Depois de alguns minutos, a mulher finalmente conseguiu se acalmar um pouco.
Ela passou a mão pelo rosto, enxugando as lágrimas que ainda insistiam em cair. Theo continuava ao seu lado, segurando o velho guarda-chuva vermelho sobre os dois.
A chuva caía suavemente sobre o jardim.
As pequenas luzes douradas que saíam do guarda-chuva flutuavam pelo ar, iluminando algumas flores ao redor.
A mulher respirou fundo.
Então olhou para Theo.
— Como... como você entrou neste jardim?
Theo ficou em silêncio.
Ele não sabia exatamente como explicar.
Olhou para o guarda-chuva vermelho em suas mãos.
Depois para a mulher.
Por alguns segundos, parecia procurar as palavras certas.
— Eu sou...
Ele fez uma pequena pausa.
— Sou a pessoa que pode ouvi-la.
A mulher apenas encarou o pequeno garoto.
Ela não parecia entender.
— Pode... me ouvir?
Theo assentiu.
— Por isso estou aqui.
A mulher continuou olhando para ele.
Então, pela primeira vez desde que Theo havia chegado, ela deu um pequeno sorriso.
Mas era um sorriso triste.
— Bom... sabe...
Ela desviou o olhar.
— Existem coisas que não conseguimos falar.
Theo ficou quieto.
A mulher apertou as mãos sobre o colo.
— Às vezes eu queria conseguir dizer tudo o que sinto... mas quando chega a hora, as palavras simplesmente desaparecem.
Theo pensou por alguns segundos.
Então respondeu com sua voz calma:
— Às vezes devemos falar mesmo quando é difícil.
A mulher levantou os olhos para ele.
Theo continuou:
— Se colocarmos para fora, talvez fique mais fácil enfrentar.
Ele fez uma pequena pausa.
— Mesmo que seja doloroso.
A mulher ficou surpresa.
Ela não esperava ouvir aquilo de uma criança tão pequena.
Por alguns segundos, não conseguiu dizer nada.
Então abaixou novamente o olhar.
Seus olhos foram para o jardim.
As flores balançavam suavemente com o vento.
— Esse jardim...
Ela respirou fundo.
— Foi cuidado por uma pessoa muito querida para mim.
Theo olhou ao redor.
— Ele cuidava dessas flores?
A mulher assentiu.
— Sim.
Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.
Dessa vez, não parecia apenas triste.
Parecia uma lembrança.
— Ele passava horas aqui. Cuidava de cada planta como se fossem pequenas coisas preciosas.
Ela olhou para uma flor delicada que estava próxima ao banco.
— Algumas eram muito frágeis. Ele dizia que, justamente por serem frágeis, precisavam de mais cuidado.
Theo ouviu atentamente.
A mulher ficou alguns segundos em silêncio.
Então seu sorriso desapareceu.
— Mas... ele se foi.
Sua voz ficou baixa.
— Eu sabia que poderia perdê-lo algum dia.
Ela apertou as mãos.
— Eu sabia que isso poderia acontecer.
Uma lágrima voltou a escorrer por seu rosto.
— Mas não desse jeito.
Theo não disse nada.
A mulher respirou fundo, tentando controlar a voz.
— Ele...
Ela parou.
Parecia difícil demais terminar aquela frase.
Theo percebeu.
Então, sem dizer nada, sentou-se no banco ao lado dela.
Ele deixou o guarda-chuva sobre os dois.
A mulher olhou para ele por um instante.
Mas Theo simplesmente ficou ali.
Em silêncio.
Não tentou fazê-la parar de chorar.
Não disse que tudo ficaria bem.
Apenas ficou.
Às vezes, era disso que alguém precisava.
De alguém que simplesmente permanecesse.
A mulher ruiva respirou fundo.
Depois de alguns segundos, começou a falar novamente.
— Quando nos conhecemos...
Ela olhou para o outro lado do jardim.
Havia um velho balanço entre duas árvores.
As correntes balançavam levemente com o vento.
— Eu estava naquele balanço.
Theo olhou para onde ela apontava.
— Eu estava sozinha.
Ela deu um pequeno sorriso.
— E então ele apareceu.
A mulher ficou olhando para o balanço.
— Nossa primeira conversa foi...
Ela pensou.
— Como espinhos.
Theo olhou para ela.
— Espinhos?
Ela assentiu.
— Sim.
Ela soltou uma pequena risada triste.
— Nós não gostávamos da companhia um do outro.
— Por quê?
A mulher olhou para ele.
— Porque éramos muito diferentes.
Ela suspirou.
— Tudo o que ele dizia me irritava. E tudo o que eu dizia parecia irritá-lo também.
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
— Mas com o tempo...
Seus olhos ficaram mais suaves.
— Eu passei a observar.
Theo continuou olhando para ela.
— Observar o quê?
— Ele.
A mulher olhou para as flores.
— Comecei a observar como ele cuidava das plantas.
Ela sorriu.
— Principalmente das mais frágeis.
Uma das flores balançou com o vento.
— Ele tinha tanta paciência...
A mulher parecia conseguir vê-lo novamente em sua memória.
— Ele podia passar muito tempo tentando salvar uma única flor.
Ela abaixou o olhar.
— E eu comecei a gostar de ficar perto dele.
Theo percebeu o sorriso que apareceu no rosto dela.
Mas logo o sorriso desapareceu.
— Até que um dia...
Ela respirou fundo.
— Ele teve que ir embora.
O silêncio voltou.
— Eu sabia que deveria dizer alguma coisa.
Ela apertou as mãos.
— Eu queria pedir para ele ficar.
Sua voz tremia.
— Queria dizer tantas coisas.
Uma lágrima caiu.
— Mas não disse.
Theo ficou quieto.
— Por quê?
A mulher demorou para responder.
— Orgulho.
Ela fechou os olhos.
— Acho que foi por orgulho.
A chuva ficou um pouco mais forte.
As gotas começaram a bater sobre o guarda-chuva vermelho.
— E ele foi embora...
Ela olhou para o jardim.
— Sem saber.
— Sem saber o quê?
A mulher respirou fundo.
— Que eu gostava dele.
Theo abaixou um pouco o guarda-chuva.
A mulher continuou:
— E foi assim...
Ela olhou para as flores.
— Entre espinhos e silêncios...
Sua voz quase desapareceu.
— Tudo acabou antes mesmo de ter começado alguma coisa.
Theo permaneceu em silêncio.
A mulher ruiva olhava para o jardim como se cada flor guardasse uma lembrança.
As flores estavam lindas.
Mesmo com a chuva caindo sobre elas.
Algumas eram delicadas demais.
Algumas pareciam prestes a perder suas pétalas.
Theo olhou para as flores que a mulher encarava.
Depois olhou para ela.
E perguntou calmamente:
— Se ele cuidava tanto das flores frágeis...
Theo apontou para uma pequena flor que estava quase tombando por causa da chuva.
— Você acha que ele gostaria que elas ficassem sozinhas agora?
A mulher arregalou levemente os olhos.
Ela olhou para a flor.
Depois para todas as outras.
E, pela primeira vez naquela tarde...
pareceu entender alguma coisa.
O guarda-chuva vermelho brilhou novamente.
Uma pequena luz dourada pousou sobre a flor.
E, lentamente...
ela voltou a ficar de pé.