A Sicília, um paraíso banhado pelo sol, onde a tradição e a lealdade governavam com a mesma força que o aço e o sangue. Entre os nomes mais temidos e respeitados da ilha estavam os Vitale, uma família de mafiosos que dominavam Palermo há gerações.
Alessandro Vitale nasceu para comandar. Desde jovem, foi treinado para entender o peso do nome que carregava e a responsabilidade que um dia teria sobre os ombros. Seu pai, Enrico Vitale, era um capo implacável, respeitado e temido por todos, e o braço direito do seu irmão, Don Francesco Vitale.
Quando chegou o momento de escolher o futuro sucessor, Don Francesco, que tinha perdido o único filho em um acidente de carro, não teve dúvidas: Alessandro era o único digno de ficar no seu lugar.
Dentre os possíveis sucessores, Alessandro era o mais inteligente, o mais calculista. Enquanto outros se deixavam levar pela impulsividade e pela sede de poder, Alessandro compreendia que a máfia era um jogo de paciência e estratégia. Ele era contra derramar sangue sem necessidade, mas se precisasse agir, era definitivo.
E foi exatamente a escolha de Don Francesco que despertou a inveja de Lucca.
Lucca Vitale era primo de Alessandro, filho do irmão mais novo de Enrico e Francesco. Sempre acreditou que, por ser um Vitale de sangue puro, o posto de Don também deveria ser seu. Para ele, Alessandro nunca foi um verdadeiro herdeiro da máfia, e o motivo era a sua mãe.
Diferente das tradicionais esposas da máfia que vinham de famílias ricas e poderosas, Sophia, mãe de Alessandro nasceu em uma familia simples, de uma região mais afastada da Sicília. Embora fosse uma mulher forte e que nunca deixou a desejar, não trazia consigo um sobrenome influente. Para Lucca, isso a tornava impura, e Alessandro indigno do comando da família.
A cada decisão tomada por Alessandro, a cada olhar de aprovação de Don Francesco, a inveja de Lucca crescia. Ele odiava como Alessandro sempre parecia estar um passo à frente, como os homens da família o seguiam sem questionar.
Com o tempo, essa inveja se transformou em algo ainda mais perigoso.
Lucca sabia que, enquanto Alessandro estivesse vivo, jamais teria o poder que desejava. E para ele, isso não era uma opção aceitável.
Alessandro Vitale, 33 anos.
Alto, de porte atlético e uma postura imponente, Alessandro exalava poder por onde passava. A pele morena, a mandíbula bem definida, e o leve sombreado da barba por fazer reforçam seu ar de mistério.
Por trás do olhar penetrante, existe um homem dividido entre o peso do legado e o desejo de escolher seu próprio caminho. Alessandro é estrategista nato, mas carrega sombras internas que o tornam imprevisível.
Desde a morte do filho de Don Francesco, Alessandro foi preparado para assumir o comando dos negócios da família Vitale. Testemunhou traições, alianças perigosas e a brutalidade do mundo ao qual foi condenado pelo sangue. Apesar de nunca ter fugido das responsabilidades, carregava dúvidas sobre o que realmente deseja para sua vida.
Fluente em vários idiomas, Alessandro tinha a vocação nata para negociações internacionais. Apesar da frieza nos negócios, ele tem um lado protetor com aqueles que ama, herança do amor que recebeu da mãe na infância, e possui um senso de justiça próprio. Ele evita violência desnecessária, o que o faz parecer vulnerável aos olhos dos mais cruéis, e era essa característica que o afastava de Lucca, o primo ambicioso.
Lucca, 37 anos.
Lucca sempre foi a sombra de Alessandro, e sempre tentou compensa a sua falta do carisma com frieza e brutalidade. Enquanto Alessandro foi treinado para ser o sucessor, Luca cresceu alimentando o rancor de ser o plano B da família.
Impulsivo, agressivo e movido pela inveja, Lucca acredita que a máfia precisa de um líder forte e implacável, alguém disposto a sujar as mãos sem hesitar. Ele considera Alessandro fraco por demonstrar compaixão em certos momentos, e vê nisso sua brecha para tomar o poder.
Articulando alianças silenciosas dentro da própria família para desestabilizar Alessandro, Lucca começou a agir nos bastidores, manipulando situações para colocar o primo em risco. No entanto, mantinha uma fachada de lealdade perante o patriarca. Mas mesmo assim, era evidente a tensão constante entre eles, pois nunca conseguiu enganar Alessandro que sabia que o sonho de Lucca era estar no seu lugar
A principio, longe dessa disputa estava Giuliana Moretti.
Giuliana, 24 anos, é o tipo de mulher que atraía olhares por onde passava. Filha de um banqueiro italiano e mãe brasileira, sua mistura resultou em uma beleza exótica e marcante. A pele, levemente bronzeada, realçava ainda mais seus olhos expressivos.
Seu corpo era um convite à perdição, cheio de curvas bem desenhadas, com uma sensualidade natural que não precisava de esforço para ser notada. O caminhar era elegante, carregando uma postura firme que escondia a vulnerabilidade de uma mulher acostumada a lutar contra um destino que não escolheu.
Apesar de sua aparência deslumbrante, Giuliana não era apenas um rosto bonito. Ela era forte, determinada e indomável. Seu espírito rebelde vinha de sua mãe, que sempre ensinou a nunca abaixar quando sentisse que estava certa cabeça.
Mas sua criação na Itália, sob a sombra do pai controlador, fez com que tivesse que aprender cedo a arte da sobrevivência. Era admirada, desejada… mas não livre. E ela não entendia como o dinheiro e o poder de determinadas famílias poderia reger tudo a seu redor. Tudo que tentava fazer, era podada pelos pais e irmão, e ela tentava encontrar uma forma de fugir daquele controle.
E desde o desaparecimento misterioso de sua mãe após ameaçar se separar do pai, Giuliana tentava entender o que aconteceu, sem encontrar respostas claras, além de ameaças.
E seu pai, Carlo Moretti, cujos negócios sujos se entrelaçam com o submundo da máfia, via a filha com uma moeda de troca. Por interesse político e financeiro, ele aceitou o arranjo do casamento de Giuliana com Lucca Vitale, consolidando alianças estratégicas entre as famílias, sem que a filha dissesse sim.
O sol já estava se pondo quando Giuliana entrou no escritório do pai. O ambiente luxuoso da casa onde ela cresceu nunca pareceu tão sufocante quanto naquele momento. Carlo, estava sentado atrás da imponente mesa de mogno, um charuto entre os dedos e um olhar frio que fez um arrepio percorrer sua espinha.
_ Pai, que historia é essa que eu vou ter que me casar com aquele homem? Perguntou com a voz carregada de incredulidade, enquanto cruzava os braços para esconder o tremor nas mãos. Os rumores já haviam se espalhado e uma amiga havia ligado para ela querendo saber se era verdade que Giuliana se casaria.
Carlo não respondeu de imediato. Deu uma longa tragada no charuto, soltando a fumaça em anéis perfeitos que flutuaram no ar antes de se dissiparem.
_Não é história... você vai se casar com Lucca Vitale. Disse Carlo de forma foi direta, sem dar brecha para discussão.
A declaração foi como um soco no estômago. Giuliana que sentiu o coração bater forte no peito. O choque inicial rapidamente foi dando lugar a uma onda de raiva que subiu por sua garganta. Ela sabia bem quem era Lucca, além dele ser homem arrogante, manipulador, que ele tinha o histórico de assediar quem quer que cruzasse seu caminho, usando o poder da família Vitale como um escudo para seus caprichos.
_O quê? Sua voz saiu mais alta do que esperava. _ O Senhor só pode estar brincando! Não vou me casar aquele homem, e ainda mais sabendo quem ele é, e com o que está envolvido. O senhor sabe que ele faz parte da mafia.
Carlo ergueu os olhos lentamente, como se estivesse pesando a ousadia da filha.
_Isso não é uma escolha que você pode fazer, Giuliana. Seu casamento vai acontecer, quer você queira ou não. Lucca fez um grande investimento comigo, não vou voltar atrás.
Giuliana deu um passo à frente, fechando as mãos com força.
_Eu não sou uma mercadoria que o senhor possa negociar!
O pai bateu o charuto no cinzeiro com calma, antes de levantar-se, e seu olhar tornou-se sombrio.
_Você é minha filha. E se quiser continuar viva, levando uma boa vida, vai ter que obedecer.
_Seus negócios sujos, suas dívidas, não são problema meu! Se está endividado, resolva isso sozinho, não me entregando para aquele monstro! Retrucou Giuliana mesmo com medo.
A expressão de Carlo endureceu, e ele se aproximou lentamente.
_Você acha que tem opção? Sua voz era baixa, mas letal. _Se não se casar com Lucca, o que voce acha que vai acontecer? Lucca vai vir atrás de você, dos seus irmãos e de mim. Ele vai tomar tudo que temos, inclusive nossas vidas.
_ Eu não quero essa vida... eu não quero me casar com ele.
_Eu duvido que você tenha um destino melhor do que ser esposa de um homem poderoso como o Lucca, o futuro Don dos Vitale. Ou você prefere virar um brinquedo nas mãos dele? Pois é isso que vai acontecer se você se recusar a se casar com ele, e eu não vou poder fazer nada para impedir que isso aconteça.
A realidade daquelas palavras a atingiu como um golpe, esmagando qualquer resquício de esperança que ela ainda pudesse ter. Carlo nunca foi pai afetuoso, e desde que a mãe desapareceu misteriosamente há alguns anos, ele tinha se tornado ainda mais distante, mais cruel. Agora Giuliana via com clareza o que ele era capaz de sacrificar para proteger os próprios interesses.
_ Amanhã, Lucca vai te levar para jantar, então, deve se comportar bem, fazer tudo o que ele pedir.
Giuliana não disse nada, mas cederia tão fácil.
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No dia seguinte, acompanhada por dois seguranças que sempre vigiavam seus passos, Giuliana foi levada até um restaurante sofisticado, onde Lucca a esperava com um sorriso satisfeito nos lábios.Ele era um homem bonito, de feições marcantes e porte imponente, mas havia algo nele que a deixava inquieta. Um brilho cruel nos olhos, um jeito predatório em seus gestos.
_Giuliana, você é ainda mais bela do que eu me lembrava. Lucca estendeu a mão para pegar a dela, mas Giuliana recuou instintivamente, afastando-se do alcance dele.
_Não me toque!
Lucca sorriu diante da atitude defensiva dela.
_Ah, acho que você ainda não entendeu, não é? Lucca se inclinou para a frente, os olhos percorrendo o corpo dela de cima a baixo com uma mistura de desejo e posse que fez a sentir nojo. _Giuliana, logo você será a minha esposa, e eu vou tocar você quando quiser, fazer com você o que eu quiser.
_Isso nunca! Eu tendo nojo de você. Respondeu com desprezo sentindo náusea só de imaginar ser tocada por Lucca.
O sorriso de Lucca sumiu, e ele se inclinou para perto dela.
_ É o que você pensa… você será minha, só minha.
O sangue de Giuliana gelou. Ela se levantou num impulso, mas sentiu a mão de Lucca segurar seu pulso com força.
_Se eu fosse você, não tentaria fugir. Eu sempre consigo o que quero. Avisou em tom de ameaça.
Giuliana puxou o seu braço, e foi embora sem olhar para trás, jamais casaria com Lucca. Naquele momento ela tomou sua decisão: precisava fugir, mas não sabia como se estava sempre sendo vigiada.
Ao chegar em casa, Giuliana desceu do carro com as pernas trêmulas, o peito subindo e descendo em respirações irregulares. Os olhos estavam marejados, mas ela não queria mais chorar. Sentia a garganta arder de raiva e desespero.
Seu pai havia decidido seu destino sem sequer consultá-la.
A simples ideia de casar com Lucca fazia seu estomago revirar. Lucca a olhava como se já fosse sua posse, e as palavras dele, frias e dominadoras, ainda ecoavam em sua mente.
Ela entrou em casa às pressas, sem se importar com os olhares dos funcionários sobre ela. Mas antes que fosse para o quarto, uma voz sussurrada a chamou no corredor.
_Senhorita Giuliana...
Ela parou. Maria, a cozinheira da família, uma mulher de cabelos grisalhos e olhos bondosos, acenava para ela com urgência. Giuliana hesitou por um momento antes de seguir até lá a cozinha.
_ O que aconteceu, bambina? Perguntou Maria, preocupada passando a mão no seu rosto tentando secar suas lágrimas.
_ Meu pai… ele quer me case com um homem horrível, eu não quero… Maria eu preciso sair daqui… eu preciso fugir… A voz dela falhou, e Maria viu o desespero estampado em seu rosto._ Eu estou com 24 anos, nunca pude fazer nada, estou sempre sendo vigiada, presa nesta casa... isso não é vida.
_ Você pode fugir Hoje. Sussurrou olhando para os lados.
Giuliana arregalou os olhos tentando entender como Maria poderia ajudá-la.
_O quê? Como?
_Eu vi o jeito que saiu da sala do seu pai mais cedo. Vi seus olhos, menina. Você não quer isso, a sua mãe não ia querer. Olha só como você está... Maria sentiu pena de Giuliana.
Giuliana não conteve mais as lágrimas. Elas escorreram silenciosas enquanto Maria a puxava para um canto da despensa.
_Não tem saída, Maria. O meu pai nunca vai me deixar ir.
_Tem, sim. E eu posso te ajudar, mas tem que ser hoje, daqui a pouco.
A cozinheira então pegou um uniforme de empregada e colocou nas mãos de Giuliana.
_Vista isso. Abaixe o rosto, não olhe para ninguém. Quando a equipe de limpeza sair pelo portão dos fundos, vá junto. O segurança que fica lá já está acostumado a ver esses funcionários saindo a noite. Só mantenha a cabeça baixa.
Giuliana engoliu em seco, sentindo o coração disparar.
_ É o que eu posso fazer por você. Maria respirou fundo.
O medo latejou no peito de Giuliana, mas ela sabia que não tinha outra escolha.
_Por que está me ajudando, Maria? Se meu pai descobrir, ele…
Maria sorriu triste e alisou os cabelos dela.
_Porque já vi muitas mulheres presas a uma vida que não escolheram, como a sua mãe ficou nos últimos dias dela nesta casa... Eu sempre gostei da sua mãe, ela sempre me tratou muito bem, por isso não vou deixar você sofrer.
_ Eu não quero te prejudicar…
_ Não vai… às 22 horas deve sair dessa casa, o uniforme vai estar aqui. Disse colocando o uniforme no meio dos mantimentos.
Giuliana mordeu os lábios para conter mais um soluço olhando para o uniforme. Sua vida dependia disso. E ela não olharia para trás.
Giuliana foi para o quarto e pegou dinheiro que conseguiu encontrar e fez uma mochila com o básico, e esperou até a hora que Maria tinha dito.
Vestida com uma roupa de empregada, ela saiu acesso de funcionário, se misturando aos demais empregados sentindo o coração bater forte como se fosse sair pela boca.
Giuliana, sempre foi privada de tudo pelo pai, que não permitiu que ela fosse para a faculdade, ou que ela trabalhasse. Ela odiava o ter sua vida nas mãos dele, e sonhava em se libertar do ciclo de poder e violência.
Desde que a mãe sumiu misteriosamente, ela já tinha tentado fugir inúmeras vezes, mas sempre era impedida pelos seguranças do pai ou pelos irmãos. Agora precisava fazer algo diferente, mas para isso, precisava de dinheiro, e talvez documentos falsos. Sabia que não poderia ficar em Palermo, e muito menos na região. a Sicília inteira estava sob o alcance dos tentáculos de seu pai e dos Vitale. Seu plano era claro: encontrar a mãe, e juntas fugirem para o Brasil, a terra natal da mãe, onde poderiam recomeçar longe de todo daquele pesadelo.
Ao sair da mansão ela sentiu uma sensação unica de liberdade e pensou em Alice, a única amiga que tinha e que poderia ajudá-la naquela momento.
E foi com ajuda de uma amiga, que Giuliana se escondeu uma casa em um dos becos da cidade, conseguindo um emprego como bartender em um bar decadente. Trabalhava nas sombras, o cabelo preso em um coque desleixado e o rosto escondido sob um boné, sempre alerta ao menor sinal de perigo. Mesmo sabendo que o pai e Lucca não frequentavam lugares como aquele, ela ainda tinha medo. Se eles a encontrassem, seria seu fim.
E Carlo, desde que soube da fuga da filha, estava atrás dela. Precisava encontrar Giuliana antes da festa de noivado que Lucca estava preparando.
Enquanto isso, em uma região completamente diferente de onde Giuliana estava trabalhando, a boate mais exclusiva da cidade estava lotada. As luzes piscavam em tons de azul e vermelho, e o som ensurdecedor fazia as paredes vibrarem. Alessandro estava relaxado em sua área VIP, cercado por seus homens, bebidas caras e mulheres com sorrisos calculados e gestos provocantes que tentavam atrair sua atenção. Ele segurava um copo de uísque, observando o movimento com um olhar atento mesmo quando tentava relaxar e se divertir, nunca baixava a guarda completamente, mesmo frequentando o mesmo lugar a vários anos.
Ele olhava para uma mulher loira, quando a noite começou a mudar. Alessandro percebeu que um dos seus seguranças cambaleou para frente, derrubando um copo de vodka no chão. Outro, sentado à mesa, deixou o charuto escorregar dos dedos antes de desabar. Ele franziu a testa, o alerta disparando em seu cérebro treinado para situações de perigo
_Que diab...? Tentou perguntar quando sua visão começou a embaralhar.
O uísque, que momentos antes era apenas uma fonte de prazer, agora parecia diferente, como se carregasse um veneno sutil.
_Maldição.
Eles estavam em um lugar seguro, onde os funcionários sabiam quem ele era e não ousariam atacá-lo. Alessandro se levantou cambaleante, observando ao redor. Seus homens caíam um por um. Algumas mulheres gritavam, mas a música alta abafava a cena. Foi quando ele tem a impressão de ver uma figura encostada no bar, um sorriso torto de triunfo nos lábios.
_Lucca? Se perguntou tentando ter certeza que o homem em questão era realmente o primo.
O homem levantou seu copo em um brinde silencioso, e seus olhos pareciam brilhar de satisfação.
A adrenalina correu pelo corpo de Alessandro como um último impulso de sobrevivência. Com um esforço descomunal, ele sacou sua arma e tentou disparar, mas sua visão embaçada e seus músculos fracos o traíram. O tiro passou longe, acertando as garrafas atrás do bar. O vidro estilhaçou, e os gritos abafados se misturaram à batida da música.
Alessandro sabia que precisava sair dali.
Cambaleando, Alessandro avançou entre a multidão, trombando em desconhecidos, derrubando mesas. Sua mente lutava contra a droga que estava em seu organismo, enquanto tentava chegar até a saída dos fundos. Alessandro podia ouvir os passos pesados vindo atras dele, sabendo que estava sendo seguido. Ele empurrou a porta de metal dos fundos com o peso do corpo, seguindo pelo beco lateral da boate. O ar frio da noite o atingiu como um soco no peito, cortante e úmido, mas não o suficiente para clarear sua mente. Sua respiração eatava pesadas, os pulmões queimando enquanto o formigamento se espalhava por suas pernas e braços. A droga estava vencendo.
Um tiro ecoou no beco, o som reverberando entre as paredes de tijolos. A dor veio em seguida, uma onda quente e aguda que explodiu no lado esquerdo do seu corpo, arrancando um gemido alto dos seus lábios quando o tiro o atingiu. Ele se encostou na parede pressionando o ferimento. O sangue escorria quente entre seus dedos, manchando a camisa branca que usava sob o paletó. Alessandro, mesmo desnorteado, seguiu fugindo pelos becos até trombar em uma mulher que usava um vestido vermelho, com os cabelos presos em um coque displicente.
Os olhos dela arregalaram-se ao ver Alessandro ensanguentado, mas, em vez de hesitar, ela se aproximou.
_Santo Deus… Eles se olharam por um instante.
Ele tentou falar algo com ela, mas tudo girava. Seu corpo começou a deslizar para o chão, mas ela tentou segurá-lo.
A mulher em questão era Giuliana, que ajudou Alessandro a sair da rua, sem fazer ideia de quem ele era. Apenas viu um homem gravemente ferido, prestes a desabar no chão, e ela não deixaria ele ali.
_ Merda... Sussurrou olhando para Alessandro. _ O que eu eu estou fazendo?
Giuliana pensava que simplesmente poderia ter entrado em casa e fingir que não viu nada, e chamado a polícia . Mas, por algum motivo, ela resolveu ajudá-lo.
Alessandro tentou falar algo, mas sua visão escureceu. A última coisa que sentiu foi o toque suave das mãos dela em seu rosto, e então tudo escureceu.
_ Merda…Giuliana praguejou baixinho enquanto olhava para Alessandro desacordado sobre o sofá da casa onde estava morando. Seu vestido já estava manchado de sangue, e suas mãos tremiam ao fechar a porta sem chamar a atenção dos vários homens que surgiram correndo na rua.
Ela não fazia ideia de quem ele era, ou que tinha feito para estar sendo perseguido. Só sabia que, se o deixasse naquele beco, estaria condenando-o à morte.
Giuliana se aproximo no escuro, e na penumbra que entrava pela janela, ela então pôde observá-lo melhor. Moreno, traços fortes, um ar perigoso até mesmo inconsciente.
_No que eu me meti...? Se perguntou preocupada.
Depois que o movimento na rua sessou, Giuliana pegou uma tesoura e cortou a camisa dele, revelando o ferimento de bala. Não era a primeira vez que lidava com sangue. Cresceu com os irmãos, que sempre voltavam para casa sangrando após as brigas que se envolviam. Por isso sabia o básico para evitar que alguém morresse antes da hora.
A bala parecia ter passado de raspão, sem atingir órgãos vitais. Com mãos ágeis, limpou a ferida com álcool, arrancando um gemido baixo de Alessandro que estava quente, provavelmente com febre.
Ele se mexeu. O peito subia e descia pesadamente. O suor escorria sua testa. Estava lutando contra a droga que estava na bebida mesmo inconsciente.
Giuliana suspirou fazendo um curativo. Se ele sobrevivesse, talvez a agradecesse. Ou talvez a matasse. No mundo em que ela vivia, aquele homem baleado podia ser um policial infiltrado, um criminoso perigoso apenas alguém que estava no lugar errado.
Mas algo naquele homem lhe dizia que ele não pertencia ao primeiro grupo, muito menos ao último.
Giuliana terminou de fazer o curativo e o cobriu um cobertor fino. Ela sabia que o restante da noite seria longo, e ainda se perguntava se tinha cometido um erro ao ajudá-lo.
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