A noite já chegara. As nuvens estão dispersas e o céu, escurecia, dando as boas vindas a noite.
Observo a Lua que está cheia, e então, lembro de uma história que a minha avó me contava.
A história começa assim, um homem e uma mulher, que se conheciam desde crianças. O homem seria o futuro imperador, e a mulher, era a sua amiga de infância, filha de uma emprega imperial.
Uma filha de empregada e o futuro imperador. A sua família e nem as pessoas do império iriam aceitar.
Eles se amavam em segredo, e os sentimentos, foram ficando mais claro conforme cresciam. Adultos, passaram a enxergar um ao outro de forma diferente.
Seus encontros eram às escondidas, mas ambos desejavam mostrar para o mundo que se amavam.
—Kallisto— Aurora olhava para todos os cantos, preocupada em serem vistos. Então, ela é puxada por Kallisto e posta contra a parede. Os dois se olhavam, minuciosamente ofegantes
— Diga, meu amor— Aurora deixar escapar um pequeno sorriso, mas logo recomponhe a seriedade no olhar.
— Não fique tão despreocupado! Você será imperador daqui há cinco dias. Precisa se preparar— Kallisto revira os olhos, dando mínima importância a isso.
— Ainda não entendeu que eu amo você? Não me importo se formos pegos. Quero viver com você por toda a minha vida!— Kallisto coloca as suas mãos no meu rosto e enfraqueço por alguns segundos.
Amo esse homem que está na minha frente. Desde quando eu o conheci. A sua rebeldia de não querer ser imperador, a sua gentileza comigo, o seu carinho, o seu amor sincero e determinação para qualquer coisa.
Passos são firmes perto de nós, então, olho para trás e lá está o imperador, o pai de Kallisto. O meu coração gela e Kallisto percebe, então também olha para trás.
Ele não parece estar com medo ou aflito, então ele fica na minha frente, como se me protegesse.
— O que faz com essa empregada, Kallisto?!— o imperador grita.
— Eu amo ela— ele diz, simplesmente, e o imperador parece ficar cada vez mais raivoso.
— Não! Você se casará com uma princesa de outra nação!— o imperador cospe as palavras— Guardas! Matem-na— Kallisto olha para mim e rapidamente me puxa, começamos a correr.
Os guardas estavam vindo, enquanto corríamos em direção a saída. Como as coisas aconteceram tão rápido?
É errado viver com alguém que amamos? Que nos faz bem?
Sei que sou filha de uma emprega e não tenho algo de valor para agregar ao lado de Kallisto, que se tornará imperador.
Mas Deus, eu te peço, me deixe estar com Kallisto. Mesmo que seja por um momento, mesmo que seja raramente. Estar com alguém que amamos é uma dádiva.
Então, uma flecha atravessa o meu peito e paro imediatamente de correr. Kallisto também para e olha para trás, arregalando os olhos.
— Amo... Amo muito você— sorrio, enquanto a dor se intensifica em meu coração e o meu vestido, começa a ficar manchado do meu sangue— Não me arrependo de te conhecer, Kallisto— ele me pega e me deita em seu colo, cuidadosamente, com os olhos vermelhos e cheio lágrimas prestes a vir.
Ele começa a chorar raivosamente e odiosamente. Nunca o vi assim.
Meus olhos se fecham lentamente e assim, tudo está preto.
"O que virá agora?"
Era o que Aurora se perguntava, mas, o que ela não sabia era que Deus ouviu o seu pedido.
"Você será rainha de um reino muito distante. Você e Kallisto me comoveram. Vivam o verdadeiro amor." Deus disse a ela nos seus sonhos.
A aurora ser tornou serva de Deus e passou a cuidar do Sol para sempre. Como rainha. No Sol, havia o reino solar, brilhante e ofuscante, eternamente.
Os cidadãos do reino solar eram os pequeninos brilhantes, luzes que viviam no reino. Viviam e junto com Aurora, que cuidavam do Sol.
Aurora pensou que Deus tiraria as suas memórias da vida passada, porém não. Aurora não deixa de pensar na sua vida passada um dia sequer.
Então, o que ninguém esperava no momento do dia, era que a Lua se encontrou com o Sol. Aurora sabia o que isso significava.
O Sol e a Lua, posicionados frente a frente, Aurora começar a correr até a ponto do Sol e os pequeninos brilhantes a seguiram.
Aurora observou a Lua e viu que tinha as sombras pequeninas, que viviam na Lua. Eles gritavam "temos um rei! Ele chegou!"
Alguns pequeninos brilhantes pularam para Lua em comemoração, e as sombras pequeninas, pularam no Sol também comemorando. Todos juntos e reluzentes.
Enquanto isso, eu observava a Lua. Aguardando por ele.
Então, o seu corpo aparece enquanto caminha pela Lua. Ele está lindo demais. As suas vestimentas eram escuras, combinando perfeitamente com ele.
Ele sorrir lindamente para mim. Começo a correr e pulo em direção a Lua, caindo em cima do Kallisto. Ele está no chão e eu, em cima dele. Nos encaramos com o olhar ardente, sedentos.
— Meu amor, eu pedi a Deus para estar com você novamente — Kallisto faz carinho no meu rosto
— Eu também pedi!— choro e ele me puxa para beijá-lo. Eu retribuo no mesmo instante, necessitada dos seus lábios por um bom tempo— Amo você... Meu rei Lua— afasto os nossos lábios e ele dá sorriso perfeito para mim.
Ele me puxa novamente para nos beijarmos, com mais desejo e fervor. As nossas línguas estão em sintonia, ambos se saciando um com o outro. Nos amamos como se não houvesse fim.
Nesse dia, o Sol e a Lua se amaram e se uniram por completo. Deus na sua linda bondade, permitiu 30 dias de eclipse. Os humanos da terra viveram na escuridão por castigo aos seus erros e pecados.
Kallisto e Aurora viviam como se fossem um só, até o eclipse de 30 dias acabar, e eles voltarem para os seus respectivos reinos.
Eles estavam ansiosos para o próximo eclipse, desejando a alma um do outro como nunca. Mas Deus disse, "se vocês se amam, teram paciência. Assim aconteceu.
Aurora e Kallisto cuidavam dos seus reinos, mas não deixavam de pensar um no outro.
E então, quando o Sol e a Lua ficavam frente a frente, a festa não parecia ter fim. E nem o amor de Aurora e Kallisto.