Capítulo 5

O jantar transcorreu em silêncio, exceto pelos miados ocasionais de Michiru, que rondava a mesa como se esperasse receber algo da comida. Alexander, ainda se acostumando à convivência, olhava desconfiado para o gato, que lhe devolvia o olhar com o mesmo receio.

Melisa notou a tensão entre eles e sorriu, divertida.

— Acho que ele nunca vai te aceitar completamente — comentou, tomando um gole de sua bebida.

— Isso é evidente — respondeu Alexander, desviando o olhar do felino. — Você sempre morou sozinha?

A pergunta a pegou um pouco de surpresa. Ela o olhou e depois pousou os talheres sobre a mesa.

— Sim… bem, faz cinco anos que moro em Nova York. Meus pais continuam na Califórnia, têm uma fazenda e são de classe média. São pessoas muito amorosas e me apoiam em tudo, embora, claro, tenha custado muito para eles aceitarem que eu me mudasse para longe para trabalhar no hospital.

Alexander a escutava com atenção.

— E como você se dá com eles agora?

Melisa sorriu com nostalgia.

— Sempre ligo para eles para saber como estão. Sinto falta deles, mas sabem que estou realizando meu sonho. Desde pequena quis ser enfermeira, e quando tive a oportunidade de trabalhar aqui, não hesitei. Claro, no começo foi difícil, mas com o tempo me acostumei.

Ele imaginou como aquela experiência tinha sido difícil para Melisa.

— E fora do trabalho? Você sempre esteve sozinha?

Melisa riu com certa ironia.

— Digamos que minha vida é bastante monótona. Tive dois namorados em toda a minha vida. Um me traiu e o outro se mudou para outro estado, então, como pode ver, o destino não me favorece no amor.

Alexander arqueou uma sobrancelha.

— Nossa, isso soa… desafortunado.

Melisa revirou os olhos. — Mas, sabe? Não estou realmente sozinha. Há um ano e meio tenho o Michiru.

O gato, ao ouvir seu nome, miou orgulhoso e pulou para o colo dela.

— Eu o encontrei quando era apenas um gatinho indefeso, abandonado na rua como se fosse lixo. Não pude deixá-lo ali, então o adotei e o criei com muito amor. Agora olhe para ele, é toda a minha adoração felina.

Alexander observou o gato e depois Melisa, notando a ternura nos olhos dela ao falar de seu animal de estimação.

— Você é uma mulher de grande coração — disse ele com sinceridade. — Não só ajudou este pequeno, mas também me ajudou, um completo desconhecido.

Melisa sorriu.

— Bem, agora você mora comigo. Então, tecnicamente, não estou tão sozinha. Pelo menos até você recuperar a memória.

Alexander a olhou fixamente, como se quisesse dizer algo mais, mas no final apenas sorriu.

— Suponho que isso significa que você vai cuidar de mim por um tempo.

— Exato. Até que eu possa voltar a trabalhar no hospital, ficaremos juntos por uma semana, até que esses mal-estares do resfriado passem. E já que você não consegue se lembrar de quem é, precisamos fazer um plano.

Alexander a olhou com curiosidade.

— Um plano?

— Sim — disse ela com entusiasmo. — Um roteiro. Talvez se sairmos para passear, se fizermos coisas diferentes, você consiga se lembrar de algo. Podemos ir ao cinema, a algum parque, percorrer a cidade… algo que desperte sua memória.

Alexander a observou e disse: — Isso soa… incrivelmente atencioso da sua parte.

Melisa deu de ombros.

— Não posso te deixar aqui trancado sem fazer nada. Além disso, seria interessante ver se algo lhe parece familiar.

Alexander sorriu, com uma expressão mais relaxada do que a que havia mostrado desde que acordou no hospital.

— De verdade, Melisa, você é uma grande mulher. Não só é profissional e dedicada ao seu trabalho, mas também é generosa e amável. Não sei o que fiz para merecer sua ajuda, mas estou agradecido.

Melisa sentiu um leve calor em suas bochechas e orelhas diante do elogio, mas não deixou que a situação se tornasse sentimental demais. Então, com um sorriso travesso, decidiu brincar.

— Bem, espero que quando você recuperar a memória, descubra-se que é milionário e me dê alguns milhões como agradecimento.

Alexander soltou uma gargalhada.

— Então é isso que você espera de mim?

— Ei, se você for pobre, pelo menos espero que me visite de vez em quando — Melisa piscou um olho.

Alexander balançou a cabeça, ainda rindo.

— Combinado.

Ambos riram. Desde que se conheceram, a desconfiança pareceu desaparecer por completo. Havia algo naquela conversa, na forma como Melisa o fazia se sentir confortável, que o tranquilizava.

Talvez, afinal de contas, estar sem memória não fosse tão terrível se tivesse alguém como ela ao seu lado.

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Comments

Fátima Ribeiro

Fátima Ribeiro

está bem legal.
pensando onde já ouvi estes nomes.../Slight//Slight//Slight//Slight/

2025-06-15

0

Valda Lopes

Valda Lopes

Livro bem interessante, estou gostando bastante.

2025-07-14

0

Jessica Carvalho

Jessica Carvalho

o mistério agora é o acontecido com ele né /Smug/

2025-06-22

0

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