O reencontro com Theo não foi só surpresa. Foi impacto.
Nina sentiu primeiro no peito, depois na pele. O jeito que ele sorria agora era diferente — menos distraído, mais consciente. Como quem aprendeu coisas longe demais pra voltar igual.
— Você ficou diferente — ela soltou, sem
pensar.
— Você também — ele respondeu, olhando mais do que devia.
O silêncio entre eles não era vazio. Era carregado. Daqueles que dizem tudo sem abrir a boca.
Eles começaram a caminhar pela rua sem destino, ombro quase encostando, dedos quase se tocando. Esse “quase” era cruel. Cada passo parecia um teste de resistência.
— Eu pensei em você — Theo disse baixo, parando de repente. — Mais do que devia.
Nina engoliu seco. O coração batia rápido demais pra disfarçar.
— Eu escrevi sobre você — ela confessou.
— Porque foi a única forma de não te esquecer.
Ele deu um passo à frente. Muito perto agora. Tão perto que ela sentiu o calor dele, sentiu a respiração mudar.
— Então você sentiu isso também — ele murmurou.
Não foi um beijo rápido. Foi lento. Hesitante no começo, como se ambos tivessem medo do que vinha depois. Quando aconteceu de verdade, foi intenso o suficiente pra fazer Nina perder a noção do tempo. As mãos dele tocaram a cintura dela com cuidado, mas firme, como se quisesse memorizar.
Ela correspondeu sem pensar. Tudo que ficou guardado por anos veio à tona de uma vez só.
Quando se afastaram, ainda estavam perto demais.
— Isso não é só saudade — ela sussurrou.
— Nunca foi — ele respondeu.
Eles sentaram num lugar qualquer, as pernas encostando, os joelhos se tocando sem pedir desculpa. Conversaram sobre o passado, mas o presente falava mais alto. Cada olhar demorava demais. Cada sorriso tinha intenção.
Theo passou o polegar de leve pela mão dela. Um toque simples. Devagar. Mas foi o suficiente pra arrepiar tudo.
— Se eu ficar — ele disse —, vai ser difícil ir embora de novo.
Nina respirou fundo, encarando ele.
— Então não vai.
Não era promessa eterna. Era escolha. Era desejo misturado com cuidado. Era o tipo de vontade que não precisa correr.
Naquela noite, nada aconteceu além de beijos demorados, abraços apertados e corações acelerados. Mas ficou claro: o que existia ali não era fogo passageiro.
Era incêndio contido.
E os dois sabiam que, cedo ou tarde, iam deixar queimar.