Passou uns dias já... agora já sei o nome da equipe...
Sr Luiz( o tio do café), Ednilson ( o baixinho pragmático, mas simpático), Fabricio ( porteiro da portaria principal, e fazedor de café), os pms ainda me perco, pois eles revezam... as vezes é um mais baixo, mas com cara de poucos amigos( pelo menos comigo, e outro um pouco mais simpático... Mas que está me dando um pouco de trabalho, calma que já explico), esse se chama Osvaldo...
Meu trabalho é uma faca de dois legumes: Sou os olhos desse grupo masculino... mas também observo se não estão burlando as regras... aí que gera o famoso QRU.
Uma coisa que prezo , é a justiça... Só quem teve chefe ruim, vagabundo, que não sabe o que faz ,vai entender... A injustiça é uma marca que dói... e não aceito ferir... Mas preciso relatar os fatos com provas... Então vamos lá: Tenho notado que, nas pausas de janta meu “ amigo” anda passando muitas horas... mas como aprendi na vida , e com experiências sobrenaturais : o mal da corda para a pessoa se enforcar... e só puxa... e termina o serviço. Tive que usar a mesma tática.
Fui deixando... deixando para ver se era a rotina( sei que ele trabalha em dois empregos... e respeito isso) , mas quando percebi que era costume mesmo ... Mas vou deixar isso para o próximo relato...pois demorou um tempo até o peixe morder a isca... ou o amigo se render muito aos encantos de Morfeu...
Isso foi em um dia, melhor noite... Teve um evento, e recebi orientação para informar a equipe de segurança, de não permitir acesso de pessoas no salão de festa... pois teria evento, e tinha tido um antes, o salão de festas estava com itens da festa anterior... mas tinha um porém: eu estava sem visão do lugar... as câmeras que cobrem a área estavam sem conexão... assim que cheguei, meu amigo que rendo me passou a Qtc... assim que senhor luiz chegou , avisei a ele...
e segui o plantão...aquele dia foi meio tenso... não por conta do salão... mas estava tendo um outro evento no deck... e crianças brincavam perto do lago... assim que notei a aproximação, dei zoom e acompanhei a situação.
Estavam brincando de bola muito perto do lago, e aconteceu... a bola caiu na água... e eles , sem pensar, foram até a borda do lago. Imediatamente peguei o rádio e chamei.-- QAP seu Luiz! – Prossiga monitoramento. – fecha seu luiz do outro lado. –Movimentação perigosa de crianças no lago, estão tentando pegar algo...–Ok, vou la com brevidade.-- e desligou, vi ele pondo o capacete, subir na moto e ir ao local... afinal eu sou o big brother ... enquanto a moto não chegava, ia acompanhando a situação em tempo real... e juro... vi algo estranho na água... em uma margem, mais afastada das crianças... sei que tem animais ali... mas eles não olham para a câmera... percebi próximo a um barranquinho, longe da muvuca infantil, estava meio submerso, idêntico a um jacaré... só vi os olhos... a cabeça não era de jacaré, mas meio arredondada no topo... olhava para a câmera... só os olhos e o topo da cabeça ,para fora da água. Quando os faróis da moto tocou a água, a coisa sumiu no lago... e senhor Luiz, ajudou as crianças a retirar a bola do lugar sem intercorrências . Não avisei a situação do lago... ia ter que puxar com
calma no sistema... o plantão , logo cedo, já estava tumultuado... tinha que fazer isso com calma( coisa que ia demorar a chegar).
A rotina se seguiu; Morfeu de madrugada veio me visitar, a calmaria aqui é terrível... Mas hoje tinha vindo armada: energético.-- sim não é bom, mas era a única saída, Morfeu não estava mais para brincadeira.
A latinha de monster estava trincando de gelada, e o efeito veio até que rápido.
Aproveitei o silêncio das 3:00, para verificar a cena do lago mais cedo. Com paciência, fui voltando às gravações, até o horário que as crianças estavam brincando no lago, e achei a imagem da água... Diferente da situação passada, estava lá.
O zoom acaba tirando a qualidade da imagem, então fiz o que: abri em tela cheia, e usei um pouco de zoom. Me levantei e fiquei em frente a grande tela, com aquela imagem congelada...
Meu estômago começou a doer, mas não era fome... era por conta da imagem: os olhos na água... olhavam para mim, exatamente.
E por um instante, não sei se, obra de Morfeu infeliz, mas os vi piscar...
– Tô ficando doida... –disse sacudindo a cabeça. – A tela está congelada, e é gravação.( olhei novamente bem perto da imagem, e um frio foi escorregando vagaroso, da nuca até o fim das costas) . Tirei do zoom, e sai da gravação, deixando a câmera do lago, no tempo real. Tem uns gatos que são de moradores , e saem à noite e uns vadios( não sei quem é quem) e vi , na margem do lago, um gatinho branco com rabo preto.
Ele olhou o lago por um tempo… vi a postura do animal mudar: arqueou o corpo , com os pelos arrepiados e dar fuga pelo parque . Tenho gatos… sei que ele viu algo. Mas sinceramente. Eu não ia puxar para ver.
Aguardei ansiosamente o fim daquele dia atípico . Tão atípico, que morfeu nem deu as caras…
Quando a rendição chegou , sai como um zumbi… um gosto amargo na boca. Bom… agora vou tentar dormir, amanhã tem mais.