ALBERTO- Vai me explicar, ou vou ter que perguntar para aquela moça?
Cessari se sentou a frente do pai e explicou tudo o que tinha acontecido entre ele e tudo o que ele havia feito com a mulher, não demorou muito para que Alberto levantasse e desse um soco na cara do filho.
CESSARI - O senhor tem a mão pesada papai. - Disse colocando a mão no rosto.
ALBERTO - Que bom que doeu, que sabe assim você tenha noção do que fez com aquela menina, do que os seus filhos poderiam ter passado sem você?
CESSARI - Eu sei, eu me arrependo do que eu fiz, estava passando por tantas coisas, a empresa estava em momento difícil, a Malia não estava podendo vir ajudar, por conta da gravidez, eu estava com muita coisa na cabeça e acabei falando besteira para ela.
ALBERTO - Vai mesmo me dar essa desculpa esfarrapada, só porque você foi covarde para assumir a suas responsabilidades.
CESSARI - O senhor quer mesmo saber o que aconteceu?
ALBERTO - Eu gostaria muito de saber a verdade.
CESSARI - Eu tive medo.- Disse se levantando, já de saco cheio das represálias de seu pai.
ALBERTO - Medo de que Cessari? Você teve educação, sempre teve dinheiro, acha mesmo que teríamos desamparado a Bárbara e o bebê que ela carregava.
CESSARI - Eu sempre fugi de relacionamentos, isso é um fato, mais o senhor nunca se perguntou o porquê?
ALBERTO - Então me diz, o porque de você nunca ter namorado antes?- Perguntou querendo escutar a resposta do filho, sem imaginar o quanto se surpreenderia.
CESSARI - Se eu nunca conseguiu ter um relacionamento serio, foi por causa do senhor.
ALBERTO - De mim?
CESSARI - Sim, porque eu sempre me lembrava de como o senhor ficou pela perda da minha mãe.
ALBERTO - Então a culpa é minha.
CESSARI - Não pai, eu nunca culpei o senhor, nem tive muito tempo para isso.- Disse prendendo a atenção do pai, que notou o olhar triste do rapaz.- O senhor perdeu uma esposa naquele dia, e nós perdemos uma mãe, mais também ficamos sem pai, ficamos dois anos inteiros sem nos ver direito e acho que teria continuado, sinceramente eu não sei o porque você voltou, fiquei feliz, mais até hoje eu não entendo.
ALBERTO - Eu passei momentos difíceis, eu mesmo não me dava conta que o tempo passava.
CESSARI - O Leonel e eu sempre soubemos que a Malia era a sua filha favorita, não porque o senhor a amava a cima de nós dois, mais sim, por se sentir culpado por tê-la rejeitado quando ela nasceu.
ALBERTO - Não fala o que você não sabe.
CESSARI - O que eu não sei? Eu sou o único aqui que pode falar, porque foi eu a primeira pessoa da família a pegar a minha irmã, que o senhor nem se quer foi buscar no hospital, a Malia foi entregue na porta de casa, porque o senhor não se preocupou em ir busca-la.
ALBERTO - Eu estava sofrendo.- Gritou.
CESSARI - Eu sei que o senhor estava.- Gritou de volta.- Eu sei pai.- Disse abaixando o tom de voz.- Mais e na nossa dor? O senhor pensou? Por que eu não pude sofrer o luto pela minha mãe.- Disse e começou a sentir lágrimas surgindo em seus olhos.- Eu tive que desistir da minha infância, pelo bem dos meus irmãos, os seus filhos.
ALBERTO - Você fala como se tivesse feito muito.
CESSARI - E não fiz? Fui eu que criei os seus filhos por dois anos, era eu que levantava de madrugada, para ninar a Malia, foi eu quem arrumava o Leonel para a escola e depois ainda ajudava ele na lição de casa, eu que ensinei ele a andar de bicicleta, era eu que estava quando a Malia disse a primeira palavra e deu os primeiros passos, os meses foram passando e a medida que o senhor se afastava, eu pensava, o porque que eu iria querer me casar.- Disse com o rosto imerso em lágrimas.
ALBERTO - Cessari...- Disse o nome do filho, mais não conseguiu completar a frase, ele não imagina o que se passava no coração do filho.
CESSARI - Quando o senhor resolveu voltar ser o nosso pai, eu ja era essa pessoa, que preferia ficar sozinho o resto da vida, para não sofrer ou fazer outra pessoa sofrer por mim.- Disse e secou as lágrimas com o braço.- Eu entendia que o senhor estáva mal, então na intenção de lhe ajudar, assumi o seu papel, quando a Bárbara veio me contar da gravidez, eu me vi na mesma situação, tudo voltou, fiquei assustado e falei besteira, agora me diz, com que direito o senhor tem de me julgar, se fez igual com os meus irmãos e comigo?
ALBERTO - Eu não sabia que você se sentia assim, filho.- Disse chorando por ver o filho naquele estado.
CESSARI - É fácil me julgar, eu sei, eu mesmo estou fazendo isso, não lhe julgo por pensar tudo o que deve estar pensando de mim, só peço que não se intrometa nessa história, esse assunto é entre a Bárbara, eu e os meus bebês.- Disse, saiu da sala e foi direto para o carro.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Alessandra Almeida
Isso mesmo Babi, eu presenciei isso com minha cunhada, a filha dela mais velha era quem criava os irmãos mais novos, ela praticamente só fazia parir. A menina dava comida, dava banho, arrumava, fazia dormir, as crianças ficavam tão apegadas nela, que pra qualquer coisa buscavam ajuda dela envés de procurar a mãe.
2024-12-08
1
Juliete Figueiredo
não faz sentido, se a ideia era ficar só, então deveria ter virado padre, entrado em um convento, celibatário sei lá... agora achou errado o que o paz fez, sentiu na pele a dor de ficar sem um pai e fez pior do que o pai fez, é incompreensível
2025-01-21
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Isabel Esteves Lima
Cessari sofreu quando a mãe morreu e o pai praticamente os abandonou, ele teve que ser pai e mãe para os irmãos.
E isso afetou o seu relacionamento com a Barbara.
2025-01-19
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