NovelToon NovelToon

Tive Trigêmeos do Alfa que Me Odeia: O Alfa Virgem Marcou a Bruxa Errada

Sinopse & Personagens

...Existem encontros que parecem acidentes....

...Até o momento em que destroem tudo o que existia antes deles....

...****************...

Sinopse estendida:

Ellowen sempre foi a vergonha da linhagem lunar.

Fraca. Ruiva. Estranha.

Enquanto suas primas eram admiradas pela magia elegante e poderosa que possuíam, Ellowen carregava o inverno dentro de si, um dom raro, frio e temido até pela própria família.

Mas tudo muda quando sua avó anuncia a última condição para escolher a próxima Suprema da família: todas as herdeiras precisam engravidar antes do aniversário de noventa anos da matriarca.

A vencedora herdará uma fortuna bilionária… e um poder capaz de fazer todas as bruxas do clã se ajoelharem diante dela.

Humilhada pelas primas e desesperada para finalmente conquistar respeito, Ellowen decide fazer o impensável: pagar um homem para engravidá-la.

Só que o plano dá terrivelmente errado.

No quarto errado, ela encontra uma criatura que jamais deveria existir em seu destino.

Um Alfa Lycan.

Gigante. Ruivo. Virgem. Em pleno cio.

O que deveria durar uma única noite se transforma em cinco dias de obsessão, mordidas e promessas rosnadas contra sua pele.

E então ela foge.

Seis anos depois, Ellowen é a nova Suprema.

Seus trigêmeos escondem um segredo mortal.

E o Alfa que ela abandonou finalmente apareceu para reivindicar o que é dele.

Capítulo 1

Minha mãe sempre disse que o ruivo era a cor mais honesta do mundo.

Que não fingia ser ouro quando era fogo.

Eu cresci tentando acreditar nisso.

Não foi fácil.

Me chamo Ellowen Volkov, e nasci ruiva numa família onde cabelo ruivo era sinônimo de problema. Na linhagem das Bruxas Lunares, a aparência sempre teve peso. Bruxas de cabelos escuros eram elegantes, poderosas, respeitadas. As loiras eram vistas como abençoadas, cheias de graça lunar. E as ruivas? As ruivas carregavam uma superstição antiga que ninguém tinha coragem de dizer em voz alta, mas todo mundo praticava em silêncio.

Instável. Imprevisível. Perigosa.

Minha mãe, Enora, é loira. Loira como trigo, com olhos mel e aquela beleza suave que faz as pessoas olharem duas vezes. Ela é tudo que a família aprova. Delicada, educada, mágica harmoniosa e luminosa que nunca assusta ninguém.

Meu pai era russo.

Ruivo como brasa, alto, com aquele jeito de ocupar um cômodo inteiro só pela presença, ela contava. Ela o conheceu numa viagem a São Petersburgo quando tinha vinte e dois anos, se apaixonou em três dias e esqueceu o mundo por três meses. Voltou grávida e sozinha. Ele não veio com ela.

Nunca soube direito o que aconteceu. Minha mãe mudava de assunto toda vez que eu perguntava, e depois de um tempo parei de perguntar. Algumas perguntas a gente aprende a engolir antes de fazer.

O que sei é que herdei tudo dele.

O cabelo. A altura baixa que envergonha ainda mais numa família de mulheres altas. As sardas no nariz que aparecem no verão e somem no inverno. E a magia.

Ah, a magia.

Na nossa linhagem cada bruxa desenvolve seu dom depois dos dezesseis anos. Minha avó, Dagnar, controla a magia lunar em sua forma mais pura, luz, tempo, memória. Minhas primas foram presenteadas com dons admiráveis. Beatrice projeta ilusões tão perfeitas que você questiona a própria sanidade. Latoya manipula emoções com um toque. Janiely entra em sonhos e planta memórias falsas como sementes.

Dons elegantes.

Dons que fazem minha avó sorrir.

Dons que as pessoas aplaudem.

Eu desenvolvi o inverno.

A primeira vez aconteceu aos dezesseis anos, num jantar de família. Beatrice havia dito na frente de todos que eu parecia uma empregada tentando usar roupa de bruxa. Todo mundo riu.

Eu não disse nada, nunca dizia nada, mas senti algo descer pela minha espinha como água gelada e de repente todas as flores do centro de mesa murcharam ao mesmo tempo. O ar esfriou tanto que as pessoas pegaram os casacos. Minha avó ficou me olhando por um tempo longo demais.

Não era orgulho o que eu via no rosto dela.

Era cautela.

— Magia de inverno — ela disse depois, quando ficamos sozinhas. — Não aparecia nessa família há duzentos anos.

Isso deveria ter me feito sentir especial.

Não me fez.

Porque magia de inverno era considerada perigosa. Ligada às emoções de forma direta demais, sem filtro, sem controle refinado. Quando eu ficava triste, a temperatura caía.

Quando levava um susto, as janelas congelavam. Uma vez, no aniversário de Latoya, ela me empurrou na frente de todos como se fosse brincadeira e nevou dentro da mansão por quatro minutos.

Minha avó apagou a memória dos funcionários naquele dia.

Minhas primas encontraram nisso mais um motivo pra rir.

— Cuidado com Ellowen — Janiely dizia. — Se ela ficar triste a gente vai precisar de casaco em julho.

Aprendi a não sentir na frente delas.

Aprendi a sorrir quando queria chorar, a sair do cômodo quando a raiva começava a descer pela espinha, a respirar devagar até o frio recuar. Fui ficando boa nisso. Tão boa que às vezes eu mesma acreditava que estava bem.

Fui para a faculdade de ciências mágicas fora da mansão aos dezoito anos. Quatro anos de alívio. Estudei botânica encantada, história das linhagens, poções avançadas. Tirei notas altas não porque era a mais talentosa, mas porque trabalhava o dobro das outras para compensar o que achava que me faltava.

Voltei aos vinte e dois.

Nada havia mudado.

Beatrice continuava me olhando como se eu fosse uma mancha no tapete da sala. Latoya tinha aperfeiçoado o costume de tocar meu ombro e injetar uma pontada de vergonha que eu sentia por horas. Janiely simplesmente fingia que eu não existia, o que às vezes era quase pior do que as outras duas juntas.

Minha mãe tentava. Ela me abraçava, dizia que eu era linda, que minha magia era rara e poderosa. Mas nunca enfrentou as outras por mim. Nunca levantou a voz. Nunca disse para minha avó o que acontecia quando ninguém estava olhando.

Eu entendia. Minha mãe era gentil demais para aquela família. Gentileza demais naquele lugar era quase uma desvantagem.

Então no dia em que completei vinte e três anos, minha avó nos reuniu no salão principal.

Eu, Beatrice, Latoya, Janiely.

Nossa avó estava na poltrona de veludo escuro que ninguém ousava sentar a não ser ela, com as mãos cruzadas no colo e os olhos varrendo cada uma de nós devagar.

— Meu tempo está chegando ao fim — ela disse, sem drama nenhum. Como quem fala do tempo lá fora.

O silêncio que se seguiu era pesado.

— A Suprema não é escolhida por amor ou por favoritismo. É escolhida pela magia ancestral. E a magia ancestral reconhece uma coisa acima de tudo.

Ela fez uma pausa curta.

— Vida.

Eu não entendi imediatamente.

Beatrice entendeu antes de mim. Vi o momento exato em que ela compreendeu, porque os ombros dela relaxaram de um jeito específico, aquele jeito de quem acabou de perceber que vai ganhar.

— Vocês têm três meses para engravidar antes do meu aniversário de noventa anos. A primeira a gerar vida herda tudo. Minha magia, o poder de todas as bruxas desta linhagem, a fortuna, as propriedades, a autoridade absoluta.

Ela nos olhou uma última vez.

— Quem herdar será obedecida por todas. Sem exceção.

Beatrice virou para mim e sorriu.

Era o sorriso que ela guardava para quando sabia que eu ia perder.

Saí do salão com o coração na garganta e o ar ao meu redor ficando frio o suficiente para eu ver minha própria respiração.

Três meses.

Sem ninguém.

Nunca havia namorado. Nunca havia sido desejada. Nunca havia tido um homem que me olhasse como se eu valesse alguma coisa.

Entrei no meu quarto, fechei a porta e fiquei sentada na beira da cama por um longo tempo.

Depois abri o computador.

Porque se o destino não me deu o que as outras tinham, eu ia comprar.

E dessa vez, ninguém ia me impedir.

Capítulo 2

Meu pai dizia que esperar pela companheira certa não era sacrifício.

Era respeito.

Cresci acreditando nisso com uma convicção que beirava o religioso. E paguei um preço que só entendi completamente quando já era tarde demais para voltar atrás.

Me chamo Dagon Drakhar. Sou o Alfa da alcateia Coração de Fogo, a linhagem Lycan puro-sangue mais antiga ainda viva no continente. Nosso território fica nas montanhas do norte, longe de cidades, longe de humanos, longe de tudo que não pertence ao nosso mundo.

Tenho quarenta anos, dois metros e cinco centímetros de altura, cabelos ruivos que minha avó dizia serem herança dos Lycans mais antigos, e olhos cinza-claro que ficam quase brancos quando o Lycan dentro de mim fica perto da superfície.

E até recentemente, era virgem.

Não por falta de oportunidade. Qualquer Alfa com minha posição recebia ofertas desde os vinte anos. Fêmeas de outras alcateias, humanas que não sabiam o que eu era, mas sentiam que havia algo diferente, Lycans que queriam aliança política disfarçada de desejo. Recusei todas. Não com crueldade, mas com uma clareza que às vezes assustava mais do que a crueldade teria assustado.

Não é você.

Simples assim.

Meu pai, Aldric Drakhar, foi o Alfa mais temido que essa alcateia já teve. Enorme, ruivo como eu, com uma presença que fazia lobos de outras alcateias cruzarem para o outro lado da estrada. Mas com minha mãe, Seraphine, ele era outro homem completamente.

Seraphine era humana. Pequena, morena, com risada fácil e mãos que cheiravam às ervas do jardim que ela cultivava atrás da casa. Não tinha magia, não tinha garras, não tinha nada do que nossa espécie normalmente valorizava numa parceira. E meu pai a amava com uma intensidade que eu só conseguia descrever como absoluta.

Nunca tocou outra mulher.

Nunca quis.

Nunca precisou.

Eu tinha uns doze anos quando perguntei por que ele rejeitava todas as fêmeas que apareciam nas reuniões de alcateias. Ele me olhou por um momento como se estivesse decidindo como explicar algo para uma criança que ainda não tinha vocabulário para entender.

— Quando você encontrar sua companheira — ele disse — vai entender que esperar não é sacrifício. É o único caminho que faz sentido.

Guardei isso.

Minha Beta, Lizandra, é a pessoa mais leal que conheço e também a mais prática. Tentou me convencer algumas vezes de que eu estava sendo irracional, que a alcateia precisava de um herdeiro, que esperar por uma companheira destinada era bonito na teoria, mas irresponsável na prática.

— Você não precisa se apaixonar, Dagon — ela disse uma vez, com aquela expressão de quem está sendo muito razoável. — Só precisa de continuidade.

— A alcateia tem continuidade — respondi. — Tem você, tem os guerreiros, têm as famílias. Não precisa do meu filho com uma mulher que não é minha companheira.

Ela desistiu depois da terceira tentativa.

Aprendi a ignorar os comentários dos outros Alfas nas reuniões. O gigante que não toca ninguém. Deixei que falassem. Sabia o que estava esperando.

O problema é que o destino não avisou que a espera cobrava um preço diferente.

Minha mãe morreu quando eu tinha vinte e dois anos.

Uma bruxa a matou.

Até hoje não sei o nome dela. Não sei se foi encomendado por algum inimigo ou se foi algo pessoal que nunca descobri. Sei que minha mãe foi ao mercado da cidade mais próxima numa manhã de terça-feira comum e não voltou.

Encontramos ela na beira da estrada.

O feitiço era de origem lunar. Deixava marcas características, uma queimadura interna que consumia de dentro para fora sem deixar sinal externo. Ela parecia estar dormindo.

Meu pai chegou antes de mim.

Nunca vou esquecer o som que ele fez quando a viu.

Não era choro. Era algo que vinha de um lugar anterior ao choro, um lugar que não tem nome humano e que espero nunca ouvir de novo na vida.

Aldric Drakhar sobreviveu à morte da companheira por onze meses. Continuou exercendo suas funções como Alfa porque era quem ele era, porque a alcateia precisava dele e ele sabia disso. Mas foi apagando devagar. Como uma vela em vento constante que ninguém consegue proteger.

Na manhã em que ele não acordou, meu avô, Torvan, foi o primeiro a entrar no quarto. Me chamou devagar. Ficamos os dois ali em silêncio por um tempo que não sei medir.

— Ele não aguentou sem ela — meu avô disse finalmente.

Tinha vinte e três anos quando me tornei Alfa.

Cresci rápido. Fui obrigado. A alcateia precisava de alguém que não estivesse quebrado por dentro, e eu estava completamente quebrado, mas aprendi a não deixar aparecer. Meu avô ficou do meu lado em tudo.

É o único homem no mundo que me conhece de verdade, que sabe quando estou no limite antes de eu mesmo perceber.

Meu avô tem setenta e dois anos, continua ereto como um carvalho, e é a única pessoa que ainda consegue me olhar nos olhos e dizer que estou errado sem que eu sinta vontade de responder.

Construí a alcateia durante anos. Expandi território, fortaleci alianças, eliminei ameaças. Fiz o que precisava ser feito.

E continuei esperando.

Com uma diferença que meu pai não tinha.

Depois da morte da minha mãe, o ódio por bruxas cresceu dentro de mim como raiz que vai fundo demais para arrancar. Não tentei eliminar. Reguei sem querer toda vez que me lembrava da queimadura interna, das marcas lunares no corpo dela, da manhã em que meu pai não acordou porque não suportou o que uma bruxa havia feito.

Jurei que jamais me aproximaria de uma bruxa voluntariamente.

Era uma linha clara. Uma das poucas certezas que eu tinha além da espera.

Até aquela semana.

O cio de um Alfa Lycan puro acontece uma vez na vida. Não é como o cio de lobos comuns, que pode ser administrado, controlado, ignorado com disciplina suficiente. Para um Lycan de linhagem antiga é o corpo reconhecendo que a companheira existe em algum lugar do mundo.

É um colapso total.

Febre que não quebra. Dor nas articulações que vira instinto puro. A necessidade de encontrar a companheira se tornando quase animalesca a cada hora que passa sem ela.

Meu avô me trouxe para o hotel porque era o único lugar com paredes grossas o suficiente para eu não colocar a mão em ninguém por acidente. Lizandra estava do lado de fora, monitorando e esperando por ele. Meu avô era a única pessoa que entrava no quarto, verificava se eu ainda estava consciente, deixava água e saía rápido.

— Mais um dia — ele disse numa das vezes, me olhando com aquela mistura de preocupação e resignação que só ele conseguia ter. — Aguenta mais um dia.

Eu mal conseguia responder.

Estava no chão porque a cama havia quebrado horas antes. O quarto cheirava a Lycan em colapso. As garras não recolhiam mais, os olhos não paravam de brilhar, e cada minuto era uma batalha contra o instinto que gritava para eu sair e procurar.

Procurar o quê? Eu não sabia.

Só sabia que ela existia em algum lugar.

E então a porta abriu.

O cheiro entrou antes dela.

Neve fresca. Mel cristalizado. Algo doce e frio que preencheu meus pulmões de uma vez só e fez o Lycan dentro de mim parar completamente antes de explodir numa direção só.

Me levantei do chão sem decidir.

O corpo se moveu antes de qualquer pensamento.

E quando ela apareceu na soleira da porta, pequena, ruiva, com olhos azuis arregalados para mim como se tivesse chegado no lugar errado do universo inteiro...

Tudo que eu havia construído durante dezoito anos desapareceu em menos de um segundo.

O instinto atravessou meu peito como um raio.

— “Companheira.”

E então percebi o que ela estava usando.

E o que aconteceu depois não foi decisão de nenhum dos dois.

Para mais, baixe o APP de MangaToon!

novel PDF download
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!