No coração da cidadezinha tranquila de Primavera vivia uma adolescente chamada Maria. Com seus 16 anos, ela era uma garota cheia de energia, com cabelos cacheados que pareciam feitos pelo vento e olhos brilhantes que refletiam sua curiosidade pelo mundo. Sua paixão pelo sobrenatural era uma parte fundamental de quem ela era, um fio invisível que a ligava aos mistérios do universo.
Os dias em Primavera costumavam ser previsíveis e tranquilos. A cidade era um lugar onde todos se conheciam, onde as histórias se espalhavam devagar e as preocupações eram mínimas. Para Maria, essa rotina era confortável, mas sua mente inquieta ansiava por algo mais.
A pequena loja de CDs que havia na cidade era um local que Maria frequentava de vez em quando. Ela sempre estava à procura de algo novo e intrigante, algo que a desafiasse. Em uma tarde ensolarada, enquanto folheava as prateleiras repletas de CDs, algo chamou sua atenção: a capa sombria de um CD intitulado "O Medo Através da TV".
A capa era uma obra de arte em si, com imagens grotescas que pareciam saltar da embalagem. A curiosidade de Maria foi instantaneamente despertada. Ela pegou o CD e olhou para a contracapa, onde havia uma breve descrição que dizia: "Uma experiência única de horror e suspense que o levará a lugares que você jamais imaginou".
Sem pensar duas vezes, Maria comprou o CD e correu para casa, ansiosa para desvendar o que ele tinha a oferecer. Ela entrou em seu quarto, inseriu o CD na TV e pressionou o play. No entanto, ao invés das cenas arrepiantes que ela esperava, a tela da TV permaneceu em branco, como uma folha de papel em branco esperando para ser preenchida.
Maria tentou desligar a TV, mas os botões não respondiam. Um som perturbador começou a encher o quarto, ecoando por suas paredes. A imagem na tela começou a tremer, como se algo estivesse lutando para se libertar de dentro da TV.
Aos poucos, a escuridão cedeu lugar a uma visão aterradora. Maria estava em um local sombrio e assustador, onde coisas perturbadoras aconteciam. Ela viu a si mesma de uma maneira terrível: com a boca costurada, dedos mutilados e sendo submetida a torturas inimagináveis. Era como se o pesadelo tivesse ganhado vida diante de seus olhos.
O pânico tomou conta de Maria, e ela gritou, mas nenhum som saía de sua boca. A cena na TV parecia tão real que era impossível distinguir entre a realidade e a ilusão. Ela estava presa em um pesadelo inescapável, como se tivesse se tornado parte daquela macabra narrativa.
Desesperada, Maria tentou desligar a TV, mas nada funcionava. As imagens de horror continuavam, como se a TV tivesse adquirido uma mente própria. Ela sentiu uma sensação de sufocamento, aterrorizada pelo que estava acontecendo.
Então, como se o universo atendesse a seu desejo, a TV se apagou abruptamente. Maria encontrou-se de volta ao seu quarto, tremendo e suando. Ela percebeu que estava sentada na mesma posição em que estava quando começou a assistir ao CD.
O horror daquela experiência ainda a assombrava, mas Maria aprendeu uma lição valiosa sobre os limites da curiosidade. Ela pegou o misterioso CD e o quebrou em pedaços, jogando-o no lixo. Prometeu a si mesma que nunca mais se aventuraria em território desconhecido, entendendo que, às vezes, a busca pelo desconhecido pode levar a lugares sombrios.
Nos dias que se seguiram, Maria continuou sua vida em Primavera com um novo entendimento. Ela valorizou a segurança e a realidade de sua vida cotidiana, sabendo que às vezes é melhor deixar os mistérios intocados. Maria manteve seu amor pelo sobrenatural, mas agora com um respeito renovado pelas fronteiras que não deveriam ser cruzadas. Aquela experiência a lembraria para sempre que, por mais intrigantes que sejam os mistérios do mundo, há limites que não devem ser ultrapassados.