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Ruídos Do Coração - Liam Ashford

Personagens

Liam Ashford ( Vocalista )

Liam é o tipo de cara que você nota assim que ele entra num lugar. Nascido e criado em Liverpool, ele traz consigo aquela atitude desafiadora típica dos roqueiros dos anos 90. Como vocalista do Nocturnal Echo, Liam tem aquela voz rouca que faz as fãs suspirarem, mas é o seu jeito irreverente no palco que realmente cativa o público. Fora dos holofotes, ele pode ser um pé no saco às vezes, sempre com uma opinião forte sobre tudo. Mas quem o conhece de verdade sabe que por trás daquela pose de bad boy, há um cara que se importa profundamente com sua música e sua banda.

Felix Hewitt( Baixista )

Felix é o cara que você quer ter por perto quando tudo está um caos. Crescido numa família de músicos em Manchester, ele traz para o Nocturnal Echo não só seu talento no baixo, mas uma calma que equilibra as personalidades explosivas da banda. Com um senso de humor tão seco quanto um bom gin, Felix é muitas vezes o mediador não-oficial do grupo. Ele tem aquele jeito de olhar para uma situação complicada, soltar um comentário perspicaz e de alguma forma fazer todo mundo rir e relaxar.

Cole Blackbur( Guitarrista)

Se tem alguém que nasceu para estar no palco, esse alguém é Cole. Originário de um pequeno vilarejo no País de Gales, ele traz consigo aquela energia contagiante de quem finalmente encontrou seu lugar no mundo. Seus solos de guitarra são lendários entre os fãs, mas é seu sorriso fácil e sua risada estrondosa que fazem dele o favorito em entrevistas. Cole é o tipo de cara que faz amizade com todo mundo, do segurança do show ao dono da gravadora, sempre com uma piada na ponta da língua.

Jasper Pembroke ( Baterista)

Jasper é o enigma da banda. Nascido em Bristol, ele cresceu dividido entre a cena underground de música eletrônica e o rock clássico que tocava na oficina mecânica do pai. Essa mistura inusitada se reflete em seu estilo único de tocar bateria, misturando técnicas tradicionais com ritmos inovadores. Quieto e observador, Jasper surpreende a todos quando finalmente abre a boca, geralmente com algum comentário que faz todo mundo parar para pensar.

Aria Black

Aria não é o tipo de beleza que você vê todo dia em Hollywood. Há algo nela que lembra as divas do cinema clássico, mas com um toque moderno que a torna única. Nascida em uma família de classe média em Chicago, ela carrega consigo aquela mistura de ambição dos grandes centros com valores do meio-oeste americano. Seus olhos, de um verde profundo, parecem contar mil histórias mesmo quando ela está em silêncio. No set, Aria é conhecida por sua dedicação quase obsessiva, capaz de passar horas discutindo cada nuance de seu personagem com o diretor.

Harper Beckham

Harper é o tipo de mulher que faz você se sentir ligeiramente intimidado e impressionado ao mesmo tempo. Com seu sotaque londrino e vestidos impecáveis, ela parece ter saído direto de uma série sobre advogados de elite. Como assessora de Aria, Harper é uma força da natureza, capaz de resolver crises com um simples telefonema e negociar contratos que deixariam qualquer um tonto. Mas seus amigos próximos conhecem um lado diferente: uma mulher apaixonada por jardinagem que relaxa assistindo a reality shows de culinária nos fins de semana.

Notas Dissonantes

"No palco, somos reis do universo,

Mas fora dele, a realidade nos imerso.

Notas dissonantes, em harmonia, nos unem no auge do desatino."

Liam

As luzes estroboscópicas piscam em sincronia com a batida explosiva da bateria de Jasper, cada compasso ressoando em meu peito como um segundo coração. No palco, sou invencível. O microfone na minha mão é uma extensão do meu ser, enquanto minha voz rouca ecoa pelas ondas de uma multidão em frenesi. Estamos no Echo Fest, e esse momento — suor, som e caos — é o ápice do que significa viver.

A última nota de "Whispers in the Dark" paira no ar antes de ser engolida pelo rugido do público. Cole se vira para a multidão com um sorriso que poderia acender uma cidade inteira, arrancando mais gritos. Felix acena com aquele jeito discreto e elegante que só ele tem, enquanto Jasper ergue suas baquetas, um gesto mínimo, mas que diz tudo. Somos a Nocturnal Echo, e por noventa minutos, fomos deuses.

Descemos do palco, ainda envoltos na eletricidade do show.

Mas o brilho dos holofotes rapidamente dá lugar à realidade mais crua. No salão privado onde a festa pós-show acontece, a energia é diferente — menos efervescente, mais carregada.

Felix está conversando com alguns produtores, casual e afiado, como sempre. Cole, cercado de fãs e amigos recém-feitos, solta sua risada característica, enchendo o ambiente. Jasper, por sua vez, observa a cena de longe, um copo na mão, sempre atento, mas distante. Eu me junto a ele, pegando um uísque que ele oferece com um gesto quase imperceptível.

— Acha que a gente vai sobreviver à turnê com Cole se jogando na multidão de novo? — ele comenta, um sorriso discreto se formando.

— Provavelmente não — respondo, rindo enquanto tomo um gole.

Cole aparece, rindo de alguma piada que só ele parece achar graça, e se junta a nós.

— Cara, você tinha que ver o sujeito na terceira fila. Juro, ele cantou "baleias no parque" em vez do refrão. Quase perdi o compasso de tanto rir.

 Jasper balança a cabeça, segurando uma risada.

— E você ainda reclama quando dizem que nossa música é complexa.

Felix chega logo depois, ouvindo a conversa enquanto pega outra cerveja.

— Complexa é pouco. Mas, falando nisso, Cole, e aquela sua tentativa de mergulho na multidão?

Cole dá de ombros, sem um pingo de vergonha.

— Foi espontâneo. Senti a vibe.

— É, e quase sentiu o chão também — respondo, seco.

A conversa segue leve, entre piadas e provocações, até que o ambiente muda. Eu noto antes de todos. Jesse. Ele surge do nada, cambaleando, olhos vidrados de álcool e ressentimento.

— Liam. — Sua voz arrasta o meu nome como se fosse um insulto.

— Sabe, não entendo como ainda tem gente que te leva a sério. Lisa me deixou por você mas você nunca foi bom... você nunca foi suficiente.

Fico imóvel por um momento, medindo minhas opções. Respiro fundo, mas o sangue ferve. Jesse sempre soube como cutucar. Talvez porque sabe que, lá no fundo, ele é o erro que eu preferia apagar.

Bem eu tive um caso com a namorada dele , em minha defesa eu não sabia que eles estavam juntos, agora ele não para de me infernizar , ele deveria focar em sua maldita banda de pop rock talvez assim deixaria de ser um fracassado e alcançar um pouco de sucesso

— Por que você não economiza o fôlego e vai encher o saco de outra pessoa? — disparo, tentando manter o tom neutro.

Ele ri, um som desagradável.

— Ah, claro. Grande Liam Ashford. O cara perfeito no palco, mas um desastre fora dele. Lisa me disse que você é todo fachada.

O empurrão que ele dá é a gota d'água.

— Quer resolver isso aqui? Agora? — pergunto, avançando, minha voz mais baixa, mas perigosa.

Jesse cambaleia, o rosto vermelho de raiva. Ele avança sem aviso, me acertando um soco no ombro que me faz recuar um passo.

— Você é um lixo, Ashford! — ele grita, a voz embargada pelo álcool.

Não penso duas vezes. Meu punho atinge novamente o rosto dele com força, um estalo seco que ecoa pelo salão. Jesse tropeça para trás, mas se mantém de pé, o sangue escorrendo do canto da boca.

— É isso que você quer, Jesse? — rosno, cerrando os punhos novamente. — Vamos resolver agora!

Ele avança outra vez, dessa vez me agarrando pela camisa.

— Você arruinou tudo! Tudo — Ele tenta me puxar, mas giro o corpo, empurrando-o contra uma mesa. Copos caem no chão, estilhaçando-se ao impacto.

Jesse se recupera rápido, me acertando um soco no lado da cabeça que faz minha visão embaçar por um segundo. Não recuo. Ataco com um chute no estômago, que o faz cair de joelhos, ofegando.

— Isso é tudo que você tem? — grito, o sangue fervendo.

Ele se ergue com dificuldade, olhos cheios de ódio. Me acerta com um empurrão , me jogando contra a parede. Minha cabeça bate com força, mas a adrenalina me mantém em pé. Contra-ataco com um golpe direto no nariz dele, e o som do osso se quebrando é abafado pelos gritos ao nosso redor.

Jesse cai para trás, segurando o rosto ensanguentado.

— Vocês dois, parem com isso! — A voz de Felix corta o ar como um trovão. Ele me segura pelos ombros, me empurrando para longe. Cole agarra Jesse antes que ele consiga se levantar novamente.

— Solta ele! — Jesse berra, ainda tentando se desvencilhar.

— Você já perdeu, Jesse! — grito, me debatendo contra Felix.

 — Fica no chão antes que eu te mande pro hospital!

— Grande Liam Ashford! — ele grita de volta, cuspindo sangue no chão.

— O herói de fachada! Você vai se destruir, e eu vou assistir de camarote!

— Quer tentar de novo? — avanço, mas Felix me segura com força.

— Já chega! — ele grita, a paciência visivelmente no limite.

Jesse é arrastado para fora por Cole, ainda cuspindo insultos e ameaças. Quando a porta bate atrás dele, o silêncio no salão é quase ensurdecedor.

Jasper olha para o caos ao nosso redor — copos quebrados, mesas viradas, manchas de sangue no chão.

— Ótimo show — ele murmura, seco, antes de dar um gole em sua bebida.

Minha respiração está pesada, meus nós dos dedos doloridos e ensanguentados. Olho para Felix, que balança a cabeça em reprovação.

— Ele mereceu

— E você vai merecer a droga que vem depois disso- Felix responde sério

Mas ,no fundo não me importo ,pelo menos agora Jesse sabe que não pode pisar na minha vida sem consequências

— Liam Ashford, você tá maluco? — A voz de Will corta o ar como um chicote. Ele avança pelo salão, tenso, o maxilar travado, e para bem na minha frente. Seu tom é baixo, quase um sussurro entre os dentes, mas não deixa espaço para dúvidas.

— Tem noção do que você acabou de fazer? Isso vai virar um escândalo amanhã, eu te garanto.

Dou de ombros, ainda tentando recuperar o fôlego. Meu olhar varre o salão: os copos quebrados no chão, as mesas viradas, e o sangue fresco em meus nós dos dedos. Parte de mim sente uma pontada de culpa, mas ela é abafada pela adrenalina e pelo que Jesse disse.

— Como eu disse ele mereceu.

Will passa a mão pelos cabelos, claramente tentando se conter.

— Mereceu? — Ele se inclina mais perto, os olhos faiscando.

— Não importa o que ele fez ou disse. O que importa é que você, o vocalista da droga de uma banda em ascensão, acabou de se envolver numa briga pública!

— Não foi público. — Ergo uma sobrancelha, sarcástico.

— Só um salão cheio de gente que não deveria estar aqui de qualquer jeito.

Will aperta os olhos, incrédulo.

— Você é inacreditável, com certeza tem algum paparazzi infiltrado você sabe disso e ainda faz esse escândalo — Ele vira para Felix, que permanece ao meu lado, os braços cruzados, mas sem dizer nada.

 — Felix, me ajuda aqui.

Felix suspira, cansado.

— Não dá pra consertar o que já aconteceu, Will.

— Não, mas dá pra evitar que piore. — Will gesticula para o resto da banda, que observa — Cole, Jasper, vamos sair daqui. Agora.

— E quanto ao Jesse? — Jasper pergunta, a voz baixa, mas firme.

— Não me importa onde ele foi parar. Ele que se vire. O foco agora é manter vocês fora de mais confusão.

Will aponta para a porta, claramente esperando que eu o siga. Por um momento, fico parado, desafiador, mas o olhar dele me diz que essa não é uma discussão que eu vou ganhar.

Solto um suspiro longo, pegando meu casaco que está jogado numa cadeira.

— Tá bom, chefe. Você venceu.

Will estreita os olhos, mas não responde. Ele apenas nos guia para fora do salão, lançando um último olhar irritado para o caos deixado para trás.

Na saída, sinto o peso dos olhares sobre mim — dos curiosos, dos chocados, dos julgadores. E, enquanto passo por eles, um pensamento me atravessa como um raio: amanhã, isso vai estar em todas as manchetes.

Mas, no momento, tudo que consigo fazer é ignorar. Porque, isso é o melhor que faço

O caminho até o transporte é um borrão. Apenas flashes de câmeras e murmúrios da multidão ecoam, enquanto somos escoltados para fora por Will e nossa equipe de segurança. O ar gelado da noite bate no meu rosto e, por um momento, parece um alívio, mas ele é passageiro. Não demora para a realidade do que acabou de acontecer cair sobre mim.

No banco de trás, o silêncio pesa. Os caras estão tão calados quanto eu. A tensão é palpável. Eu sei o que acabei de fazer, e não há como ignorar.

— Isso vai ser um pesadelo para arrumar — murmuro, quase sem querer.

Felix solta um suspiro profundo ao meu lado. Ele não precisa dizer nada. Só o olhar já me diz tudo. Ele vira um pouco a cabeça, seus olhos me encontrando na penumbra.

— Você podia tentar não se jogar nessa... — Ele diz, a voz baixa, mas o sarcasmo ali não passa despercebido.

Eu sei que ele está certo, mas a frustração é maior que qualquer explicação que eu possa dar. O óbvio é que não tem como controlar tudo , né?

— Eu tô controlado, Felix — respondo, sem muito entusiasmo.

— Só não sei por quanto tempo.

Felix dá um leve sorriso, mais pelo tom seco do que qualquer coisa.

— Ah, sim. Você “controlado” é sempre um espetáculo à parte.

Eu não posso deixar de rir, mas é uma risada amarga. Tento desviar o olhar, mas a sensação de culpa ainda está lá, batendo. E como se isso não fosse o suficiente, Cole, que está na frente, se vira para nós, o sorriso de sempre no rosto.

— Então, quando é a próxima reunião de emergência do ‘Liam fez merda’? Pizza de novo, ou vamos variar? — Ele solta, sem cerimônia, como se fosse só mais um dia no escritório.

— O lance é, a pizza pode ser o único consolo, né? — Completa, com um sorriso de quem não está nem aí, mas também não está de mal humor.

Jasper, sempre quieto, solta uma risada baixa, quase imperceptível. Mas consigo perceber que, apesar de tudo, ele ainda está ali, como sempre.

Eu me recosto no banco, ainda sentindo o peso do que aconteceu. Mas, à medida que escuto os caras zoando, tem algo reconfortante nisso. Cada um à sua maneira, todos mantêm o caos sob controle. Eles não sabem, mas estão me ajudando a lidar com tudo.

Cenário De Crise

Liam

A sala de conferências de Will parece menor do que o normal, apertada pelo peso das manchetes espalhadas pela mesa. Tablets e jornais gritam em silêncio, suas telas e páginas estampadas com as fotos da briga de ontem à noite. Eu e Jesse, cara a cara, prontos para arrancar pedaços um do outro. Os abutres da mídia fizeram a festa.

Will, sempre o otimista, se posiciona à cabeceira da mesa, parecendo alheio ao caos. Ele pigarreia e encara todos nós, como se estivesse prestes a anunciar um novo contrato.

— Sei que as coisas parecem ruins agora... — Ele para, lançando um olhar significativo para mim. — Mas, na verdade, isso pode ser uma oportunidade.

Reviro os olhos antes mesmo de ouvir o resto.

— Oportunidade? Tá brincando, né?

Ele ignora o meu sarcasmo e continua, com a calma irritante que só um empresário pode ter:

— Vamos desviar a atenção da briga e reformular sua imagem. Uma namorada falsa.

Por um momento, a sala fica em silêncio. Então, Felix, com sua calma calculada, cruza os braços e comenta:

— Faz sentido. Você tá sempre na mira por ser... digamos, impulsivo. Uma "relação estável" pode mudar isso.

Olho para ele, incrédulo.

— Então a solução pro meu problema é fingir que virei um santo da noite para o dia ? Boa sorte com isso.

Cole solta uma risada curta e dá um tapinha na mesa.

— A ideia não é tão ruim, cara. Melhor do que deixar a galera pensar que você passa os dias procurando briga.

— Ou pior, que você ainda tá preso no passado com a sua ex — completa Felix, sem rodeios.

Fecho os olhos, esfregando o rosto com as mãos. Esse papo já está me dando dor de cabeça.

— Gente, vocês não acham que isso é... sei lá, ridículo?

— Não mais ridículo do que você tentando socar o Jesse no meio de um bar lotado — comenta Jasper pela primeira vez, a voz baixa, mas cheia de ironia.

— Obrigado pela retrospectiva — retruco

Will aproveita o momento para retomar a conversa.

— É temporário, Liam. Só até as coisas se acalmarem. Depois vocês "terminam", com direito a declaração pública e tudo.

Fico encarando a mesa, tentando processar essa maluquice. O silêncio é interrompido por Cole:

— Pelo menos vai ser divertido assistir você se contorcendo nesse papel.

— Você se diverte fácil, hein? — respondo, lançando um olhar enviesado.

Mas a verdade é que eles têm um ponto. Eu meti todos nós nessa encrenca e, como vocalista, sou a cara da banda. Se minha imagem desmoronar, levo todos comigo.

— Tá, vamos nessa. Mas que fique registrado: essa ideia é péssima.

Will sorri como se tivesse acabado de ganhar na loteria e pega um tablet.

— Ótimo. Já selecionei algumas opções. Atrizes, influenciadoras... pessoas que podem combinar com sua imagem.

Ele desliza o tablet em minha direção, e eu olho para a tela. Mulheres sorridentes aparecem uma após a outra. Todas perfeitas demais, com aquela expressão ensaiada que grita "eu sou uma fachada".

— Parece que tô escolhendo um personagem pra um jogo de RPG. — Passo para a próxima foto.

— Elas têm ficha técnica e poderes especiais também?

Felix ri baixo.

— Se tiver, procura alguém com paciência nível máximo. Vai precisar.

Cole se inclina para ver a tela por cima do meu ombro.

— Essa aqui parece... chata. Passa.

— Não tô escolhendo um cachorro, cara.

— E é melhor assim, porque até cachorro ia pensar duas vezes antes de topar isso.

Continuo deslizando pelas fotos, tentando não me sentir mais idiota do que já estou. Então, uma imagem me faz parar. Uma garota ruiva, com olhos castanhos que parecem mais vivos do que qualquer outro que vi até agora.

— Aria Black — leio o nome abaixo da foto.

Will se aproxima, curioso.

— Ela é atriz, em ascensão. Fez um filme chamado Corações em Chamas. Não viu?

— Não sou exatamente fã de romances.

— Talvez seja hora de começar — comenta Jasper, seco.

Eu ignoro e continuo encarando a foto. Não sei o que é, mas algo nela me prende.

— Ela parece... real. Não sei explicar.

Cole não perde a chance de zoar:

— Real? Apaixonado já, Liam? Tá rápido hoje.

— Cala a boca, Cole.

Will, como sempre, já está um passo à frente.

— Parece que você gostou dela , se quiser posso entrar em contato com ela. Se tudo der certo, apresento a proposta ainda esta semana.

— Ótimo. Mais uma coisa pra minha lista de constrangimentos públicos.

Apesar do tom irônico, sinto um lampejo de curiosidade. Talvez Aria seja diferente. Ou talvez seja só mais um desastre esperando pra acontecer.

Aria Black

A luz suave do entardecer em Hollywood abraça o set de filmagem, proporcionando um brilho dourado que só a magia do cinema pode capturar. Estamos gravando a penúltima cena de O Último Adeus, um filme que promete ser um marco no cinema romântico contemporâneo. Hoje, Emma, minha personagem, se despede de Daniel, interpretado por um ator cujo talento e carisma marcaram esta jornada cinematográfica.

A cena é intensamente emocional e se passa em uma pitoresca praia de Malibu. O oceano reflete as cores vibrantes do pôr do sol, enquanto a brisa bagunça meus cabelos. Meu coração está pesado, absorvendo tanto o papel quanto a realidade: o fim das filmagens está próximo.

— Estamos prontos, Aria — anuncia o diretor, trazendo-me de volta.

Respiro fundo, mergulhando nas emoções de Emma: amor, perda, esperança, desespero. As palavras saem carregadas de verdade: "Eu sempre vou amar você." Com isso, Emma e Daniel chegam ao fim.

— Corta! Isso foi perfeito, Aria! — exclama o diretor, aplaudindo.

Ainda tomada pela intensidade da cena, sorrio discretamente, aliviada e exausta. Harper, minha assessora e confidente, se aproxima com um sorriso que sempre consegue me tranquilizar.

— Você estava incrível, como sempre — diz, me envolvendo em um abraço.

— Que tal um café? Você merece um tempo fora desse caos.

— Parece perfeito — respondo, ansiosa por um momento de calma.

Seguimos em direção ao estacionamento. O cheiro do mar se mistura ao aroma quente do asfalto, enquanto Harper busca as chaves na bolsa. Sua presença sempre me traz equilíbrio; ela consegue transformar até as situações mais simples em oportunidades para crescer.

No carro, o rádio toca uma música suave, e a breve viagem até a cafeteria me dá espaço para respirar. Escolhemos um lugar aconchegante na varanda, onde a luz do entardecer ilumina nossos rostos.

— Vou pedir um cappuccino — digo, observando o cardápio.

— Eu vou de mocha. Mas antes, preciso te contar uma coisa — Harper fala com um tom mais sério.

— O que houve? — pergunto, preocupada.

— Hoje de manhã, o assessor de Liam Ashford, o vocalista do Nocturnal Echo, entrou em contato. Ele tem uma proposta para você.

— Liam Ashford? — Arregalo os olhos.

— Sim, ele mesmo. E, sim, eu sei o que está pensando.

— Harper, ele é um desastre ambulante. Um escândalo atrás do outro!

— Justamente por isso querem você. Um namoro falso.

Engasgo com o ar, rindo sem acreditar.

— Namoro falso? Você sabe que ele troca de namorada toda semana, certo? Isso é exatamente o tipo de caos que eu tento evitar.

Tento argumentar sabendo que ainda não posso dizer o real motivo da minha hesitação

Harper inclina a cabeça, com aquela expressão de quem está prestes a me convencer de algo impossível.

— Eu entendo sua hesitação, mas pense nas possibilidades. A exposição seria gigantesca. Isso poderia mudar sua carreira para sempre.

— E a minha paz? — respondo, arqueando uma sobrancelha. — Harper, não sei se quero me envolver nesse tipo de drama.

— Não estou dizendo para decidir agora. Mas considere o que isso pode significar para sua trajetória. É só mais um papel, Aria. Só que fora das telas.

Suspiro, o peso de suas palavras começando a se instalar.

— Vou pensar no assunto — murmuro, observando meu cappuccino esfriar lentamente.

O resto da tarde passa num borrão. De volta ao set, a cena pós-créditos exige meu foco total. Quando o diretor finalmente grita "Corta!", aplausos e sorrisos rompem o silêncio. Sinto um misto de realização e exaustão.

Dirijo para casa enquanto o céu se transforma em uma paleta de laranjas e roxos. Meu celular vibra no bolso, quebrando a tranquilidade. É uma mensagem de Tom.

"Saí do trabalho. Estou indo para a sua casa. Não vejo a hora de te ver."

Um sorriso surge involuntariamente. Desde que começamos a namorar de fato, cada momento com Tom tem sido um alívio da agitação de Hollywood. Respondo rapidamente: "Mal posso esperar. Te vejo em breve."

Quando chego, ele já está no sofá, confortável e me esperando.

— Oi, amor! — digo, animada, enquanto ele se levanta para me cumprimentar.

— Oi, querida. Como foi seu dia?

— Intenso. Precisamos conversar.

Tom franze a testa, mas me observa atentamente.

— Ouviu falar no Liam Ashford? — começo, sentindo meu coração acelerar.

— Claro. Ele está nas manchetes desde aquela confusão com o namorado da ex.

— Então... o assessor dele propôs um namoro falso entre nós.

Tom me encara, surpreso, mas logo sorri de forma estranha.

— Você deve aceitar.

Paro, confusa.

— Aceitar? Achei que você ficaria contra isso.

— Olha, Aria, isso é trabalho. E, honestamente, seria bom para sua carreira.

— E para nós? — questiono, sentindo um nó no estômago.

Tom hesita, desviando o olhar.

— Não estou pronto para assumir nosso relacionamento publicamente. Mas você deveria considerar essa proposta.

As palavras dele cortam como uma lâmina.

Nem mesmo Harper sabe do nosso relacionamento, tenho certeza que se ao menos para ela eu contasse ela entenderia

— Então, devo fingir estar com alguém para quem não significo nada, enquanto escondo o que temos de verdade?

— Não é tão simples assim... — Tom responde, a voz carregada de tensão.

— Você não entende como isso pode ser grande para você.

Ele se levanta de repente.

— Preciso ir para casa. Tenho um compromisso cedo amanhã.

— Tom, espera. Não pode simplesmente sair assim!

— Aria, por favor. Não quero brigar.

E, antes que eu possa insistir, ele sai pela porta. Fico sozinha, encarando o vazio.

A decisão sobre Liam ainda paira no ar, mas agora, tudo parece muito mais complicado.

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