O sol já mergulhava no horizonte quando Salomão Eltharion chegou ao vilarejo de Valemér. Era uma pequena comunidade de agricultores, com casas modestas cercadas por campos de trigo dourado. O guerreiro procurava apenas descanso depois de dias na estrada, mas o silêncio inquietante o fez parar.
Crianças, que normalmente correriam pelos campos, estavam escondidas atrás das portas, espiando pelas frestas. Os rostos dos adultos eram de medo e desespero. Salomão desmontou de seu cavalo e dirigiu-se à taverna, onde um velho, com olhos cansados, parecia esperar algo terrível.
Você é um viajante, suponho disse o ancião, olhando para a armadura leve de Salomão, adornada com runas de equilíbrio. Espero que não esteja planejando ficar muito tempo.
O que acontece aqui? perguntou Salomão, ignorando o tom de desconfiança.
O velho hesitou antes de responder:
Somos ameaçados por Rorik, um bandido cruel. Ele exige metade de nossas colheitas e riquezas. Tentamos resistir uma vez... e ele queimou nossos campos. Agora, ele volta em três dias para tomar o que quiser.
Salomão permaneceu em silêncio por um momento, absorvendo as palavras. Seus olhos se voltaram para o ancião.
Rorik não voltará a ameaçá-los. Prometo isso.
Salomão reuniu os aldeões na praça central naquela mesma noite. Eles eram um grupo desorganizado, sem treinamento, armados apenas com ferramentas agrícolas. No entanto, Salomão enxergava potencial.
Vocês são mais fortes do que imaginam. A força de Rorik está no medo que ele inspira. Vamos mostrar a ele que Valemér não é um lugar de vítimas.
Nas duas noites seguintes, Salomão transformou os aldeões em uma força coesa. Usaram carroças e sacos de areia para criar barricadas nas entradas do vilarejo. Ele ensinou truques simples de defesa, posicionamento e uso de lanças improvisadas. As mulheres e crianças ficaram encarregadas de cuidar dos feridos, caso necessário.
Enquanto isso, Salomão estudava o terreno. Ele notou uma colina ao norte, perfeita para uma emboscada, e um riacho ao sul, onde poderiam dificultar o avanço dos bandidos.
Na manhã do terceiro dia, o céu estava cinzento. Salomão estava na entrada principal do vilarejo quando avistou Rorik e seus homens. O líder bandido era um homem corpulento, com cicatrizes no rosto e uma espada que parecia já ter tirado muitas vidas.
Quem é você? gritou Rorik, ao ver Salomão parado, sozinho, no caminho.
Sou Salomão Eltharion. Este vilarejo está sob minha proteção. Se quiser algo daqui, terá que passar por mim.
Rorik riu, acompanhado de seus homens.
Um homem contra vinte? Está louco!
Salomão apenas sorriu e recuou para dentro do vilarejo, desaparecendo entre as barricadas.
Quando os bandidos avançaram, foram recebidos por uma chuva de pedras e lanças improvisadas. Os aldeões, escondidos atrás das barricadas, usaram tudo o que Salomão havia ensinado. Eles atacavam e recuavam, nunca ficando expostos por muito tempo.
No caos da batalha, Salomão enfrentou Rorik diretamente. O bandido era forte, mas bruto em seus movimentos. Salomão, com a calma e precisão de um estrategista, desviava dos ataques com agilidade.
É isso que você chama de força? provocou Salomão, enquanto desarmava Rorik com um movimento rápido.
Com um último golpe, ele derrubou o líder bandido, que caiu de joelhos.
Leve seus homens e vá embora. Nunca mais retorne a Valemér ordenou Salomão.
Rorik, humilhado e derrotado, obedeceu.
Quando a poeira da batalha assentou, os aldeões se reuniram ao redor de Salomão. Eles o saudaram como um herói, mas ele apenas sorriu.
Não fui eu quem venceu hoje. Foi a união de vocês. Nunca se esqueçam disso.
Na manhã seguinte, Salomão partiu, deixando Valemér mais forte do que quando chegou.