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Um Acaso Chamado LORENZO

Capítulo 1 - Falso Namorado. (Ruby)

Eu estava atrasada. De novo.

Se fosse só isso, tudo bem. Mas eu também ainda estava com o coração partido.

Cinco anos. Cinco anos da minha vida jogados no lixo porque James, meu ex-noivo e filho do meu chefe, decidiu que seria mais divertido me trair e apresentar a amante como sua nova noiva na frente de todo mundo.

E eu? Sofrendo um mês vendo o casal esfregar na minha cara o seu romance. São três horas da tarde e eu tinha um julgamento importante e um atraso de quinze minutos nas costas.

— Droga, droga, droga! — murmurei para mim mesma enquanto corria pelo Fórum.

Na pressa, esbarrei em alguém um homem alto e de ombros largos, vestido em um terno escuro.

— Me desculpe! — soltei sem nem olhar para trás.

Ele disse algo, mas eu já estava longe, correndo para a sala do tribunal. Minha cliente, uma mulher de olhos cansados e semblante aflito, estava esperando.

— Me perdoe pelo atraso, Sra. Parker. Vamos resolver isso.

O julgamento foi intenso, mas no final, minha cliente saiu vitoriosa, garantindo a guarda dos filhos. Ela me abraçou, emocionada.

— Obrigada, Srta. Evans. Você não sabe o que isso significa para mim.

Sorri, tentando esquecer o próprio desastre da minha vida amorosa.

Mas minha paz durou pouco. Meu celular vibrou. Uma mensagem da minha colega de trabalho, Charlotte.

Charlotte: Já tá vindo para o Hotel The Grand? Todo mundo já chegou.

Merda. O evento do escritório! Como pude esquecer?

Saí do Fórum correndo e chamei um carro pelo aplicativo. Um sedan preto estava parado na frente. Nem pensei duas vezes: entrei e bati a porta.

— Por favor, para o Hotel The Grand. O mais rápido possível. Minha vida depende disso!

O motorista não disse nada. Só começou a dirigir.

Fiquei no celular, trocando mensagens com Charlotte.

Charlotte: Adivinha quem está aqui?

Eu: Pelo amor de Deus, não me diga que é a amante do James.

Charlotte: Ouvi dizer que o nome dela é Olivia Blanco. E sim, ela está aqui. Sorrindo, sendo simpática, pagando de boa samaritana…

Eu: Ódio.

Suspirei, frustrada. James realmente não tinha limites.

De repente, percebi que o carro estava silencioso demais.

— Qual o seu nome? — perguntei, sem nem olhar para o motorista.

Ele respondeu com um tom tranquilo:

— Lorenzo Morreti.

Levantei o olhar. Só então reparei nele.

Ele tinha cabelos escuros ligeiramente bagunçados, barba bem feita e olhos cor de mel. Um ar de quem não se preocupava com quase nada. Com um termo escuro elegante demais para um motorista de aplicativo, com um relógio caro no pulso.

— E o seu nome? — ele perguntou, com um leve sorriso no canto dos lábios.

— Ruby Evans — respondi.

A frustração transbordou. E então, por impulso e puro desespero emocional, comecei a desabafar.

— Acabei de sair de um noivado fracassado. Cinco anos jogados no lixo. Eu confiava nele, sabe? James prometeu casamento, prometeu o mundo. E no final? Fui traída, descartada. Ele anunciou o noivado com outra mulher na frente de todo mundo!

Lorenzo não disse nada. Apenas dirigia, ocasionalmente lançando olhares curiosos pelo retrovisor.

E então, para o meu horror, senti meus olhos encherem de lágrimas.

— Eu nunca choro — murmurei, tentando conter o desespero. — Nunca. Só chorei quando nasci, e agora estou chorando dentro de um carro, na frente de um estranho.

Lorenzo soltou uma risada baixa.

— Bom, eu posso fingir que não estou vendo, se isso ajuda.

Joguei a cabeça para trás, encarando o teto do carro.

— Eu preciso me vingar. Não posso chegar lá e parecer a ex-noiva rejeitada.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— E o que pretende fazer?

Foi então que uma ideia absurda surgiu.

Virei para ele, determinada.

— Você quer ganhar um dinheiro extra?

Ele me olhou de soslaio, claramente curioso.

— Depende do que for.

Engoli em seco. Eu realmente ia fazer isso?

— Finja ser meu namorado por uma noite.

Lorenzo piscou. Depois riu.

— Isso é sério?

— Sim! — exclamei. — Preciso entrar lá com um homem incrível ao meu lado. Fazer James engolir o arrependimento. E você… — o olhei melhor — tem cara de quem saberia interpretar o papel.

Ele sorriu de lado.

— E quanto eu ganho com isso?

— Eu pago a corrida, pago pelo seu tempo e, se você fizer bem o papel, ainda te pago um bônus.

Lorenzo fez um som pensativo.

— Tentador. Mas eu teria que fingir que estou apaixonado por você?

— Exatamente.

Ele parou no sinal vermelho e virou-se para mim e seus olhos cor de mel penetraram o meu.

— Então eu teria que te olhar com desejo, tocar sua cintura, talvez até te beijar…?

Engoli em seco.

— Se for necessário para a performance.

Ele sorriu, claramente se divertindo com a situação.

— Isso pode ser interessante.

O sinal abriu, e ele voltou a dirigir.

— Está aceitando? — perguntei, ansiosa.

Lorenzo fez uma pausa dramática.

— Aceito. Mas com uma condição.

— Qual?

Ele me lançou um olhar malicioso.

— Quero jantar de graça no The Grand

Revirei os olhos, mas acenei.

— Fechado.

O carro parou em frente ao hotel luxuoso. Respirei fundo.

Lorenzo abriu a porta para mim, estendeu a mão e, com um sorriso charmoso, disse:

— Pronta para fazer seu ex morrer de ciúmes?

Eu segurei sua mão e sorri.

— Mais do que nunca.

E então entramos no hotel, prontos para causar um escândalo.

O Hotel The Grand era ainda mais extravagante do que eu lembrava. Lustres de cristal pendiam do teto, refletindo a luz dourada do salão. O piso de mármore branco brilhava impecavelmente, e o cheiro de vinho caro e especiarias enchia o ar.

Lorenzo andava ao meu lado com uma confiança absurda, como se ele pertencesse àquele lugar. O homem tinha presença, eu precisava admitir. Sua postura era impecável, e o jeito como seus olhos escaneavam o ambiente mostrava que ele não era qualquer um.

— Quem é esse cara? — murmurei para mim mesma.

— Disse algo? — ele perguntou, me olhando com um sorrisinho de canto.

— Nada. Apenas mantenha o personagem.

— Relaxe, Evans. Isso vai ser divertido.

Engoli em seco. Divertido para ele, talvez. Para mim, era minha reputação que estava em jogo.

Assim que entramos no salão principal, senti os olhares pousarem sobre nós. Meus colegas do escritório estavam espalhados pelas mesas de jantar e próximos ao bar, bebendo e conversando.

E então, eu vi.

James.

Ele estava parado próximo ao centro do salão, vestindo um terno cinza perfeitamente ajustado ao corpo. Ao seu lado, segurando seu braço como uma atriz de novela, estava Olivia. A mulher responsável pelo fim do meu noivado.

Ela era… perfeita. Não tinha como negar. Cabelos loiros em ondas sofisticadas, um vestido vermelho que gritava dinheiro, um sorriso falso de quem sabia exatamente o que estava fazendo.

Meu estômago revirou.

Antes que eu pudesse pensar, Lorenzo passou um braço pela minha cintura e me puxou para perto.

— Você está tremendo — ele murmurou em meu ouvido.

— Eu não estou… — comecei a falar, mas, para minha surpresa, estava sim.

O toque dele era quente, seguro. Algo que eu não esperava.

— Hora do show — ele disse, e, antes que eu pudesse reagir, inclinou-se para beijar minha têmpora.

Meu corpo congelou. Eu senti os olhares. Vi James franzir o cenho ao nos notar. Vi Olivia estreitar os olhos. E, para minha própria surpresa, me peguei apreciando a reação deles.

Charlotte apareceu ao meu lado em segundos, os olhos arregalados.

— Quem é esse homem maravilhoso e por que eu não sabia que você estava namorando?

Sorri, segurando a risada.

— Charlotte, este é Lorenzo Morreti, meu namorado.

Lorenzo apertou a mão dela com um sorriso charmoso.

— É um prazer conhecê-la. Ruby fala muito de você.

Charlotte piscou, claramente sem entender nada, mas logo sorriu maliciosa.

— Ela fala de mim? Pois bem, tenho tantas histórias para contar sobre a Ruby…

Antes que eu pudesse impedi-la, ouvi uma voz masculina atrás de mim.

— Ruby?

Virei lentamente.

James me olhava com uma expressão indecifrável.

— James — respondi, mantendo o tom frio.

Seus olhos analisaram Lorenzo ao meu lado, o braço ainda firme ao redor da minha cintura.

— Não sabia que você… estava com alguém.

Lorenzo sorriu e apertou minha cintura levemente, um gesto possessivo e intencional.

— Ah, estamos juntos há um tempo. Mas a Ruby tem sido discreta com isso para não incomodar você. Ela não gosta de chamar atenção.

Arregalei os olhos. Que mentiroso convincente!

James franziu o cenho, claramente irritado.

— Que interessante.

Olivia sorriu docemente.

— Que surpresa maravilhosa, Ruby! Você encontrou alguém tão rápido. Estou tão feliz por você.

O deboche na voz dela me deu vontade de jogar um drink em sua cara.

Mas Lorenzo tomou a frente antes que eu pudesse responder.

— Sim, nós estamos muito felizes. Eu me apaixonei pela Ruby no instante em que a vi. Como não poderia? Ela é brilhante, linda, e… — ele virou para mim e, sem aviso, segurou meu rosto entre as mãos — completamente irresistível.

Antes que eu pudesse processar, ele me beijou.

Fiquei sem ar.

Não era um beijo rápido ou superficial. Era profundo, seguro, e cheio de uma confiança que me deixou tonta. Lorenzo sabia o que estava fazendo. Ele inclinou-se sobre mim, me puxando para mais perto, os dedos deslizando suavemente pelo meu rosto.

O salão inteiro pareceu desaparecer.

Capítulo 2 - Fugir. (Ruby)

Narrado por Ruby Evans.

O silêncio que se seguiu a pois o beijo foi tão intenso que eu podia ouvir meu próprio coração martelando no peito.

James estava imóvel, com a mandíbula travada. Olivia apertou o braço dele, mas seus olhos me perfuravam como se eu tivesse cometido um crime.

Foi Lorenzo quem quebrou o silêncio.

— Bem, acho que agora todos sabem que estamos juntos. — Ele passou o polegar suavemente pelo canto dos meus lábios, como se quisesse prolongar o efeito da cena. — Querida, quer um drink?

"Querida?" Eu não sabia se ria ou se o empurrava, mas decidi entrar na atuação.

— Adoraria.

Charlotte agarrou meu braço assim que Lorenzo se afastou em direção ao bar.

— Ruby. Pelo amor de Deus. O que foi isso?!

Pisquei algumas vezes, ainda tentando processar o que acabara de acontecer.

— Eu… — balancei a cabeça. — Longa história.

Ela cruzou os braços.

— Eu tenho tempo.

Suspirei e olhei discretamente para James. Ele ainda estava ali, olhando para mim como se tentasse decifrar um enigma.

— Eu precisava de uma cartada final contra o James — confessei sussurando. — Então, meio que contratei um estranho para fingir ser meu namorado.

Charlotte arregalou os olhos e levou a mão ao peito, como se precisasse de apoio para não desmaiar.

— Você O QUÊ?!

— Shh! — Tapei a boca dela. — Você quer que todo mundo ouça?

— Você enlouqueceu?!

— Talvez um pouco.

Antes que ela pudesse continuar, Lorenzo voltou com duas taças de vinho. Ele entregou uma para mim e passou o braço ao redor da minha cintura novamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Do que estão falando? — perguntou, com um sorriso divertido.

— Oh, Lorenzo — Charlotte sorriu forçadamente. — Estou apenas conhecendo melhor o homem misterioso que surgiu do nada e arrebatou o coração da minha amiga.

Ele ergueu uma sobrancelha, claramente se divertindo.

— Bem, Ruby e eu temos uma conexão especial. Foi tudo muito rápido, mas quando você sabe, você sabe, certo?

Charlotte estreitou os olhos para mim, e eu retribuí o olhar com um pedido silencioso para que ela não me desmascarasse.

Lorenzo tomou um gole de vinho e inclinou-se em minha direção.

— Seu ex ainda está olhando.

Respirei fundo e me virei de leve. James estava de fato nos observando, os punhos cerrados.

Então Lorenzo sussurrou em meu ouvido:

— Quer se divertir um pouco mais?

Meus olhos se estreitaram.

— O que está tramando?

Ele sorriu.

— Dance comigo.

Pisquei, surpresa.

— O quê?

— Você ouviu.

— Mas eu…

Antes que eu pudesse argumentar, Lorenzo pegou minha taça, colocou sobre uma mesa próxima e segurou minha mão.

— Confie em mim, Evans.

E, de repente, eu estava sendo puxada para a pista de dança.

O salão estava cheio, mas parecia que todos abriram espaço para nós. A música lenta preenchia o ambiente, e Lorenzo pousou a mão em minha cintura com naturalidade, me guiando como se fizéssemos aquilo há anos.

— Você dança bem demais para um motorista de aplicativo — provoquei.

Ele riu baixo.

— Quem disse que sou apenas um motorista?

Franzi o cenho.

— Então, quem é você?

Ele me girou levemente e me puxou de volta para perto.

— Por enquanto, sou seu namorado de mentira. Vamos manter assim.

Eu deveria estar preocupada. Eu deveria ter feito perguntas antes de arrastar um completo desconhecido para esse teatro.

Mas, por alguma razão, estar ali, nos braços dele, parecia a coisa mais certa que fiz em muito tempo.

E, enquanto dançávamos sob os olhares curiosos de todos, percebi que Lorenzo Morreti ou seja lá quem ele fosse ainda guardava muitos segredos.

Minha cabeça girava um pouco, mas eu só queria continuar me divertindo. Lorenzo era uma ótima companhia, mesmo que eu mal soubesse quem ele era.

— Mais um! — ergui o copo e Lorenzo revirou os olhos antes de aceitar o brinde.

— Você está tentando me embebedar, Ruby?

— Talvez. — Soltei uma risada, já sentindo os efeitos do álcool me soltarem completamente.

O salão já estava quase vazio. A maioria dos advogados do escritório havia ido embora, inclusive James. Aleluia! Finalmente parou de me olhar como se eu fosse um quebra-cabeça que ele não conseguia montar.

— Você venceu, Ruby. — Lorenzo encostou-se ao balcão do bar, me observando com um sorriso divertido.

— Venci o quê?

— Seu ex. Ele ficou mordido, dava pra ver de longe.

Sorri triunfante e tomei mais um gole do meu drink.

— Bem feito.

Lorenzo inclinou a cabeça, me analisando como se tentasse decifrar algo em mim.

— Você é sempre assim?

— Assim como?

— Determinada. Divertida. Um pouco maluca.

Ri alto e me apoiei nele, sentindo sua firmeza. O homem era forte. E quente. E estava sorrindo de um jeito que me fazia querer chegar mais perto.

E então, em um ímpeto, abri minha bolsa e tirei um bolo de dinheiro.

— Aqui. Isso cobre seu serviço da noite?

Lorenzo olhou para o dinheiro e depois para mim, claramente se segurando para não rir.

— Você está tentando me pagar?

— Sim.

Ele empurrou o dinheiro de volta para mim.

— Não preciso disso, Ruby.

— Mas eu insisto!

— Ruby…

— Lorenzo…

Ele riu, pegou o dinheiro e colocou de volta na minha bolsa.

— Vamos fazer assim: eu fico com a experiência de uma noite interessante e você guarda seu dinheiro.

Fiz um bico.

— Justo.

E então, antes que eu percebesse, nós estávamos rindo, bebendo mais, e quando me dei conta… estávamos em um quarto de hotel.

— O quê?! — Olhei ao redor, piscando várias vezes.

O quarto era luxuoso, com uma cama king size coberta por lençóis brancos impecáveis. O carpete macio amortecia meus passos vacilantes.

Lorenzo me olhou com diversão.

— Você que me trouxe até aqui, lembra?

Pisquei.

— Eu?

Ele assentiu.

— Você praticamente me arrastou.

Soltei uma risada bêbada e então…

— Quanto você quer para dormir comigo?

Lorenzo arregalou os olhos e depois caiu na gargalhada.

— Ruby, você está tentando me contratar?!

— Não estou tentando. Estou oferecendo um excelente negócio.

Ele se aproximou, os olhos brilhando com diversão e… algo mais.

— Você sempre faz isso?

— Nunca. — Eu sorri. — Mas estou cansada de ser certinha.

Antes que ele dissesse qualquer coisa, eu o puxei pela gola da camisa e o beijei.

O beijo não foi nada suave. Foi intenso, feroz, cheio de desejo reprimido e álcool. As mãos dele deslizaram pela minha cintura, apertando minha pele como se quisesse me marcar.

E, de repente, não havia mais volta.

Meu corpo foi empurrado contra a cama enquanto Lorenzo se livrava da minha camisa, beijando cada pedaço de pele exposta. Meu coração martelava, minha respiração estava acelerada, e eu me sentia viva.

Minhas mãos puxaram seus cabelos quando ele beijou meu decote, e eu arfei quando senti seus lábios explorando minha pele.

— Lorenzo… — gemi baixinho, sentindo seu toque me enlouquecer.

Ele me olhou de um jeito que fez minha pele arrepiar.

— Você tem certeza disso?

Olhei para ele e sorri.

— Absoluta.

E então, a noite aconteceu.

Acordei com a luz do sol entrando pelas cortinas e uma sensação estranha de conforto.

Algo quente me envolvia. Algo firme. Algo que respirava…

Abri os olhos e vi Lorenzo ao meu lado, dormindo tranquilamente.

Merda.

Me mexi devagar e senti o lençol deslizar pela minha pele.

Eu estou nua. Eu dormi com ele.

Cobri a boca com a mão, meu cérebro tentando processar tudo.

Então olhei para o relógio no meu pulso.

08:30

O QUÊ?!

Saltei da cama como se tivesse levado um choque.

— O que…? — Lorenzo murmurou sonolento, abrindo um olho.

— Eu tenho um julgamento às nove!

Ele piscou, parecendo confuso.

— O hotel está pegando fogo?

— Pior! EU ESTOU ATRASADA!

Corri pelo quarto pegando minhas roupas, tentando me vestir em tempo recorde. Meus sapatos estavam jogados de um lado, minha saia do outro… Como isso aconteceu?!

Lorenzo me observava com um sorrisinho preguiçoso.

— Você precisa de ajuda?

— Não, preciso de um teletransporte!

Peguei minha bolsa e, em um impulso, tirei o bolo de dinheiro e entreguei a ele.

— Isso é pelo hotel e pela noite maravilhosa. Muito, muito obrigada por me ajudar!

Ele se sentou, piscando algumas vezes.

— Ruby, eu já disse que—

— Tchau!

Saí correndo do quarto antes que ele terminasse.

Eu não sabia se estava fugindo da vergonha, do Lorenzo ou da minha própria insanidade.

Mas uma coisa era certa:

A noite passada mudaria tudo.

Capítulo 3 - Já se Apaixonou? (Enzo)

Cheguei no escritório ainda com a cabeça cheia de Ruby Evans. Não conseguia parar de pensar nela. O cheiro do seu perfume ainda parecia estar no ar, a suavidade de sua pele, e o jeito como seus olhos brilharam quando ela estava completamente vulnerável, contando sobre sua vida e chorando no meu carro.

Não havia nada parecido com aquilo, nunca antes. Era como se ela tivesse se entregado de uma forma que eu nunca tinha visto. E eu, bem… estava completamente fascinado.

Entrei no meu escritório e fui direto para a minha sala, mas antes que pudesse fechar a porta, ouvi a voz de Lucca, meu primo. Ele estava sentado em uma das poltronas, com o olhar curioso, e isso era, em geral, um péssimo sinal.

— E aí, irmão, o que aconteceu? — Ele ergueu uma sobrancelha. — Você parece distante, como se tivesse visto um fantasma.

Soltei um suspiro, tentando organizar os pensamentos. Não era fácil falar sobre o que eu estava sentindo. Eu, que sempre fui cauteloso com minhas emoções e, se fosse falar a verdade, tinha até uma certa relutância em me apegar a qualquer pessoa. Mas Ruby… ela me pegou de surpresa.

Lucca percebeu a minha hesitação e deu uma risada baixa, como se já soubesse do que se tratava.

— Você está pensando em alguém, não é?

— O quê? — Falei meio sem graça, tentando esconder meu desconforto.

— Não adianta negar, irmão. Você nunca fica assim. O que aconteceu?

Eu parei e olhei para ele, sabia que não tinha como escapar dessa. Lucca era meu primo, mas também era meu melhor amigo e irmão. Ele sempre me conheceu como ninguém mais, e sabia quando algo estava mexendo comigo.

Respirei fundo e decidi ser honesto.

— Eu não sei, irmão. Nunca senti isso antes. Não sei nem como explicar. Quando eu vi a Ruby pela primeira vez, esbarrando em mim na entrada do Fórum, foi como um choque. Nunca fui o tipo de cara que acredita em “amor à primeira vista” ou qualquer coisa do tipo. Mas com ela… foi diferente. Eu não consegui nem me mover quando ela entrou no meu carro, achando que eu era motorista de aplicativo.

Lucca riu, e eu senti que ele estava se divertindo mais do que devia.

— Então você deixou a mulher entrar no seu carro sem perguntar nada? Você realmente foi um bom motorista, hein? Não, não foi só isso. Eu vejo o brilho nos seus olhos. Foi o que aconteceu depois que ela entrou. Fala mais sobre isso.

Eu soltei uma risada nervosa, meio sem graça.

— Aí… ela começou a contar sobre a vida dela. Eu nunca ouvi ninguém se abrir daquele jeito. E ela estava tão vulnerável, cara, falando sobre o ex, o término, as promessas quebradas… ela realmente estava destruída. Eu nunca imaginei que fosse ouvir uma mulher chorar desse jeito, especialmente uma mulher tão bonita e confiante como ela parecia.

Lucca me olhou com uma expressão divertida, como se estivesse esperando uma parte mais interessante da história.

— Aí, você pensou: “Agora é hora de ser o herói”?

— Não, Lucca! — Gritei, rindo de nervoso. — Eu não sou herói de ninguém. Só… não sei. Acho que algo nela mexeu comigo. E então, ela fez uma proposta. Ela me ofereceu dinheiro para fingir ser o namorado dela, como se fosse uma solução rápida para o problema dela.

Lucca quase engasgou com a própria risada.

— Como assim? Ela te ofereceu dinheiro?

— Sim, para fingir ser o namorado dela. — Respondi, ainda me sentindo um pouco desconfortável com o jeito que as coisas aconteceram. — E, você sabe, eu aceitei. Não sei nem o que deu em mim, mas aceitei. Eu estava tão curioso, tão… perdido naquela situação, que só aceitei.

— E o que aconteceu depois? — Lucca perguntou, agora completamente investido na história.

Eu me afastei da mesa e comecei a caminhar pela sala.

— Bom, depois disso, as coisas saíram de controle. Ela estava bebendo… eu também… e as coisas meio que aconteceram. Um beijo, outro beijo, e de repente estávamos lá, em um quarto de hotel, fazendo coisas que eu nunca imaginei fazer com uma mulher que eu acabei de conhecer. Mas, Lucca… a melhor parte? A melhor parte foi a noite inteira. A mulher é uma fera na cama, sem brincadeira. Eu não sei como, mas parecia que o mundo inteiro tinha desaparecido e só restava a gente.

Lucca não conseguia parar de rir, e eu estava começando a me sentir constrangido com a direção que a conversa estava tomando.

— Cara, você está me dizendo que uma mulher que você conheceu há horas fez você perder o controle assim?

— Eu não sei o que aconteceu! Eu nunca fui desse jeito. Eu sou sempre… racional, sabe? Sempre analítico, calculista. Mas com a Ruby… foi como se o cérebro tivesse ficado desligado. E depois, quando o dia amanheceu e ela estava prestes a sair… ela me pagou, Lucca. Ela me pagou pela noite. Literalmente, me deu dinheiro, achando que estava me pagando por um serviço.

Lucca riu tanto que teve que se segurar na cadeira para não cair.

— Isso não é possível, cara! Ela realmente te pagou?

— Sim! E quando ela estava saindo, fugindo como se estivesse fugindo de um crime, ela nem olhou para trás. Só correu. Como se não houvesse amanhã.

Lucca estava chorando de tanto rir.

— E você? O que fez?

— Eu só fiquei olhando ela ir embora, Lucca. Não sabia o que pensar. Não sabia nem o que fazer. Eu nunca fui pago por uma mulher para sair com ela, sabe? Normalmente, sou eu quem pago as contas.

— Então, o que você vai fazer? Vai deixar a Ruby escapar assim, ou você vai atrás dela?

Eu respirei fundo e me encostei na parede, ainda sentindo a confusão na minha cabeça.

— Eu não sei. Eu não sei se é só um impulso. Não sei o que é isso. Mas acho que, de algum jeito, eu preciso vê-la de novo. Não posso simplesmente deixar a coisa acabar desse jeito, sem nem entender o que aconteceu.

Lucca parou de rir e me olhou com um sorriso mais sério.

— Enzo, você já se apaixonou antes?

Eu hesitei por um segundo antes de responder.

— Não. Nunca.

Ele me encarou com um olhar sério, como se estivesse tentando entender onde eu estava realmente, emocionalmente.

— Então, talvez você esteja começando agora. E quem sabe o que vai acontecer?

Eu ri, um pouco desconcertado com as palavras de Lucca.

— Não se empolgue, irmão. Eu só não consigo parar de pensar nela, é só isso.

Mas lá no fundo, eu sabia que ele tinha razão. Algo estava acontecendo, algo que eu não conseguia controlar. Eu só precisava descobrir o que era.

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