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Instinto e Destino

capítulo 1- O cheiro do perigo

Ethan não suportava alfas. Desde pequeno, aprendeu que eram dominadores, agressivos e sempre achavam que sabiam o que era melhor para um ômega. Por isso, evitava qualquer contato desnecessário.

Trabalhando na cafeteria do centro da cidade, ele conseguia manter uma rotina estável. Os clientes regulares eram, na maioria, betas e alguns ômegas que trabalhavam nos escritórios próximos. Era um ambiente seguro—até o dia em que ele apareceu.

O cheiro foi a primeira coisa que atingiu Ethan. Amadeirado, levemente cítrico, carregado com a intensidade típica de um alfa dominante. Seu corpo reagiu involuntariamente, os pelos de sua nuca se arrepiando. Ele prendeu a respiração e virou-se para o balcão, encontrando o dono daquele aroma avassalador.

O homem era alto, ombros largos cobertos por um sobretudo escuro. O cabelo preto estava levemente desalinhado, caindo sobre os olhos cinzentos que analisavam tudo ao redor com calma calculada. Sua presença era esmagadora, como se todo o ambiente se curvasse ao seu redor.

Ethan respirou fundo, tentando ignorar a inquietação que crescia dentro dele.

— Próximo — chamou, sua voz firme, mesmo que seus instintos gritassem para que ele fosse mais cuidadoso.

O alfa caminhou até o balcão, seus olhos fixando-se nos de Ethan de uma forma desconfortável.

— Um café preto. Sem açúcar.

A voz era grave, profunda, e fez algo dentro de Ethan se revirar. Ele bufou internamente. Ótimo. Mais um alfa com voz de comercial de perfume tentando intimidá-lo.

Ele preparou o café rapidamente e entregou o copo sem nem olhar direito para o homem.

— Aqui.

O alfa pegou o café, mas não se afastou imediatamente. Ele inclinou a cabeça levemente, como se estivesse analisando Ethan.

— Você não abaixou os olhos.

Ethan ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.

— E por que eu faria isso?

O alfa sorriu de canto, um gesto sutil, mas que carregava algo desafiador.

— Não vejo muitos ômegas que encaram um alfa desse jeito.

Ethan sentiu o sangue ferver. Quem ele pensa que é?

— Não gosto de alfas metidos.

O homem pareceu se divertir com a resposta.

— Damian.

— O quê?

— Meu nome. Se vamos trocar provocações, pelo menos saiba com quem está lidando.

Ethan estreitou os olhos, irritado com a ousadia dele. Antes que pudesse responder, Damian já havia saído pela porta, deixando para trás apenas o cheiro marcante e a sensação de que aquele encontro não seria o último.

E Ethan odiava admitir… mas algo dentro dele queria que não fosse.

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Fim do primeiro capítulo,essa é a minha primeira novel que eu faço, normalmente eu só leio as dos outros autores lsks...

Mas é isso gente, espero que gostem tá,essa obra vai ser curtinha,mas vai ser boa,eu prometo tá?

Perfil dos personagens:

Ethan→ 24 anos, libriano, é um ômega,gosta de ler no tempo vago,odeia alfas...

Damian →28 anos, aquariano, é um alfa, gosta de lugares silencioso,e odeia cachorro.

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lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá 🎶

Capítulo 2- Um jogo perigoso

Os dias se passaram, mas Ethan não conseguia tirar aquele alfa da cabeça. Damian. O nome combinava com ele—curto, imponente, difícil de esquecer.

E o pior? Ele continuava aparecendo.

Toda manhã, no mesmo horário, Damian entrava na cafeteria, pedia seu café preto e sentava-se em uma mesa próxima ao balcão. Sempre discreto, sempre observando, mas nunca invadindo o espaço de Ethan. Isso deveria tranquilizá-lo, mas o incomodava ainda mais.

Ethan sabia que algo estava errado, que ele deveria estar em paz com a presença de Damian, mas a cada novo dia ele se sentia mais desafiado, mais atraído e, por algum motivo, mais irritado. O que deveria ser uma simples rotina se tornava um jogo perigoso.

Certa manhã, a paciência de Ethan se esgotou. Quando Damian se aproximou do balcão, ele cruzou os braços, encarando-o com uma intensidade que nem ele sabia que possuía.

— Você realmente gosta desse café ou só está vindo aqui para me irritar?

Damian ergueu uma sobrancelha, pegando o copo que Ethan acabara de entregar.

— Talvez os dois.

— Metido — Ethan resmungou, seus olhos estreitos, uma tentativa falha de esconder a frustração que borbulhava por dentro.

Damian riu baixo, e Ethan odiou como aquele som soou agradável, como se tivesse sido feito para seduzi-lo, para tirar-lhe o foco.

— Você trabalha demais, Ethan — o alfa comentou, casualmente, como se estivesse observando algo além do simples movimento de Ethan atrás do balcão.

Ethan travou.

— Você anda me observando?

— Difícil não notar quando alguém está sempre por aqui, correndo de um lado para o outro.

O tom de Damian era enigmático, leve, mas as palavras pareciam um jogo—um jogo que Ethan não sabia como jogar.

O ômega bufou, tentando se livrar da sensação de desconforto que tomava conta dele. Sem pensar, pegou o pano de limpeza e o jogou sobre o balcão com mais força do que o necessário.

— Não sou do tipo que precisa de um alfa para dizer como devo viver — ele disse, tentando manter a compostura, mas sua voz traiu o leve tremor de insegurança.

Damian inclinou a cabeça levemente, os olhos cinzentos avaliando-o de uma forma que fez Ethan se remexer desconfortável. Ele era bom nisso—não apenas em observar, mas em desestabilizar quem estivesse à sua frente. E Ethan era o alvo, o ponto fraco, e ele sabia disso.

— Eu disse que você precisava? — Damian respondeu, o sorriso tênue, quase imperceptível, mas ali, naquele simples movimento dos lábios, havia algo que causava uma sensação difícil de descrever.

Ethan abriu a boca para responder, mas parou. Droga, ele tem razão. Ele não precisava de Damian, mas a presença do alfa fazia o mundo ao seu redor se tornar mais... interessante, mais vivo, mais desafiador. Algo dentro de Ethan queria mais. Ele não podia admitir isso, não podia deixar que o alfa soubesse, mas isso o incomodava ainda mais.

O alfa deu um gole no café e sorriu de canto, como se tivesse visto algo que Ethan não queria que fosse visto.

— Pensei que ômegas fossem bons ouvintes.

— Pensei que alfas fossem menos irritantes — Ethan retrucou, forçando um sorriso que parecia mais uma careta.

Damian riu novamente, e pela primeira vez Ethan percebeu que o som não era zombeteiro. Ele estava... gostando disso. Cada palavra trocada entre eles parecia um desafio, uma provocação, e o coração de Ethan batia mais rápido a cada segundo que passava.

O resto do dia seguiu normalmente, mas algo mudou. Pela primeira vez, Ethan percebeu que não queria que Damian fosse embora tão cedo.

Mas ele não admitiria isso.

Nunca.

Capítulo 3-O Cio Inesperado

Ethan sempre teve controle sobre seu corpo. Desde que experimentou seu primeiro cio, aprendeu a prever os sinais e a se preparar para eles com antecedência. Nunca foi pego de surpresa. Nunca perdeu o controle. Mas naquela manhã, algo estava terrivelmente errado.

O calor começou como um leve incômodo no fundo da sua mente, um ardor sutil que ele tentou ignorar, acreditando ser apenas um desconforto passageiro. No entanto, conforme os minutos avançavam, a sensação se intensificava de maneira alarmante. Seu corpo parecia febril, seus sentidos estavam aguçados a um nível quase doloroso, e cada cheiro ao seu redor se tornava insuportavelmente forte. O perfume do café recém-passado, o leve aroma de canela das tortas na vitrine, o cheiro de tinta dos jornais sobre o balcão — tudo se misturava e girava ao seu redor em uma espiral sufocante.

Ele piscou algumas vezes, tentando focar no pedido do cliente à sua frente, mas sua visão começou a ficar turva. Seu estômago revirou e um suor frio escorreu pela nuca.

Não pode ser...

Seu cio nunca tinha sido adiantado antes.

A ideia de perder o controle ali, no meio do expediente, cercado por clientes e funcionários, era aterrorizante. Ethan agarrou o balcão com força, os dedos tremendo levemente, tentando encontrar alguma estabilidade. Respirou fundo, mas em vez de se acalmar, o ar que encheu seus pulmões trouxe consigo um aroma penetrante, dominante, que sobrepujou todos os outros.

Um cheiro amadeirado, cítrico, quente.

Damian.

O impacto do reconhecimento fez seu coração acelerar violentamente. Seu pânico aumentou. Se Damian estava ali, isso significava que ele também sentiu.

— Ethan?

A voz grave e profunda o chamou, cortando seus pensamentos. Ele ergueu os olhos e encontrou o olhar cinzento do alfa fixo nele. Havia algo afiado na expressão de Damian, como se estivesse avaliando cada detalhe da situação, como se já soubesse.

Ethan tentou se afastar, mas suas pernas cederam. Um tremor percorreu seu corpo, e antes que pudesse cair, braços fortes o envolveram, segurando-o firme. O contato foi um choque. Um estalo elétrico que disparou por sua pele, acendendo cada nervo com uma urgência enlouquecedora. O cheiro de Damian o envolveu, denso e irresistível, como uma brasa sendo atirada no meio de uma fogueira prestes a explodir.

Não. Não agora. Não aqui.

Ele tentou resistir, tentou afastar o alfa, mas seu corpo já não respondia como deveria. Seu peito subia e descia rapidamente, sua respiração estava irregular e a consciência de sua própria vulnerabilidade o fez se contorcer internamente.

— Você está… — Damian começou a falar, mas interrompeu a frase no meio. Seus olhos escureceram ligeiramente, e Ethan viu o exato momento em que o alfa compreendeu a gravidade da situação.

O olhar de Damian se tornou mais intenso, quase predatório, mas ao mesmo tempo contido. Como se estivesse segurando a si mesmo com todas as forças.

O coração de Ethan martelava contra suas costelas. Ele precisava sair dali. Agora.

— Me solta… — murmurou, mas sua voz saiu fraca, trêmula, quase suplicante.

Damian não se moveu de imediato. Seu aperto continuava firme, sustentando Ethan sem esforço, mas havia algo na maneira como ele hesitou. Como se estivesse lutando consigo mesmo, decidindo qual seria o próximo passo.

Mas então, ao invés de puxá-lo para mais perto — como Ethan temia e, ao mesmo tempo, desejava em um nível irracional —, Damian tomou uma decisão diferente.

Com um gesto cuidadoso, mas irrefutável, ele ajustou a posição de Ethan, apoiando-o melhor contra seu próprio corpo, e sussurrou em seu ouvido:

— Eu vou te levar para um lugar seguro.

As palavras foram ditas com uma firmeza inabalável, mas havia algo mais ali. Um tom de preocupação, talvez? De promessa?

Ethan quis protestar. Quis dizer que não precisava da ajuda de um alfa. Quis reafirmar o controle que estava escorregando por entre seus dedos. Mas a verdade era cruel: naquele momento, seu corpo não lhe dava escolha.

A última coisa que viu antes de sua visão escurecer foi Damian carregando-o para fora da cafeteria, enquanto o mundo ao seu redor se tornava um borrão indistinto.

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