A chuva caía fina lá fora, tamborilando na janela do meu pequeno apartamento no centro de São Paulo. Eu tava sentada no sofá, com uma xícara de chá quente nas mãos, tentando ignorar o vazio que parecia crescer dentro de mim. O celular vibrava sem parar na mesinha de centro, mas eu não tinha coragem de atender. Era a minha chefe, provavelmente querendo saber por que eu não tinha aparecido no trabalho hoje. Mas como é que eu ia explicar que tava tudo desmoronando?
Meu nome é Clara Menezes, 27 anos, jornalista frustrada e, até ontem, noiva de um cara que eu achei que seria o amor da minha vida. Mas o Felipe, aquele canalha, me largou por mensagem de texto. Isso mesmo, por mensagem! Depois de cinco anos juntos, ele simplesmente disse que “não tava mais sentindo a mesma coisa” e que precisava “se encontrar”. Se encontrar onde, meu Deus? No Tinder? Porque foi exatamente lá que eu descobri, horas depois, que ele já tava de papinho com uma tal de Bruna.
Eu tava um caco. O coração partido, o aluguel atrasado e, pra completar, minha chefe tava ameaçando me demitir se eu não entregasse uma matéria bombástica pro jornal. Eu precisava de um milagre, mas milagre não é algo que cai do céu, né? Ou pelo menos era o que eu pensava até o interfone tocar.
— Clara, tem um cara aqui embaixo dizendo que precisa falar com você. Ele tá com um carro chique pra caramba, parece importante — disse o porteiro, o Seu Zé, com aquela voz rouca de quem fuma desde os 15 anos.
— Um cara? Quem? — perguntei, franzindo a testa. Eu não tava esperando ninguém, muito menos alguém com um “carro chique pra caramba”.
— Ele disse que é… deixa eu ver… Rafael Albuquerque. Conhece?
Meu coração deu um salto. Rafael Albuquerque? O Rafael Albuquerque? O herdeiro da maior rede de hotéis de luxo do Brasil? Eu já tinha ouvido falar dele, claro. Quem não tinha? O cara era praticamente um mito: jovem, bilionário, lindo de morrer e com uma fama de ser mais frio que o inverno no Alasca. Mas o que ele tava fazendo aqui, no meu prédio caindo aos pedaços, procurando por mim?
— Pode mandar subir, Seu Zé — falei, tentando parecer calma, mas minha voz saiu tremida.
Enquanto esperava, corri pro espelho do banheiro pra dar uma ajeitada no cabelo. Tava um ninho de passarinho, e meu rosto… Meu Deus, parecia que eu tinha chorado por 48 horas seguidas — o que, pra ser justa, não tava muito longe da verdade. Passei uma água no rosto, coloquei um batom que tava jogado na pia e voltei pra sala bem na hora que a campainha tocou.
Quando abri a porta, quase caí pra trás. Rafael Albuquerque era ainda mais impressionante pessoalmente. Alto, com ombros largos, cabelo castanho escuro penteado pra trás e olhos verdes que pareciam enxergar através de mim. Ele tava de terno, é claro, mas não era daqueles ternos caretas de escritório. Era um terno que gritava “eu sou rico e sei disso”. E o perfume dele… Meu Deus, o perfume. Era como se o cara tivesse saído de um comercial de perfume caro.
— Clara Menezes? — perguntou ele, com uma voz grave que fez meu estômago dar uma cambalhota.
— S-sim, sou eu. E você é… o Rafael Albuquerque, né? — gaguejei, tentando parecer minimamente normal.
Ele deu um leve sorriso, mas não era um sorriso caloroso. Era mais… calculado, como se ele soubesse exatamente o efeito que causava nas pessoas.
— Isso mesmo. Posso entrar? — perguntou, já dando um passo pra dentro do apartamento sem nem esperar minha resposta.
— Claro, claro! — falei, fechando a porta e tentando não surtar. — Desculpa a bagunça, eu… não tava esperando visita.
Ele olhou ao redor, e eu juro que vi um leve franzir de sobrancelha quando ele reparou no sofá velho e na pilha de louça na pia. Mas ele não disse nada sobre isso. Em vez disso, foi direto ao ponto.
— Vou ser breve, Clara. Eu tenho uma proposta pra você. Uma proposta que pode mudar sua vida.
Eu pisquei, confusa. Proposta? Mudar minha vida? O que esse cara tava falando?
— Tá, mas… como assim? A gente nem se conhece — falei, cruzando os braços e tentando parecer mais confiante do que eu realmente tava.
Ele se sentou no sofá sem nem pedir licença, cruzou as pernas e me encarou com aqueles olhos verdes que pareciam um raio-X.
— Eu sei quem você é, Clara. Você é jornalista, trabalha no Diário de São Paulo, e tá prestes a ser demitida porque não entrega uma matéria decente há meses. Além disso, seu noivo te largou, você tá com o aluguel atrasado e, pelo que eu sei, sua conta bancária tá no vermelho há semanas.
Minha boca abriu sozinha. Como ele sabia de tudo isso? Eu tava começando a me sentir pelada na frente dele, e não do jeito bom.
— Como você sabe disso tudo? — perguntei, minha voz saindo mais alta do que eu queria.
— Eu tenho meus meios — respondeu ele, com um tom que não deixava espaço pra mais perguntas. — Mas não vim aqui pra falar do seu passado. Vim falar do seu futuro. Eu preciso de uma esposa, Clara. E você precisa de dinheiro. Então, que tal fazermos um acordo?
Eu quase engasguei com o ar que tava respirando.
— Uma esposa? Você tá louco? A gente nem se conhece, e você tá me pedindo em casamento? — falei, rindo de nervoso.
— Não é um casamento de verdade — disse ele, sem nem piscar. — É um contrato. Um casamento por conveniência. Eu preciso de uma esposa pra melhorar minha imagem pública. Meu pai tá ameaçando me tirar da presidência da empresa se eu não “assentar a cabeça”, e eu não tenho tempo nem paciência pra namoros e essas coisas. Você, por outro lado, precisa de dinheiro pra sair do buraco. Eu te pago um milhão de reais pra ser minha esposa por um ano. Depois disso, a gente se divorcia, você fica com o dinheiro, e cada um segue sua vida.
Um milhão de reais. Um. Milhão. De. Reais. Meu cérebro travou por uns bons segundos. Com esse dinheiro, eu podia pagar todas as minhas dívidas, alugar um apartamento decente, talvez até tirar umas férias pra esquecer o Felipe e… Meu Deus, um milhão de reais! Mas então a realidade me acertou como um soco no estômago.
— Tá, mas… e se eu não quiser? — perguntei, tentando entender até onde ele tava falando sério.
Ele deu de ombros, como se minha resposta não fizesse a menor diferença pra ele.
— Aí você continua na mesma, Clara. Sem dinheiro, sem emprego, sem noivo. Mas eu sei que você é mais esperta que isso. Você não tem nada a perder, e tudo a ganhar.
Eu fiquei em silêncio, encarando aquele homem que parecia ter saído de um filme. Ele tava me oferecendo uma saída, mas a que custo? Casar com um cara que eu nem conhecia, fingir ser a esposa perfeita por um ano… Será que eu tava louca de sequer considerar isso?
— Eu… preciso pensar — falei, finalmente, sentindo meu coração bater tão rápido que parecia que ia explodir.
— Tudo bem. Mas não demore muito. Eu não sou um homem paciente — disse ele, se levantando e me entregando um cartão de visitas. — Me liga até amanhã à noite com sua resposta. Se for sim, a gente assina o contrato e você já começa a receber o dinheiro. Se for não… bem, boa sorte com sua vida.
Ele deu um último olhar pro meu apartamento, como se tivesse pena de mim, e saiu sem dizer mais nada.
A porta bateu atrás do Rafael, e eu fiquei ali, plantada no meio da sala, segurando aquele cartão de visitas como se fosse uma bomba-relógio. O silêncio do apartamento parecia gritar nos meus ouvidos, só quebrado pelo barulhinho da chuva lá fora e pelo meu coração que tava disparado igual cavalo de corrida. Um milhão de reais. Um ano. Um casamento de mentira. Meu Deus, o que tava acontecendo com a minha vida?
Sentei no sofá — aquele mesmo sofá velho que o Rafael tinha olhado com cara de nojo — e joguei o cartão na mesinha de centro. Fiquei encarando ele por uns bons minutos, como se o pedaço de papel fosse me dar alguma resposta mágica. Mas nada. Só o nome dele em letras douradas: Rafael Albuquerque e um número de telefone. Nem um “por favor” ou “obrigado” no jeito que ele falou. O cara era direto como um tiro, e eu ainda tava tentando processar tudo.
Peguei o celular e abri o grupo das minhas amigas no WhatsApp. Eu precisava de alguém pra me ajudar a botar a cabeça no lugar, porque sozinha eu tava começando a surtar.
“Gente, vcs não vão acreditar no que acabou de acontecer. Um bilionário apareceu aqui em casa e me ofereceu UM MILHÃO pra casar com ele por um ano. Tipo, um contrato. Eu faço o quê???”
Nem dois segundos depois, a Mari — minha melhor amiga desde a época da faculdade — respondeu com um monte de emojis de olhos arregalados e um “QUÊ?????”. Logo em seguida, a Bia, que é mais calma mas sempre tem um pé atrás com tudo, mandou: “Clara, isso tá parecendo golpe. Quem é esse cara?”. E a Lu, que vive no mundo da lua, só escreveu: “Casa logo e me leva pra lua de mel, kkkk”.
Eu ri, mas foi um riso nervoso. Expliquei rapidinho quem era o Rafael Albuquerque e o que ele tinha falado. A Mari logo mandou áudio: “Amiga, UM MILHÃO? Você tá esperando o quê pra dizer sim? Sai desse buraco, paga suas contas, dá um pé na bunda da vida que o Felipe te deixou e ainda sai por cima! Esse cara é gato, rico e tá te dando a chance de ouro!”. A Bia, desconfiada como sempre, retrucou: “Tá, mas e se ele for um psicopata? Ou se tiver um esquema esquisito por trás? Clara, pensa bem antes de assinar qualquer coisa”.
E foi aí que eu travei. Elas tinham razão, as duas. Um milhão de reais era o tipo de dinheiro que eu nunca ia ver na vida se continuasse do jeito que tava — correndo atrás de matéria pro jornal, ganhando um salário mixuruca e chorando por um noivo que já tava dando em cima de outra. Mas, ao mesmo tempo, casar com um estranho? Fingir ser a esposa perfeita de um cara que parecia mais um iceberg humano do que um marido? E se ele fosse mesmo um maluco? Ou pior, e se eu acabasse me envolvendo de verdade e saísse disso com o coração mais quebrado ainda?
Passei o resto da tarde andando de um lado pro outro no apartamento, com o celular na mão e o cartão do Rafael me encarando da mesinha. Tentei ligar pra minha mãe pra pedir conselho, mas caiu na caixa postal — ela tava viajando com o novo namorado e provavelmente nem ia acreditar numa história dessas. Então, fiz o que qualquer pessoa sensata faria: abri uma garrafa de vinho barato que tava guardada na geladeira e coloquei uma série idiota na TV pra tentar desligar o cérebro.
Mas não adiantou. Enquanto o vinho descia e a série rolava, eu só conseguia pensar na proposta dele. Um milhão de reais podia resolver tudo. Eu podia até largar o jornal, abrir meu próprio blog, viajar pra algum lugar bem longe pra esquecer o Felipe… Mas e o Rafael? Será que eu aguentava um ano inteiro com aquele cara? Ele era lindo, sim, mas tinha um jeito de olhar pra mim como se eu fosse um problema que ele precisava resolver. Nada de calor, nada de simpatia. Só negócios.
Quando o relógio marcou meia-noite, eu já tava meio tonta do vinho e com a cabeça a mil. Peguei o cartão de novo e digitei o número dele no celular. Meus dedos tremiam enquanto eu escrevia a mensagem: “Tá, eu topo. Mas quero ver esse contrato antes de assinar qualquer coisa. Me encontra amanhã?”. Apertei o enviar antes que eu pudesse mudar de ideia e joguei o celular no sofá como se ele tivesse me mordido.
Não demorou nem cinco minutos pra resposta chegar. Uma mensagem curta, seca, típica dele: “Amanhã, 10h, no meu escritório. Te mando o endereço. Não se atrase”. Meu estômago embrulhou. Pronto, agora não tinha mais volta.
Deitei na cama, mas o sono não vinha. Fiquei olhando pro teto, imaginando como seria essa vida de “esposa de mentira”.
Acordei com o coração na boca e uma ressaca leve que o vinho barato da noite anterior deixou de presente. O relógio marcava 8h30, e eu já tava atrasada pra me arrumar pro tal encontro com o Rafael. Levantei da cama tropeçando nas cobertas, corri pro banheiro e joguei uma água no rosto pra ver se acordava de vez. Olhei no espelho e… Meu Deus, parecia que eu tinha sido atropelada por um caminhão. O cabelo tava um caos, e as olheiras gritavam “Clara, você tá fazendo besteira”. Mas agora não tinha mais jeito, eu já tinha dito sim, e aquele endereço chique que ele mandou por mensagem tava me esperando.
Tomei um banho rápido, joguei uma calça jeans decente e uma blusa que não tava amassada — porque, né, eu não ia aparecer no escritório de um bilionário parecendo mendiga — e passei um rímel pra dar uma cara de viva. Peguei o celular, chamei um Uber — porque ônibus pra esse tipo de compromisso não rola — e saí correndo pro elevador enquanto o Seu Zé gritava lá de baixo: “Tá chique hoje, hein, Clara!”. Eu só dei um sorriso amarelo e entrei no carro.
O endereço que o Rafael mandou ficava na Avenida Paulista, num prédio espelhado que parecia gritar “dinheiro” só de olhar. Quando o Uber parou na frente, eu quase pedi pro motorista dar meia-volta. Mas respirei fundo, agradeci o cara e saí do carro com as pernas bambas. O porteiro do prédio — um senhor de terno que parecia mais sério que o meu pai — pediu meu nome e, depois de checar uma lista, me mandou pro elevador. “Vigésimo quinto andar, senhorita. Não se perca”, ele disse, com um tom que me fez sentir que eu não pertencia ali.
O elevador subiu rápido demais pro meu gosto, e quando as portas abriram, eu dei de cara com um hall que parecia saído de filme. Piso de mármore, paredes brancas com quadros caros e uma recepcionista loira que parecia modelo da Victoria’s Secret. Ela me olhou de cima a baixo, como se estivesse avaliando se eu era digna de pisar ali, e perguntou com um sorriso: “Clara Menezes, né? O senhor Albuquerque tá te esperando”. Eu só assenti, tentando não gaguejar, e segui ela por um corredor cheio de portas de vidro até uma sala que era maior que meu apartamento inteiro.
E lá tava ele. Rafael Albuquerque, sentado atrás de uma mesa gigante de madeira, com uma vista panorâmica de São Paulo que me deu vontade de tirar foto pro Instagram — se eu não tivesse tanto medo de parecer caipira na frente dele. Ele tava de terno novamente, mas dessa vez com a gravata frouxa, como se já tivesse resolvido metade dos problemas do mundo antes das 10h. Quando me viu, levantou aqueles olhos verdes e fez um gesto pra eu sentar na cadeira à frente dele.
— Você veio. Pontualidade não é seu forte, mas pelo menos não desistiu — disse ele, com aquele tom seco que já tava virando marca registrada.
— Desculpa, é que… o trânsito, sabe? — murmurei, sentando e tentando não parecer uma completa idiota.
Ele nem respondeu, só pegou uma pasta preta na mesa e empurrou na minha direção. — Aqui tá o contrato. Lê com calma, mas não temos o dia todo. Se tiver dúvidas, pergunta. Se não, assina e a gente segue em frente.
Abri a pasta com as mãos tremendo e comecei a ler. Era um monte de juridiquês que eu mal entendia, mas algumas coisas saltavam aos olhos: “Casamento civil a ser realizado em até 48 horas após a assinatura”, “Coabitação obrigatória na residência do contratante”, “A contratada deverá comparecer a eventos sociais como esposa oficial” e, claro, “Pagamento de um milhão de reais, dividido em parcelas mensais, com bônus por bom desempenho”. Bônus por bom desempenho? O que eu era, uma funcionária do mês?
— Espera aí — falei, levantando os olhos pra ele. — Coabitação obrigatória? Quer dizer que eu vou ter que morar com você?
— Isso — respondeu ele, sem nem piscar. — Não dá pra convencer ninguém que somos casados se você continuar morando naquele… lugar onde você tá agora.
Eu engoli em seco. Ele tinha razão, mas ouvir ele chamar meu apartamento de “lugar” com aquele desprezo doeu um pouco. — Tá, mas e… tipo, a gente vai ter que dividir quarto? Ou… sei lá, fingir intimidade na frente dos outros?
Ele deu um suspiro, como se eu tivesse perguntado a coisa mais idiota do mundo. — Não, Clara. Você vai ter seu próprio quarto. Na frente dos outros, a gente mantém as aparências: mãos dadas, sorrisos, essas coisas. Mas em casa, cada um no seu canto. Eu não tenho tempo nem interesse em complicar isso mais do que já é.
— Certo… — murmurei, voltando pro contrato. — E esse “bônus por bom desempenho”? Como assim?
— Se você fizer seu papel direito — disse ele, inclinando-se um pouco na cadeira —, se não me envergonhar em público, não vazar nada pra imprensa e me ajudar a convencer meu pai que eu “assentei a cabeça”, eu aumento o pagamento em vinte por cento. Um milhão e duzentos mil, pra ser exato.
Eu quase engasguei. Um milhão e duzentos mil reais. Meu Deus, eu podia comprar um apartamento com isso. Ou dois. Mas aí me veio um frio na espinha. — E se eu estragar tudo? Se eu não for boa o suficiente?
Ele me encarou por uns segundos, e juro que senti um calafrio. — Se você estragar tudo, Clara, o contrato se encerra, você devolve o que já recebeu, e eu sigo minha vida como se você nunca tivesse existido. Mas não se preocupe, eu escolhi você porque sei que você é desesperada o suficiente pra fazer isso dar certo.
Desesperada. A palavra ficou ecoando na minha cabeça, e eu não sabia se ficava ofendida ou aliviada por ele ser tão direto.
— Tá, eu assino. Mas me promete que isso não vai virar um pesadelo, Rafael.
Ele deu aquele sorriso calculado de novo, o mesmo da primeira vez que nos vimos. — Eu não faço promessas, Clara. Mas posso garantir que, se você jogar direitinho, esse vai ser o melhor ano da sua vida.
Assinei o contrato com a mão tremendo, e quando entreguei a pasta de volta pra ele, senti como se tivesse vendido minha alma pro diabo. Um diabo lindo, rico e com um terno impecável, mas ainda assim um diabo.
— Ótimo — disse ele, guardando o contrato numa gaveta. — Amanhã a gente casa no cartório. Depois, você faz as malas e vem pra minha casa. Alguma dúvida?
Eu tinha um milhão de dúvidas, mas minha boca só conseguiu soltar um “não” fraquinho. Ele assentiu, levantou da cadeira e me guiou até a porta.
— Nos vemos amanhã, então. E, Clara… tenta parecer uma noiva feliz, tá? — disse ele, antes de fechar a porta na minha cara.
Saí do prédio com a cabeça girando. Eu ia casar. Com um bilionário. Por um milhão de reais.
Para mais, baixe o APP de MangaToon!