Ela estava lavando as roupas quando um mal-estar a atingiu repentinamente. Maria, uma mulher de beleza marcante, com cabelos ruivos e olhos castanhos claros, sentou-se no sofá ao lado de seu companheiro, que sequer notou sua presença. Após alguns minutos, quando o desconforto passou, Maria levantou-se e continuou com as tarefas domésticas.
A tarde chegou trazendo um pouco de alívio do calor do dia, e com ela vieram as amigas de Maria para uma visita inesperada. Solange, uma mulher de cabelos cacheados e negros como a noite, com olhos da mesma cor, sempre trazia uma energia contagiante para qualquer ambiente. Roberta, com seus cachos dourados e olhos escuros, era a voz da razão entre elas, sempre pronta com um conselho prático. E Lily, de cabelos negros e olhos azuis, tinha um toque de sofisticação e sempre sabia o que dizer para confortar.
Ao ser questionada sobre como estava, Maria decidiu desabafar. "Passei mal hoje!", exclamou, pronta para responder às perguntas. "Será que não é gravidez?", sugeriu Solange, sua voz cheia de preocupação e esperança. "Não diga isso, Solange!", retrucou Roberta, que sempre tinha uma visão mais cautelosa. "Talvez não seja tão absurdo assim", afirmou Lily, sua expressão pensativa. "Vocês acham que pode ser gravidez?", perguntou Maria às amigas, a ansiedade visível em seus olhos. "Amiga, fazer um teste de farmácia não custa nada", sugeriu Solange, sempre pronta para tomar ação.
Rapidamente, elas foram à farmácia, o ar fresco da tarde marcando o contraste com a tensão que Maria sentia. Compraram um teste de gravidez e voltaram para a casa de Maria, onde ela realizou o teste no banheiro, enquanto suas amigas esperavam ansiosamente do lado de fora. Quando Maria saiu, o resultado positivo em suas mãos, o ambiente ficou carregado de emoções conflitantes.
"Meu Deus! O que você vai fazer, amiga?", questionou Roberta, sua voz tremendo com a realidade que se apresentava. "Não sei! Não tenho dinheiro para os exames do bebê, e o Gabriel não vai aceitar. Ele já me disse que não quer ser pai", respondeu Maria com desespero na voz, sentindo o peso da responsabilidade e da solidão. "Amiga, calma! Vamos encontrar uma solução, mas você precisa contar ao Gabriel", tentou acalmá-la Solange, sua mão apertando a de Maria em um gesto de apoio. "Você tem razão, vou contar a ele", afirmou Maria, dirigindo-se à sala onde seu companheiro estava, a resolução misturando-se com medo.
"Amor, preciso te contar algo", disse Maria, sentando-se ao lado de Gabriel. "Diga logo, Maria! Não vê que estou assistindo ao jogo?", gritou ele, assustando-a. Maria respirou fundo, engoliu o medo e a insegurança, e revelou: "Estou grávida".
Gabriel, com o rosto endurecido, desligou a TV e virou-se lentamente para encarar Maria. Ele a olhou de cima a baixo, como se estivesse procurando sinais de brincadeira ou engano em seu rosto. "Grávida?" ele repetiu, a palavra ecoando com um tom de incredulidade e desapontamento.
"Sim, Gabriel, estou grávida", Maria confirmou, tentando manter a voz firme, mas sentindo o tremor do medo e da incerteza.
Ele se levantou, passando a mão pelos cabelos, um gesto que Maria conhecia bem como sinal de frustração. "Eu te disse, Maria, que não queria filhos. Não agora, não nunca!" A voz dele elevou-se, cheia de raiva e descrença.
Maria sentiu um nó na garganta, mas decidiu não recuar. "Eu sei o que você disse, mas isso aconteceu. Não posso mudar isso, Gabriel. Nós precisamos pensar no que fazer."
"Nós? Não há 'nós' nisso, Maria. Isso é problema seu!" Ele começou a andar de um lado para o outro, a raiva visível em cada movimento. "Eu não vou ser pai. Você vai ter que resolver isso sozinha."
As palavras dele foram como facas no coração de Maria. Ela sentiu as lágrimas começarem a descer, mas secou-as rapidamente, não querendo mostrar fraqueza. "Gabriel, por favor, pense um pouco. É nosso filho."
"Não! Não é meu filho. É o seu problema, Maria. Eu estou saindo." Gabriel pegou suas chaves e, sem olhar para trás, saiu pela porta, deixando um silêncio pesado no ar.
Maria ficou ali, no sofá, ouvindo a porta bater, sentindo um vazio crescer dentro dela. As amigas que tinham ficado na cozinha, ouvindo tudo, vieram ao seu encontro. Solange foi a primeira a abraçá-la, seguida por Roberta e Lily, formando um círculo de apoio ao redor dela.
"Nós estamos aqui, Maria. Você não está sozinha", disse Solange com firmeza, enquanto Roberta acariciava o ombro de Maria, tentando transmitir conforto através do toque. "Vamos pensar em um plano. Você tem a nós."
Lily, sempre a mais prática, já estava pensando nos próximos passos. "Primeiro, você precisa de um médico, para confirmar tudo e cuidar da sua saúde. Vamos te ajudar com isso. Também precisamos pensar em como você vai sustentar essa criança. Talvez seja hora de considerar algumas alternativas de trabalho ou ajuda financeira."
Maria assentiu, sentindo o peso das responsabilidades, mas também o calor do apoio de suas amigas. A ideia de enfrentar tudo isso sozinha parecia insuportável, mas com elas ao seu lado, sentia-se um pouco menos perdida na tempestade que se anunciava.
"Vamos fazer uma lista de tudo que você vai precisar", sugeriu Roberta, já retirando um bloco de notas de sua bolsa. "Exames médicos, suplementos, roupas de bebê, um berço... E também vamos precisar pensar em um plano B para o caso de Gabriel não mudar de ideia."
Solange, sempre a mais emocional, segurou a mão de Maria e disse, "E a gente vai estar lá para ajudar com o bebê, Maria. Você não vai precisar passar por isso completamente sozinha. Vamos criar uma rede de apoio."
O restante da tarde foi dedicado a planejar, a discutir alternativas e a oferecer palavras de encorajamento. Maria, embora ainda sentisse o peso do abandono de Gabriel, começou a ver que talvez, com o apoio de suas amigas, pudesse encontrar forças para seguir em frente.
Quando a noite caiu, elas se despediram, mas com a promessa de voltar em breve para ajudar Maria a enfrentar os próximos dias, semanas e meses. Maria ficou sozinha, mas não mais solitária, com uma nova determinação crescendo dentro dela, alimentada pela solidariedade das amigas.
Os meses seguintes foram uma mistura de alegria e desafios para Maria. Após a partida de Gabriel, ela se viu imersada em uma realidade que precisava enfrentar sozinha, mas o apoio de suas amigas era um farol constante em meio à escuridão da incerteza. A cada consulta médica, cada preparativo para a chegada do bebê, Solange, Roberta e Lily estavam ali, ajudando a transformar o que poderia ser um fardo em uma jornada compartilhada.
A barriga de Maria crescia, e com ela, a curiosidade e a expectativa sobre o futuro. Ela começou a trabalhar em meio período numa livraria local, onde encontrou um ambiente acolhedor e cheio de histórias, tanto nas prateleiras quanto nas vidas das pessoas que frequentavam o lugar. A dona da livraria, dona Lúcia, uma senhora de espírito jovem, se tornou mais do que uma chefe; era uma mentora que via em Maria uma força e uma resiliência admiráveis.
"Você está criando seu próprio conto de fadas, Maria", disse dona Lúcia uma tarde, enquanto organizavam livros infantis. "E este bebê, ele será o herói da sua história."
Os preparativos para o nascimento do bebê trouxeram mais do que apenas preocupações financeiras. Maria se viu enfrentando momentos de solidão profunda, especialmente à noite, quando o silêncio do apartamento parecia amplificar seus medos. Foi em uma dessas noites que ela decidiu escrever cartas para o filho que ainda estava para nascer, cartas que falavam de amor, de esperança, e de um pai ausente, mas de um futuro cheio de possibilidades.
A gravidez avançou, e com ela veio o parto, uma tempestade de dor e alegria que culminou na chegada de Luís. Ele nasceu com os cabelos ruivos do pai e os olhos cor de âmbar que Maria tanto temia, pois cada olhar do menino era um lembrete doloroso da rejeição de Gabriel. No entanto, ao segurar Luís pela primeira vez, Maria sentiu uma determinação renovada. Ela sussurrou promessas de proteção e amor, jurando que ele nunca sentiria falta do que nunca conheceu.
Os primeiros meses com Luís foram um misto de cansaço e encantamento. Maria se dividia entre os cuidados com o bebê e seu trabalho, onde agora trazia Luís em algumas tardes, fazendo dele uma pequena celebridade entre os clientes frequentes da livraria. Dona Lúcia, encantada com o menino, criou um espaço no fundo da loja para Maria amamentar ou trocar fraldas, uma pequena área que se tornou o "canto de Luís".
Mas a vida não era só poesia e encantamento. Financeiramente, as coisas ainda eram apertadas. Maria precisou aprender a ser prática, a economizar, a aceitar a ajuda que lhe era oferecida, seja em forma de roupas usadas doadas ou de conselhos sobre como cuidar de um bebê com pouco. Solange, com seu jeito vibrante, organizou um chá de bebê comunitário, onde vizinhos e amigos contribuíram com o que podiam, transformando uma necessidade em um evento de comunidade.
Roberta, sempre com um plano na manga, ajudou Maria a se inscrever em programas de assistência social e de saúde para mães solteiras, garantindo que Luís tivesse o necessário para crescer saudável. E Lily, com sua habilidade para encontrar soluções práticas, ensinou Maria a fazer brinquedos caseiros, transformando um simples pedaço de pano em um rato de brinquedo ou uma caixa de cereal em um castelo de papelão.
Luís crescia rápido, e com ele, a vida de Maria se transformava. Ela aprendeu a encontrar alegria nas pequenas vitórias: o primeiro sorriso de Luís, sua primeira palavra, "mãe", e os primeiros passos vacilantes no parque onde passavam as tardes de domingo. Cada marco era celebrado não apenas por Maria, mas por uma rede de apoio que ela nem sabia que poderia construir.
No entanto, a ausência do pai de Luís era uma sombra sobre esses momentos felizes. Maria guardava as cartas que escrevera durante a gravidez, esperando o dia em que Luís fosse velho o suficiente para entender. Ela sabia que um dia teria que falar sobre Gabriel, mas por agora, focava em ser o suficiente para Luís, em construir uma vida cheia de amor, mesmo que fosse apenas com o que ela e suas amigas podiam oferecer.
À medida que o primeiro ano de Luís se aproximava do fim, Maria via não apenas o crescimento do filho, mas também o dela própria. A maternidade havia transformado sua visão do mundo, ensinando-a que a força não vem apenas da ausência de dificuldades, mas da capacidade de enfrentar cada uma delas com amor e determinação. E enquanto Luís ria, brincava e aprendia a andar, Maria sentia que estava, de alguma forma, caminhando junto com ele, em direção a um futuro que, embora incerto, estava cheio de promessas de felicidade.
Luís completou cinco anos em um dia ensolarado de primavera, marcado por uma festa simples, mas repleta de amor, no quintal do apartamento onde Maria agora morava. A ideia de mudar para um lugar com um pequeno jardim foi de Roberta, que, sempre prática, acreditava que Luís merecia um espaço para correr e brincar. A festa contou com a presença das amigas de Maria, alguns vizinhos e colegas da livraria, onde Luís já era conhecido por sua curiosidade e sorrisos contagiantes.
Maria observava Luís brincando com uma alegria que fazia seu coração se expandir. No entanto, a felicidade do momento era tingida por uma sombra de preocupação. Luís começava a fazer perguntas sobre seu pai, perguntas que Maria tinha evitado responder com mais do que vagas generalidades.
"Por que eu não tenho um pai como os outros meninos?" perguntou Luís, seus olhos cor de âmbar fixos em Maria enquanto ela colocava mais suco na sua xícara.
"Todos temos uma história diferente, meu amor. O importante é que você tem um monte de pessoas que te amam muito, inclusive eu", respondeu Maria, tentando manter a voz leve, mas sentindo o peso das palavras não ditas.
A festa continuou, mas a questão de Luís pairava no ar. Solange, sempre atenta às emoções de Maria, puxou-a para uma conversa privada enquanto as crianças brincavam. "Ele está crescendo, Maria. Vai precisar saber a verdade mais cedo ou mais tarde."
Maria suspirou, olhando para Luís que ria ao tentar pegar balões. "Eu sei, Solange. Só não sei como começar. Não quero que ele pense que é menos amado ou que há algo de errado com ele por causa da decisão do Gabriel."
"Ele vai entender com o tempo, mas precisa da verdade de você, não de rumores ou de uma fantasia", disse Solange, apertando a mão de Maria em um gesto de apoio.
A conversa ficou ali, mas Maria sabia que precisava agir. Nos dias seguintes, ela começou a pensar seriamente sobre como abordar o assunto com Luís. Decidiu que usaria as cartas que havia escrito durante a gravidez, uma forma de contar a história de uma maneira que Luís pudesse compreender, mesmo com sua jovem idade.
Uma tarde, após voltarem do parque, Maria sentou-se com Luís na pequena sala do apartamento, cartas em mãos. "Luís, quero te contar uma história, uma história sobre nós." Ele sentou-se ao lado dela, interessado, seus olhos brilhando de curiosidade.
Ela leu as cartas, adaptando a linguagem para ele, explicando que, embora seu pai não estivesse presente, ele era amado desde o momento que Maria soube de sua existência. Falou sobre Gabriel, não com raiva, mas com a verdade de que ele não estava pronto para ser pai, mas isso não diminuía o amor por Luís.
"Então, ele não me ama?" perguntou Luís, sua voz pequena e insegura.
"Amor, ele não te conhece, e isso é muito triste. Mas isso não significa que você não é amado. Você tem uma mãe que faria qualquer coisa por você, e tias que são como uma família. Você é amado por muitas pessoas, Luís."
Luís ficou quieto, processando as informações. "Ele pode me conhecer algum dia?"
Maria engoliu o nó na garganta. "Talvez, um dia. Mas nós somos felizes assim, não somos?"
Luís assentiu, mas Maria viu uma sombra de tristeza em seus olhos. Ela o abraçou forte, prometendo que sempre estaria lá, que juntos construiriam uma vida cheia de amor e aventuras.
Os dias seguintes foram de ajustes. Luís começou a falar mais sobre seu pai, não com raiva, mas com uma curiosidade infantil que Maria tentava nutrir com honestidade e amor. Ele também começou a desenhar mais, retratos de sua família, onde incluía figuras que Maria sabia serem tentativas de imaginar seu pai.
A vida continuava, e com ela veio uma oportunidade inesperada. Dona Lúcia, vendo o talento de Maria com as crianças na livraria, sugeriu que ela começasse a contar histórias para os pequenos visitantes. Maria, sempre apaixonada por livros, aceitou o desafio, e logo, as sessões de contação de histórias se tornaram um evento querido na comunidade.
Luís adorava assistir sua mãe contar histórias, e as vezes, ele mesmo participava, inventando finais ou adicionando personagens. Este novo papel trouxe uma nova dimensão à vida de Maria, ajudando-a a ganhar um pouco mais de dinheiro e a se sentir ainda mais conectada com Luís e com a comunidade.
No entanto, a tranquilidade foi perturbada quando, um dia, enquanto Maria e Luís estavam na livraria, Gabriel apareceu. Ele havia mudado, seus cabelos estavam mais grisalhos, e havia uma expressão de incerteza em seu rosto. Dona Lúcia, que estava no balcão, reconheceu-o imediatamente, chamando Maria discretamente.
"Maria, tem alguém aqui para ver você", disse ela, com um olhar que misturava preocupação e curiosidade.
Maria sentiu seu coração acelerar, mas manteve a calma. "Luís, querido, por que não vai lá para o canto do conto e vê se tem algum livro novo para a gente?" Ela sabia que precisava desse momento para enfrentar Gabriel sozinha.
Gabriel estava nervoso, visivelmente desconfortável. "Maria, eu... eu ouvi sobre você e Luís. Eu não sabia que você ainda estava na cidade."
"Gabriel, o que você quer?" perguntou Maria, direta, mantendo uma distância emocional.
"Eu... eu quero conhecer meu filho. Eu sei que perdi muito, mas quero tentar reparar."
Maria sentiu uma mistura de emoções. Raiva pelo passado, medo pelo futuro de Luís e uma pontada de esperança. "Você não pode simplesmente aparecer e esperar que tudo seja perdoado. Luís tem uma vida boa, ele é feliz. Ele tem perguntas sobre você, mas a resposta não é simples."
"Eu entendo. Mas, por favor, me dê uma chance de conhecê-lo, de ser parte da vida dele, mesmo que seja só um pouco."
Maria refletiu, observando Gabriel. "Vou pensar. Mas saiba que isso será no ritmo de Luís, não no seu."
Gabriel assentiu, deixando seu número e prometendo não forçar nada, apenas esperar pela decisão de Maria.
Aquela noite foi longa para Maria. Ela conversou com Solange, Roberta e Lily, cada uma oferecendo sua perspectiva. Solange falava sobre a importância de Luís conhecer suas raízes, Roberta sobre a proteção e o cuidado, e Lily sobre a necessidade de Luís entender que o amor de um pai pode vir de muitas formas, não apenas biológicas.
Finalmente, Maria decidiu que Luís deveria ter a escolha. Na manhã seguinte, ela explicou a situação ao filho da melhor forma possível, deixando claro que ele não precisava decidir agora, mas que, se quisesse, poderia conhecer Gabriel.
Luís, com a sabedoria que só as crianças têm, disse: "Mamãe, quero conhecer ele. Mas só se você ficar comigo."
E assim, Maria começou a navegar por esse novo capítulo, um onde o passado voltava para se entrelaçar com o presente, trazendo desafios, mas também a possibilidade de cura e entendimento para todos os envolvidos.
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