Liz (entra na sala de estar, visivelmente nervosa, seus olhos vagando de um lado para o outro)
"Pai, mãe, vocês me chamaram?"
Lorenzo (o pai de Liz, um homem sério, com a postura rígida, o rosto imponente)
"Sim, Liz. Sente-se, precisamos conversar."
Cecília (mãe de Liz, mais suave em seus modos, mas com um olhar preocupado)
"Querida, nós sabemos que isso não é fácil para você, mas há algo muito importante que precisamos discutir."
Liz (senta-se, olhando para os dois, sem saber o que esperar)
"O que aconteceu? Está tudo bem?"
Lorenzo (olha diretamente para Liz, com um tom de seriedade que ela ainda não entendeu completamente)
"Hoje, seu pai, Bruno, nos convidou para um jantar. Durante esse jantar, ele vai anunciar um compromisso... um compromisso entre você e o filho dele, Filippo."
Liz (olha para os pais com os olhos arregalados, incrédula)
"Eu... eu não entendo. O que quer dizer com compromisso? Casamento? Eu não..."
Cecília (interrompe, tentando acalmar Liz)
"Querida, nós sabemos que você é jovem e talvez isso seja difícil de aceitar. Mas o que estamos propondo é uma união entre nossas famílias. O noivado de você e Filippo. É uma oportunidade de fortalecer nossa posição e nossa relação com a família de Bruno. Será bom para todos, Liz."
Liz (levanta-se rapidamente, começando a se sentir sufocada pela pressão)
"Mas... eu não conheço Filippo! Nunca... nunca nos vimos antes. Como posso aceitar isso?"
Lorenzo (olha para ela com firmeza, sem demonstrar dúvida)
"Filippo é um bom partido, Liz. Ele tem uma posição forte, e nossa parceria com a família dele é essencial para o crescimento dos nossos negócios. Este é o melhor caminho, e você vai entender com o tempo. A decisão está tomada. E este é o melhor para todos nós."
Cecília (com uma expressão mais suave, tentando apaziguar Liz)
"Eu sei que é difícil, querida, mas esse é um passo importante. Você precisa confiar na gente. Filippo é um homem bem-sucedido, e com o tempo você vai ver que essa decisão foi o melhor para o seu futuro."
Liz (olha para os dois, a dor e a confusão estampadas no rosto)
"Eu... não sei o que dizer. Não posso acreditar que tudo isso está acontecendo sem eu ter escolha alguma."
Lorenzo (olha de forma dura, sem deixar espaço para discussões)
"Não há nada a discutir, Liz. Você vai fazer o que é certo para a família. Agora, se prepare para o jantar. Você vai estar no centro dessa união."
Cena 2: Diálogo entre Filippo e seu pai, Bruno
Filippo (entra no escritório, onde seu pai está revisando alguns papéis, parecendo cansado e sério)
"Pai, precisamos conversar."
Bruno (olha para Filippo com um semblante sério, não se surpreendendo com a visita do filho)
"O que foi, Filippo? Já sei o que você vai dizer, mas não estou no humor para discussões agora."
Filippo (se aproxima, irritado, falando com raiva reprimida)
"Você não tem o direito de fazer isso! Um casamento arranjado? Me obrigar a me casar com uma garota que eu nunca vi na vida! Eu não sou um animal de estimação que você pode controlar, pai!"
Bruno (mantém a calma, colocando os papéis de lado e encarando Filippo com um olhar penetrante)
"Filippo, você está me dando uma lição sobre controle agora? Você está jogando tudo que construímos pela janela, sem se importar com as consequências."
Filippo (com raiva crescente, batendo a mão na mesa)
"Você não entende! Não é sobre os negócios, não é sobre a nossa imagem. Eu não amo essa garota. Não a conheço! Está me pedindo para me casar com alguém que... que não tem nada a ver comigo. E tudo isso porque você acha que vai me 'corrigir' dessa forma?"
Bruno (levanta-se, mantendo uma postura de autoridade)
"Não é sobre amor, Filippo. É sobre responsabilidade. Você tem sido irresponsável, negligente com seus deveres, com sua vida. Este casamento não é uma opção, é uma necessidade. Você precisa entender isso. E vai aprender, seja pela dor ou pelo entendimento, que este é o caminho certo."
Filippo (desvia o olhar, tentando controlar a raiva, mas se sentindo preso na situação)
"Então, é isso? Não há outra escolha? Apenas me casar com ela e fingir que tudo está bem?"
Bruno (cruza os braços, com um olhar de desdém)
"Não. Não há escolha. A escolha foi feita por você. E você vai fazer o que é necessário, Filippo. A família precisa disso. Eu preciso disso."
Filippo (com um suspiro exasperado, olhando para o pai)
"Você sempre teve essa maneira de tomar as decisões, não é? Mas você não vai me forçar a me apaixonar por ela. Você não pode controlar isso."
Bruno (com um sorriso frio, sem perder a compostura)
"Não estou tentando fazer você se apaixonar por ela. Mas se você for responsável, Filippo, se você crescer, vai perceber que isso vai além do que você quer ou sente. Vai fazer o que é necessário. Porque é assim que as coisas funcionam no nosso mundo. Entendeu?"
Filippo (com um olhar desafiador, mas sem mais palavras)
"Entendido."
Jantar de Anúncio
O jantar começa, e a tensão está no ar. Liz está nervosa, mas tenta manter a compostura. Filippo está distante, com um olhar indiferente. Bruno e Lorenzo fazem o anúncio formal.
Bruno (levantando seu copo, com um sorriso calculado)
"Hoje estamos aqui para celebrar uma nova união entre nossas famílias. A nossa parceria com a família de Lorenzo se fortalece com o noivado de nossos filhos, Filippo e Liz. Que esta união traga mais prosperidade e sucesso para todos."
Lorenzo (com um sorriso de aprovação, olhando para Liz)
"Sim, é um momento importante para todos nós. Que este casamento seja um símbolo de nossa união, e que Liz e Filippo construam algo forte juntos."
Liz (forçando um sorriso, mas com um olhar triste, sem saber o que fazer ou dizer)
"Sim... é um momento importante."
Filippo (levanta o copo, mas não sorri, mantendo a postura indiferente)
"Claro. Um passo necessário."
(O jantar segue, com os dois jovens ainda se mantendo distantes e desconfortáveis, enquanto os pais se sentem satisfeitos com o rumo que as coisas estão tomando.)
Capítulo 2
O sol já iluminava o céu quando Liz abriu os olhos. Depois de uma noite mal dormida, a sensação de sufocamento continuava presente. Ela se levantou, foi até o banheiro, fez sua higiene matinal e vestiu uma roupa confortável. Não sentia fome, apenas uma necessidade urgente de desabafar. Pegou a bolsa e saiu sem sequer tomar café da manhã.
Seu destino era certo: Soffie.
Assim que chegou ao café onde costumavam se encontrar, encontrou a amiga já sentada, mexendo impaciente no celular.
Soffie: (ergue o olhar e arregala os olhos ao vê-la) — Você tá horrível.
Liz: (bufa e senta na cadeira de frente para ela) — Bom dia pra você também.
Soffie: (estreita os olhos) — Espera… não me diz que tem a ver com aquele jantar chique de ontem?
Liz: (cruza os braços, hesitante, antes de soltar a bomba) — Soffie… eu estou noiva.
Soffie: (engasga com o café e começa a tossir) — O QUÊ?!
Liz: (desvia o olhar, incomodada) — Meu casamento é daqui a um mês.
Soffie: (arregala ainda mais os olhos, como se tivesse levado um choque elétrico) — UM MÊS?! Como assim, um mês, Liz?! Você nem me contou que estava namorando!
Liz: (suspira, massageando as têmporas) — Porque eu não estava.
Soffie: (se inclina sobre a mesa, perplexa) — Espera… Então você vai casar com um completo estranho?!
Liz: (balança a cabeça negativamente) — Eu o conheci ontem, no jantar.
Soffie: (dramática, jogando as mãos para o alto) — Meu Deus! Isso é um sequestro! Você tá sendo obrigada? Pisca duas vezes se precisar de um resgate!
Liz: (revira os olhos) — Eu não posso fugir, Soffie.
Soffie: (desafia, cruzando os braços) — Ah, mas pode sim. Eu conheço uns lugares ótimos pra esconder a noiva fujona.
Liz: (séria, com um olhar triste) — Se eu fizer isso, meu pai será prejudicado.
Soffie: (o tom de brincadeira some e ela fica mais séria) — Liz… isso é justo com você?
Liz: (morde o lábio inferior e olha para o lado, pensativa.) — Talvez não… mas eu não tenho escolha.
Soffie: (apoiando a mão sobre a dela, tentando passar segurança) — Eu vou te apoiar, mas ainda acho essa história completamente insana.
Liz: (dá um sorriso fraco) — Nem me fale…
Soffie: (respira fundo antes de soltar, com naturalidade) — Tá. E quem é o infeliz?
Liz: (desvia o olhar, sem saber como responder.)
Soffie: (desconfiada) — Liz… não me diz que é alguém podre de rico e metido a galã de novela barata.
Liz: (suspira profundamente) — Ele é frio, arrogante… e tem fama de mulherengo.
Soffie: (coloca as mãos na cabeça, exasperada) — Ótimo! Agora sim eu vou providenciar um sequestro pra te salvar!
Liz: (ri fraco, mas com tristeza no olhar) — Soffie… eu não posso fugir.
Soffie: (deixa os ombros caírem, vencida, mas ainda inconformada.) — Tá bom… Mas, pelo menos, promete que, se esse cara for um babaca com você, eu posso socá-lo?
Liz: (sorri de leve, balançando a cabeça.) — Prometo.
Soffie: (cruza os braços e suspira) — Esse casamento vai ser um desastre, eu sinto.
Liz: (murmura, olhando para o café à sua frente, sem beber) — Eu também…
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3 Capítulo
A boate estava lotada, o cheiro de álcool e perfume caro se misturava no ar. Felipo estava no bar, girando o gelo dentro do copo de whisky, o olhar perdido. A música alta fazia seu peito vibrar, mas nada era capaz de calar a tempestade dentro dele.
Dean se aproximou, pegando uma cerveja antes de se encostar ao balcão.
Dean: (olhando Felipo de cima a baixo, desconfiado) — Você tá com uma cara péssima. O jantar foi tão ruim assim?
Felipo: (solta uma risada seca, jogando o restante do whisky na boca) — Péssimo? Foi um pesadelo.
Dean: (arqueia a sobrancelha, curioso) — O que aconteceu?
Felipo: (joga o copo vazio no balcão e encara o amigo com um sorriso irônico) — Eu vou casar.
Dean, que estava no meio de um gole de cerveja, engasga imediatamente. Ele tosse algumas vezes, tentando recuperar o fôlego, enquanto olha para Felipo como se ele tivesse acabado de dizer que iria se mudar para Marte.
Dean: (chocado) — O quê?!
Felipo: (dá de ombros, pedindo mais whisky para o barman) — Isso aí que você ouviu.
Dean: (balança a cabeça, incrédulo) — Você… casando? Isso é piada, né?
Felipo: (bebe um gole, sem expressão) — Se for, meu pai tem um péssimo senso de humor.
Dean: (apoiando os cotovelos no balcão, tentando entender) — Cara, você sempre disse que casamento era perda de tempo! Desde quando decidiu que quer se amarrar?
Felipo: (solta um suspiro exasperado e encara o amigo) — Eu não decidi. Foi decidido por mim.
Dean: (estreita os olhos, analisando-o) — Ah, entendi. Casamento arranjado?
Felipo: (solta uma risada sarcástica) — Bingo.
Dean: (cruza os braços, ainda tentando processar) — E quem é a noiva da vítima?
Felipo: (passa a mão pelo rosto, impaciente) — Liz Castelin.
Dean: (assobia baixo, surpreso) — Uau. Família poderosa.
Felipo: (revirando os olhos) — Como se isso mudasse alguma coisa.
Dean: (observando o amigo com atenção) — E como ela reagiu?
Felipo: (solta um riso seco, lembrando da atitude firme de Liz no jantar) — Não é uma tola, isso eu te garanto. Mas também não parece muito animada.
Dean: (inclina a cabeça, curioso) — E por que estaria? Se fosse ao contrário, você também estaria surtando.
Felipo: (estreita os olhos para ele, já irritado) — Eu estou surtando.
Dean: (dá um gole na cerveja, pensativo) — E agora? Vai fazer o quê?
Felipo: (dá um meio sorriso, debochado) — O que eu faço de melhor: nada.
Dean: (o encara, sério) — E se isso for uma chance, Felipo?
Felipo: (franze a testa, confuso) — Chance do quê?
Dean: (com um olhar firme) — De mudar. De crescer.
Felipo: (solta um riso incrédulo e balança a cabeça) — Lá vem você com esse papo motivacional.
Dean: (ignora o sarcasmo, mantendo o tom calmo) — Você nunca quis se apegar a ninguém, mas talvez seja porque nunca teve um motivo.
Felipo: (fecha a expressão, claramente desconfortável com a direção da conversa) — Eu não quero um motivo.
Dean: (arqueia a sobrancelha) — Tem certeza?
Felipo aperta o maxilar, desviando o olhar. O whisky já não parecia tão forte quanto a sensação incômoda dentro dele.
Felipo: (murmura, quase como um aviso) — Essa conversa acabou.
Dean suspira, tomando um último gole da cerveja antes de dar um tapinha no ombro do amigo.
Dean: (baixinho, antes de sair) — A questão é… e se ela já for o motivo?
Felipo não responde. Apenas encara o líquido âmbar no copo, como se fosse encontrar uma resposta ali.
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