfortável imediatamente.
Definitivamente não parece comigo.
Depois ele compra uma sandália alta que provavelmente vale mais do que tudo o que eu tenho dentro de casa. Perfume maquiagem e lingerie; se pode chamar aquilo de lingerie...
— Quero você no bar às dez da noite — ele diz enquanto paga as compras.
— Vou mandar o endereço.
Eu apenas concordo.
E, graças a Deus, ele vai embora logo depois.
Pela primeira vez no dia eu consigo respirar sem Ivan no meu pé.
Volto direto para o hospital.
Assim que entro no quarto, recebo a notícia da cirurgia da Lis.
Daqui a dois dias.
Dois dias.
Meu coração dispara de felicidade na mesma hora.
Eu abraço minha irmã tão forte que ela começa a rir.
— Kathy … tá esmagando eu.
Eu rio também.
Porque pela primeira vez em muito tempo…
parece que algo bom finalmente está acontecendo.
Mais tarde, enquanto ajeito os cabelos dela devagar na cama do hospital, crio coragem para contar:
— Hoje eu vou precisar trabalhar à noite.
Lis me olha imediatamente.
E eu vejo.
O medo.
Ela tenta esconder, mas eu conheço cada expressão da minha irmã.
Ela odeia dormir sozinha naquele hospital.
Odeia o silêncio da madrugada.
As máquinas apitando.
Os corredores frios.
Mas mesmo assim…
ela apenas assente.
Pequena demais para carregar tanto entendimento.
— Tudo bem.
Minha garganta aperta.
— Tem certeza?
Ela força um sorriso pequeno.
— A gente precisa do dinheiro.
Meu coração quebra em silêncio.
Porque Lis nunca reclama.
Nunca pede nada.
Nunca culpa ninguém pela vida injusta que teve.
Ela apenas aceita.
E isso dói mais do que deveria.
Eu passo o restante da tarde tentando distrair a Lis.
Assistimos desenho.
Conto histórias.
Deixo ela pentear meu cabelo do jeito torto dela só pra ouvir aquela risadinha gostosa enchendo o quarto.
Mas, por trás de cada sorriso meu… existe culpa.
Porque eu sei que hoje à noite vou deixá-la sozinha naquele hospital.
Quando a noite chega, eu beijo a testa dela demoradamente.
— Eu volto cedo, tá bom? Você nem vai sentir.
Lis segura minha mão pequena entre as dela.
— Promete?
Meu coração aperta.
— Prometo.
Ela sorri tentando ser corajosa.
Mas eu vejo o medo nos olhos dela mesmo assim.
E quase desisto de tudo.
Quase.
Saio do hospital sentindo o peito pesado e sigo para casa.
Nosso pequeno sobrado parece ainda menor naquela noite.
Silencioso.
Cansado.
Eu tomo um banho demorado tentando lavar a ansiedade que cola na minha pele.
Depois começo a me arrumar devagar.
Com calma.
Como se atrasar pudesse impedir aquela noite de acontecer.
Quando termino…
quase não me reconheço.
O vestido vermelho é justo demais.
O tecido abraça meu corpo inteiro, marcando curvas que eu normalmente escondo.
O decote é ousado.
Indecente.
Pela primeira vez na vida, eu pareço exatamente o tipo de mulher que os homens olham em bares caros.
E isso me faz sentir desconfortável imediatamente.
Meu celular toca.
Ivan.
Abro a mensagem com mãos nervosas.
O endereço do bar.
E outra mensagem logo em seguida:
"Vou me comunicar com você por aqui. Quando ele chegar, eu aviso quem é."
Meu estômago revira.
Poucos minutos depois, outra mensagem aparece na tela.
"A missão é conquistar Viktor Morozov."
Eu encaro o nome por alguns segundos.
Morozov.
Mesmo sem conhecer aquele homem…
o sobrenome já soa perigoso.
Pesado.
Como se carregasse problemas junto dele.
Respiro fundo e chamo um táxi.
Porque agora…
Já é tarde demais para retroceder.
Chego ao bar poucos minutos depois.
Assim que entro, me arrependo imediatamente.
O lugar é sofisticado demais.
Escuro.
Luxuoso.
Cheio de pessoas bonitas usando roupas caras e parecendo pertencer àquele mundo.
Eu não pertenço.
Os olhares sobre mim começam quase na mesma hora por causa do vestido vermelho.
Aquilo me deixa desconfortável imediatamente.
Eu abraço a bolsa contra o corpo e sigo até o balcão tentando fingir confiança.
Mas minhas mãos estão geladas.
O barman se aproxima educadamente.
— O que a senhorita vai beber?
Eu balanço a cabeça rapidamente.
— Nada.
Porque estou nervosa demais.
E porque nunca bebi na vida.
Meu celular vibra dentro da bolsa.
Ivan.
Eu atendo imediatamente.
A voz dele sai fria e direta do outro lado da linha:
— Ele chegou.
Meu coração dispara.
— Homem alto, loiro, camisa preta. Tá indo na sua direção… não olha agora.
Meu corpo inteiro fica tenso.
— Presta atenção, Ekaterina. Dá seu jeito. Você só sai desse bar com ele.
Eu fecho os olhos por um segundo.
— E ele precisa ficar incomunicável.
Minha garganta seca imediatamente.
Então Ivan completa, cruel:
— Usa essa sua boceta pra alguma coisa. Eu tô te vigiando.
E desliga na minha cara.
Eu fico parada por alguns segundos segurando o celular com força.
Humilhada.
Com vontade de ir embora dali.
Mas então penso na Lis.
Na cirurgia marcada.
No sorriso dela dizendo que finalmente poderia correr como as outras crianças.
E engulo toda a vergonha.
Toda.
Então…
sinto uma presença parar ao meu lado no balcão.
Alta.
Imponente.
Pesada.
Meu coração acelera imediatamente.
Sem precisar olhar…
Eu sei. É ele.
— Posso te acompanhar ou está esperando alguém?
A voz dele arrepia meu corpo inteiro.
Eu viro o rosto devagar.
E o vejo pela primeira vez.
Loiro.
Alto.
Bonito demais.
O tipo de homem que sabe exatamente o efeito que causa nas pessoas.
E definitivamente tem cara de cafajeste.
Mesmo assim… meu coração acelera.
Eu sorrio de leve.
— Estou sozinha.
Os olhos claros dele me analisam rapidamente antes de se sentar ao meu lado.
— Viktor.
A voz grave combina perfeitamente com ele.
O barman volta na mesma hora.
Viktor pede uma bebida forte sem nem olhar o cardápio. Depois volta a atenção pra mim.
— E você vai beber o quê?
— Um drink sem álcool.
Ele arqueia a sobrancelha.
— Sem álcool?
Eu fico levemente sem graça.
— Eu nunca bebi.
Um sorriso divertido aparece no canto da boca dele.
E, estranhamente…
aquilo me deixa menos nervosa.
Nossas bebidas chegam alguns minutos depois.
Meu celular vibra discretamente dentro da bolsa.
Eu olho rápido a mensagem.
"Boa menina. Agora é só abrir as pernas que o trabalho tá feito."
Meu estômago embrulha imediatamente.
Eu bloqueio a tela rápido antes que Viktor perceba.
— Qual seu nome? — ele pergunta.
— Ekaterina.
Ele repete meu nome devagar.
Como se estivesse experimentando o som.
E eu odeio o fato do meu corpo reagir àquilo.
Porque eu não tenho prática nenhuma com homens como Viktor Morozov.
Na verdade…
não tenho prática com homem nenhum.
Ele fala mais do que eu durante boa parte do tempo. Pergunta algumas coisas sobre mim, faz piadas baixas, comenta sobre pessoas no bar.
E aos poucos…
eu começo a relaxar.
Até um amigo dele aparecer.
O homem se aproxima sorrindo e cumprimenta Viktor de forma animada.
Eu praticamente agradeço internamente pela interrupção.
Porque a presença de Viktor é intensa demais.
Mas o amigo não fica muito tempo.
Assim que ele vai embora, Viktor se inclina discretamente na minha direção.
Perto demais.
O perfume dele me envolve imediatamente.
— Você gostaria de ir pra um lugar mais reservado?
Meu coração dispara.
Na mesma hora lembro de Ivan.
Das mensagens.
Do dinheiro.
Da cirurgia da Lis.
Então eu assinto.
— Sim.
Viktor sorri satisfeito e se levanta.
Ele guia minha saída colocando a mão discretamente nas minhas costas.
E eu tento ignorar o quanto aquilo mexe comigo.
Lá fora, o carro dele é absurdamente caro.
Luxuoso.
Intimidante.
Tudo no mundo de Viktor parece grande demais pra mim.
Assim que entramos no carro, o silêncio pesa por alguns segundos.
Então Viktor se inclina na minha direção sem aviso.
E me beija.
Meu corpo inteiro arrepia.
Porque o beijo encaixa perfeitamente.
Como se ele soubesse exatamente o que fazer.
E pela primeira vez naquela noite…
Eu esqueço completamente por que estou ali.
Viktor se afasta apenas o suficiente para ligar o carro.
Eu ainda estou tentando recuperar o ar enquanto ele dirige pelas ruas iluminadas da cidade como se nada tivesse acontecido.
Mas meu corpo inteiro ainda sente aquele beijo.
Meu coração bate rápido demais.
E isso me assusta.
Pouco tempo depois, o carro entra na garagem de um hotel luxuoso.
Meu nervosismo volta na mesma hora.
Tudo parece rápido demais.
Intenso demais.
O elevador sobe em silêncio.
E quando percebo…
estamos entrando em um quarto enorme.
Assim que a porta se fecha atrás de nós, Viktor me olha de um jeito que faz meu estômago virar.
Como se naquele instante existíssemos apenas nós dois.
Ele se aproxima devagar.
Sem pressa.
Então segura meu rosto e volta a me beijar.
O gosto de álcool invade minha boca enquanto as mãos dele percorrem meu corpo lentamente, despertando sensações que eu nunca senti antes.
Meu corpo inteiro arrepia.
Com facilidade demais, Viktor encontra o zíper do meu vestido e o abre usando apenas uma mão.
O tecido desliza pela minha pele.
E eu deveria impedir aquilo.
Deveria lembrar por que estou ali.
Mas meu corpo também o quer.
Talvez mais do que deveria.
O vestido cai no chão aos meus pés.
Viktor se afasta só um pouco.
O suficiente para me observar.
O olhar dele percorre meu corpo devagar… intenso… quente.
E minhas bochechas queimam imediatamente.
Porque nunca ninguém me olhou daquele jeito antes.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
laddysectet
ela não tem mais volta ela pensa em desistir mais não tem como pq já aceitou a grana já pagou a cirurgia da irmã eo Ivan já deixou muito claro que tá vigiando ela e ele vai matar ela se não fizer,ou seja não existe essa de desistir,e ela dizer que tá pensando em parar quando eles tão quase indo pra cama,pra ela se lembrar pq tá ali,mais fia é exatamente pra isso que você tá aí,cê foi paga pra se prostituir,o Ivan deixou bem claro você aceitou,fora que ele mandou 2 mensagens deixando mais claro ainda que é pra vc fazer isso, então é meio que você já tá fazendo oq veio fazer ,claro que ela fez pela irmã e isso eu não julgo ,ela tá certa sim ,mais tô falando que ela é aceita tudo gasta o dinheiro e na hora fica pensando em desistir,aí fica fácil né depois de já gastar o dinheiro, novamente ela tá certa em ter aceitado pela irmã não julgo ela ,só os pensamentos dela de desistir somente quando já gasta o dinheiro,e ela também que se achar a superior na parte da roupa né,pq tudo bem que não eo estilo dela ,mais ela dizer que todos tão olhando pra ela no bar por causa do vestido e ela se senti igual todas essas mulheres do bar , é muito se achar superior,como se ela fosse melhor por se vestir com outro estilo,sendo que você tá se prostituindo amiga você é exatamente igual essas mulheres só que não é todas elas que tá fazendo oq você tá fazendo a maioria só vai beber com as amigas e só ,tipo não existe superior mais ela se acha
2026-05-19
4
Helena Ribeiro
Nossa tudo rápido mas acho que ele o Viktor vai ama la, começando a ler hoje dia 15/05/2026
2026-05-15
0
Joana Fernandes Dos Santos
Nossa,estou ficando preocupada com a situação dela.
2026-05-09
1