Capítulo 1
Hoje era a noite dos homens. Reuniam-se, impreterivelmente, as quintas-feiras, de quinze em quinze dias. Era uma noite de jogos e bebida. Sem hora pra voltar pra casa. Sem reclamação.
Seis amigos: Eduardo, Renato, Ricardo, Samuel, Rodrigo e André.
Normalmente a noite terminava às 02:00 AM. Sexta ainda era dia de trabalho. Porém, Ricardo e Rodrigo, mais conhecidos como Rick e Ro eram donos do próprio negócio e sempre esticavam mais a noite.
Próximo à hora de voltar pra casa, todos já estão bem alterados e vão saindo aos poucos, restando apenas os dois. Agora sim eles vão dar inicio a diversão. O ritual que realizam as quintas-feiras de quinze em quinze dias.
Pegam o carro de Ro, e se dirigem para uma praça próximo ao centro. Vão encontrar uma garota para entretê-los por algumas horas. Logo encontram uma que lhes chama a atenção. Veste um vestido curto. Com um decote que vai até o umbigo. Cabelos negros, cheia de curvas. Cara de levada. Concordam que será ela.
Param o carro.
– Boa noite gostosão! Topa dar uma volta? – Eles sorriem e mandam que entre. Vão para a casa de Ro, que está vazia.
A moça diz se chamar Ge. Tem cerca de 28 anos. É quieta, mas seus olhos dizem que não irá decepcionar.
Eles servem três drinks e ela recusa o seu. Após muita insistência, aceita tomar só um. Começou cedo hoje e precisa relaxar. Toma um gole ou outro de vez em quando. Despe os dois e depois inicia seu stripetiase. Enquanto se despe, bebe mais alguns goles.
Eles ficam animados. Olham, mas não tocam. Nunca tocam. Não ainda. Antes que ela termine de tirar a lingerie, cai desacordada.
– Que pena. - diz Rick. – Pensei que duraria mais.
Eles a levam para cama. Terminam de despi-la. Ela tem realmente um corpo perfeito.
Atam seus braços e pernas e amordaçam. Vestem suas roupas especiais. Trocam sorrisos cúmplices. Isso é melhor que Ménage.
Quando ela acorda, os dois estão sobre ela. Aplicam algum tipo de injeção e desamarram as cordas. Mas ela não pode se mover. Nem ao menos um músculo abaixo do pescoço. Está assustada. Com medo. Também não pode gritar.
Para o seu desespero, logo percebe que apesar de ter perdido os movimentos, ainda é capaz de sentir dor. E que a dor não vai ser leve.
Ao lado da cama existe uma mesa. Nela estão dispostas velas, serrotes, martelos, facas, bisturis e mais um monte de utensílios que não é capaz de ver ou identificar. Ela chora em silêncio. Já sabe que não sairá dali.
***
É manhã de sábado. Eduardo está sentado a mesa do café. Enquanto come e conversa com sua esposa, lê o jornal.
“Mais um corpo é encontrado.
Nesta sexta-feira, o corpo de uma mulher que aparenta ter entre 26 e 30 anos foi encontrado as margens do rio que corta a cidade. A polícia suspeita que a mesma possa ter sido vítima do assassino em serie que vem atacando garotas de programa e atemorizando a população.
Segundo os investigadores, o ‘modus operandi’ aparenta ser o mesmo. As agressões sofridas pela vítima foram tão severas e cruéis que sua identificação somente será possível por meio de exames de DNA e da arcada dentaria. Segundo o médico legista, a vitima provavelmente ainda estava viva quando sofreu as agressões. A polícia continua investigando o caso e a caça desse assassino terrível.”
Eduardo se arrepia. Fecha o jornal e pensa em que tipo de pessoa é capaz de fazer isso a um ser humano.