Cuidando de Serena
O cheiro forte de antisséptico e o som ritmado dos monitores encheram os sentidos de Ekthor enquanto ele observava Serena deitada na cama do hospital.
O branco dos lençóis contrastava com a pele pálida dela, os lábios entreabertos soltando uma respiração fraca, mas constante.
O coração dele apertava cada vez que os seus olhos percorriam os curativos na sua testa e o soro ligado ao seu braço.
Ele ainda sentia o peso do corpo dela nos seus braços. O desespero de vê-la desmoronar contra ele, frágil, vulnerável, completamente entregue à dor, ainda queimava na sua memória.
Ekthor nunca se sentiu tão impotente antes. Agora, ali, sentado ao lado da cama dela, prometeu para si mesmo que não a deixaria sozinha.
Sem perceber, os seus dedos deslizaram para a mão de Serena, segurando-a com delicadeza.
A pele dela estava fria, o que fez um arrepio percorrer o seu braço. Ele franziu o cenho e, num impulso, levou os dedos dela até os seus lábios, depositando um beijo leve, quase imperceptível.
Ekthor
Você precisa acordar, Serena… *murmurou, o polegar traçando pequenos círculos sobre a palma da mão dela*
Ela mexeu-se levemente, as sobrancelhas franzindo em um incómodo silencioso. Ekthor segurou o fôlego por um instante, esperando que ela despertasse, mas Serena apenas afundou ainda mais a cabeça no travesseiro, os olhos ainda pesados pelo efeito da medicação.
Ela mexeu-se levemente, as sobrancelhas franzindo em um incómodo silencioso.
Ekthor segurou o fôlego por um instante, esperando que ela despertasse, mas Serena apenas afundou ainda mais a cabeça no travesseiro, os olhos ainda pesados pelo efeito da medicação.
O tempo passou devagar. Ekthor permaneceu ali, ajeitando os lençóis quando ela se mexia, molhando um pano para limpar a sua testa ocasionalmente, mesmo que soubesse ser um gesto pequeno, quase insignificante. Mas era tudo que ele podia fazer.
Quando a noite caiu, ele pegou uma cadeira e sentou-se bem próximo à cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, observando cada detalhe dela sob a luz fraca do quarto.
Foi quando os dedos dela se moveram contra os dele. Um toque sutil, fraco, mas suficiente para fazer o seu coração disparar.
Ekthor
Serena? *chamou baixinho, inclinando-se para mais perto*
Os cílios dela tremeram antes dos olhos se abrirem lentamente. Perdida, Serena piscou algumas vezes, tentando entender onde estava. Então, o seu olhar encontrou o dele.
Por um momento, tudo ao redor pareceu desaparecer. Ekthor viu o cansaço nos olhos dela, a confusão, mas também algo mais… algo que fez o seu peito se apertar.
Serena
Ekthor…? *A voz dela saiu fraca, quase um sussurro*
Ekthor
Ei, estou aqui. *Ele apertou de leve a mão dela.* Está segura
Ela piscou lentamente, como se processasse as suas palavras. Então, para surpresa dele, os seus dedos se fecharam ao redor dos dele, segurando com uma força trémula, mas determinada.
Serena
Você ficou…? *Os olhos pesados*
Ekthor
Eu não ia-te deixar sozinha
Um brilho diferente passou pelos olhos de Serena. Algo entre alívio e emoção. Ekthor sentiu sua respiração prender quando ela tentou sorrir, mesmo que de forma fraca
Ele sorriu de volta, seu polegar roçando de leve os nós dos dedos dela.
Ekthor
Você me deu um susto, sabia? Nunca mais faça isso.
Os olhos de Serena se fecharam de novo, e Ekthor percebeu que ela ainda estava fraca. Mas antes que adormecesse completamente, ele viu a ponta de seus lábios se curvar levemente.
Ele não sabia o que era aquele sentimento. Só sabia que queria continuar ali, segurando sua mão, até que a mãe dela chegasse.
Até que ela estivesse forte o suficiente para brigar com ele por estar grudado demais. Até que ele pudesse vê-la sorrir de verdade outra vez.
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