Todo semana jogo na loteria, e cruzo os dedos na hora dos sorteios.
Mais um experiência para o próximo sorteio, como dizem são as tentativas errando, que faz um dia acertar.
Se não jogar aí sim, não terei nenhuma chance de acertar os números, que me fará milionária ou bilionária, confiro mais um jogo, embolo com a mão serrada, o papel da aposta e que poderia me deixar , sem a preocupação que os inúmeros boletos causam, os atrasados, mais que os que estão à vencer, independe de atrasados ou a vencer todos terão ,que serem pagos, e atiro o volante da aposta não premiada no cesto do lixo.
E em pensamento digo,, estou cheia de experiência, quero ganhar, quando minha sorte vai sorrir para mim, ou acordar, parece que é muito zangada ou dorme em sono profundo.
Naquela manhã tudo parece igual ,a toda manhã de segunda.
Passo na casa lotérica, pego o resultado do jogo, que fiz na sexta feira, que o sorteio foi realizado no sábado, não quis verificar os números sorteados pela internet, no sábado a noite, disse para mim mesma, não vou ver o resultado, pois assim permaneço mais tempo com a esperança de ser a próxima milionária. Kkk!!
Chegando no trabalho escuto um zonzonzom, os colegas conversam entre si, dizendo que o sortudo ou sortuda da vez é da cidade de Nova Esperança, quando eles percebem que estou na copa, um deles se aproxima e fala, será que não é você a mais nova bilionária, já conferiu seu jogo? Sei que joga toda semana.
Olho para ele e digo, não foi desta vez, mas uma hora acerto e dando risada me afasta.
Pego a bolsa e vou fazer as atividades a me designadaso.
O dia corre sem novidades.
Mais um dia de trabalho termina, vou para o ponto do coletivo, sento em um dos assentos destinados aos passageiros e aguardo o ônibus, que chega lotado, e mais uma vez penso, acho que a lata de sardinha tem mais espaço entre as pobres sardinhas enlatadas, que as pessoas dentro do ônibus, que como elas, estão provisoriamente enlatadas naquela lata gigante, que as pessoas denominam de ônibus.
Entro pedindo licença, e vou passando entre os muitos passageiros que estão em pé.
Fico espremida entre os assentos e o corredor lotado de pessoas, que como eu vivem a esperar, torcendo por ônibus vazios no fim do dia.
Chego em casa, tiro as sandálias deixando as na entrada da porta sobre o tapete e vou para o quarto, tiro a roupa e coloca no cesto de roupas sujas, entro no banho e penso, quem será o novo ou nova bilionária, lavo os cabelos, com a certeza, que vou ficar gripada, pois é o que sempre acontece, quando lavo os cabelos a noite.
Visto o pijama, e vou à cozinha preparar o jantar, faço o miojo, que embola em minha boca, depois de alimentada escovo os dentes e volto para o quarto, ligo a TV para assistir o noticiário, termina o jornal e começa a telenovela, que não tem minha atenção.
Resolvo conferir o bilhete da loteria, não acredito no que meus olhos estão vendo, confiro mais uma vez, mais uma, e mais uma, acertei os números, e em voz alta pronúncio como a querer me convencer.
Sou a mais nova bilionária da vez, a agora vou surfar na crista da onda, dar risada e diz para si, o máximo que entro no mar é com a água nos ombros, sendo rica ou pobre a coragem e cuidados são os mesmos, mas certamente uma coisa vai mudar, agora não vou mais precisa ficar em pé e espremida, como sardinha na lata no ônibus.
Não consigo dormir, devido a ansiedade que tomam conta de mim ,deitada na cama olhando para o teto faço mil planos.
O dia amanhece, levanto e coloco o bilhete da loteria premiado dentro da pequena bíblia, que carrego na bolsa, tomo o café da manhã, saboreando o café, que agora tem outro gosto que não é o da pressa de todas as manhãs e lá vou eu para o ponto do coletivo, olho em volta vejo o pedinte, que está todos os dias no mesmo lugar, pedindo esmolas e digo para mim mesma , logo você não vai mais está mendigando alguns trocados, a minha sorte zangada finalmente sorriu para mim e eu vou fazer algumas pessoas também sorrirem.
Amanhã é terça feira, dia de folga na escala, Humm, vou visitar minha mãe, para saber como está meu irmão doente, agora posso pagar a melhor hospital, para ele ficar curado do mal, que roubou sua alegria.
Ele era uma criança alegre, brincalhona, sempre gostou de trabalhar, quando morava no interior ele ajudava um fazendeiro na fazenda, em pequenos serviços, o que era mais diversão que trabalho propriamente dito, os anos passaram e a família mudou para capital, ele logo conseguiu um trabalho como ajudante em uma Oficina, era tão pequeno , Faço uma viagem no tempo lembro dele entrando em casa com as mãos sujas de graxa, ele rindo e fazendo brincadeiras, cresceu e o sorriso, que nascia com o brilho dos olhos e estampava na face se apagou, agora sorria, mas tinha um nuvem escura tomado conta do seu olhar.
Minha mãe é seu porto seguro de amor e compreensão, nunca em hipótese alguma cogitou abandona-lo à própria sorte.
Volto da viagem ao passado.
Dois bilhões nas mãos, tenho que fazer uma lista com as prioridades urgentes a serem resolvidas e depois viajar, mentalmente escrevo a lista.
AS PRIORIDADES:
Prioridade número um, é interna-lo, pois ele é a alegria de minha mãe.
Prioridade número dois, é comprar uma casa grande, com jardins, e quartos, para minha mãe, onde ela poderá hospedar nas férias os filhos e recebe—lós nos almoços aos domingos.
Prioridade número três, é ajudar alguns membros da família, distante, mas família.
Prioridade número quatro é comparar um apartamento, não muito grande , com infraestrutura e o principal segurança, para essa pobre bilionária.
Prioridade número cinco é fazer algumas doações de uma quantia , para um orfanato, para um lar para idosos e para um abrigo para animais.
Com o uso da quantia doada sobre supervisão de uma pessoa de confiança, para que não haja desvio para outro gasto, que não seja atender as necessidades dos abrigos.
Agora vou tirar alguns meses para viajar e pensar no que vou investir a segunda parte do dinheiro, que restou depois das prioridades realizadas.
A Viagem ou as viagens.
Conhecer o Brasil de norte a Sul, conhecer Petra, a cidade esculpida nas pedras, conhecer o Muro das Lamentações na cidade de Jerusalém, conhecer os canais de Veneza, conhecer os arranhas céu em Dubai, que invade as nuvens, conhecer o céu em uma noite no deserto,...conhecer.
Conhecer é um verbo que não tem fim, o mundo do conhecer é finito para os que tem a curiosidade do querer saber.
Pé na estrada e malas na mão, aqui, ali, lá, acolá, Planejo ir, com a certeza, que dinheiro é bom, mas ter valor é melhor que ter preço.
O ônibus chega, entra e a sorte sorrir para mim mais uma v3z, tem um assento vazio do lado da janela, o que me proporciona vista para o mar em todo o percurso, até o ponto que desço , para ir para casa.