Em uma cidade distante, havia um homem olhando para um monte de ossos. Ele passava horas ali, observando. O rei, sempre que atravessava aquele caminho, via o homem parado, olhando fixamente. Os ossos ficavam em um lugar onde os mortos eram depositados, restando ali apenas seus restos.
Certo dia, movido pela curiosidade, o rei aproximou-se e perguntou:
— O que há, homem? Por que fica todos os dias aqui parado?
O homem o olhou e respondeu:
— Todos esses dias estive tentando identificar e diferenciar os escravos de seus senhores, mas não consegui. Veja, mesmo o senhor! Todos são exatamente iguais.
O rei, após observar os ossos, respondeu:
— Você tem razão, homem; são todos iguais.
O homem então prosseguiu:
— Mas então, por que os donos de escravos eram considerados superiores e os escravos inferiores, se agora ninguém consegue distinguir quem é quem?
O rei respondeu:
— Isso é devido à morte, meu bom homem.
O homem, em tom irônico, replicou:
— Afinal de contas, o que teve de superior o dono de escravos e o que teve de inferior o escravo, se agora ambos se encontram no mesmo lugar?