Estação da luz… horário do último trem…
Tô cansado. Trabalho de corno daquele prédio de Rico…
Entra e sai de gente o dia todo .
Gente de todo jeito. Tipos , cores.
Cheios de sonhos, de si, de pesos.
O único que carrego aqui é o sono.
Gosto do último vagão… gente estranha, bizarra. Me sinto em casa.
Sou o estranho que foi pro mundo,
Tentar a vida …
Continuo tentando. Uma hora da certo.
O dragão de metal vem, abre suas portas e os sobreviventes do caos urbano entram.
Fico no fundo. E vejo uma figura diferente fazer o mesmo na outra ponta .
Cabelos pretos, pele pálida…
Vestia um jeans que tinha mais história que eu pra contar.
Uma camisa preta e uma jaqueta que acho ter roubado de alguém.
Verde militar.
Ela sentou na outra ponta,
Olhos verdes de serpente.
Mediu cada pedaço …
A desgraçada era bonita.
A única parte exposta era o pescoço.
Alvo , onde uma veia teimosa mexia rápido …
Retribui a intensidade…
Que cavalheiro seria de deixar a dama sozinha?
Jamais!
Aquele coturno pesado, não combina
Com a delicadeza daquele pedaço nu
Exposto.
No vai e vem de cada estação, cada
Vez que a porta abre…
Nosso jogo se aperta.
Aquele sorriso de canto.
Que promete tanta coisa…
E depois de 4 estações,
Ela levanta…
E antes de sair
Com os olhos de serpente verdes
Me desnuda mais uma vez.
Adeus pequena pantera.
Será que te verei de novo?