Capítulo 3

_Vírginia esqueça isso, não importa mais passou muito tempo.

_Eu te perdôo está bem, mais me conta como assim você está doente??.

Enquanto Vírginia conta da sua doença Bárbara se lembra dos perrengues que passou na rua quando foi expulsa de casa pela mãe.

Eu tinha 4 anos quando meu pai morreu ele era um engenheiro e morreu numa explosão de uma mina no interior do México numa cidade próxima a que nós moravamos minha mãe recebeu um seguro e comprou uma nova casa ela era bem bonita e espaçosa éramos pobres mais viviamos com conforto minha mãe não deixou nem o corpo do meu pai esfriar, no dia que enterramos meu pai ela já o trouxe para morar conosco ainda na nossa antiga casa e foi aí que o inferno começou o Mário que mais tarde eu descobri ser amante da minha mãe e pai da Vírginia meu pai morreu achando que ela era filha dele também, Mário me odiava ele me tratava mal me batia e minha mãe, ela não dizia nada não se importava pois ela também me maltratava quando nos mudamos para a nova casa ela me fez dormir na lavanderia era um quartinho minúsculo eu dormia no mesmo lugar onde havia a máquina de lavar e os produtos de limpeza antes do Mário ela me tratava com amor mais depois ela se transformou em um monstro eu fazia todo o serviço da casa assim que eu chegava da escola se eu não fizesse ela me batia em lugares que ninguém poderia ver e eu não podia contar pra ninguém nem pra minha avó mãe dela pois ela me ameaçava minha irmã também me maltratava me batia rasgava meu dever de casa dizia que eu tinha batido nela e tudo mais o pai dela a tratava como uma princesa e minha mãe também enquanto eu era a empregada deles minha irmã era a rainha ela tinha um quarto enorme só pra ela ia a uma escola particular enquanto eu ia para a pública minha mãe dizia para todos que era melhor assim na rua eu usava roupas bonitas e andava arrumada pois minha mãe não queria que ninguém soubesse o que eu passava, mais em casa eu vivia descabelada e mal vestida não podia sair pra brincar e o único lugar que me era permitido era a casa da minha avó na mesma rua e mesmo assim eu não podia demorar senão ela ou ele iriam me buscar e quando minha avó insistia pra eu ficar eu apanhava em casa era horrível.

Sofri isso dos 4 anos de idade até os 9 anos de idade quando fui embora eu já não aguentava mais aquele inferno eu sempre fui muito inteligente mesmo muito jovem já era a primeira da turma e sabia coisas que a maioria das crianças da minha idade nem sabia o que era eu metia a cara nos estudos pois meu sonho era ver a minha mãe orgulhosa de mim mais isso nunca aconteceu ao contrário ela me batia com os livros quando eu não fazia o que ela queria.

_Já lavou a louça???

_Bárbara está me ouvindo?

_Estou terminando de estudar amanhã e prova mamãe.

_Prova? Que se dane a prova!!! Faça o que eu te mandei sua inútil imunda!!!!!

Ela bate na menina com o dicionário que estava na mesa.

_Ai !!! Não me bate mamãe!! Bárbara começa a chorar.

_Pare de chorar merda !!! Larga essa porcaria e vai fazer o que eu mandei!!!

A mãe joga tudo da mesa no chão. Ela segura a menina pelo queixo e diz:

_Engole esse choro e arrume essa bagunça você tem 15 minutos contados no meu relógio pra fazer o que mandei ou eu vou te matar de porrada ouviu?

_Sim mamãe. Lágrimas escorrem do rosto da menina.

A mãe a solta e volta pra sala pra ver televisão.

Depois de fazer tudo o que a mãe mandou Bárbara vai para o quarto chorar era a sua rotina ela chora tanto que adormeçe.

No dia seguinte.

Bárbara acorda no mesmo horário de sempre faz o café da manhã de todos ela espera que todos se sentem a mesa para ela se sentar também. Tudo o que Bárbara sabe desde fazer comida e cuidar da casa sua mãe a ensinou não pra que ela seja independente mais para ter uma empregada.

Depois do café da manhã ela arruma tudo e vai pra escola enquanto Mário leva Vírginia de carro pra escola ela vai pra escola sozinha com o ônibus escolar que de vez enquando quebra nas estradas da pequena cidade onde ela mora.

Eu, já com 9 anos fui pra rua fui pra rodoviária e peguei um ônibus para a Cidade do México, para a capital menores não podiam viajar sozinhos mais tive a ajuda de uma senhora que pegou o mesmo ônibus que eu e ela me acompanhou e eu pude entrar no ônibus sem problemas.

Quando finalmente cheguei a cidade grande fiquei maravilhada era bem diferente do lugar onde eu vivia luzes gente pra todo lado vários comércios, carros pra todo lado enfim era uma loucura nem nos meus sonhos eu imaginava que era assim.

No primeiro dia eu dormi na igreja me escondi num canto e dormi lá.

Poucos dias depois meu dinheiro acabou eu não tinha a quem recorrer a família da minha mãe nem pensar ninguém acreditaria em mim e na família do meu pai bem eu nem sabia onde eles viviam eu só sabia que meu pai tinha um irmão e os pais dele já tinham morrido eu só vi meu tio uma vez e eu nem lembrava direito dele.

Nas ruas eu conheci outras crianças que como eu estavam em situação de rua começei a viver como eles eu fazia de tudo para sobreviver fazia malabares engraxava sapatos pedia dinheiro pras pessoas na rua começei a roubar as pessoas também fiquei assim dos 9 aos meus 12 anos ,conheçi Pablo ele era o chefe do bando e se tornou meu melhor amigo ele me protegia me ajudava e me ensinava como viver na rua hoje Pablo é meu advogado ele deu sorte conheceu uma senhora e foi adotado, logo depois que eu saí das ruas ele é casado com Sebastian que também é advogado e também meu amigo, Pablo tinha a mesma idade que eu ele fugiu de um abrigo onde era maltratado e desde então vivia na rua com os outros ele usava drogas hoje ele está liberto do vício graças a Deus.

_O que é isso Pablo?

_Cola de sapateiro quer?

_Não obrigado e você não devia cheirar essa porcaria isso fede eca!!

_Você não quer problema é seu mais eu gosto do cheiro e pronto!!!

_Pablo você não está cansado disso?

_De que?

_Disso. Ela aponta pra rua.

_O que quer? Nós não temos ninguém Barbie acostume-se só um milagre pra tirar agente daqui!

_Pois eu queria um milagre cansei disso sinto falta de dormir em uma cama.

Dias depois...

Eu estava andando pela calçada quando passei por um prédio muito bonito era de noite notei que varios carros paravam ali e na maioria das vezes era carros caros tipo aqueles que aparecia nas novelas de gente com dinheiro passei a ir ali todas as noites eu não contei pra ninguém meu segredo eu ficava escondida vendo o movimento de dia quando eu ia eu via mulheres muito bonitas entrando e saindo dali em um dia eu decido entrar ainda era dia quando entro, o lugar cheirava bem era um luxo só, logo notei um lustre bem chique parecendo de cristal fiquei impressionada com aquilo fiquei tão distraída que nem percebi que tinha uma moça falando comigo.

_Eu não quero nada não menina pode embora!!

_O que?

_Se veio vender algo já digo que não quero nada eu tenho mais o que fazer garota!!!

_Não moça eu não vim vender nada eu preciso de um trabalho pode me ajudar?

Aquela mulher me olha sem acreditar no que eu estava dizendo enfim nem eu acreditava que estava pedindo emprego pra uma mulher estranha num lugar estranho.

_Menina o que você faria aqui ? Vai embora logo ou eu chamo a polícia!!

Começo a chorar era a minha única chance eu só tinha 12 anos e ninguém queria me dar um emprego eu precisava sobreviver o que mais eu faria?

_Dona eu sei fazer de tudo sei lavar passar engomar limpar minha mãe antes de morrer me ensinou tudo pode me contratar como empregada se quiser eu só quero sair das ruas moça um teto e comida por favor me ajude ninguém quer me ajudar eu não tenho ninguém.

Glória olha com impaciência pra aquela menina mais quando a ouve falar ela se lembra de sua própria infância e de como é difícil uma criança sem pais sobreviver só.

_Pare de chorar! Quantos anos tem menina?

É onde está sua família?

_12 anos e eu só tinha a minha mãe ela morreu e eu fui parar no meio da rua me ajude me contrate como sua empregada.

_Qual o seu nome criança?

_Bárbara.

_Bárbara você sabe o que fazemos aqui meu bem?

_Não.

_Bem você já tem 12 anos e eu acho que em algum lugar você já deve ter ouvido o que é um puteiro.

_Sabe pra que que serve um puteiro?

_Pros homens se aliviarem?

_Defina aliviarem.

_Eles ficam sem roupas e fazem coisas com as moças não é isso?

_É basicamente isso, e eles pagam por isso querida olha posso te dar um dinheiro pra você comer mais só isso!

Glória que é a dona do lugar olha mais atentamente para aquela menina de olhos verdes intensos ela era linda e quando fosse adulta levaria os homens a loucura.

_Moça posso lavar o chão por favor eu não quero morrer na rua.

_Meu bem se a polícia te achar aqui eu tô ferrada você é de menor menina eu vou me encrencar se acharem você aqui!

_Está bem obrigado pela sua atenção eu já vou indo então desculpa.

Vou me virando pra ir embora a primeira coisa que me vem a cabeça e me jogar na frente de qualquer ônibus e morrer logo ninguém se importaria se acontecesse algo comigo mesmo , quando eu estava chegando na calçada Glória me chamou.

_Ei menina!!

Me virei e ela estava me mandando entrar.

_Ai meu Deus! Eu e meu coração grande Bárbara benzinho vamos fazer um teste ok! Você só trabalha de dia está bem lá nos fundos eu vou te mostrar onde tem um quarto com banheiro tem uma cama lá não é usado pra nada tem apenas umas poucas caixas velhas lá ,você vai dormir lá, e de noite quando abrirmos você se tranca lá dentro e não saia por nada viu?

_Sim senhora.

_A propósito meu nome é Glória sou dona desse lugar e espero não me arrepender de te ajudar, bem já que você diz que sabe fazer tudo depois que a casa fechar você e mais outras moças que trabalham aqui farão a limpeza do salão aqui é muito grande é claro que você não limpará sozinha receberá um salário pra isso depois verei o quanto posso te pagar mais querida não conte a ninguém que trabalha aqui senão você pode me prejudicar entendeu?

_Sim dona Glória!

_Ótimo me chame de Glória. É outra coisa vou arranjar roupas para você não pode ficar andando por aí maltrapilha desse jeito.

Naquele dia minha vida deu uma nova guinada fui para a casa abandonada onde eu vivia com os outros peguei minhas poucas coisas me despedi dos meninos e principalmente de Pablo a quem eu prometi que se um dia eu tivesse dinheiro eu o ajudaria promessa que cumpri anos mais tarde e fui para o lugar ao qual eu passaria alguns anos e que mudaria a minha vida dali em diante.

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Comments

Maria Helena Macedo e Silva

Maria Helena Macedo e Silva

tudo depende de quem, como, onde, quando, para quê, para quem ...uns se lhe dão ou lançam pedras as recebe como maldição ou bênçãos ou são recompensa ou punição...fazem dessas pedras obstáculos ou muros ou degraus ...

2024-03-01

4

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