O céu nunca fora tão azul. Por anos, Lia imaginou como seria ver o sol sem o filtro alaranjado da cúpula, sentir o vento sem as barreiras das máquinas purificadoras. Agora, ali estava ela, pisando em solo verdadeiro pela primeira vez, em um mundo que, até então, existia apenas em registros antigos e promessas vazias.
O Novo Mundo não era como os livros descreviam. Havia algo de selvagem na paisagem, como se a natureza estivesse tentando recuperar o tempo perdido. Árvores altas se dobravam ao vento, enquanto riachos serpenteavam por entre colinas cobertas de musgo. O ar era fresco, carregado do aroma de terra molhada e folhas novas.
Lia e o pequeno grupo de colonos haviam sido escolhidos para essa missão: reconstruir a humanidade fora das cidades encapsuladas. O primeiro passo era garantir abrigo, o segundo, alimento. Mas o maior desafio seria algo que nenhum deles admitia em voz alta—reaprender a viver em harmonia com um mundo que não precisava mais deles.
Naquela noite, ao redor de uma fogueira improvisada, Lia olhou para as estrelas. Pela primeira vez, elas não estavam separadas por um teto de vidro. Pela primeira vez, a humanidade era apenas uma pequena peça em um grande tabuleiro, sem o domínio absoluto que outrora possuía.
E, estranhamente, ela achou isso libertador.