As lembranças dos últimos dias de vida de sua mãe, passou como um filme na cabeça de Sarah,continuou lavando a louça com os pensamentos longe...
se lembrou do dia em que Lêda a espancou porque a flagrou atendendo um cliente em casa, após chegar da escola, não sabia o que era um abraço de um pai ou de uma mãe durante toda sua miserável vida,eles mal notavam sua presença,mas agredi-la fisicamente, aquela foi a primeira vez,Sarah se assustou consigo mesma ao ouvir o soluço se libertar de sua garganta,ao se lembrar como pensou que iria morrer naquela tarde chuvosa...
A escola liberou os alunos mais cedo por faltar professor, completamente encharcada, Sarah entrou em casa tremendo e chorando, todos os seus cadernos haviam sido destruídos pela chuva,e dona Fátima com certeza iria lhe dar uma bronca...
preocupada demais pra se lembrar que a mãe a proibia de entrar na casa sem chamar lá fora,pois a porta estava com a fechadura quebrada,e o barraco,era só um quarto,um minúsculo banheiro e uma área de serviço sem cobertura com um tanquinho onde Sarah lavava as roupas e vasilhas da casa, já que a mãe vivia ou na rua ou dormindo...
sem saber se tapava os olhos ou se corria pra chuva, Sarah deu um gritinho assustado ao ver a mãe de quatro na cama com um homem gordo de barba enorme a penetrando por trás...
_sai daqui fedelha!!!
gritou o homem respirando com dificuldade,mas sem parar de entrar e sair do buraco de sua mãe que a olhou furiosa..
Em total estado de choque, Sarah continuou alí de olhos arregalados e boca aberta,o homem com uma raiva descomunal, removeu o pau de dentro de sua mãe, chutou o traseiro dela que caiu da cama aos berros , vestiu as pressas sua calça, e apanhando o resto das coisas dele nas mãos, chingando Sarah e Lêda que indignada viu o safado resgatar o pouco dinheiro que havia pago pela transa e sair...
sem uma palavra,Lêda jogou em seu corpo magro e desprovido de saúde um vestido que estava jogado no chão, agarrou Sarah pelos cabelos e uma sessão de tapas na cara e chutes,foi a única forma que ela encontrou pra descarregar toda sua dor e revolta por estar naquela situação...as palavras dela soavam ainda nos ouvidos de Sarah que desligou a torneira vendo que havia concluído seu trabalho e sentou-se a mesa num gemido...
_porque vc não me amou minha mãe????Eu era só uma criança,eu desejei tanto seu abraço...
A voz de Lêda soou em seus ouvidos, Sarah segurou a cabeça com as mãos,de olhos fechados,era a pior lembrança que tinha de sua mãe...
_garota idiota,eu me segurei tanto pra não te dizer o quanto eu te odeio,eu me segurei tanto pra não vomitar na sua cara as minhas frustrações,vc é minha derrota em pessoa,vc é uma aberração da natureza,Eu só tenho uma filha que é a minha Dorothy,vc é um lixo, lixo, lixo...
Sarah tentava em vão se soltar dela,doía muito aqueles chutes em seu abdômen,mas as palavras sim,essas haviam destruído sua pouca alegria de viver,essas sim eram chagas incuráveis,sangravam,doíam,dilaceravam a alma...
Depois desse dia, muito machucada Sarah foi levada pra casa de dona Fátima,os vizinhos queriam denunciar Lêda,mas dona Fátima foi contra,...
_vcs não têm pena do estado dessa mulher??? alcoólatra,viciada, aidética...essa coitada já está condenada...
Sarah então entendeu porque não deixavam que usasse os utensílios da casa,sua mãe era portadora do HIV ... queria chorar por ela,queria abraça -la,cuidar dela,mas ela só queria Dorothy...
quando Lêda foi levada ao hospital em estado terminal da doença, Sarah já estava com nove anos,Lêda só chamava por Dorothy, mesmo ferida com a rejeição da mãe, Sarah foi até a mansão, haviam seguranças nos altos e admiráveis portões,um dos homens veio até ela...
_vou pedir às serviçais que lhe traga comida garotinha...
_nao é comida que quero moço,diga a senhorita Dorothy que está aqui,sua irmã por parte de mãe,a Sarah ,precisando falar Com ela...
o homem a olhou com desprezo, depois foi para dentro, voltou mais de meia hora depois,com uma Marmitex nas mãos...
_isso é pra vc,hoje é aniversário do filho do Doutor,a menina Dorothy foi comunicada mas se recusou a vir,me desculpa...
_entendo... moço,diga pra ela que nossa mãe está morrendo,ela chama muito por ela,se ela resolver ir vê -la,ela está internada no hospital público... obrigada moço...
Sarah suspirou ressentida,Dorothy não foi, Lêda partiu sem abraçar a única filha que amou...
. Depois da morte dela,as coisas pioraram pra Sarah,dona Fátima queria acolhe-la em sua casa,mas o marido era contra, Sarah se sentiu mais sozinha ainda,dormia num colchonete no canto da sala, certo dia os ouviu discutir na cozinha:
A mulher insistia:
_piedade marido,a pobrezinha não tem pra onde ir.
_vamos entrega-la pro conselho tutelar,eles se viram, estamos colocando nós e nossos filhos em risco,onde já se viu,a filha da aidética...
_A levo pra fazer exames,se não tiver doente, ficamos com ela, não ver o quanto ela me é útil???
_vc que sabe mulher, depois não diga que não avisei...
Obtendo resultado negativo dos exames, Sarah
ficou servindo de empregada pra família de dona Fátima que a hostilizada, mesmo recebendo dela o melhor...
o tempo passava difícil para Sarah que sonhava ser alguém na vida, alugar um apartamento nem que fosse pequeno,para sair de vez daquela casa que tanto odiava,A senhora gorducha a explorava,e como fez um puxadinho no fundo da casa para abriga-la, agora nem o dinheiro pouco que lhe dava escondido do marido dava mais, alegando ter gastado muito pra lhe dar moradia...
As filhas mônica e Deborah,eram um poço de soberba,a chamavam de leite azedo,por ser loira...e o rapaz se chamava Péricles,ele vivia querendo toca-la,,dizia que o fim de Sarah era ser prostituta como a mãe,e a chamava de olho de gato... Sarah herdou os mesmos traços italiano de seu pai que era , loiro,de olhos azuis...
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Gi
Tadinha da Sarah 🥺
2024-11-22
0
Vanusa Crispim Da Silva
pais sem noção 🥴
2024-11-02
1
Vilma De Souza
Que tristeza meu Deus!!!🥺
2024-08-09
0