✨🎁 CAPÍTULO UNICO - o retorno inesperado do natal - 🎁✨
O vento frio de dezembro percorria as ruas estreitas do pequeno Vilarejo das Luzes, chamado assim por um motivo simples: nenhum lugar decorava o Natal com tanta devoção quanto ali. Cada casa tinha luzes penduradas do telhado ao chão, cada esquina tinha um boneco de neve - mesmo que feito com gelo trazido do mercado, porque ali quase nunca nevava de verdade - e cada pessoa parecia acordar em dezembro com cinco por cento a mais de paciência e cinquenta por cento a mais de fofura.
Clara sempre amou essa época. Era como se tudo nela ficasse mais leve também. Seu pequeno café - Café da Clarinha, como todos chamavam - era o coração do vilarejo, especialmente no Natal. Na vitrine, ela sempre colocava uma guirlanda gigante que ganhava dos clientes elogios... e comentários de "parece que vai cair" todos os anos. Mas fazia parte.
Naquela manhã gelada, ela ajeitava a máquina de chocolate quente quando a porta do café abriu, e o sininho sobre a moldura anunciou a entrada de alguém. Clara nem precisou olhar para saber quem era.
- Clara! Clara, você não vai acreditar! O Lucas voltou pro vilarejo!
Clarinha parou o que estava fazendo, as mãos ainda segurando uma xícara de café, e arregalou os olhos:
Lucas
Lucas.
Aquele Lucas ?
— Voltou? — Clara engoliu seco, tentando parecer casual, mas falhou miseravelmente. — Tem certeza?
— Certeza absoluta! Vi ele chegando com uma mochila, parecendo que saiu direto de um filme desses modernos. Todo estiloso, cabelo bagunçado, aquele ar de “fui pra cidade grande e agora voltei humilde”.
Clara riu nervosa.
— Ele tinha esse ar?
— Não tinha. Mas tem agora. — Dona Mirtes deu de ombros. — E ouvi dizer que ele vai passar o Natal aqui. Talvez mais. Talvez muito mais.
Clara não sabia por que aquela última frase mexeu tanto com ela. Talvez porque, mesmo depois de tantos anos, Lucas ainda era uma parte importante da história dela.
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Quando o café esvaziou, perto do horário do almoço, Clara decidiu fechar por meia hora para comprar mais açúcar no mercadinho ao lado. Atravessou a calçada, ajeitando o gorro, cantarolando baixo uma música de Natal, até que ouviu um assobio.
— Clarinha?
Ela congelou. Literalmente. Até o vento pareceu parar.
Virou-se devagar e, ali, apoiado no poste enfeitado com laços vermelhos, estava ele.
Lucas.
Mais alto, mais bonito — muito mais bonito — do que ela lembrava. O cabelo castanho escuro continuava bagunçado, mas agora propositalmente charmoso. A barba curta deixava-o com um ar adulto que ela não estava preparada para lidar. E o sorriso... ah, aquele sorriso. Continuava igual. Aquele que dizia “eu te conheço desde antes de você saber escrever seu nome direito”.
— Você cresceu — Lucas comentou, com uma voz agora mais grave. — Finalmente ficou do tamanho da sua personalidade.
Clara bufou, sem conseguir esconder o sorriso que brotou no rosto.
— E você ainda é metido.
Ele deu alguns passos até ela, mãos no bolso, olhar suave.
— Eu senti falta disso.
— De mim sendo irritada? — ela provocou.
— De você sendo você.
Clara desviou o olhar, sentindo o rosto queimar, e praguejando internamente contra o fato de estar vermelha feito um morango.
— A Dona Mirtes já te viu? — perguntou Clara, tentando se recompor.
— Já. Aliás, duas vezes. A primeira quando cheguei e a segunda quando ela voltou correndo pra te contar. — Lucas riu. — Ela continua rápida pras fofocas.
— Isso não muda — Clara concordou.
— E você? — ele a observou com calma. — Não mudou nada. Quer dizer… mudou, claro. Tá mais linda.
Pronto. Clara quase engasgou com a própria existência.
— Lucas…
— O quê? — ele riu. — Vai negar?
— Eu vou ignorar.
— Saberia que faria isso — ele disse, com aquele sorrisinho que fazia ela querer bater nele e abraçá-lo ao mesmo tempo
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Eles caminharam até o café, como se nenhum tempo tivesse passado. Lucas entrou e olhou ao redor, impressionado.
— Então esse é o famoso Café da Clarinha. — Ele tocou o balcão de madeira. — Lembro de quando você falava que um dia abriria um lugar que tivesse cheiro de canela o ano inteiro.
— E eu consegui — ela disse com orgulho.
Ele sorriu, genuinamente.
— Você sempre consegue.
Ela engoliu seco de novo. Isso não estava ajudando em nada.
Muita coisa mudou mais Clara não entendia como Lucas conseguiu, em poucas horas, se enturmar com sua família como se nunca tivesse ido embora.
— Lucas! — a mãe dela disse, puxando-o pelo braço. — Você ainda gosta de rabanada sem canela, né?
— Ainda sim — ele riu. — E seu peru continua enorme.
— É tradição! — a mãe respondeu orgulhosa.
Clara observava tudo com uma mistura de nostalgia e confusão emocional.
Lucas fazia parte de quase todas as memórias boas da infância dela.
Eles construíram cabanas, desafiaram galinhas, brigaram com vizinhos… e um dia ele foi embora sem muita explicação.
— Você tá muito quieta — ele comentou quando se sentaram no sofá, depois do bingo da família.
— Tô processando.
— O quê?
— Que você tá aqui. Que parece que nunca foi embora.
— Eu devia ter vindo antes — ele admitiu. — Mas agora eu quero recuperar o tempo perdido.
Clara desviou o olhar.
— Você tá falando sério?
— De verdade.
A sensação estranha voltou.
No peito.
Na respiração.
No jeito como ele olhava pra ela.
Lucas encostou o ombro no dela.
— Você lembra do Mirante do Sino?
— Claro.
— Quer ir?
— Agora?
— É tradição nossa. Ver a estrela no Natal, lembra?
Como ela diria não?
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O vilarejo brilhava lá de cima.
Luzes coloridas. Música distante.
Cheiro de chocolate quente vindo das casas.
Eles ficaram lado a lado, como quando eram crianças.
— Você sentiu falta daqui? — Clara perguntou.
— Senti falta de você.
Ela engoliu seco.
— Lucas…
— Eu sempre prometi que voltaria. Só demorei demais.
— Demorou mesmo.
— Mas cheguei a tempo do Natal.
Ele sorriu pequeno.
Ela sorriu de volta.
No fundo, sempre esperou aquele retorno.
Sempre
✨ No Dia de natal ✨
O sino tocou meia-noite.
O céu estava claro, estrelado, perfeito.
Clara olhou para cima, esperando a lenda tradicional… mas algo diferente aconteceu.
Um floco dourado caiu no nariz dela.
— Ah? — ela piscou.
Lucas pegou outro floco na palma da mão.
— Isso é… neve?
— Neve cor de ouro? — Clara completou, rindo em choque.
E então uma chuva de neve dourada começou a cair sobre o vilarejo inteiro.
Lá embaixo, as pessoas começaram a sair das casas, apontando para o céu, encantadas com o brilho suave que iluminava tudo como uma constelação descendo para a terra. Algumas crianças tentavam pegar os flocos com a língua; outras correndo para fazer “anjos dourados” no chão.
Dona Mirtes largou o guarda-chuva imediatamente.
— Mas eu nunca vi isso nem nos meus cem anos de vida! — ela exclamou, o cabelo cheio de purpurina natural.
O Rocambole, claro, decidiu que aquele era o momento perfeito para se jogar no meio da praça, rolando na neve brilhante como se tivesse descoberto sua nova forma de viver.
— Rooooooocamboleeeee! — Clara riu, segurando o rosto enquanto o cachorro já parecia uma bola de glitter ambulante.
Lucas olhou para Clara, a luz dourada refletindo nos olhos dela.
— Acho que… a lenda estava certa — disse ele, com a voz baixa.
— Qual parte? — Clara perguntou, sorrindo de canto.
— A parte que diz que, quando dois corações finalmente se encontram, o Natal responde.
Os flocos caíam mais intensamente, cercando os dois como um véu brilhante.
Lucas deu um passo à frente.
Clara sentiu o ar gelado… e o calor dele.
— Clara… — ele murmurou. Segurando em seu rosto fazendo um singelo carinho
— Lucas.. — ela respondeu antes mesmo que ele terminasse.
E ali, enquanto o vilarejo inteiro celebrava o milagre dourado, os dois se aproximaram devagar, quase como se tivessem sido puxados por aquela magia antiga.
O primeiro beijo deles aconteceu no exato segundo em que o último sino parou de tocar — e a neve dourada brilhou mais forte, como se comemorasse junto.
- EEEUUUUU SABIAAAAAA - Dona Mirtes estava aos berros e não deixava nada escapar já havia tirado um monte de fotos
O povo do vilarejo estava a festejar juntamente com rocambolly que se jogava em cima da neve dourada espalhando em todas as pessoas.
O beijo foi interrompido pela risadinha vergonhosa de clara e pelo sorriso grandão de Lucas
- nosso primeiro natal depois de 8 anos longe um do outro - clara murmurou.
- e mesmo com toda essa distância entre nós , eu nunca deixei de te amar nem por um segundo sequer - Lucas afirmou , segurando no rosto de clara para que ela não desviasse os olhos de si - por que se pra te amar eu tivesse que morrer em mil vidas , eu morreria por um milhão de anos seguidos mais e mais só pra demonstrar, e pra provar o quanto eu te amo - falou encostando sua testa na da menor - aliás ,desde de que você era uma pirralha minúscula - completou rindo quando recebeu um pequeno tapa pela mão minúscula da garota.
- seu bobo - clara estava a enxugar as lágrimas que insistiram em descer - eu também, também te amo desde da época que você começou a implicar comigo pelo meu tamanho. - completou rindo em meio as lágrimas - eu te amo Luquinha - disse o apelido de infância que ela havia dado a ele
- E Feliz Natal Seu Bobão.
- eu te amo Gatinha , e feliz natal pra esse e prós próximos que viram - beijou a testa da menor e a abraçou de lado. Onde voltaram a ver o vilarejo inteiro comemorando esse tão esperado natal.
—— ✨🎁FIM 🎁✨——