Eu sou Dante Marcondes, tenho 34 anos.
Meu nome não é apenas um nome: é uma sentença. Sou o Don da máfia italiana, o homem que comanda todo o território nacional e além das fronteiras. Onde eu passo, o silêncio se instala. Onde eu olho, as cabeças se abaixam. Não é apenas respeito: é medo. E eu prefiro que seja assim. Medo mantém a ordem, medo mantém vivos aqueles que sabem se portar. Minha presença é letal, minha palavra é lei, a traição à minha honra é a única coisa que não relevo, ou, pelo menos, era o que eu pensava.
Até mesmo eu, que tenho o mundo aos meus pés, tenho correntes. Elas não são de ferro, são de sangue, de tradição e de acordos que me foram impostos.
Meu pai, Giovanni Marcondes, está vivo, forte e sentado na poltrona principal da nossa sala de reuniões, observando tudo com olhos que sempre me pareceram duros, calculistas e vazios. Ele foi quem construiu o império, e, mesmo passando o comando para mim, continua a controlar cada passo, cada decisão, como se eu ainda fosse uma criança que não sabe se defender.
Foi ele quem decidiu, há meses, o meu destino:
— Dante, para manter o poder, para selar a paz e fortalecer o nosso nome, você vai se casar com Valentina. Ela vem de uma linhagem poderosa, de uma boa família, com tradição e influência. Isso é honra. Isso é o que um líder faz: sacrifica o que quer pelo bem da organização.
Eu odiava cada sílaba daquelas palavras.
Conhecia Valentina desde o primeiro dia em que ela apareceu nos nossos eventos. Era bonita, sim, daquelas mulheres feitas para aparecer em capas de revista e sorrir para fotografias. Mas bastava olhar nos seus olhos claros para ver o vazio. Ela era fria, interesseira, e cada gesto seu gritava que só se aproximava de mim por poder, por dinheiro, por status. Não me amava, nunca amou, e eu também sentia repulsa só de pensar em tê-la ao meu lado para o resto da vida.
Estávamos na sala principal da mansão, o lugar onde todas as decisões eram discutidas. Ao meu lado estavam os meus irmãos, as únicas pessoas no mundo em quem eu realmente confiava, ou, pelo menos, as únicas que não me olhavam como uma peça de xadrez.
Lorenzo, o irmão do meio, era o meu consiglieri: o meu braço direito, o homem que cuida das estratégias, das leis e de tudo o que envolve segredos. Usava terno impecável, expressão sempre séria e um olhar que não perdia um único detalhe.
Matteo, o mais novo, tinha o fogo da juventude e a coragem de um leão. Não gostava de regras, não aceitava imposições e sempre falava o que pensava, sem filtros ou medo.
Giovanni se acomodou melhor na poltrona, cruzando as mãos sobre o peito, e me encarou com aquele olhar autoritário que nos foi ensinado a obedecer desde pequenos.
— O casamento está marcado para duas semanas — disse ele, com a voz grave e inconfundível. — Você sabe o que significa essa união. É a aliança mais importante que já fizemos. Valentina é uma mulher adequada, vem de uma família respeitável, com condições de manter o nosso nome alto. Honre o nosso sangue, filho. Não me decepcione.
Ele fez uma pausa, olhando para cada um de nós, e completou:
— Sobre a sua despedida de solteiro… eu não poderei estar presente. Tenho assuntos importantes fora da cidade, reuniões que não posso adiar. Mas quero que tudo seja feito como manda a tradição: festas, apenas homens de confiança, nenhum escândalo. Você é o Don, Dante. Tudo o que faz é observado. Não dê motivos para críticas.
Assenti com a cabeça, sem dizer uma palavra. Por fora, mantinha a postura fria e inatingível de sempre. Por dentro, sentia apenas cansaço e uma raiva silenciosa que crescia a cada dia.
Quando Giovanni saiu da sala, fechando a porta pesada atrás de si, Lorenzo se aproximou devagar, os olhos brilhando com aquela inteligência afiada que só ele tinha. Ele esperou ouvir os passos do pai se afastarem pelo corredor antes de falar, baixo, mas firme:
— Eu não confio nela, Dante. E muito menos na forma como o pai olha para ela, como fala com ela, como se entendem com apenas um olhar. Desde que esse acordo foi fechado, eu mandei investigar Valentina a fundo. Seguidores, escutas, tudo o que podia. Se ficar provado que ela tem um amante, que trai o compromisso antes mesmo de ele existir… o contrato de casamento deixa de ter qualquer valor. Nenhuma aliança se mantém sobre a mentira e a traição. E mais: se o pai está envolvido nisso, como eu desconfio… temos problemas maiores do que um casamento arranjado.
Matteo bateu a mão na mesa, impaciente, com aquele jeito explosivo que era só dele.
— Por que achar que o pai está envolvido? Para que pensar em complicações? É só cancelar tudo e deu! Você é o Don, Dante! Você manda em tudo, manda em todos, muito mais do que ele. Não precisa de provas, não precisa de justificativas. Se não quer casar com ela, não casa. Quem vai te obrigar?
Eu soltei um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto, sentindo o peso de ser o líder de uma família em que nem todos eram leais.
— Não é tão simples, irmão. Se eu quebrar o acordo sem motivo aparente, declaramos guerra à família dela, e o pai vai usar isso contra mim, vai dizer que eu sou irresponsável, que não sei governar. E guerra significa sangue, significa vidas perdidas, significa instabilidade no império. Eu não quero isso. Não agora, e nenhum de nós pensa em acusar o pai, só queremos certeza. — falei. Matteo, de nós três, é o mais apegado ao pai; chega a ser engraçado como ele admira o homem que nós detestamos.
Olhei diretamente para Lorenzo, com toda a seriedade do mundo, a frieza de sempre voltando a dominar cada palavra:
— Me traga a prova. Provas concretas, fotos, gravações, testemunhas. Prove-me que ela me trai, que ela nos engana, que ela não passa de uma mentira ambulante… e aí sim, nós acabamos com o contrato. Acabamos com a aliança. E se descobrir que o nosso próprio pai está do lado dela, tramando contra mim… aí sim, nós vamos lembrá-lo de quem realmente comanda aqui. Ninguém engana um Marcondes e sai ileso. Ninguém.
Lorenzo acenou com a cabeça, já pensando nos próximos passos. Matteo ainda resmungou alguma coisa sobre “perder tempo com gente inútil”, mas eu já tinha decidido.
— Agora, vamos — avisei, endireitando o terno e recuperando toda a postura de líder que todos temiam. — A festa da despedida de solteiro nos espera. Vamos cumprir a tradição, como ele pediu. E vamos esperar, porque a verdade sempre aparece. E quando aparecer, eu vou ser o primeiro a cobrar o preço.
Saímos da sala lado a lado, os três irmãos, rumo à noite que mudaria tudo. Eu não sabia ainda, mas naquela mesma noite, o destino iria me apresentar a pessoa que iria não só salvar a minha vida, mas também me ajudar a descobrir toda a traição que estava escondida debaixo do meu próprio teto.
Meu nome é Camile Fontana, tenho 26 anos e sou brasileira, mas a minha vida real começou aqui, na Itália, há exatos seis anos.
Vim para cá com uma mala pequena, pouco dinheiro e uma vontade enorme de desaparecer. No Brasil, a minha história era feita de gritos, medo e silêncio. Cresci dentro de uma família abusiva, em que o amor era confundido com posse, e o respeito era algo que só existia nas regras que eles impunham. Cansei de ser alvo, cansei de me sentir pequena, cansei de viver para agradar quem nunca me via de verdade. Então, no dia em que completei vinte anos, juntei tudo o que tinha conseguido economizar, comprei uma passagem só de ida, juntei o visto de estudante e saí sem olhar para trás. Deixei para trás o que me feriu e trouxe comigo apenas a coragem de recomeçar.
Estudei muito. Noites mal dormidas, livros empilhados, língua nova para aprender, cultura nova para entender. Me formei em enfermagem aqui mesmo, na Universidade de Milão, com as melhores notas da turma. Para mim, cuidar de pessoas nunca foi apenas uma profissão: foi uma forma de devolver ao mundo o oposto do que eu recebi. Se eu não tive carinho, não tive proteção, eu daria isso a quem precisasse. Trabalho com honra, com dedicação, e, para mim, um paciente é sempre um ser humano, independentemente de quem ele seja, do que ele tem ou do que fez.
Hoje moro em um apartamento pequeno, mas num bairro tranquilo da cidade. Divido o espaço com a Luana, uma amiga brasileira que conheci na faculdade e que se tornou a irmã que a vida me negou. Nós duas entendemos o que é ser estrangeira, o que é recomeçar, o que é construir tudo do zero. Ela é quem me faz rir nos dias difíceis, quem divide o café pela manhã e quem me lembra, sempre, que eu sou forte.
Gosto de coisas simples: do cheiro de café fresco ao amanhecer, de caminhar pelas ruas antigas de Milão quando estão vazias, de ouvir música brasileira baixinho para não sentir tanta saudade, de ler livros que me levam para outros mundos. Gosto da sensação de dever cumprido, de saber que fiz a diferença, nem que seja pequena, na vida de alguém. Sou calma, observadora, tenho um coração enorme, mas aprendi a colocar limites: não deixo ninguém invadir o meu espaço, não aceito desrespeito e não me deixo abalar por ouro ou poder. Aprendi cedo que o que vale mesmo é o que a pessoa carrega dentro de si.
Trabalho na Clínica San Giorgio, uma instituição particular, discreta, localizada numa região nobre e reservada. Dizem por aí que é o melhor lugar para se tratar na Itália, e não é só pela estrutura. Os pacientes que chegam até nós são, na maioria das vezes, pessoas muito importantes, com sobrenomes conhecidos, fortunas imensas… ou então, pessoas que chegaram à beira da morte e precisam de total sigilo.
Correm muitos boatos pelos corredores e também fora deles. Dizem que a San Giorgio é, na verdade, o hospital particular da máfia italiana. Que os donos têm ligações perigosas, que os pacientes que chegam com ferimentos estranhos, tiros, acidentes impossíveis, são todos homens ligados ao crime organizado. Não sei até onde é verdade. O que eu sei é que eles pagam o dobro, às vezes o triplo, do que qualquer outro hospital pagaria. E isso, para mim, que lutei tanto para conquistar o meu espaço, que pago as minhas contas e que quero um dia ter a minha própria casa, faz toda a diferença. Desde que eu esteja aqui para cuidar, para salvar vidas e para fazer o meu trabalho com ética, o resto… não me cabe julgar.
Naquela noite, ao vestir o meu uniforme limpo, arrumar meu cabelo e colocar os estetoscópios e materiais na bolsa, senti um arrepio percorrer a minha espinha. Era um plantão como outro qualquer, mas havia algo diferente no ar.
Olhei para o espelho antes de sair de casa, ajustei o colarinho e respirei fundo. Senti uma sensação estranha, que eu não sabia explicar, mas que me dizia, com toda a certeza: esse plantão não seria como os outros.
Algo grande estava para chegar. Algo que iria mudar a minha vida, de uma forma que eu nunca poderia imaginar.
— Hoje a noite vai ser longa — sussurrei para mim mesma, fechando a porta e seguindo em direção à clínica, sem saber que o destino já havia traçado o meu caminho ao lado dele.
A festa de despedida de solteiro acontecia na propriedade isolada, no alto das colinas, longe de olhares curiosos e de qualquer lei que não fosse a nossa. O salão principal era imenso, com lustres de cristal que brilhavam como estrelas presas ao teto, paredes revestidas de madeira nobre e mesas cheias de comida importada, bebidas caras e charutos raros. Havia dezenas de homens ao meu redor: capos, conselheiros, amigos de família, todos vestidos com ternos impecáveis, todos brindando ao meu nome, ao meu futuro, a uma vida que eu não escolhi.
No centro do salão, um grupo de mulheres dançava ao som de uma música alta e envolvente. Seus corpos se moviam com uma beleza calculada, roupas leves que deixavam pouco à imaginação, sorrisos pintados e olhares treinados para agradar. Elas giravam, se aproximavam, ofereciam copos, carinhos, atenção. Para qualquer outro homem ali, aquilo era o paraíso: luxo, prazer, poder, tudo servido numa bandeja de ouro. Mas, para mim, era apenas um espetáculo vazio. Olhava para tudo aquilo e não sentia nada. Nem desejo, nem alegria, nem curiosidade. Apenas um vazio enorme, a certeza de que tudo ao meu redor era falso, construído para parecer perfeito, enquanto a verdade era que eu estava sendo aprisionado cada vez mais.
Eu estava encostado numa coluna, com um copo de uísque na mão, bebendo em goles lentos, observando tudo como se fosse um espectador, não o homenageado.
— Você devia sorrir, irmão — disse Lorenzo, chegando ao meu lado, com o olhar atento como sempre. — É a sua festa.
— Festa para quê? — respondi, baixo, sem tirar os olhos das mulheres que dançavam. — Para comemorar que estou me entregando a uma aliança que não quero, com uma mulher em quem não confio, sob as ordens de um pai que parece estar jogando um jogo que eu não entendo? Não vejo motivo para sorrisos.
Lorenzo olhou ao redor, certificando-se de que ninguém nos ouvia, e aproximou-se mais:
— Por isso mesmo é que vou sair agora. Vou até a cidade vizinha verificar onde o pai realmente está. Ele disse que teria reuniões, mas os meus contatos viram o carro dele parado na casa dos pais de Valentina. Quero saber o que eles estão conversando tão escondido, longe de todos. Se há algo acontecendo nas costas da família, eu descubro.
Assenti. Era exatamente o que precisávamos.
— Vá. E seja cuidadoso, Lorenzo. Se ele realmente está tramando algo contra mim, ele não vai hesitar em eliminar quem descobrir.
— Eu sei. Te ligo assim que tiver qualquer coisa.
Ele bateu levemente no meu ombro, virou as costas e saiu discretamente, sem chamar atenção.
Poucos minutos depois, Matteo apareceu ao meu lado, já com o rosto vermelho de tanto beber, um sorriso travesso nos lábios e uma loira de pernas longas agarrada no braço. Ela usava um vestido curto, sorria para ele como se ele fosse o único homem do mundo, e não parava de sussurrar coisas no seu ouvido.
— Vou sair um pouco, irmão! — avisou ele, com aquela energia que nunca acabava. — Essa delícia aqui disse que conhece um lugar melhor, mais animado, onde não tem esse monte de velhos falando de negócios e poder. Vamos aproveitar a vida, né? Afinal, você é quem vai ficar preso ao casamento; eu ainda sou livre!
Ele riu da própria piada, e eu não pude deixar de esboçar um sorriso fraco. Matteo era o oposto de tudo: leve, despreocupado, vivia o momento. Às vezes, eu tinha inveja da forma como ele levava a vida, sem pesos, sem segredos.
— Vá se divertir, Matteo. E não faça besteira.
— Eu? Besteira nunca! — gritou ele, já se afastando, puxando a mulher pela mão. — A gente se vê mais tarde!
E, em segundos, também ele desapareceu pela porta, deixando-me sozinho.
Olhei novamente para o salão, para os homens que brindavam, para as mulheres que dançavam, para todo aquele luxo que, para mim, significava apenas correntes. De repente, tudo aquilo pareceu sem sentido. Um espetáculo ridículo, uma mentira enorme. Eu era o Don, o homem que comandava tudo, e, ainda assim, não tinha controle nem sobre a minha própria vida.
A sensação de sufocamento cresceu dentro de mim. Não podia ficar ali mais um minuto.
Virei o copo de uísque de uma vez, sentindo o líquido queimar a garganta, coloquei o casaco sobre os ombros e caminhei em direção à saída, ignorando os cumprimentos e os olhares curiosos. Ninguém ousou me perguntar nada. Ninguém ousou me impedir.
Cheguei ao estacionamento, onde o meu carro esportivo preto brilhava sob a luz dos postes. Entrei, liguei o motor, e o ronco forte ecoou pela noite escura. Eu só queria dirigir. Queria velocidade, queria vento no rosto, queria sentir algo real, algo que não fosse regra, dever ou traição.
Saí da propriedade, pegando a estrada sinuosa que cortava as montanhas, escura, quase sem iluminação. A velocidade aumentava a cada curva, e, por um momento, senti o peso sair dos meus ombros. Era só eu, o carro e a estrada.
Peguei o celular, disquei para Lorenzo. Ele atendeu na segunda chamada.
— Dante? Já saiu da festa?
— Saí. Aquilo tudo não faz sentido para mim; não aguentava mais ficar lá. Você está onde?
— Estou perto da casa deles, estacionado numa esquina escondida. E Dante… o pai está aqui mesmo. O carro dele está na garagem, e tem mais dois veículos que reconheço: são seguranças da família dela. Eles estão juntos há horas. Não é só reunião, irmão. É conspiração.
Senti o sangue ferver nas veias.
— Continue observando. Grave tudo, anote tudo. Qualquer movimento, me avisa.
— Pode deixar. E cuidado na estrada, está escura e molhada da chuva de mais cedo.
Desliguei o telefone e, antes que eu pudesse prestar mais atenção, vi pelo retrovisor.
Dois carros grandes, escuros, apareciam atrás de mim, vindo rápido demais. Eles não estavam apenas passando. Eles estavam me seguindo.
Acelerei mais, apertando o volante com força.
— Quem diabos são esses? — murmurei, sentindo o alerta ligar na minha cabeça.
Os carros também aceleraram. Chegaram perto, um de cada lado, fechando o caminho. Não eram veículos comuns. Eram carros de homens armados, com vidros escuros, sem placa visível.
Peguei o celular novamente, ligando para Matteo, o coração já batendo mais forte.
— Dante? — ele perguntou, rindo, com barulho de música ao fundo.
— Matteo! Me escuta! Tem dois carros me perseguindo na Estrada das Colinas. Estão me fechando, tentando me parar.
A risada dele morreu na hora.
— O quê? Perseguindo? Quem é?
— Não sei! Mas estão armados, tenho certeza. Ligue para os nossos homens, mande ajuda, rápido!
— Já estou indo! Fica na linha, Dante, não desliga!
Desliguei o telefone e joguei o carro para o lado, escapando de uma batida que um dos carros tentou fazer. Os pneus cantaram no asfalto úmido, a velocidade era absurda, as curvas perigosas. Eles não queriam apenas me parar. Eles queriam me tirar da estrada.
— É o pai… é a Valentina… são eles — pensei, com raiva e clareza. Sabiam que eu iria descobrir e decidiram me eliminar antes que eu pudesse acabar com os planos deles.
Os dois carros continuavam na cola, empurrando-me para a beira do precipício, onde a estrada não tinha proteção. Eu dirigia com toda a habilidade que tinha, desviando, acelerando, freando, mas eles eram mais, e estavam determinados.
Numa curva mais fechada, o carro da esquerda bateu forte na minha lateral. O impacto foi violento. O meu carro perdeu completamente o controle. Girei no meio da pista, as luzes se misturando com a escuridão, o som do metal rangendo e quebrando.
Tentei segurar o volante, tentei recuperar, mas a velocidade era muita, e o asfalto escorregadio traiu-me.
O carro saiu da estrada, bateu forte contra uma barreira de pedra e capotou uma, duas, três vezes, girando no ar, caindo ladeira abaixo, até parar completamente, de ponta-cabeça, numa vala escura, cheia de terra e pedras.
O silêncio que se seguiu foi aterrorizante.
Senti o gosto de sangue na boca, uma dor imensa cortando todo o meu corpo, a cabeça latejando, a visão ficando turva e escura. A última coisa que ouvi, antes de tudo apagar, foi o som dos outros carros parando na estrada, portas abrindo, passos se aproximando. E uma voz, baixa e fria, que eu reconheceria em qualquer lugar: a voz do meu próprio pai.
— Está feito. Agora, ninguém impede o nosso plano.
E então, a escuridão total me engoliu.
Para mais, baixe o APP de MangaToon!