A psiquiatra disse que era imaginação, fruto de um trauma da infância. Eu ouvi, mas não acreditei. Todas as noites eram iguais, os mesmos horários, as mesmas três vezes em que eu acordava sem saber por quê...
Não eram sonhos....
Sonhos mudam...
Aquilo não.
Naquela madrugada, algo puxou meus lençóis. Virei-me para a parede enquanto a cama tremia sob meu corpo. Quanto mais o tecido era arrancado, mais eu lutava para segurá-lo, certa de que, se soltasse, não seria só o lençol que perderia.
Acordei de vez e acendi todas as luzes. O quarto estava intacto. Não havia nada. Corri para a sala e me deitei na rede, mas a presença veio comigo. Não tocava, não falava — apenas estava.
Rezei. a insônia dos dias também me acompanhou. Meu corpo queria dormir; minha meus olhos estavam vigilantes. E se não eram os demônios do meu passado, restava uma única verdade: era o próprio demônio que me visitava, paciente, no silêncio exato da madrugada.
O mais assustador não era ver demônios.
Era saber que talvez aquilo que se esconde no meu quarto não está lá.
Está na minha mente.