Eli sempre gostou de observar o céu no fim da tarde. Era o momento em que a escola ficava mais silenciosa e os pensamentos pareciam mais claros. Foi nesse horário que ele começou a notar Noah, o garoto novo que sentava sozinho perto da quadra, sempre com um livro nas mãos.
No começo, eram apenas olhares rápidos. Nada que chamasse atenção. Mas, aos poucos, Eli passou a esperar aquele momento do dia só para vê-lo ali, concentrado, com o cabelo bagunçado pelo vento.
Um dia, o livro de Noah caiu no chão. Eli juntou coragem e se aproximou para ajudar. Os dois sorriram, meio tímidos, e trocaram poucas palavras. Mesmo assim, algo diferente ficou no ar, como se aquele encontro simples tivesse significado mais do que parecia.
A partir daquele dia, começaram a se sentar juntos. Conversavam sobre livros, música e sonhos que ainda tinham medo de contar em voz alta. Eli percebeu que não precisava explicar o que sentia. Noah parecia entender apenas pelo jeito que o escutava.
Não houve promessas nem grandes declarações. Apenas a certeza de que, às vezes, o começo de algo especial nasce em silêncio, em pequenos gestos e em olhares que se encontram sem precisar dizer tudo.