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Seis Meses Para Amar

Nunca foi meu

Eu tenho vinte anos.

E, por mais patético que pareça, eu passei praticamente todos esses anos amando o mesmo homem.

O nome dele é Matheus.

Crescemos juntos. Literalmente juntos. Os pais dele trabalhavam para o meu pai desde antes de eu nascer, então ele sempre esteve por perto — nas festas da família, nos almoços de domingo, nas viagens… em tudo. Enquanto eu aprendia a andar, ele já corria pela casa dos meus pais como se fosse dele também.

Eu tenho três irmãos mais velhos — Marcos, Daniel e Rafael —, todos superprotetores, todos enormes, todos assustadores… menos quando se trata do Matheus. Porque pra eles, ele sempre foi mais um irmão. Pra minha família inteira, na verdade.

E pra mim também.

Pelo menos… no começo.

A gente estudava na mesma escola — meu pai fazia questão de pagar tudo pra ele, dizia que educação era o mínimo que podia oferecer à família que sempre foi tão leal à nossa. Mas, pra mim, aquilo só significava uma coisa: eu nunca precisava me despedir dele.

Nós éramos inseparáveis.

Sentávamos juntos.

Almoçávamos juntos.

Voltávamos pra casa juntos.

Se alguém me perguntasse naquela época quem era meu melhor amigo, eu nem pensava duas vezes.

Matheus.

Sempre Matheus.

Eu tinha quatorze anos quando tudo mudou.

No início, achei que era só uma paixonite idiota. Sabe aquelas coisas de adolescente? Um friozinho na barriga, um ciúme bobo quando alguma garota chegava perto demais, vontade de ficar mais bonita só pra chamar a atenção dele…

Eu achei que ia passar.

Não passou.

Piorou.

E o que era pra ser só uma fase virou… tudo.

Eu comecei a reparar em coisas que nunca tinha percebido antes. No jeito que ele sorria. No som da risada dele. No cuidado que ele tinha comigo, mesmo sem perceber.

E foi aí que eu me perdi completamente.

Mas, se antes a gente já era próximo… depois que os pais dele morreram, a gente se tornou ainda mais.

Ele tinha dezessete anos.

Eu nunca vou esquecer daquele dia.

Nunca.

O mundo dele simplesmente desabou — e, de alguma forma, o meu também. Meu pai não pensou duas vezes antes de trazer ele pra morar com a gente. Disse que ele não ia passar por aquilo sozinho.

E ele não passou.

Porque eu estava lá.

Sempre estive.

Nos dias em que ele não falava nada.

Nas noites em que ele achava que ninguém ouvia, mas eu ouvia ele chorando.

Nos momentos em que ele precisava de silêncio… e nos que ele precisava de alguém.

Eu fui tudo o que consegui ser pra ele.

Amiga.

Companheira.

Família.

Menos o que eu mais queria ser.

E talvez tenha sido aí que meu amor deixou de ser uma coisa leve… e virou algo mais profundo. Mais intenso. Mais… perigoso.

Meus irmãos perceberam.

Principalmente o Marcos.

Ele sempre me olhava como se soubesse exatamente o que estava acontecendo dentro de mim — e, pra ser sincera, provavelmente sabia mesmo. Eles todos sabiam.

E eu também sabia.

Sabia que não era só carinho.

Sabia que não era só amizade.

Eu amava o Matheus de um jeito que não tinha volta.

E, mesmo assim… eu nunca consegui dizer isso pra ele.

Não porque eu não tentei.

Eu tentei.

Várias vezes.

Mas sempre que eu criava coragem, sempre que eu respirava fundo e pensava “é agora”… ele me cortava. Mudava de assunto. Fazia uma piada. Me chamava de “pequena”.

Como se soubesse.

Como se já tivesse a resposta… e só não quisesse ouvir a pergunta.

Mesmo assim, eu nunca desisti.

Porque, no fundo, eu ainda tinha esperança.

Uma esperança idiota, talvez… mas era tudo o que eu tinha.

Até dois meses atrás.

Eu lembro exatamente do momento em que tudo começou a desmoronar.

Uma garota apareceu.

Do nada.

Ela foi até a nossa casa e pediu pra falar com o Matheus. Eu não dei muita importância no começo — ele sempre conhecia gente nova, isso nunca foi novidade.

Mas tinha alguma coisa nela.

Alguma coisa… estranha.

E, naquele mesmo dia, mais tarde, eu descobri o porquê.

Ele entrou no meu quarto sem bater, como sempre fazia. Eu estava sentada na cama, mexendo no celular, quando levantei o olhar… e vi o sorriso dele.

Um sorriso que eu conhecia bem.

Mas que, naquele momento… não era pra mim.

— Chloe — ele disse, com uma animação que fez meu coração disparar sem motivo. — Eu preciso te contar uma coisa.

Eu sorri de volta.

Claro que sorri.

— O que foi?

E então ele disse.

Assim.

Sem aviso.

Sem preparo.

Sem pensar no impacto.

— Eu vou ser pai.

Por um segundo… eu não entendi.

Meu cérebro simplesmente… travou.

— O quê? — foi tudo o que consegui perguntar.

Mas ele continuava sorrindo. Feliz. Radiante.

— Eu vou ser pai — repetiu, como se aquilo fosse a melhor notícia do mundo. — E eu vou me casar.

Casar.

A palavra ecoou na minha cabeça como um tiro.

— Casar? — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Mas… Matheus, você só tem vinte e um anos…

Ele deu de ombros, ainda sorrindo.

— Eu amo a Renata, Chloe. E ela tá esperando um filho meu.

Renata.

O nome dela tinha gosto amargo.

Mas eu não podia deixar isso transparecer.

Não podia.

Porque ele estava feliz.

E, acima de tudo… eu amava ele.

Então eu fiz a única coisa que eu sabia fazer.

Engoli tudo.

Cada pedaço do meu coração quebrando.

E sorri.

— Eu tô feliz por você — eu disse, me levantando e indo até ele. — De verdade.

E então eu o abracei.

Abracei como sempre fiz.

Como melhor amiga.

Como família.

Mesmo sentindo que, naquele momento… eu estava me despedindo de tudo o que eu nunca tive.

Ele retribuiu o abraço, apertado, como sempre.

— Eu sabia que você ia entender — ele murmurou.

Claro que eu ia.

Eu sempre entendia.

Sempre aceitava.

Sempre ficava.

Mas, dessa vez… eu não consegui.

Assim que ele saiu do meu quarto, eu fechei a porta.

E desabei.

O choro veio de uma vez, forte, incontrolável, como se estivesse preso dentro de mim há anos — e talvez estivesse mesmo.

Eu deslizei até o chão, abraçando minhas próprias pernas, tentando conter os soluços… mas era impossível.

Doía.

Doía tanto que parecia que eu não conseguia respirar.

— Chloe…

A voz do Marcos veio baixa, cuidadosa.

Eu nem ouvi ele entrar.

Mas, quando levantei o rosto, ele já estava ali.

E, diferente de todo mundo… ele não perguntou nada.

Não precisou.

Ele só me puxou pra um abraço.

E eu me agarrei a ele como se fosse a única coisa me mantendo inteira.

— Eu amo ele… — eu consegui dizer entre os soluços. — Eu amo tanto ele…

Minha voz quebrou.

— Eu daria a minha vida por ele…

Marcos apertou mais o abraço, a mão passando pelos meus cabelos como fazia quando eu era criança.

E eu chorei.

Chorei como nunca tinha chorado antes.

Porque, naquele momento… eu finalmente entendi.

O Matheus nunca foi meu.

E nunca seria.

O Dia em que Eu o Perdi

Dois meses.

Foi o tempo que levou para o meu mundo acabar de vez.

Dois meses desde o dia em que Matheus entrou no meu quarto sorrindo, dizendo que ia ser pai… dizendo que ia se casar com outra mulher.

E agora… aqui estou eu.

Sentada na beirada da minha cama, olhando para o vestido que eu deveria usar no casamento dele.

O vestido que eu escolhi com as próprias mãos.

Irônico, não é?

Minhas mãos tremem levemente enquanto deslizo os dedos pelo tecido. É bonito. Claro que é. Tudo hoje precisa ser perfeito.

Porque é o dia dele.

O dia mais feliz da vida dele.

E eu deveria estar feliz também.

Deveria.

Solto um riso baixo, sem humor nenhum, enquanto levo a mão ao peito. Parece que tem alguma coisa presa ali dentro… algo pesado demais pra sair, mas sufocante demais pra ficar.

Eu não queria ir.

Deus… eu não queria ir.

A ideia de entrar naquela igreja ao lado dele… de olhar pra ele sabendo que, em poucos passos, vou entregar ele pra outra mulher…

Isso dói.

Dói num nível que eu nem sabia que existia.

Eu fecho os olhos com força, tentando controlar a vontade absurda de simplesmente arrancar esse vestido, me jogar na cama e me esconder do mundo.

Mas antes que eu consiga tomar qualquer decisão…

A porta se abre.

— Chloe…

A voz do Marcos vem suave, diferente do tom firme que ele costuma usar. Quando abro os olhos, vejo ele encostado na porta… e atrás dele, Daniel e Rafael.

Os três.

Como sempre.

Meu peito aperta.

— Eu não sei se consigo — minha voz sai baixa, fraca… quebrada.

Eles trocam um olhar silencioso entre si, como se já esperassem por isso.

E então Marcos entra primeiro.

Ele se aproxima devagar, como se eu fosse quebrar a qualquer momento — e talvez eu fosse mesmo.

— Você não precisa ser forte o tempo todo — ele diz, se abaixando na minha frente.

Eu engulo em seco.

— Mas eu preciso ir — sussurro. — Eu prometi…

Ele suspira, passando a mão pelo rosto.

— Prometer não significa se destruir, Chloe.

Meus olhos ardem.

— Ele vai sentir minha falta se eu não estiver lá…

A frase escapa antes que eu consiga segurar.

Silêncio.

Pesado.

Doloroso.

Rafael solta uma respiração funda, apoiando o corpo na parede.

— E quem sente a sua falta, hein? — ele murmura.

Eu não respondo.

Porque eu sei a resposta.

Ninguém.

Daniel se aproxima e segura meu rosto com cuidado, me obrigando a olhar pra ele.

— A gente sente — ele diz firme. — E a gente não vai te deixar passar por isso sozinha.

E é aí que eu quebro um pouco mais.

Porque eles sempre estão ali.

Sempre.

Marcos segura minha mão e aperta de leve.

— Se você quiser ir… a gente vai com você. Se você quiser ficar… a gente fica também.

Eu fecho os olhos por um segundo.

Só um segundo.

E, quando abro…

Eu já sei a resposta.

— Eu vou.

Minha voz mal sai, mas eles entendem.

E, mesmo que isso vá me destruir… eu me levanto.

---

A igreja está cheia.

Luzes suaves, flores por todos os lados, música baixa tocando ao fundo…

Tudo perfeito.

Tudo lindo.

Tudo… insuportável.

Minhas mãos estão frias dentro das dele.

Matheus.

Eu não consigo olhar pra ele.

Não consigo.

Mas sinto.

Sinto a presença dele ao meu lado, sinto o calor da mão dele segurando a minha com firmeza, como sempre fez.

— Você tá bem? — ele pergunta baixo.

Eu forço um sorriso que ele nem vê.

— Tô.

Mentira.

A maior da minha vida.

A música muda.

É a nossa vez.

E então…

Eu caminho.

Cada passo é um golpe.

Cada passo é como se eu estivesse indo em direção ao meu próprio fim.

As portas se abrem, e todos se levantam. Eu sinto os olhares, ouço os murmúrios, vejo tudo embaçado pelas lágrimas que eu me recuso a deixar cair.

Porque hoje não é sobre mim.

Nunca foi.

Quando finalmente chegamos ao altar… eu preciso olhar.

Preciso.

E quando eu olho pra ele…

Ele está sorrindo.

Mas não pra mim.

Nunca foi pra mim.

Eu solto a mão dele.

E, com isso… sinto como se estivesse soltando tudo.

A cerimônia começa.

As palavras do padre ecoam pelo ambiente, mas eu não consigo ouvir nada direito. Tudo se mistura, tudo se perde… tudo vira um ruído distante enquanto eu luto pra manter o controle.

Minhas unhas cravam levemente na palma da minha mão.

Não chora.

Não chora.

Não chora.

Mas quando eles trocam os votos…

Eu não consigo.

Uma lágrima escorre.

E depois outra.

E outra.

Eu abaixo o rosto rapidamente, fingindo que é emoção, como qualquer outra pessoa ali.

Mas não é.

Nunca foi.

É dor.

Pura.

Crua.

Insuportável.

---

A festa é ainda pior.

Risos.

Música.

Brindes.

Fotos.

Eu sorrio.

Eu abraço.

Eu parabenizo.

Eu finjo.

Finjo tão bem que chega a ser assustador.

Mas por dentro…

Eu estou me despedaçando.

Tiro fotos com eles.

Com ele.

Com ela.

Renata segura a mão dele com tanto carinho que meu estômago revira.

E ele olha pra ela como…

Como eu sempre quis que ele olhasse pra mim.

Eu não aguento mais.

Não dá.

Eu sinto quando Marcos se aproxima por trás.

— Chega — ele murmura.

Eu não discuto.

Não tenho forças.

Daniel e Rafael já estão ali também, e quando olho ao redor, vejo meu pai… Dante… observando tudo de longe.

Preocupado.

Ele entende.

Todos eles entendem.

E, dessa vez…

Eles não me deixam ficar.

---

Assim que chegamos em casa…

Eu não consigo mais segurar.

É como se tudo que eu reprimi o dia inteiro explodisse de uma vez.

Eu mal passo pela porta e já estou chorando.

Não… chorando não.

Desmoronando.

— Eu amo ele! — minha voz sai alta, desesperada, enquanto me agarro no primeiro que encontro.

Meu pai.

— Eu amo tanto ele… — eu soluço, me agarrando na camisa dele como uma criança. — Eu daria a minha vida por ele…

Minhas pernas falham, e nós acabamos no chão da sala.

Eu não sinto nada além da dor.

— Ele nunca me viu… — eu continuo, a voz falhando, quebrando, sumindo. — Nunca…

Os braços do meu pai me envolvem com força, protetores, firmes… enquanto meus irmãos se ajoelham ao nosso lado.

— Eu amo ele… — repito, mais baixo agora, como se estivesse perdendo as forças. — Eu amo…

Minha voz some no meio do choro.

E eu choro.

Choro como uma criança.

Sem controle.

Sem vergonha.

Sem filtro.

Um choro feio, dolorido, desesperado… como se eu estivesse tentando expulsar de mim tudo o que nunca tive coragem de dizer.

As mãos do meu pai acariciam meu cabelo, repetidamente.

— Eu sei, filha… eu sei…

Mas isso não ajuda.

Nada ajuda.

Porque amar alguém que nunca foi seu…

É um tipo de dor que não tem cura rápida.

Eu choro até não conseguir mais.

Até meu corpo ficar pesado.

Até minha cabeça cair contra o peito dele.

Até o cansaço vencer a dor… mesmo que só por algumas horas.

E ali…

No chão da sala.

Nos braços do meu pai.

Cercada pelos meus irmãos…

Eu finalmente apago.

Mas, pela primeira vez…

Sem ele.

personagen

Gente, passando aqui rapidinho pra falar sobre as imagens do casal da nova história 🥹

Quero deixar uma coisa bem clara: vocês são totalmente livres pra imaginar os personagens do jeitinho que quiserem, tá? 💛 Se na sua cabeça eles têm outro rosto, outro estilo, outra vibe… tá tudo certo! A história também é de vocês.

Mas como autora, eu sempre acabo criando uma “imagem base” na minha mente… e no caso dele, não tem jeito 😂 quando penso em um lutador, automaticamente me vem a imagem do Drew da WWE (Andrew). E porque sou totalmente obcecada nesse homem rsrs e só vem ele na minha cabeça.

Então, pra mim, eu imagino ele mais ou menos assim… forte, intenso, com aquela presença que impõe respeito só de olhar 👀🔥

Antes que comecem… já vou avisando 😌

Sim, vocês podem imaginar o personagem do jeitinho que quiserem — loiro, moreno, alto, baixo… o que a mente de vocês mandar. A história é de vocês também 🫶

MAS… 😏

Eu, como autora, não tenho essa capacidade toda não 😂

Quando eu penso em um lutador… simplesmente não vem outra imagem na minha cabeça além dele.

É sério. Não adianta tentar trocar. Não funciona 🤡

Então sim, na minha mente ele é exatamente assim: grande, intenso, com cara de quem resolve tudo no olhar e dá um certo perigo… do jeito que eu gosto 👀🔥

Mas relaxa, pode trocar na sua imaginação sem culpa nenhuma — eu só quis deixar claro que essa versão aqui é puro gosto pessoal mesmo 😌✨

Espero que gostem deles tanto quanto eu gostei de criar 🥹✨

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