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Montclair: O CEO que Sempre Me Amou.

capítulo 01

Montclair era uma cidade em constante expansão, mas as vilas ao redor mantinham a essência de um lar aconchegante, onde todos se conheciam e cada esquina guardava memórias. Para Olivia, aquelas ruas eram um lembrete do passado que ela tentava fugir, mas que, ironicamente, era para onde sempre acabava voltando.

Depois de três anos longe, atravessar aquelas calçadas familiares parecia um desafio maior do que qualquer outro que já enfrentara. O coração martelava no peito, e sua mente estava repleta de perguntas sem resposta. Como contar aos pais, aos irmãos, que havia abandonado tudo? O noivado, o emprego cobiçado em uma das maiores corporações do mundo… como explicar que simplesmente não conseguia mais viver aquela vida?

Ela parou diante do portão da casa onde crescera, os dedos trêmulos pairando sobre o trinco. O cheiro da terra úmida depois da chuva recente misturava-se ao aroma familiar das flores que sua mãe tanto cuidava. Mas a sensação de acolhimento não era suficiente para dissipar o peso esmagador em seu peito. Era agora ou nunca.

Antes que pudesse decidir, uma voz rompeu seus pensamentos.

— Liv?

O som era rouco, mas carregava uma suavidade que só ele possuía. Seu corpo reagiu antes mesmo de sua mente processar. Olivia levantou a cabeça, e lá estava Jacob, parado a poucos metros dela. Seu semblante era quase o mesmo, mas os anos haviam lhe dado uma presença ainda mais marcante. O olhar atento, a postura segura, o sorriso discreto… como se o tempo não tivesse passado para ele.

Ela sentiu o ar faltar.

— Jay… — O nome escapou de seus lábios antes que pudesse evitar.

Ele a observava com uma intensidade que a deixava desconcertada, como se conseguisse enxergar através dela, como se soubesse que algo estava errado. Mas antes que qualquer um pudesse falar mais alguma coisa, ele quebrou o silêncio.

— Quando voltou?

A voz dele continha um misto de surpresa e curiosidade. Olivia umedeceu os lábios, desviando o olhar.

— Agora. — Sua resposta foi curta, mas era tudo o que conseguia dizer.

Jacob inclinou levemente a cabeça, analisando-a. Antes que pudesse questioná-la mais, continuou:

— Estou visitando alguns lugares… meus chefes querem abrir uma filial em Montclair.

A maneira casual como ele falou não enganava Olivia. Jacob nunca dizia algo sem um propósito, e aquele comentário tinha uma intenção oculta. Mas ela não queria pensar nisso agora.

— Ah… que bom — murmurou, sentindo o nervosismo aumentar.

E então, como um relâmpago, ela viu. Os pais se aproximando pela estrada de terra, suas vozes se misturando à brisa fresca da tarde. O pânico se instalou em sua garganta.

— Não… não agora. — O sussurro foi quase inaudível.

Ela recuou, pressionando-se contra uma árvore próxima. O tronco áspero arranhou sua pele, mas o desconforto físico não era nada comparado à tempestade que rugia dentro dela.

— Liv… — Jacob a chamou, sua voz agora mais baixa, mais cuidadosa.

Ela ergueu os olhos, implorando silenciosamente.

— Por favor, só… só não diga que estou aqui.

Jacob ficou em silêncio por um momento. Observou-a, estudou cada expressão, cada mínima hesitação. Ele sempre fora bom em enxergar além do que as pessoas mostravam. E agora, via claramente que Olivia estava fugindo. Não apenas da família, mas de algo maior.

Mas, em vez de questioná-la, simplesmente assentiu.

Ela sentiu um alívio instantâneo, mas antes que pudesse agradecer, a voz de sua mãe a fez encolher-se ainda mais.

— Meu filho, quando voltou?

Joana se aproximava, o rosto iluminado pelo sorriso caloroso, embora seus olhos carregassem um traço de preocupação. Jacob, sempre tranquilo, respondeu com um tom despreocupado.

— Estava por perto, resolvendo algumas coisas.

— Por que não entra, querido? — Loren ofereceu, seu tom suave e convidativo. — Come alguma coisa com a gente.

Jacob hesitou. Ele tinha compromissos, precisava ir… mas sabia que não adiantava argumentar.

— Eu já comi, tia… estou um pouco atrasado…

— Não faça essa desfeita — Otto interrompeu, sua voz firme, mas carregada de carinho. — Está muito magro! Precisa se alimentar.

Jacob prendeu a respiração por um segundo antes de soltar um suspiro resignado.

— Ok, só um pouco, tio.

Joana sorriu, satisfeita.

— Convenceram ele rápido. Preciso implorar para que fique um pouco comigo…

John, sempre sereno, pousou uma mão no ombro da esposa.

— Querida, não seja tão dura com o nosso filho.

Enquanto Jacob se acomodava à mesa, Olivia continuava imóvel atrás da árvore, ouvindo cada palavra, sentindo o coração bater forte. Ela não queria estar ali, mas não conseguia se afastar.

Então, a conversa tomou um rumo que a fez prender a respiração.

— Teve notícias de Olivia? — Joana perguntou, enquanto servia a comida.

Loren sorriu, ajeitando o guardanapo no colo.

— Ela é muito reservada. Está trabalhando na melhor empresa do país e está noiva de um cara incrível, de dar inveja. Soube que ele é gerente de uma das empresas que você trabalha, Jay.

Jacob ergueu os olhos imediatamente.

Seu estômago se revirou ao ouvir aquilo. Sabia que era mentira. Olivia estava ali, a poucos metros, escondida, fugindo. Nada no olhar dela antes indicava que sua vida era perfeita.

Ele engoliu em seco, mantendo a expressão neutra.

— Que bom que… a Liv está bem… — respondeu lentamente, escolhendo as palavras com cuidado.

capítulo 02

Olivia prendeu a respiração por um instante antes de tomar coragem para sair de trás da árvore. Seus passos eram rápidos, quase apressados, enquanto tentava deixar o quintal sem ser notada. Mas o destino não estava a seu favor.

— Olivia? Liv?

A voz soou surpresa e confusa, fazendo seu corpo congelar no mesmo instante. Ela se virou lentamente e encontrou os olhos arregalados de Erick, seu irmão mais novo. Ele a fitava como se estivesse vendo um fantasma.

— Quando voltou? — perguntou, dando um passo mais perto.

— Erick… — Sua voz saiu hesitante, como se o nome dele fosse pesado demais para pronunciar naquele momento.

O barulho chamou a atenção dos pais, que vieram apressados da varanda.

— Liv? — A voz de Loren carregava incredulidade e um toque de emoção. — O que faz aqui?

Otto, por outro lado, não hesitou. Se aproximou e a envolveu em um abraço apertado, como se temesse que, se soltasse, ela desaparecesse novamente.

— Que saudades, minha filha…

Olivia sentiu o aperto em seu peito aumentar. Fechou os olhos por um segundo, absorvendo o calor do abraço paterno, mas o alívio durou pouco.

Loren a olhou dos pés à cabeça, o olhar crítico e analítico.

— Isso não parece uma simples visita.

O coração de Olivia martelava. Sabia que não conseguiria desviar daquele interrogatório por muito tempo, mas tentou.

— Eu só… quis ver vocês.

Mas Loren não era boba. Seu olhar afiado pousou sobre a filha com desconfiança.

— E o seu noivo? Ele não veio junto?

A pergunta fez Olivia sentir um nó se formar na garganta. Seus dedos se apertaram em punhos ao lado do corpo, e ela soube que não tinha mais como fugir.

— Eu… terminei o noivado.

O silêncio que se seguiu foi denso, sufocante.

— O que você fez? — Loren arqueou as sobrancelhas, a incredulidade estampada em cada linha do rosto.

Jacob, que até então permanecia observando, pigarreou e interveio de forma cautelosa.

— Tia… ela deve ter os motivos dela.

Loren virou-se para ele, ainda processando a notícia, mas sem suavizar o tom.

— Motivos? Ela terminou com um homem incrível! — Seu olhar voltou-se para Olivia, exigindo respostas. — E o seu trabalho?

Olivia respirou fundo, sentindo o peso do momento aumentar.

— Eu me demiti.

Jacob a olhou rapidamente, e dessa vez, sua surpresa não passou despercebida.

— Você saiu da melhor empresa de Nova York… e voltou para Montclair?

A pergunta de Loren veio carregada de descrença.

Olivia sentiu a respiração falhar. O peso das expectativas da família, da sociedade, de tudo que ela construiu… agora, tudo desmoronava diante deles. Ela queria ter uma resposta forte, uma justificativa concreta, mas tudo que conseguia sentir era o nó se apertando na garganta.

— O que está acontecendo aqui?

A voz firme de Liam cortou o ar, chamando a atenção de todos. Ele se aproximou, os olhos se movendo entre os rostos tensos ao redor.

Erick, ao seu lado, soltou um suspiro discreto antes de murmurar:

— Melhor não perguntar…

Liam franziu a testa, mas não insistiu. Seu olhar voltou-se para Olivia, que parecia menor diante de toda a expectativa da família.

Joana, sempre mais calma e conciliadora, interveio antes que as coisas saíssem ainda mais do controle.

— Vamos nos acalmar. Deve haver uma explicação razoável. Olivia sempre foi inteligente.

Loren, no entanto, não se deixou amolecer. Seus olhos escuros estavam fixos na filha, carregados de mágoa e incredulidade.

— Como você faz tudo isso sem falar com a sua família?

Olivia sentiu o estômago se revirar. Queria responder, queria dar uma justificativa que fizesse sentido… mas como explicar algo que nem ela conseguia entender completamente?

— Eu… precisava voltar.

A resposta saiu fraca, e ela viu o rosto da mãe endurecer ainda mais.

Liam estreitou os olhos.

— Aconteceu alguma coisa? Aquele cara fez algo com você?

Olivia piscou, surpresa com a intensidade na voz do irmão.

— Não seja exagerado, irmão — disse, tentando soar firme, mas sua voz vacilou levemente. — Ele não fez nada. Eu só… estava cansada de tudo.

Loren soltou uma risada incrédula, como se não acreditasse no que estava ouvindo.

— Cansada? — Sua voz subiu um tom. — Você destruiu tudo o que construiu porque estava cansada?

Ela não esperou uma resposta. Simplesmente virou as costas e entrou na casa, deixando Olivia ali, no meio do olhar confuso da família.

E foi ali, naquele instante, que Olivia percebeu que talvez voltar fosse muito mais difícil do que ela imaginava.

E a pergunta real pairava no ar, mesmo que ninguém a tivesse feito ainda: O que aconteceu com Olivia para fazê-la largar tudo?

capítulo 03

Liam foi o primeiro a quebrar o silêncio pesado que ficou no ar depois que Loren entrou.

— Você não está sozinha, Liv. Se você sentiu que precisava voltar, deve ter um motivo forte.

Erick assentiu ao lado dele, os braços cruzados, mas a expressão firme de quem não deixaria a irmã enfrentar aquilo sozinha.

— Concordo com o Liam. Você não precisa se justificar para ninguém.

Otto, que até então observava tudo em silêncio, soltou um suspiro profundo e pousou uma mão reconfortante no ombro da filha.

— Eu confio em você, minha menina. Sei que não tomaria decisões tão grandes sem pensar muito antes.

Olivia sentiu um aperto no peito. Tinha medo do julgamento, mas o apoio deles fez seus olhos se encherem de lágrimas silenciosas.

Joana percebeu o estado de Olivia e se aproximou, tocando de leve sua mão.

— Vou conversar com a sua mãe, tentar acalmá-la. Enquanto isso, por que você não dá uma volta? Respira um pouco…

Antes que Olivia pudesse responder, Jacob deu um passo à frente, olhando para ela com intensidade.

— Eu vou com você.

Ela hesitou. A última coisa que queria era alguém perguntando sobre tudo que estava tentando esquecer, mas, ao mesmo tempo, a ideia de não estar sozinha naquele momento parecia um alívio.

— Tá bom — sussurrou.

Sem olhar para trás, ela seguiu na direção da estrada de terra que levava ao centro da vila, sentindo Jacob ao seu lado. E, pela primeira vez desde que voltou, sentiu que talvez pudesse respirar.

Jacob soltou uma risada baixa, balançando a cabeça enquanto caminhavam lado a lado pela estrada de terra. O sol começava a se esconder atrás das árvores, pintando o céu com tons alaranjados e dourados.

— Conhecendo a tia Loren, até que não foi tão ruim — ele comentou, desviando de uma pedra no caminho.

Olivia soltou um suspiro dramático.

— Estou viva, pelo menos.

Ele a olhou de canto de olho, avaliando cada nuance de sua expressão.

— Quer contar o que aconteceu?

Ela manteve os olhos fixos à frente, chutando levemente a poeira do chão com a ponta do sapato.

— Não aconteceu nada.

Jacob parou abruptamente, fazendo com que Olivia também parasse e olhasse para ele.

— A gente se conhece a vida inteira, Liv. Com certeza aconteceu.

Ela tentou segurar o riso, mas acabou cedendo, cruzando os braços.

— Para de ler minha mente, senhor Jacob monteriz

Ele arqueou uma sobrancelha, os olhos brilhando com algo entre diversão e preocupação.

— Para de tentar ser forte, Olivia Sammer

Ela bufou, mas um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.

— Hum… Ok, vou deixar você pagar o sorvete.

Jacob estreitou os olhos, fingindo indignação.

— Mas eu não ofereci.

Olivia encolheu os ombros, fingindo inocência.

— Mas agora eu sou desempregada, lembra?

Ela piscou para ele, e Jacob riu, balançando a cabeça.

— Certo, senhorita aproveitadora. Um sorvete não vai me falir.

Eles retomaram a caminhada, e, por um instante, Olivia sentiu um pedaço da leveza que havia perdido ao longo dos últimos anos.

Jacob pegou o celular do bolso, lançando um olhar rápido para Olivia antes de atender.

— É minha noiva… Preciso atender.

Olivia forçou um sorriso, tentando ignorar a sensação estranha que se espalhava pelo peito.

— Vai lá — disse, sua voz saindo leve demais, quase indiferente. — Vou sentar um pouco.

Sem esperar resposta, ela caminhou até a beira do lago que ficava de frente para a praça da cidade. Sentou-se na grama macia, abraçando os joelhos enquanto observava o reflexo do céu na água. Os tons alaranjados e rosados dançavam sobre a superfície tranquila, criando um cenário quase irreal.

Ela respirou fundo, sentindo o cheiro familiar de terra úmida e flores silvestres. Fazia tanto tempo que não parava para simplesmente… existir. Sem pressa, sem pressão, sem expectativas esmagadoras.

Ao longe, podia ouvir a voz de Jacob ao telefone, o tom baixo e tranquilo. Sua noiva.

A palavra ecoou em sua mente, e Olivia tentou ignorar o aperto no peito.

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