Eliane terminou de lavar a louça numa noite de domingo e, tomada pelo cansaço após um dia longo de afazeres domésticos, foi se deitar. Suas pálpebras estavam cansadas e sua cabeça já estava flutuando, prestes a pegar no sono. Porém algo a despertou de supetão.
Do quarto, era possível ouvir o barulho de louças caindo na cozinha. Panelas estourando no chão, copos de vidro se estraçalhando...
Inicialmente, Eliane ficou paralisada pelo susto, mas depois imaginou que talvez o seu gato tivesse derrubado o escorredor de pratos e ficou furiosa.
Eliane levantou e foi até a cozinha no escuro mesmo, chegando lá, acendeu o interruptor. Não havia nada de errado. As louças ainda estavam no escorredor de pratos como havia deixado.
"Não entendo...", ela pensou.
De repente, um barulho na janela. O seu gato estava do lado de fora e pedia para entrar. Ainda sem entender o que aconteceu, Eliane foi até a janela e abriu para que o seu gato pudesse entrar.
"Entra, filho", ela chamou, mas o gato parecia relutante em entrar.
"O que foi, rapaz? Você não vai querer que eu vá aí te buscar, né?". Ela incentivou o gato a entrar, até tentou puxá-lo, mas ele se debateu e tentou arranhá-la. Eliane não entendeu o seu comportamento.
"O que foi?", Eliane perguntou ao ver o seu gato ficar todo arrepiado em posição de ataque e rosnar em sua direção. Eliane teve a impressão de que ele estava olhando para algo atrás dela, e então foi a sua vez de ficar arrepiada.
Eliane sempre foi cética em relação a coisas sobrenaturais, mas bastava uma ou duas situações anormais e sem explicação acontecerem para balançarem o seu ceticismo.
Eliane viu o seu gato descer da janela e sumir na noite e teve vontade de seguí-lo. De repente, não queria mais estar sozinha ali na casa.
"Para de bobeira, não aconteceu nada," pensou ela, tentando afastar o medo.
Justificando os sons que ouviu mais cedo como cansaço pelo dia exaustivo, ela deixou uma fresta na janela aberta caso o gato resolvesse voltar e foi se deitar, desta vez de luzes acesas.
Mais tarde, durante a madrugada, Eliane acordou com os mesmos barulhos de antes, e para a sua surpresa, as luzes do quarto estavam apagadas. Eliane ficou relutante em levantar, mas não queria ficar no escuro. Ela levantou o mais rápido que pode e acendeu a luz do quarto. Seu alívio por estar na claridade foi momentâneo. A luz se apagou.
"O quê?", ela se perguntou, sem entender.
Não importava quantas vezes ele acendia o interruptor, a luz se apagava insistentemente. Certo momento, a luz já não acendia mais, e Eliane se viu no completo breu. Tateando no escuro, ela tentou encontrar a maçaneta da porta do seu quarto, mas para o seu espanto, sua mão encontrou outra coisa.
"O que é isso?"
Em seus dedos, Eliane sentia a textura do que parecia ser cabelo. Antes que Eliane pudesse gritar, uma mão agarrou o seu rosto e a jogou no chão. Ela tentou se debater, mas o seu corpo não obedecia. Ela sentiu algo subindo em cima dela, a envolvendo, mas não podia enxergar nada no escuro. Algo passou a apertar o seu pescoço, a fazendo perder a consciência lentamente.
Eliane acordou no dia seguinte deitada em sua cama. Aos poucos, foi lembrando dos acontecimentos da noite anterior e presumiu que tivesse sido apenas um sonho, até que mais tarde, ao se olhar no espelho, viu marcas roxas espalhadas pelo seu corpo e, principalmente, no seu pescoço.
Eliane não quis ficar para descobrir o que aconteceu. Arrumou a sua mala, catou o seu gato e foi embora.
Algum tempo depois, vivendo de favor na casa de uma amiga, a vida de Eliane estava indo bem. Certo dia, a amiga disse que não dormiria em casa. Eliane não se importou, até que em determinada hora da noite seu gato a acordou.
"O que foi agora?", ela perguntou, tentando puxar o gato para si, mas ele continuou rosnando em direção à porta do quarto. Na cozinha, o som de panelas e pratos sendo arremessados no chão...
...