Quando era jovem, para sair só em grupinho.
Hoje, aqui nessa mesa no canto , sozinha.
Que diferença, que diferença.
Com meu drink em mãos,
Curto minha companhia.
A noite tem seu charme,
As pessoas são mais verdadeiras,
Pela falta de sono, ou pelo álcool…
Mas tem algo que não muda.
O me sentir o peixe fora d’água.
Nesse lugar vazio…
Não de pessoas, mas de algo.
Que não se acha em multidões,
Corpos bonitos ou na distração.
Termino meu drink, vou ao caixa e pago.
Não morava muito longe.
Dava para ir andando.
E me misturo com o frio,
Sereno. Silêncio. Com o vazio que incomoda.
Pego o celular, um amigo…
Forte, bonito…
Pergunta onde estou.
Sei o que ele busca.
Não é de agora esse lance nosso.
Mas não hoje.
Essa madrugada de sereno fino
Tão fino e frio,
Quero ir para o meu vazio.
Quando estou perto de casa,
Um veículo conhecido.
Desligado, não tinha ninguém.
Sinto uma pressão no meu braço,
Um puxão forte contra algo maciço
Me prendeu contra a parede,
O coração quase para.
Eu já tia quarentona,
Vivendo adrenalina de dorama?
Fiquei anos na frieza.
E ele sempre ali…
Aguardando .
Como um lobo…
— esperei muito tempo… não tem porque fugir agora.
O ar faltou, e as fomes se encontraram.
O calor daquele beijo.
Me lembrou lá no passado.
Cheio de gosto, de pressão
Que te leva do céu ao inferno?
Quando terminou pela falta de ar
Ainda mexida pela surpresa,
Ele olha no fundo dos meus olhos.
Como se fosse tudo o que esperou
Seu tesouro,
Sua fonte,
O doce mais caro da vitrine.
Aquela mão firme no meu rosto
E o gosto entre nós trocado .
Bem …
O que custa tentar de novo ?