05/05/25
Após o grupo se separar, Helena foi a última a chegar em sua casa. Ela mora bem distante da escola; Além do caminho grande e cansativo, foi extremamente... Calmo. Estava tudo quieto e sem pessoas na rua, nem vivas, nem mortas. Helena achou isso estranho o caminho inteiro, mas decidiu ignorar. Ao chegar na rua de sua casa, ela percebeu que também estava tudo silencioso. Todas as casas estavam totalmente quietas, com as portas abertas, arrombadas, mas de forma limpa e profissional. Ela continuou andando em direção à sua casa cautelosamente e, de repente, pisou em algo... Quando Helena olhou para baixo, viu uma seringa.
— Uma seringa..? — Ela disse, pegando-a do chão e a olhando de perto.
— Cetamina... — Ela leu, mas não conhecia aquele tipo de substância, então ignorou por hora. guardando a seringa em seu bolso e continuou percorrendo o trajeto que a levava até sua casa.
Quando Helena chegou, ela encontrou a porta de sua casa também arrombada, e entrou aos poucos no quintal.
— Pai? Tem alguém aqui? — Ela chamou, mas ninguém respondeu de volta. Ela sentiu medo, mas suprimiu isso, mantendo a calma. Ela subiu as escadas e abriu a porta de sua casa; A primeira coisa que ela viu, foram algumas coisas espalhadas pelo chão e mesa. Ela foi até o quarto de seus pais e abriu a porta aos poucos, encontrando roupas espalhadas pelo chão e em cima da cama. Analisando o cenário, Helena presumiu que sua família saiu de casa apressadamente. Ela então decidiu averiguar mais de perto, mexendo nas roupas em cima da cama, e, no meio delas, encontrou a câmera fotográfica de seu pai. Ele a usava poucas vezes, só em viagens de família e dias especiais. Helena, verificando-a, viu que um vídeo havia sido gravado a poucas horas. Ela se sentou na cama e deu o play no vídeo. Vendo seu pai de frente pra câmera.
— Olá, se há alguém vendo esse vídeo, provavelmente é você, Helena. Ou pelo menos espero que seja você... Algum tipo de organização que nunca ouvimos falar sobre está passando pela região e levando todos para uma "Zona de Quarentena". Parece ser algo bom, mas eles não estão dando opção sobre ir ou não, então não confio neles... Eu e sua mãe não queremos deixá-la sozinha, mas não temos escolha. Não iremos desistir de você e pedimos que você também não desista de nó—
Ele foi interrompido por um som da porta sendo arrombada.
— Nós te amamos, se cuida, princesa.
O vídeo acabou... Lágrimas, que ela tentou segurar com todas as suas forças, escorreram dos olhos de Helena. Desolada, sentia-se
— Que merda, cara... — Ela disse, enxugando as lágrimas, levando alguns minutos para se recompor. Aquela barreira que ela havia criado para não perder o controle havia sido penetrada da forma mais profunda possível. Após um tempo, ela havia se acalmado parcialmente, secando as lágrimas que ainda escorriam e logo se levantando, pois não tinha tempo para lidar com os pesos de seus sentimentos. Ela colocou o cordão da câmera em seu pescoço e pegou uma mochila de seus pais para guardar mantimentos, como água, comida, itens de autodefesa e alguns band-aids. Ela fechou a mochila e a pôs nas costas.
Helena então saiu da casa, fechando a porta. Quando estava prestes a sair do quintal, ela escutou duas pessoas conversando no meio da rua. Assustada, ela se escondeu atrás do muro e tentou espiar por cima, vendo dois rapazes fardados e mascarados...
— Você já chegou a ver um desses tais "monstros"? Soube que eles não são pouca coisa.
— disse um dos soldados.
— Nah, damos conta. Temos mais de cem mil soldados só no Brasil. Pode vir qualquer coisa!
— o outro responde, com tom de confiança e ignorância.
Helena observou eles melhor e logo viu... No peito deles, escrito em seus coletes à prova de bala: "𝙉𝙁𝘼".
— Uma sigla..? — Ela pensou para si mesma e decidiu tirar uma foto com a câmera de seu pai para mostrar a seus amigos depois. Ela pegou sua câmera e tentou tirar a foto da forma mais furtiva possível, mas, quando deu o clique, o flash estava ligado. Isso chamou a atenção dos soldados, que apontaram suas armas na direção de onde veio o barulho e a luz.
— Saia daí, agora! — Um deles disse, se aproximando lentamente junto de seu parceiro.
O papel da foto de repente surgiu na mão de Helena, ocasionando em uma queda para trás, seu lugar havia sido revelado...
— Ai, merda..! — Ela disse, se levantando desesperada e pisando em cima da foto que caiu no chão. Isso fez com que, por algum motivo, os soldados de repente caíssem ao chão, como se houvesse algo pesado sobre eles. Isso assustou Helena, mas ela aproveitou a brecha para se virar e correr. Helena virou-se para a rua ao lado e se escondeu em uma das casas que estavam com a porta arrombada.
— O que ela fez?! — Um dos soldados disse, enquanto pegava sua arma e munições do chão. O outro também se levantou, com a arma em mãos, enquanto verificava a munição.
— Eu não sei, mas a 𝑵𝒂𝒗𝒂𝒓𝒓𝒐 vai gostar dela. — O mais arrogante e convencido disse.
Eles seguiram o caminho e entraram na rua da casa em que Helena havia se escondido.
— Sabemos que está aqui, anomalia. Saia por vontade própria, e não iremos te machucar. — Disse o soldado mais arrogante, para Helena escutar, de onde quer que ela estivesse.
A garota decidiu se manter em silêncio, escondida na terceira casa das casas à esquerda. Ela olhou ao redor, na casa, tentando pensar em uma forma de fugir daquela situação, vendo apenas alguns quadros de uma família que provavelmente foi levada.
— Ela não vai sair. — O outro disse para o parceiro, que só concordou.
— Nós vamos entrar em todas as casas até te encontrarmos. Não tem para onde fugir, anomalia.
O arrogante soldado disse, logo depois, entrou e vasculhou rapidamente, enquanto o outro entrou na casa ao lado, que também nada encontrou. Os dois entraram juntos na terceira casa e pensaram escutar um barulho vindo da cozinha, então se aproximaram lentamente, armas firmes em mãos. Após chegarem na entrada da cozinha, foram surpreendidos por algo como uma cortina de fumaça feita por farinha.
— É farinha! Não inale! — O mais arrogante disse, que logo limpou o visor de sua máscara, na tentativa de enxergar algo.
Seu parceiro não respondeu, e, de repente, atirou sem direção, antes de parar. O outro então foi verificar e encontrou seu parceiro já desacordado no chão. Antes mesmo que pudesse fazer algo, ele escutou a porta da casa se abrindo. Ele correu em direção à porta e tentou abri-la, mas estava trancada.
— Abra essa porta, monstro!! — Ele disse e deu alguns passos para trás, pronto para arrombar a porta com seu próprio corpo, mas, de repente, escutou um barulho vindo da cozinha... Logo percebeu que: o gás estava vazando e uma das bocas do fogão estava acesa.
— Filha da pu—!
Ele foi interrompido pela combustão da farinha no ar entrando em contato com o fogo, o que fez toda a casa ser coberta por chamas intensas e agressivas.
Do lado de fora, lá estava Helena, caída no chão, assistindo à casa em chamas, respirando ofegante, cansada.
— Sinto muito pela casa... — Ela disse, com um dos quadros da família que havia pegado da casa em mãos. Helena, rapidamente o guardou na mochila, junto com a chave da casa que usou para trancá-la. Ela se levantou, a mochila nas costas com algumas coisas básicas para sobrevivência, começando seu caminho de volta para seus amigos, em direção à São Veríssimo... Em busca de um novo REFÚGIO.