Capítulo 1 de Além do Disfarce:
Selene D’Archambeau
Duque CédricValmond
Amara Valmond
Muitas pessoas querem tanto imagens do personagem que nesse resolvi colocar. Se gostaram ,comenteum comentário, se sim colocarei nos próximas minhas. Mas que isso não entrego . Use seu raciocínio ,boa leitura 😘.
Capítulo 1 - O Jogo das Aparências
A chuva castigava os vitrais do salão, criando sombras tremulantes sobre os tapetes bordados. O castelo Valmond era um monumento de poder e imponência, erguendo-se como um titã sobre as terras que governava. No entanto, dentro de suas paredes douradas, o frio que reinava não vinha do clima, mas dos corações que ali habitavam.
Selene D’Archambeau sentia esse frio em sua pele.
Ela observava de longe, sempre à margem dos grandes eventos, escondida atrás de tecidos sem vida, vestidos que lhe tiravam qualquer traço de feminilidade. Os fios dourados em sua pele branca, os traços delicados de sua face, tudo era propositalmente apagado. Ela queria passar despercebida. Ou melhor, precisava.
Seus olhos seguiram um único homem no salão: Duque Cédric Valmond.
Alto, imponente, vestido sempre com a precisão de um rei, ele exalava autoridade. Os olhos cinzentos eram lâminas afiadas, sempre carregando um peso que ninguém conseguia decifrar.
Selene o amava em segredo desde que se entendia por gente.
Mas Cédric Valmond pertencia a outra mulher.
Amara Valmond, sua esposa, era uma visão de pecado. Vestidos justos, decotes estrategicamente ousados, lábios vermelhos como vinho caro. Seu sorriso era uma máscara bem treinada, que seduzia a todos — todos, menos Selene. Porque Selene enxergava além.
Ela via a frieza nos olhos de Amara, o desinteresse nos toques que dava no marido, o tédio em sua postura.
O casamento dos dois era apenas uma encenação.
— Não olhe tanto, Selene — sussurrou uma voz ao seu lado.
Era sua prima, Claire, uma jovem de beleza apagada, mas língua afiada.
— O quê? — Selene fingiu desentendimento.
Claire sorriu com desdém.
— Todos sabem que você suspira pelo duque. Mas, querida, homens como ele jamais olham para garotas como você.
Selene baixou os olhos para o próprio vestido de cor indefinida. Sua intenção sempre fora não chamar atenção. Mas isso significava que também nunca seria vista por ele?
Cédric cruzou o salão, e por um breve segundo, seus olhos se encontraram com os dela.
Foi apenas um instante.
Mas foi o suficiente para Selene sentir seu coração disparar.
Ela sabia que, para ele, não passava de uma sombra no fundo do salão.
Mas um dia... tudo mudaria.
E naquele dia, o duque Cédric Valmond jamais conseguiria ignorá-la novamente.
Selene desviou o olhar primeiro. O breve encontro entre seus olhos e os de Cédric foi suficiente para deixá-la inquieta.
— Ele olhou para você — Claire zombou, dando um risinho debochado. — Ou será que foi só impressão sua?
Selene inspirou fundo, forçando um sorriso tranquilo.
— Talvez tenha sido — respondeu, sem dar à prima a satisfação de vê-la abalada.
— Não alimente esperanças, Selene — Claire continuou, inclinando-se ligeiramente para sussurrar em seu ouvido. — O duque pertence a Amara, e se um dia olhar para outra mulher, certamente não será para alguém como você.
Selene apertou as mãos dentro das luvas gastas.
Ela sabia disso.
Mas ainda assim, seu coração se recusava a aceitar.
Do outro lado do salão, Cédric Valmond apertava o copo em sua mão. Ele sequer sabia por que havia olhado para aquela garota no canto da sala.
E por que, de repente, não conseguia mais esquecê-la?
A música no salão fluía com suavidade, violinos e cravos preenchendo o ambiente com uma melodia elegante. As damas rodopiavam nos braços de cavalheiros bem vestidos, trocando sorrisos treinados e olhares calculados. O duque Cédric Valmond permanecia imóvel junto à lareira, segurando uma taça de vinho escuro.
Selene, ainda à sombra das grandes colunas do salão, sentia a presença dele como se fosse um fogo distante, algo inalcançável, mas irresistível.
— Você não dança? — Claire insistiu, seu tom carregado de ironia.
Selene lançou-lhe um olhar paciente.
— Eu não fui convidada.
A prima soltou uma risada baixa.
— Você não será, querida. Não vestida assim.
Selene ignorou a provocação. Sabia que Claire gostava de atingi-la, mas aquela era uma batalha antiga. Selene havia se acostumado a ser subestimada.
Foi então que uma gargalhada melodiosa cortou o salão.
Amara Valmond, vestida em veludo vermelho, jogava a cabeça para trás em um gesto de charme exagerado. Suas mãos delicadas repousavam no peito de um cavalheiro que não era seu marido. Ele sussurrou algo em seu ouvido, e Amara riu novamente, sem se importar com quem via.
Selene desviou o olhar para Cédric.
Ele não demonstrava nada. Seu rosto era uma máscara de indiferença absoluta.
Mas Selene sabia ler os sinais.
Os dedos dele apertavam a taça com força demais. Seu maxilar estava rígido, os olhos fixos na esposa com algo que não era ciúme — era um abismo de frieza.
Selene não entendia como alguém como ele podia aceitar aquilo. Como permitia que Amara o humilhasse daquela forma, como se ele fosse um mero adorno de seu casamento e não o homem mais poderoso daquela sala.
Mas então, para a surpresa de Selene, Cédric afastou os olhos de Amara e olhou diretamente para ela.
Dessa vez, ele não desviou.
Um arrepio percorreu a espinha de Selene. O coração martelou forte.
Ela deveria baixar o olhar. Deveria fugir daquela atenção inesperada.
Mas não conseguiu.
— Ora, ora... — Claire murmurou, acompanhando a cena com diversão. — Será que o grande duque acaba de notar que você existe?
Selene finalmente piscou, quebrando o contato. O calor subiu para seu rosto, e ela virou-se rapidamente, afastando-se da prima e das palavras que só serviam para bagunçar ainda mais sua mente.
O que aquilo significava?
Cédric jamais havia lhe dado qualquer atenção antes. Ela sempre fora apenas mais uma sombra no salão, uma moça sem importância.
Então por que agora ele a olhava como se tentasse decifrá-la?
E, mais importante...
Por que isso fazia com que seu coração se recusasse a bater em um ritmo normal?
Capítulo 2 – O Casamento Infeliz
A mansão Valmond era um monumento de grandiosidade e frieza. Seus corredores se estendiam como labirintos de mármore e tapeçarias luxuosas, adornados com retratos de ancestrais que pareciam observar cada visitante com um julgamento silencioso. O grande salão, onde as festividades costumavam acontecer, era um espetáculo de lustres reluzentes e colunas douradas, mas para Selene D’Archambeau, aquele lugar não passava de uma gaiola dourada.
Ela não pertencia àquele mundo.
Desde que sua família enfrentara dificuldades financeiras, seu pai, o Barão D’Archambeau, conseguira um favor especial: enviar Selene para viver entre os Valmond como dama de companhia de Lady Amara. A justificativa era que Selene aprenderia boas maneiras, se tornaria mais refinada e, com sorte, encontraria um casamento vantajoso. Mas a realidade era bem diferente.
Selene era invisível.
Ninguém a olhava duas vezes. E quando o faziam, era apenas para zombar de sua aparência simples. Ela não vestia sedas caras como as outras damas, suas joias eram discretas, e sua postura era sempre recatada. Talvez, se tivesse nascido em outra condição, tivesse sido admirada por sua beleza, mas naquele mundo, onde tudo era uma questão de status e aparências, ser discreta era quase um crime.
E, mais do que tudo, Selene via.
Ela via os segredos que ninguém admitia em voz alta.
Ela via como o duque Cédric Valmond jamais olhava verdadeiramente para sua esposa, e como Amara Valmond, em contrapartida, se certificava de que todos os olhares estivessem sempre sobre ela.
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Naquela noite, um jantar reunia os nobres mais influentes da região. As taças eram preenchidas com vinhos caros, e as mesas serviam os pratos mais refinados.
Amara estava deslumbrante em um vestido de veludo vermelho, sua gargantilha cravejada de rubis repousando sobre a pele pálida. Ela sorria e conversava com os convidados, sua risada ecoando pelo salão como uma melodia ensaiada.
Selene, como sempre, permanecia no fundo, ocupando um lugar discreto na mesa. Ela deveria apenas ouvir, falar pouco e nunca, jamais, chamar atenção.
Mas mesmo no silêncio, ela via.
— Você me entedia, Cédric. — A voz de Amara cortou o ar como um estilete disfarçado de doçura.
Ela segurava uma taça de vinho e sorria, mas Selene percebeu a frieza no tom.
O duque, sentado à sua esquerda, permaneceu impassível. Seu rosto não demonstrava emoção alguma, mas Selene, que aprendera a observá-lo nos últimos anos, percebeu o jeito como seus dedos apertavam a taça apenas um pouco mais forte.
— O que seria de mim sem nossas noites tão… apaixonantes? — Amara murmurou, levando a taça aos lábios.
Houve risadas entre os convidados, mas Selene sentiu um arrepio.
Ela estava ridicularizando o próprio marido em público.
O duque simplesmente bebeu seu vinho, sem se dar ao trabalho de responder.
Amara sorriu, satisfeita.
Era um jogo.
Ela queria provocar uma reação. Queria que ele demonstrasse algo — irritação, ciúme, frustração — qualquer coisa que confirmasse que ainda tinha poder sobre ele. Mas Cédric Valmond não jogava o jogo de ninguém.
E talvez fosse isso que a enfurecia.
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Mais tarde, quando os salões já estavam esvaziando e os convidados se despediam, Selene caminhava pelos corredores silenciosos da mansão, sentindo-se exausta.
Mas então, vozes baixas chamaram sua atenção.
Ela hesitou, parada junto a uma das grandes colunas, onde as sombras ocultavam sua presença.
— Você pode ao menos fingir que se importa? — A voz de Amara soou cortante.
Selene prendeu a respiração.
— Me importar com o quê? Com suas provocações infantis? — A resposta do duque veio baixa e fria.
Houve um silêncio tenso antes de Amara soltar uma risada seca.
— Você não me dá motivos para respeitá-lo.
A frase ficou no ar por um longo momento.
— E o que mais você deseja de mim, Amara? — Cédric perguntou, e Selene quase pôde ver o cansaço em seu rosto, mesmo sem olhar diretamente para ele.
— Nada. — Amara suspirou. — Você já me deu tudo o que eu queria. Um título. Riqueza. Poder.
Selene sentiu um aperto no peito.
Então era isso?
Não havia amor.
E, talvez, nunca houvesse existido.
Mas por que, então, ele continuava ao lado dela?
Essa era a pergunta que Selene não conseguia responder.
E talvez, nem mesmo Cédric Valmond soubesse.
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Capítulo 3 – A Descoberta da Traição
A chuva tamborilava suavemente contra as grandes janelas da mansão Valmond, espalhando rastros de umidade pelo vidro enquanto o vento uivava baixinho pelos corredores escuros. A noite parecia inquieta, como se a própria mansão pressentisse a verdade prestes a ser revelada.
Selene D’Archambeau, envolta em seu vestido simples de mangas longas, caminhava silenciosamente pelos corredores opulentos, ignorada pelos criados e nobres que pouco se importavam com sua presença.
Fazia tempo que ela aprendera a ser invisível.
Era melhor assim.
Ninguém reparava na jovem que se escondia atrás de tecidos despretensiosos e uma postura humilde. Ninguém imaginava que ela nutria sentimentos profundos e proibidos pelo homem que governava aquele lugar: o duque Cédric Valmond.
A dor de amar em silêncio era algo que Selene já aprendera a suportar.
Mas naquela noite, um outro tipo de dor estava prestes a se instaurar.
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Tudo começou com uma discussão no jantar.
O salão de banquetes, decorado com lustres de cristal e toalhas de veludo, foi palco de mais um embate entre Cédric e sua esposa, Amara Valmond.
— Você está paranoico, Cédric. — Amara revirou os olhos, levando a taça de vinho aos lábios.
O duque apertou a mandíbula. Seu olhar cortante de gelo parecia furioso.
— E você continua dissimulada, como sempre.
O ar no salão pesou.
Os criados pararam por um instante, trocando olhares apreensivos.
Selene abaixou a cabeça, tentando ignorar o desconforto crescente.
— Se não suporta minha presença, por que não me manda para o campo? — Amara desafiou, sorrindo de lado. — Eu adoraria descansar em uma de nossas propriedades longe daqui.
— Por mim, você poderia desaparecer. — Cédric rebateu, com um tom gélido.
A duquesa riu, divertindo-se com o rancor do marido.
Mas algo naquela risada soou estranho para Selene.
Havia um significado oculto naquela leveza forçada.
Quando o jantar terminou, Cédric se retirou sem olhar para trás, deixando Amara sozinha à mesa, ainda sorrindo de maneira enigmática.
Selene sentiu um arrepio na espinha.
Algo estava errado.
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Mais tarde naquela noite, quando o silêncio finalmente dominou os corredores, Selene se viu incapaz de dormir.
Ela não conseguia ignorar aquela sensação estranha que se enraizara em seu peito.
Uma inquietação inexplicável.
Vestindo uma camisola leve, coberta por um manto para protegê-la do frio, Selene caminhou pela mansão sem destino certo. Era um hábito que a ajudava a organizar os pensamentos.
Mas então, algo chamou sua atenção.
Uma luz fraca brilhava sob a fresta de uma das portas do salão privado de Amara.
E vozes.
Duas vozes.
Selene congelou.
Seu instinto dizia para ela dar meia-volta e seguir para seu quarto.
Mas sua curiosidade foi mais forte.
Aproximando-se com passos silenciosos, ela encostou-se à parede, ouvindo atentamente.
— Você prometeu, Amara. — A voz masculina soou baixa e carregada de frustração.
Selene prendeu a respiração.
Aquele não era o duque.
Seu coração disparou.
— Você precisa ter paciência. — Amara respondeu, seu tom sedoso e desdenhoso. — Cédric está cada vez mais distante. Ele não desconfia de nada.
Selene mordeu o lábio, sentindo o sangue gelar.
Então era verdade.
Os rumores. Os olhares suspeitos. As ausências inexplicáveis de Amara.
A duquesa tinha um amante.
Selene fechou os olhos, reprimindo um suspiro.
O que ela deveria fazer?
Se contasse ao duque, ele acreditaria nela? Ou pensaria que era apenas uma tentativa de se insinuar para ele?
A verdade era dolorosa demais.
E mais perigosa do que ela imaginava.
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— Você precisa escolher. — O amante insistiu, sua voz se tornando mais tensa. — Não podemos continuar assim para sempre.
Selene prendeu a respiração.
Houve um silêncio longo e carregado, até que Amara finalmente respondeu:
— Eu já escolhi. Mas eu farei isso do meu jeito.
Um arrepio percorreu o corpo de Selene.
Ela não sabia exatamente o que Amara queria dizer com aquilo.
Mas tinha certeza de que nada de bom viria disso.
E agora, carregava um segredo que poderia mudar tudo.
Mas o mais assustador era que Selene não sabia se deveria revelar essa traição ou continuar fingindo que nunca ouviu nada.
Pois, ao expor Amara, ela traria sofrimento ao homem que amava…
E talvez a si mesma.
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