Xie Ling fixou o olhar em seu amigo, que exibia um sorriso bobo enquanto contemplava uma garota próxima.
Era evidente a admiração nos olhos dele, que brilhavam com um tom dourado, refletindo todo o encantamento que ele sentia pela jovem. Essa cena provocou um aperto no coração de Xie Ling, gerando nele uma sensação de angústia e insegurança.
[ Por que você não me olha assim? ]
A pergunta ecoou suavemente em sua mente, uma pequena frustração que ele guardou para si, não desejando que seu amigo percebesse o turbilhão de emoções que se formava dentro dele. A comparação entre o olhar admirado do amigo e a falta desse mesmo brilho direcionado a ele causou um mal-estar que Xie Ling não conseguia ignorar.
Xie Ling e Liang Xi eram amigos inseparáveis desde a infância, compartilhando momentos, segredos e sonhos. A conexão entre eles era tão profunda que, desde pequenos, tornaram-se cúmplices em todas as situações, sempre prontos para apoiar um ao outro em qualquer desafio. Porém, essa amizade, que parecia ser inabalável, trazia para Xie um dilema emocional profundo.
A cada novo desamor de Liang Xi, Xie sentia como se uma facada atravessasse seu coração. Cada relato triste sobre relacionamentos frustrados e desilusões amorosas afetava Xie de maneira intensa, já que ele nutria sentimentos muito mais profundos por seu amigo do que apenas amizade. Não era apenas a dor das desilusões de Liang Xi que o abalava; a tristeza que emana do coração do amigo atingia Xie de maneira devastadora.
Além disso, Xie não conseguia suportar ver Liang Xi triste devido às crueldades alheias. O amigo frequentemente lidava com comentários maldosos e insultos sobre sua aparência, sendo chamado de feio por pessoas que realmente não compreendiam sua verdadeira essência. Para Xie, essa situação era um peso enorme, pois conhecia o valor e a beleza interior que Liang Xi possuía, tão distantes das críticas insensíveis que ele recebia. Ver seu amigo chorar, afetado por essas palavras cruéis, fazia o coração de Xie se apertar de dor e impotência, tornando sua amizade uma montanha-russa de emoções que ele lutava para navegar.
Liang tinha uma tonalidade de pele mais escura, o que o tornava alvo de olhares e comentários que o colocavam em uma posição de diferença em relação ao que a sociedade considerava o padrão de beleza. Essa situação gerava uma profunda irritação em Xie. Para ele, Liang era a personificação da beleza, a mais pura e impressionante que seus olhos tinham a chance de contemplar.
Enquanto Xie refletia sobre isso, um novo suspiro escapou dos lábios de Liang, e, incapaz de conter sua curiosidade, ele virou a cabeça na direção do som. Foi então que seus olhos se depararam com uma cena que o deixou ainda mais angustiado: a garota, que antes chamara sua atenção, estava se entregando a um beijo apaixonado com outro rapaz, um atleta do time de basquete. O contraste entre a cena e seus sentimentos por Liang se tornou ainda mais doloroso, intensificando a confusão emocional que o envolvia.
Xie sabia que seu amigo estava se sentindo triste e cabisbaixo. Ele tinha a autoestima muito baixa, sempre tentando se padronizar, perdendo a própria identidade.
Com um sorriso tranquilizador, Xie Ling aproximou sua mão das costas de Liang, dando leves batidas. O amigo triste sorriu quebrado, recebendo o consolo de bom agrado.
“Xie, você acredita que um dia eu vou encontrar alguém que realmente me ame?” A pergunta saiu em um sussurro, quase como se ele temesse a resposta.
Xie respondeu com um sorriso encorajador, “Claro que sim. A pessoa certa ainda não apareceu na sua vida.”
[Na verdade, você apenas não me escolheu.]
Esse pensamento ficou preso em sua garganta. Ele desejava expressar suas verdadeiras emoções, mas se conteve, segurando as palavras que quase escaparam. Em vez disso, optou por um gesto de carinho, acariciando suavemente as costas do amigo, tentando confortá-lo com sua presença.
Um silêncio pairou entre os dois, criando uma atmosfera tensa que se estabeleceu por alguns minutos. Durante esse tempo, Liang permaneceu em sua cadeira, claramente inquieto. Ele ajustou sua postura, como se tentasse encontrar conforto, mas sua expressão denunciava um certo nervosismo. Embora fosse fisicamente grande, ele se sentia tão assustado e ansioso quanto um pequeno filhote de cachorro que se encontra afastado de seu dono, o que, no seu caso, significava estar longe de Xie Ling.
Finalmente, tomando coragem, Liang decidiu quebrar o silêncio. Com um tom de voz tímido, ele disse: "Eu queria te mostrar uma coisa depois da escola.” A vergonha o envolvia como um manto, mas mesmo assim, ele conseguiu articular suas palavras, revelando um desejo de compartilhar algo importante.
— O que pode ser? — Perguntou Xie, se esforçando para recordar algum evento recente que pudesse explicar a situação, mas sua mente estava em branco. — Engravidou alguém?
Liang arregalou os olhos, visivelmente chocado com a sugestão. Ele começava a balançar as mãos no ar de maneira animada, em um gesto claro de negação.
— Não! Você está louco?! — respondeu rapidamente, sua voz cheia de incredulidade.
— Então, o que é? — insistiu Xie, curioso para saber.
— É uma surpresa! — declarou Liang, a empolgação estampada em seu rosto.
Nem parecia que ele havia acabado de sofrer uma ilusão amorosa.
Xie assentiu, um sorriso largo se formando em seus lábios, um sorriso que deixou Liang com as bochechas avermelhadas, envergonhado pela reação espontânea.
Nesse momento, o sinal soou, alertando que era hora de eles retornarem à sala de aula. Com isso, os dois seguiram em direção ao ambiente, um misto de expectativa e ansiedade pairando entre eles.
Mais tarde, após o horário escolar, Xie Ling foi praticamente puxado e arrastado para a casa de seu amigo. Ele mal teve tempo de protestar, antes que sentisse seu corpo sendo lançado na cama macia do quarto.
Confuso, ele observou Liang entrar rapidamente no banheiro.
[Será que ele está tão apertado assim para urinar?] Ele se perguntou, pois viu a pressa com que Xie entrou no banheiro.
Xie retirou a gravata que fazia parte de seu uniforme e se acomodou confortavelmente na cama. O calor estava insuportável e, para piorar, seus cabelos estavam grudados na testa, o que o deixava ainda mais irritado.
Enquanto tentava se reorganizar, ouviu o barulho da porta do banheiro se abrindo e, imediatamente, virou-se para ver quem era.
Assim que seus olhos se fixaram em Liang, tudo ao seu redor pareceu congelar. Seu coração começou a bater mais rápido, e a sensação de secura na garganta se intensificou, tornando-se quase desconfortável.
Liang sorriu amplamente, exibindo seus dentes brancos como pérolas, enquanto se aproximava de seu amigo.
— Você gostou?
Ele perguntou, seu olhar esperançoso fixo em Xie. No entanto, Xie ficou em silêncio, paralisado, como se fosse uma estátua, e isso deixou Liang bastante apreensivo. A insegurança começou a tomá-lo, e uma preocupação crescente o invadiu: será que ele estava tão feio assim?
Depois de um momento de hesitação, Xie finalmente quebrou o silêncio.
— Por que você está vestido assim?
Liang respirou aliviado ao ouvir a pergunta, e então respondeu de forma sincera.
– Eu queria agradar uma pessoa especial. Mas não tinha certeza se ela iria gostar, então decidi perguntar a sua opinião. — Ele explicou, sentando-se na cama com um leve suspiro, como se estivesse compartilhando um pequeno segredo.
O vestido que ele usava era semi-transparente, permitindo vislumbrar seu corpo musculoso e bronzeado, que exibia cada curva de maneira sensual. Suas pernas, robustas e bem definidas, chamavam atenção, destacando-se de forma imponente. Ao se sentar na cama, sua postura ressoava majestosidade, quase como a de um rei em seu trono, emanando uma aura de poder e confiança.
Xie Ling se via em uma batalha interna, lutando contra seus próprios desejos. Ele se sentia perdido, sem saber como agir diante da situação. Uma parte dele ansiava por permanecer ali, próximo de Liang, mas a inquietude crescente em seu peito o alertava sobre o perigo dessa proximidade. Se não tomasse uma atitude e se afastasse, temia que a paixão incontrolável o dominasse, levando-o a reivindicar Liang de uma forma que poderia destruir a amizade que ambos tinham construído ao longo dos anos.
Com um repentino impulso, ele se levantou, decidindo que era melhor ir embora. Ao fazer isso, Liang Xi não pôde deixar de sentir uma onda de confusão se apoderar dele.
— O que aconteceu? Eu sou tão repulsivo assim que você não consegue sequer olhar para mim? — As palavras dele saíram entrecortadas, carregadas de um peso emocional que denunciava seu estado de vulnerabilidade. Ele estava lutando para segurar as lágrimas, pegou o lençol que estava ao seu redor e se cobriu, como se isso pudesse protegê-lo da vergonha que sentia de si mesmo.
Por outro lado, Xie Ling não conseguiu suportar aquela expressão de dor e desespero que Liang Xi exibia. Era como se aquele olhar o estivesse consumindo por dentro. Na verdade, ele não estava se afastando por repulsa ou aversão, muito pelo contrário. Ele queria se retirar da situação porque sabia que, se ficasse ali, correria o risco de ceder a impulsos indecentes. A intensidade do momento e as emoções à flor da pele tornavam tudo ainda mais delicado e complicado.
No momento em que viu seu amigo em prantos, ele sentiu que não havia outra alternativa a não ser permanecer ao seu lado. Algo dentro dele o impulsionou a se aproximar de Liang, que estava visivelmente abalado. Com uma voz ofegante, ele fez um pedido inesperado: — Você poderia tirar a coberta? Gostaria de admirar você.
Liang, ao ouvir aquelas palavras, olhou em seus olhos, tentando decifrar o que se escondia por trás da expressão de seu amigo. Após alguns instantes de hesitação, decidiu atender ao pedido e removeu a coberta que o envolvia. Ao fazer isso, ele percebeu que o olhar de Xie percorreu cada centímetro do seu corpo, como se estivesse absorvendo cada detalhe minuciosamente, sem deixar nada escapar. Essa atenção o deixou inquieto, provocando uma sensação intensa de calor que subiu pela sua pele, fazendo-o sentir-se exposto e vulnerável, mas, ao mesmo tempo, intensamente desejado.
Com grande coragem, ele segurou a mão de Xie e puxou-o gentilmente para o centro da cama. Olhou nos olhos do amigo, que o observava com uma expressão curiosa e atenta. Um sorriso se formou nos lábios de Liang, que, em um gesto confiante, abriu as pernas, criando um espaço para que Xie se acomodasse entre elas. A atmosfera na sala parecia carregada de expectativa.
“E então, o que você estava planejando, exatamente?” Questionou Xie, sua voz carregada de curiosidade.
Liang respirou fundo antes de responder. “Para ser sincero, eu estava querendo agradar você…”
Essas palavras deixaram Xie em choque, sua mente instantaneamente parou para processar a informação. “Por que?” foi a única pergunta que conseguiu formular, tomada pela surpresa e pela confusão que se formava em seu interior.
“Não sei. Apenas desejei. Talvez tenha sido porque te vi com aquela tal de Yuna.” Seus lábios se curvaram em um desdém ao pronunciar o nome da garota, e isso fez com que Xie ficasse intrigado.
“Você estava com ciúmes?” provocou Xie, um sorriso travesso se formando em seu rosto.
“E se eu estiver? Ela vive jogando-se em cima de você!” Liang respondeu, com uma irritação clara em sua voz.
" Mas você estava querendo aquela outra garota." Retrucou.
Liang mordeu o lábio inferior.
" Talvez... Talvez o meu objetivo fosse atiçar sua atenção." Ao revelar sua intenção, Xie deu um sorriso não acreditando naquilo.
" Sério isso?"
Liang assentiu, " Aham, mas não deu certo." Ele fez um bico.
Xie Ling queria morder aquele bico.
“Hum. Então, o que eu deveria fazer para me redimir dessa situação?” indagou Xie, com um tom brincalhão.
Liang se inclinou, quase colando os lábios ao ouvido do amigo, e sussurrou alguma coisa.
— Quero que você me mostre o quanto sou amado e que me deseja da mesma forma que eu desejo você.
Xie Ling permaneceu imóvel por um momento, absorvendo as palavras que ressonaram no ar, até que um sorriso se formou em seus lábios.
— Com prazer. — respondeu ele, admirando a determinação nas palavras de Liang.
Liang sentiu mãos quentes deslizando suavemente por sua coxa, apertando de leve e causando arrepios em sua pele. Os lábios de Xie Ling se aproximaram do seu pescoço, estrelando delicados beijos que despertavam sensações intensas e prazerosas. Cada centímetro do corpo de Liang foi explorado com cuidado e carinho, enquanto Xie Ling sussurrava elogios sinceros que deixavam o clima ainda mais carregado de desejo.
A preparação que se seguiu foi lenta e envolvente, repleta de preliminares que tinham como objetivo acender a paixão entre eles. Gemidos satisfeitos e espasmos de prazer escapavam dos lábios de Liang, refletindo o deleite que aquelas carícias lhe proporcionaram. A conexão entre os dois se intensificava, criando um momento de intimidade profunda e significativa.
Ele sentiu cada poro de seu corpo vibrar intensamente, como se um formigueiro de sensações tomasse conta de sua pele. Ao perceber a invasão em sua cavidade, seu corpo se curvou involuntariamente, arqueando as costas em resposta ao prazer inesperado. As suas mãos, guiadas por um impulso quase primal, se dirigiram com vontade aos braços de Xie, buscando apoio e ao mesmo tempo transmitindo todo seu deleite.
Xie, por sua vez, estava atento a cada som escapando dos lábios de Liang, captando a essência de sua entrega em cada gesto. Ele apreciava a maneira como Liang reagia, como se cada movimento e cada gemido fossem música para seus ouvidos. A conexão entre eles se aprofundava, e a paixão que compartilhavam era palpável.
Xie adorava sentir cada centímetro do corpo de Liang, explorando-o com uma mistura de desejo e ternura. A intensidade daquele momento se tornava inigualável, e ambos se entregavam completamente àquela experiência única e envolvente.
Sentiu Liang se desmanchar em suas mãos, exibindo um sorriso encantador. Um beijo quente o envolveu de forma intensa. Em seguida, ao explorar aquele espaço sagrado e intocado, ele teve a paciência necessária para permitir que Liang se entregasse no seu próprio tempo. Com a proximidade, a temperatura aumentou, como se o ambiente se tornasse um verdadeiro forno. O ar se impregnava com o aroma inebriante da situação, criando uma atmosfera carregada de desejos e sensações.
Liang mordeu o lábio inferior, um gesto de deleite, enquanto seu ponto sensível era explorado com intensidade. Ele revirou os olhos, sentindo o prazer e a dor se entrelaçarem naquela região do corpo, que estava sendo tratada de forma implacável. Era uma experiência intensa, e ele estava se entregando a ela completamente, especialmente porque tinha plena consciência de quem estava causando essa sensação avassaladora.
Quando decidiu comprar aquela roupa, um misto de ansiedade e expectativa o dominou. Embora já nutrisse sentimentos por Xie, não tinha certeza se o mesmo compartilhava do mesmo afeto. No entanto, agora tudo se revelava, pois sentia-se ligado a Xie de uma maneira profunda e intensa. Era uma conexão repleta de prazer, algo que transcendia o físico e estabelecia um elo emocional que os unia ainda mais. A descoberta desse vínculo deixava Liang em estado de êxtase, fazendo-o redescobrir o que era o amor e a atração.
Quando decidiu adquirir a roupa, uma sensação de hesitação tomou conta dele. Embora já nutrisse sentimentos por Xie, não tinha certeza se o jovem compartilhava do mesmo afeto. No entanto, naquele momento, a incerteza havia se dissipado; eles estavam verdadeiramente conectados. Essa conexão era intensa e repleta de prazer.
Os dois estavam imersos em um estado de êxtase pleno, alheios a qualquer preocupação ou distração externa. Liang, em sua empolgação, rapidamente começou a demonstrar suas habilidades nas artes amatorias, deixando as emoções aflorarem, a ponto de lágrimas de felicidade escorrerem pelo seu rosto. Por sua vez, Xie observou cada demonstração de afeto e habilidade de Liang com muito carinho, sentindo-se tocado pela sinceridade do momento que compartilhavam.
Ambos se deixaram levar pelo cansaço, desfazendo-se em meio à exaustão. A respiração de ambos estava irregular, acompanhada de uma sensação de fadiga profunda que se instalou após um longo dia. A conexão entre eles era palpável, uma mistura de afeto e intimidade que não podia ser ignorada.
Xie sorriu, sentindo a presença de Liang ao seu lado. As suas testas estavam suavemente encostadas uma na outra, um gesto terno que simbolizava a união de suas almas. Era um momento de pura vulnerabilidade e entrega.
“Eu amo você”, Liang declarou com sinceridade, abrindo, em um gesto simbólico, a porta do seu coração, revelando seus sentimentos mais profundos.
Xie, tocado pela declaração, sorriu ainda mais e respondeu com a mesma intensidade: “Eu também te amo”. Em um ato de compromisso, ele então pegou a chave da porta que simbolizava seus sentimentos e, com um gesto cuidadoso, entrou nesse espaço íntimo que ambos criaram juntos. O amor entre eles se solidificou naquele momento, se tornando um abrigo seguro.
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Uma semana se passou desde o último encontro.
— XIE LING! — gritou Jin, aparecendo de maneira repentina, como um furacão inesperado.
— JIN?! — exclamou Xie, perdendo o controle e quase deixando o copo de suco escorregar de suas mãos.
Com um movimento brusco, Jin arrastou uma cadeira para se sentar, fazendo com que ela tilintasse e quase saísse voando pelo chão.
— Olha só quem decidiu dar o ar da graça! Você anda sumido, hein? Está vivendo a vida ou apenas se arrastando? Uma semana se passou desde o último encontro.
— Sobrevivendo com estilo. — comentou, enquanto derramava o suco em um copo como se fosse um shot de tequila, dando um toque de humor à situação.
— E você? — perguntou, curioso.
— Ah, meu amigo... fiz algumas aventuras pelo mundo. Uma vez, me vi perdido em uma rave em Budapeste, onde a música e as luzes pareciam não ter fim. Depois, acordei em um barco na Croácia, sem ter ideia de como cheguei lá. E, para completar, acho que acabei adotando um pato! — respondeu com um sorriso nostálgico.
Xie caiu na gargalhada, tão alto que acabou assustando um pombo que passava voando por ali.
— Do que vocês estão rindo? — perguntou Liang, aparecendo repentinamente como se tivesse surgido do nada, como um personagem de um filme que teve um glitch na Matrix.
— Não há de quê. Ou, quem sabe, há de tudo. Não sei bem. — respondeu Xie, sua mente transbordando em confusão.
Liang, com uma atitude descontraída, sentou-se confortavelmente no colo de Xie, como se essa ação fosse a coisa mais natural do mundo. Jin observou a cena com interesse, arqueando uma sobrancelha e exibindo um sorriso que parecia dizer eu sei de coisas que você nem imagina.
— O que meus olhos estão vendo? Hein? Hein?
— O quê? — Xie fingiu demência.
— Isso aí, meus caros. Tá rolando um namorico?
— HAHAHA! Você tá doido. — Liang tentou disfarçar.
— Doido nada!
— Bem, certo ele está em uma coisa… Nós não estamos namorando, mas sim, casados…
— O QUÊ?! — Jin quase engasgou com o próprio ar.
Xie e Liang desviaram o olhar como dois adolescentes pegos colando na prova.
— Como assim?
— Bom...
Uma semana antes,
Xie, Liang e mais três amigos estavam mergulhados em uma bebedeira épica. A atmosfera estava eletrizante, repleta de risadas altas e gritos de alegria. Eles dançavam insaciavelmente em cima da mesa, como se o mundo ao redor não existisse, completamente imersos na euforia do momento. Em meio à algazarra, em algum ponto da noite, as coisas tomaram um rumo inesperado... houve sexo. Isso mesmo, a situação se transformou em um verdadeiro caos. Mas, curiosamente, a história não parou por aí.
Um grupo de amigos, conhecidos pelo seu senso de humor peculiar e atrevido, decidiu que seria uma grande piada invadir uma igreja durante uma cerimônia de casamento. A situação era repleta de emoção, com a noiva emocionada, lágrimas escorrendo pelo seu rosto enquanto ela assistia ao momento mais esperado de sua vida. A atmosfera era ainda mais emocionante com o coral entoando a clássica canção Aleluia, criando uma harmonia lendária que envolvia todos os presentes.
Neste cenário sublime, os amigos, determinados a dar um tom de comédia àquele instante solene, adentraram a igreja de forma repentina e inesperada. Com vozes altas e cheias de energia, começaram a gritar, quebrando o clima de reverência:
— CASA A GENTE TAMBÉM, PADRE!
A risada e a surpresa tomaram conta do local, interrompendo as promessas de amor feitas sob o olhar atento do sacerdote e dos convidados. Enquanto isso, a noiva, ainda em estado de choque entre a alegria e a indignação, não sabia se ria ou se chorava pela interrupção inesperada.
O padre, totalmente atordoado e em estado de choque pela situação inesperada, tentou encontrar uma saída e fugir do local. Contudo, não conseguiu escapar, pois imediatamente foi cercado por um grupo de pessoas. Diante da pressão da situação, ele se viu sem alternativas.
Nesse tumulto, o casal decidiu se casar, mesmo sem as formalidades tradicionais. Para simbolizar a união, improvisaram alianças utilizando lacres de latinhas, um gesto que, embora simples, carregava um significado especial para eles naquele momento.
A celebração foi breve e cheia de emoção, mas logo foram interrompidos quando os seguranças do local, percebendo a cena inusitada, se aproximaram e os expulsaram. No entanto, durante a confusão e enquanto eram levados para fora, conseguiram ainda roubar alguns bem-casados, docinhos típicos de festas de casamento, que representavam a doce celebração do amor que acabavam de selar, mesmo que de maneira tão improvisada e cheia de adversidades.
De volta ao presente
Jin ficou em silêncio. O suco tremia em sua mão.
— Eu achava que eu era o mais louco daqui... — disse, tomando um gole como se fosse veneno.
— Só falta dizer que mataram meu peixe enquanto eu estava fora. — riu, mas com um olhar suspeito.
Xie e Liang se entreolharam. Engoliram em seco. Suaram como se estivessem num interrogatório.
Liang escorregou do colo de Xie como uma gelatina nervosa.
Jin arregalou os olhos.
A verdade o atingiu como raio.
E um grito ocupou o lugar, assustando os dois.
— NÃO.
— VOCÊS NÃO.
— VOCÊS MATARAM O PEIXE?!
— A gente pode explicar! — Xie tentou.
— TRÊS MINUTOS PRA SUMIREM DA MINHA FRENTE.
1... 2... 3!
Jin pegou um sapato.
Liang jogou Xie nas costas e saiu correndo como um cavalo desgovernado.
— EU VOU MATAR VOCÊS! — Jin gritou, correndo atrás com o sapato em riste.
— DESCULPAAAAAA! — ecoou pela rua.