05/05/2026:
Após o grupo se separar, Aurora foi a primeira a chegar em sua casa, que é logo atrás da escola, então consegue chegar até lá em segurança e sem problemas. Ela abriu o portão e logo entrou em sua casa; parecia estar tudo normal. Ela encontrou sua avó sentada, assistindo a uma novela na TV, até que a programação é interrompida para uma notícia de emergência.
— "Atenção, telespectadores, notícia urgente para todo o Brasil e mundo. Há criaturas desconhecidas atacando civis e se espalhando pelo país. Nosso exército e companhia já estão agindo contra. Não saiam para fora e mantenham-se em segurança... Que Deus nos protej-" — o apresentador dizia, antes do sinal ser cortado, agora a TV emitia apenas um som de estática.
A avó de Aurora começou a orar em voz alta, sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas foi interrompida por sua neta tocando seu ombro.
— Vó... — Aurora chamou por sua avó, que se virou assustada e já puxou sua neta para um abraço.
— Ai, graças a Deus você está bem!! Tem alguma coisa acontecendo, você não se machucou nem nada, né?! — ela disse, abraçando sua neta com força. Aurora a abraçou de volta.
— Cadê a mãe e as irmãs...? — Aurora disse, mais preocupada com o resto de sua família e com o que poderia ter acontecido com elas.
— A Eliza tá no quarto dela, mas sua mãe e a Lethy saíram faz horas e não voltaram. — A avó respondeu, claramente preocupada. Aurora soltou sua avó e foi ao quarto de sua irmãzinha, Eliza. Ela estava olhando para fora da janela, vendo o caos se formando pela cidade. Aurora se aproximou dela lentamente e passou a mão pelos cachos da irmã.
— Tá tudo bem? — ela perguntou. Eliza então a abraçou, assustada com a situação. — Eu tô com medo... — a pequena disse, com uma lágrima escorrendo em um de seus olhos. Eliza já sentia que havia algo acontecendo, mas Aurora não quis assustá-la ainda mais; ela a abraçou de volta de uma forma reconfortante.
— Tudo vai ficar bem, eu prometo. — Aurora disse, soando confiante e segura, não querendo demonstrar o próprio medo. — Quer brincar um pouquinho pra passar o tempo? — Aurora propõe, soltando o abraço para olhar nos olhos da irmã, que acena com a cabeça quase imediatamente, já se distraindo do momento.
Aurora brincou com Eliza por alguns minutos, tocando sua guitarra. Enquanto ela tocava, alguns trovões podiam ser ouvidos não muito longe dali, mesmo que não houvesse chuva. De repente... O telhado da casa fez um barulho anormal, como se algo tivesse caído em cima da casa, logo após isso, elas ouviram outro som, um som estranho... Algo como um grunhido. Aurora congelou nesse momento — é o mesmo som daqueles monstros que ela testemunhou na escola.
— O que foi iss-?! — Eliza disse, mas Aurora tampou sua boca imediatamente. Ela largou sua guitarra tão rápido que nem se lembra de si mesma fazendo isso; sua mão tremia enquanto continuava mantendo a irmã calada, que percebeu o medo na respiração ofegante e nos olhos preocupados de sua irmã mais velha.
— Faça o mínimo de barulho possível... — Aurora sussurrou no ouvido dela, a voz quase não saía de sua boca, pelo medo.
Ela segurou a mão de sua irmãzinha e a guiou pela casa, procurando pela avó, porém, ela não estava mais na sala... O coração de Aurora disparou de medo e ansiedade, mas ela continuava procurando pela sua avó, evitando ao máximo fazer barulho. Enquanto isso, os barulhos no teto se tornavam mais frequentes, como se o que estivesse lá se movesse procurando por algo. Aurora tampou sua boca e a de Eliza por precaução, mas enquanto tentavam manter silêncio...
— Aurora? Que barulho foi esse? — a avó perguntou, da cozinha. E logo após isso, um terrível som — um rugido — pode ser ouvido do telhado, seguido por silêncio... Um silêncio mortal e desconfortável...
Os batimentos de Aurora ficavam cada vez mais rápidos e sua respiração travava inconscientemente, como se seu corpo estivesse a alertando e exigindo que ela fizesse algo...
Ela andou lentamente para a cozinha e viu sua avó olhando atentamente para a janela. Nesse momento, Aurora sentiu um mal pressentimento... Como se algo ruim fosse acontecer.
— Vó! Sai de perto da janela!! — ela gritou aflita, mas já era tarde. Um monstro quebrou a janela e saltou para dentro da casa, lançando a avó de Aurora para trás. Eliza gritava de medo vendo a criatura e a facilidade com que ela lançou sua avó para trás. Por um breve momento, Aurora hesitou pelo medo, mas logo foi proteger sua avó. Ela pegou a primeira coisa que viu — uma jarra de suco feita com porcelana — e a quebrou na cabeça do monstro. O que normalmente não teria muito efeito, mas o monstro sentiu e até mesmo recuou um pouco. Aurora aproveitou o momento e foi até sua avó para se certificar de que ela estava bem, ajudando-a a levantar.
— Eliza!! Se esconda!! — Aurora gritou para sua irmãzinha, que estava paralisada.
O monstro, ao se recuperar, olhou diretamente para Aurora, como se sentisse algo diferente, e então deu um rugido alto, logo após esse, mais rugidos são ouvidos.
— Tem mais deles... — Aurora disse para si mesma, sentindo uma forte onda de medo, mas sem tempo para parar por isso. Ela ajudou sua avó a andar o mais rápido possível, mas já era tarde: mais monstros invadiram a casa, derrubando uma parte do telhado, o que fez Aurora e sua avó caírem no chão...
A poeira era alta, e só se ouvia aquele som esquisito das criaturas, como se elas se comunicassem. Aurora se esforçou para levantar, a ponto de cambalear, quase caindo ao ficar de pé; sua perna estava machucada. Ela olha para o lado e sua avó não estava mais lá. E quando a poeira baixou um pouco, ela conseguiu ver — sua avó estava rodeada por duas das criaturas.
— Vó!! — Aurora gritou, se preparando para tentar salvá-la, mas nesse momento, do outro lado, veio um grito.
— Aurora!! — Era Eliza. Ela estava presa em pedaços do telhado que caíram, com um monstro tentando atacá-la.
Aurora travou. Ela só conseguiria ajudar uma. Ela precisava escolher, e hesitava em qualquer uma das escolhas, até que o olhar dela se encontrou com o de sua avó, que murmurou algo como "Salva ela". Nesse momento, Aurora fez sua escolha...
Ela escutou sua avó e foi salvar Eliza, mancando e arrastando uma das pernas. Ela pegou um pedaço do telhado do chão e atacou o monstro com toda sua força; enquanto ele estava atordoado, ela começou a tirar os destroços de cima da irmã. Parecia até ter ganhado mais vigor de repente. Ela alcançou sua irmã, a pegou no colo e correu em direção a qualquer tipo de saída o mais rápido possível, evitando ao máximo olhar para os lados e não ver o assombroso fim de sua avó. As lágrimas escorriam dos olhos dela, mas ela não podia mais voltar atrás. Ela conseguiu sair de casa — um lugar que antes era seguro, havia se tornado o pior lugar para ela...
Ela levou Eliza no colo em direção à Escola Municipal São Veríssimo, onde havia combinado com seus amigos de se encontrarem, na esperança de fazer daquele lugar... Um novo REFÚGIO.