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Admita, Você Tem Medo

A chegada de Helena

O Colégio São Martinho sempre teve uma reputação impecável. Era um internato de elite, onde apenas os melhores alunos tinham a chance de estudar. Mas quando Helena chega como uma nova aluna transferida, coisas estranhas começam a acontecer.

Colegas desaparecem. Professores enlouquecem. Segredos enterrados há anos começam a vir à tona.

Helena não é uma aluna comum. Ela sabe demais. E, pior, ela quer que todos admitam a verdade: o medo que tentam esconder está prestes a consumi-los.

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Prólogo

As luzes do corredor piscavam como se algo estivesse errado com a fiação. O chão estava molhado—mas não era água. Era viscoso, escuro, cheirava a ferrugem.

Laura respirava com dificuldade, seus sapatos fazendo um som incômodo ao pisar na substância. Olhou para trás. Nada.

Mas ela sabia que não estava sozinha.

Ela sentiu a presença. O frio subindo pela espinha, os pelos do braço arrepiando. Tentou correr, mas seus pés estavam pesados. Como se mãos invisíveis segurassem seus tornozelos.

E então, ela ouviu.

Um sussurro baixo, rente ao seu ouvido.

— Admita, você tem medo.

Laura tentou gritar, mas sua voz falhou. Algo se moveu nas sombras. Algo grande.

Então, tudo ficou escuro.

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Capítulo 1 - A Chegada de Helena

O Colégio São Martinho ficava isolado, cercado por uma floresta densa. O ar ali era sempre frio, como se o sol nunca brilhasse de verdade.

Helena chegou com uma mala pequena e um olhar vazio. Ela nunca sorria.

No primeiro dia, todos a observaram em silêncio. Ela era pálida demais. Seus olhos pareciam enxergar além do que era possível. Quando passaram a perguntar sobre sua vida antes da transferência, perceberam algo estranho.

Ela nunca falava de onde veio. Nunca mencionava família.

E então os pesadelos começaram.

Alunos acordando no meio da noite com arranhões pelo corpo. Sussurros nos corredores vazios. Reflexos no espelho que não acompanhavam os movimentos.

Helena sempre observava.

Até que, uma noite, um grupo de alunos decidiu confrontá-la.

— Quem é você de verdade? — perguntou Rodrigo, o líder do grupo.

Helena inclinou a cabeça. E sorriu pela primeira vez.

— Eu sou a resposta para o que vocês tentam esquecer.

E, de repente, as luzes da escola apagaram.

O terror havia começado.

A escola sempre teve uma atmosfera pesada, mas foi quando Maya se descobriu grávida que tudo mudou. Ela, uma jovem tímida e sempre discreta, tinha um segredo: ninguém sabia que ela carregava um filho dentro de si. Exceto Maicon Alves, o garoto popular, o "rei" do colégio, que nunca se importou realmente com ela. Quando soube da gravidez, sua única reação foi de repulsa, um olhar frio e um abandono cruel.

"Eu não quero ser pai. Não é a minha culpa", ele dizia, como se sua indiferença fosse uma justificativa para o abandono.

Mas Maicon não era apenas um jovem arrogante. Ele era filho do diretor da escola, uma figura de poder que sempre manipula e controla tudo à sua volta. Seu pai, o diretor da escola, também era conhecido por seus abusos — tanto com alunas quanto com professoras. Maya sabia disso. Ela sabia o que acontecia por trás das portas fechadas, e ninguém nunca ousava questionar ou tentar parar.

E foi isso que a levou até Helena.

Maya não sabia quem ou o que Helena era, mas, em seu desespero por vingança, viu nela uma aliada. Helena era uma presença sombria, com um sorriso enigmático e um olhar que parecia enxergar tudo o que Maya sentia, sem que fosse preciso dizer uma palavra.

"Eu posso te ajudar a fazer a verdade vir à tona", dizia Helena, com uma voz suave, quase hipnotizante. "Mas, você deve estar pronta para ver o que está escondido."

Maya, cheia de ódio, aceitou. Ela queria destruir Maicon. Queria que todos soubessem o que ele era, e mais, ela queria fazer com que o diretor pagasse por suas ações.

A verdade que Helena prometia trazer à tona não era algo que Maya estava preparada para lidar. Mas Helena nunca se importou. Para ela, a verdade não tinha valor algum. O que importava era o jogo, o prazer de manipular, de fazer as pessoas encararem seus próprios medos.

O jogo da vingança

O corredor da escola estava vazio quando Maya caminhava em direção ao escritório do diretor. Ela sabia que algo tinha que ser feito, mas estava cansada de esperar por justiça. Ela precisava ser mais inteligente do que todos, precisava fazer com que Maicon e o diretor pagassem, não só pelas mentiras que tinham vivido, mas pelo controle cruel que exerciam sobre os outros.

Helena havia lhe dito que o jogo da verdade era uma arma poderosa, mas apenas para aqueles que tinham coragem de usá-la. E Maya tinha algo dentro de si que a fazia arder de desejo por vingança. O que ela não sabia era que a verdade, quando revelada, poderia ser mais perigosa do que qualquer mentira que tivesse contado.

A cada passo que dava, a sensação de estar sendo observada aumentava. Não era o olhar de seus colegas, mas algo mais... algo estranho. Maya sabia que Helena estava por perto, guiando seus passos, alimentando sua raiva.

Maya entrou na sala do diretor sem hesitar. Ele estava ali, como sempre, atrás de sua grande mesa de madeira escura, sua postura autoritária e olhar calculista.

— O que você quer, Maya? — perguntou o diretor, com a voz seca, quase desdenhosa.

Ela olhou para ele com um sorriso sombrio.

— Tenho algo para te mostrar.

Sem esperar resposta, Maya se aproximou e puxou um envelope de dentro de sua mochila. Ela o abriu com calma, deixando os papéis se espalharem sobre a mesa.

Ali estavam as provas. Fotografias, documentos, testemunhos. Tudo o que ela havia reunido, tudo o que ele pensava estar escondido. As alunas que ele havia manipulado, os relatos de abusos, as mentiras que ele usou para manter sua posição de poder.

Maya sentiu o peso do silêncio entre eles. O diretor olhou os papéis com uma expressão impassível, mas seus olhos traíam o pânico. Ele sabia que estava preso. Mas não foi a voz de Maya que o abalou, foi o toque gelado da verdade que Helena havia lhe permitido descobrir. A verdade que agora ameaçava destruir tudo o que ele construíra.

Mas, ao invés de se desesperar, o diretor sorriu, um sorriso de desgosto.

— Você acha que isso vai me derrubar, Maya? — disse ele com uma risada baixa. — A verdade nunca vai te libertar, garota. Ela só vai te destruir.

Antes que Maya pudesse reagir, a sala se encheu de uma sensação de peso, de algo sinistro. Um arrepio percorreu sua espinha, como se algo invisível estivesse pressionando contra ela. O rosto do diretor se distorceu, e, por um momento, ela viu algo estranho em seus olhos, algo que não era humano.

Maya deu um passo para trás, tentando processar o que estava acontecendo. Mas foi quando ela olhou para o canto da sala que a verdade se revelou.

Helena estava lá, sorrindo com uma expressão vazia, observando tudo.

— Você queria a verdade, Maya. Mas não é ela que vai salvar você. — disse Helena, suas palavras mais frias que o próprio gelo. — A verdade só vai te engolir, assim como vai engolir todos ao seu redor.

Maya estava em choque, mas a raiva ainda queimava em seu peito. Ela olhou para o diretor, para Helena, e então para os papéis na mesa. Tudo o que ela havia feito para expor a podridão do colégio, tudo o que ela havia feito para buscar vingança... parecia agora inútil.

Ela queria gritar, queria expor todo o mal que a escola escondia, mas as palavras não saíam. O peso da verdade estava esmagando-a, consumindo suas forças.

Mas Helena, sempre enigmática e fria, não se importava com suas emoções. Ela apenas observava o espetáculo que ela mesma criara.

— Eu só queria ver até onde você iria, Maya — disse Helena com um sorriso pequeno. — O que você vai fazer agora?

O segredo de Maicon

O dia começou como qualquer outro para Maicon Alves. Ele caminhava pelos corredores do Colégio São Martinho com a mesma arrogância de sempre, cumprimentando as pessoas com sorrisos falsos e ignorando aqueles que considerava insignificantes.

Mas algo estava errado.

Desde a noite anterior, ele sentia um peso estranho nos ombros. Um desconforto crescente, como se alguém o estivesse observando o tempo todo. Quando olhava ao redor, não via ninguém. Mas o sentimento persistia, cada vez mais forte.

O que ele não sabia era que, naquela manhã, seu nome já estava em todas as conversas sussurradas pelos alunos.

Mensagens começaram a circular pelo grupo da escola. Vídeos, fotos, áudios. Todos revelando a verdadeira face de Maicon. O garoto que se achava intocável agora estava exposto para todos verem.

Ele agarrou o celular, abriu o grupo e sentiu o estômago revirar.

O primeiro vídeo mostrava ele discutindo com Maya no estacionamento escuro da escola. "Se você acha que eu vou ser pai dessa coisa, você tá louca," sua própria voz ecoava na gravação. "Se quiser ter esse filho, que se vire sozinha."

Outro áudio era ainda pior. Uma conversa entre ele e o próprio pai, o diretor.

— Pai, você precisa dar um jeito na Maya.

— Não se preocupe, filho. Se ela for esperta, vai entender o recado. Se não for… bem, sempre há formas de fazer alguém desaparecer.

Maicon sentiu a garganta secar. Ele olhou ao redor, esperando ver alguma reação exagerada, mas todos os olhares eram discretos, sorrisos maldosos escondidos por trás de celulares.

Ninguém estava surpreso.

Ele não entendia. Como aquelas gravações tinham surgido? Ele nunca as enviou para ninguém. Nunca falou sobre isso com mais ninguém além do próprio pai.

O celular vibrou novamente. Um número desconhecido.

"Você está pronto para a verdade, Maicon?"

Ele sentiu um calafrio subir pela espinha.

— Quem mandou isso? — murmurou para si mesmo.

E então, no meio do corredor lotado, ele a viu.

Helena.

Sentada casualmente na escada, mexendo no próprio celular como se não tivesse nada a ver com aquilo. Mas seus olhos... eles estavam fixos nele.

Maicon sentiu o coração disparar. Ele nunca tinha falado com aquela garota, mas havia algo nela que o assustava de um jeito inexplicável.

Ele desviou o olhar e correu para a sala do pai. O diretor precisava resolver isso.

Mas, ao entrar no escritório, seu mundo desabou.

A sala estava escura. As cortinas fechadas. O diretor estava sentado em sua cadeira, olhando para um envelope aberto na mesa. Suas mãos tremiam levemente.

— Pai… o que está acontecendo?

O diretor levantou o olhar, e pela primeira vez na vida, Maicon viu algo que nunca esperava ver em seu pai: medo.

— Eu não sei, filho. Eu realmente não sei.

Maicon sentiu um arrepio. Se até seu pai, um homem acostumado a controlar tudo, estava assustado, então algo realmente estava fora de controle.

E foi então que a voz dela ecoou pela sala.

— Eu avisei, não avisei?

Maicon e o diretor se viraram rapidamente. Helena estava ali. Sentada sobre a mesa do diretor, os pés balançando no ar como se não houvesse regras naquele lugar que pudessem impedi-la.

— Quem te deixou entrar aqui? — o diretor perguntou, tentando recuperar sua autoridade.

— Oh, diretor… — Helena inclinou a cabeça, sorrindo. — Você ainda acha que é quem manda neste lugar?

Maicon recuou um passo. Seu peito subia e descia rapidamente.

— O que você quer? — perguntou ele, sentindo a boca seca.

Helena piscou devagar.

— Quero ver até onde você aguenta a verdade.

E então as luzes piscaram, e a realidade se partiu.

Os quadros nas paredes começaram a derreter, como se fossem feitos de cera. A mesa do diretor parecia se alongar e distorcer. O ar ficou pesado, e um cheiro de podridão tomou conta da sala.

Maicon tentou correr, mas seus pés estavam presos ao chão.

O diretor tentou gritar, mas sua voz falhou.

E Helena, ainda sorrindo, apenas observava.

— Admita, Maicon. Você tem medo.

Maicon abriu a boca para protestar, mas então ele viu.

Olhando para o reflexo da janela, ele viu seu próprio rosto. Mas não era ele. Seu reflexo estava deformado, os olhos negros, a pele pálida e doente, como se algo dentro dele estivesse apodrecendo há tempos.

E então, o reflexo sorriu para ele.

E Maicon finalmente gritou.

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Capítulo 4 - O Destino de Maya

Enquanto Maicon e seu pai enfrentam a verdade obscura, Maya também começa a perceber que sua vingança pode ter um preço alto demais. Será que ela realmente sabe no que se meteu? Ou Helena ainda tem mais surpresas para revelar?

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