...PRÓLOGO ...
A brisa soprou suave no alto da montanha, mas Arlen sabia que era uma mentira. Os ventos nunca estavam realmente calmos. Não ali.
Ele se ajoelhou sobre a pedra negra, os dedos deslizando com cuidado pelas linhas gravadas há séculos. As marcas, quase apagadas pelo tempo, pulsavam sob a luz do crepúsculo. Um mapa. Não de terras, mas de céus.
Arlen fechou os olhos e deixou que o vento lhe contasse histórias esquecidas. Sussurros dançavam ao seu redor — fragmentos de lendas que sua mãe lhe contava ao pé do fogo. Histórias sobre o Coração da Tempestade, uma joia de poder puro, selada nas profundezas do céu furioso.
— Dizem que quem o encontrar poderá comandar o vento — a voz dela ecoava em sua mente. — Ou ser destruído por ele.
O jovem cartógrafo abriu os olhos. À sua frente, o horizonte se tingia de dourado e púrpura, mas além, nas sombras, nuvens negras se formavam lentamente. A tempestade estava acordando.
Ele segurou o medalhão que trazia ao pescoço — um presente de seu pai, desaparecido anos antes. "Siga o vento, Arlen." A frase gravada na prata parecia mais pesada agora.
Ao longe, um falcão cortava os céus, e Arlen o seguiu com o olhar. O pássaro voava em direção ao norte, onde a profecia sussurrava sobre montanhas que tocavam as estrelas.
Atrás dele, passos leves se aproximaram. Lyria parou ao seu lado, o arco descansando em seu ombro.
— Você encontrou algo? — perguntou ela, a voz baixa, como se temesse perturbar o silêncio.
Arlen ergueu o mapa à luz do entardecer, as linhas cintilando como relâmpagos prestes a cair.
— O caminho para o Coração — respondeu ele, sentindo o peso da descoberta em suas palavras.
Lyria franziu a testa, e por um instante, Arlen viu o medo em seus olhos.
— Então, estamos indo direto para a tempestade.
Ele assentiu, observando o céu se fechar aos poucos.
— Sempre estivemos.
E quando o sol desapareceu no horizonte, o primeiro trovão ecoou na distância, anunciando o início da caçada.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
...APRESENTAÇÃO ...
Arlen – O Cartógrafo do Céu (Protagonista)
Arlen é um jovem cartógrafo de 23 anos, com cabelos castanhos claros sempre desalinhados pelo vento e olhos azul-acinzentados que refletem o céu tempestuoso. Ele é magro, mas ágil, com uma expressão constantemente pensativa. Seu dom raro de "ler as correntes do céu" o torna essencial na jornada para encontrar o Coração da Tempestade.
Personalidade: Curioso, intuitivo e, muitas vezes, introspectivo. Arlen sente-se mais confortável observando o mundo do que participando ativamente dele. Embora relutante em aceitar o papel de herói, ele possui uma força interior que cresce à medida que enfrenta desafios.
Motivação: Arlen busca mais do que apenas mapas e conhecimento – ele deseja compreender os segredos do mundo e encontrar seu lugar nele. O mapa que revela o caminho para o Coração da Tempestade é, para ele, uma oportunidade de desvendar o mistério que o cerca desde a infância.
Lyria – A Arqueira Exilada
Lyria tem 27 anos, cabelos negros como uma noite sem estrelas, geralmente amarrados de forma prática, e olhos prateados que brilham como o reflexo da lua. Ela carrega no rosto cicatrizes discretas que contam fragmentos de batalhas passadas. Sua presença é firme e sua postura lembra a de uma caçadora sempre alerta.
Personalidade: Determinada, direta e pragmática. Lyria não tem paciência para formalidades ou para aqueles que hesitam. No entanto, por trás de sua dureza, há uma profunda lealdade e um senso de justiça que rege suas ações. Ela é movida pelo desejo de redenção, tendo sido exilada de seu reino natal por um crime que não cometeu.
Motivação: Lyria busca provar sua inocência e restaurar seu nome. Acredita que o Coração da Tempestade é a chave para deter a ameaça que assombra seu reino e salvar aqueles que ama. Sua aliança com Arlen e Karl é inicialmente uma questão de sobrevivência, mas com o tempo, transforma-se em algo mais profundo.
Karl – O Pirata Caçador de Relíquias
Karl tem 30 anos, alto e forte, com um corpo marcado por anos de batalhas nos mares. Seus cabelos dourados caem até os ombros, e ele sempre carrega um sorriso malicioso que nunca revela totalmente suas intenções. Seu olho esquerdo é coberto por uma faixa, resultado de uma antiga traição, mas ele nunca fala sobre isso.
Personalidade: Carismático, astuto e dono de uma língua afiada. Karl é o tipo de pessoa que parece estar em todas as tavernas e mercados negros, sempre em busca de tesouros e relíquias. Embora pareça superficial e motivado apenas por riquezas, Karl possui um código próprio de honra e um passado mais sombrio do que deixa transparecer.
Motivação: Karl inicialmente embarca na jornada pelo desejo de encontrar o lendário Coração da Tempestade e vendê-lo ao maior lance. No entanto, conforme a jornada avança, ele passa a enxergar a tempestade como algo que transcende ouro e poder. Karl se vê desafiado a escolher entre o lucro pessoal e um propósito maior.
A Tempestade (Entidade Metafísica)
A tempestade que circunda o mundo não é apenas um fenômeno natural – ela possui uma consciência antiga que se manifesta através de vozes no vento, visões e sensações profundas. Ela é um reflexo das emoções, medos e esperanças de quem se aproxima de seu Coração.
Personalidade: Misteriosa, enigmática e imparcial. A tempestade não é nem boa nem má, mas uma força que existe para testar e transformar aqueles que ousam encará-la.
Motivação: A tempestade deseja equilíbrio e verdade. Aqueles que tentam controlá-la são destruídos, enquanto aqueles que a compreendem tornam-se parte dela.
A Ordem dos Ventos Negros
Uma seita secreta composta por magos e guerreiros que desejam capturar o poder do Coração da Tempestade para governar os reinos. Liderados pelo implacável Mestre Thaelon, a Ordem acredita que apenas o domínio absoluto sobre o céu e o vento pode garantir a sobrevivência do mundo.
Personalidade: Fria, calculista e disposta a sacrificar tudo pelo controle do Coração.
Motivação: A Ordem teme que o despertar descontrolado da tempestade destrua o mundo. Para eles, a única maneira de evitar isso é subjugar o Coração, mesmo que para isso precisem destruir Arlen e seus aliados.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
...Relações e Dinâmica de Grupo...
Arlen e Lyria: A relação entre os dois começa com desconfiança. Lyria vê Arlen como ingênuo e imprudente, enquanto ele a considera excessivamente dura e distante. No entanto, o respeito mútuo cresce quando percebem que ambos compartilham cicatrizes do passado.
Arlen e Karl : Karl age como um irmão mais velho e protetor, embora esteja sempre pronto para provocar Arlen. O pirata vê potencial no cartógrafo e frequentemente o desafia a sair de sua zona de conforto.
Lyria e Karl : A tensão entre os dois é constante, mas há uma compreensão silenciosa de que, no campo de batalha, podem confiar um no outro. Karl respeita a habilidade de Lyria com o arco, enquanto ela valoriza sua coragem, mesmo que o ache irritante.
Esses personagens, unidos por razões diferentes, formam o cerne da jornada para o Coração da Tempestade, onde cada um será testado de maneira única, e seus destinos se entrelaçarão com o próprio destino do mundo.
Há algo de traiçoeiro no vento quando ele se cala.
Aprendi isso cedo, ainda criança, correndo pelos corredores do palácio e acreditando que as muralhas de pedra me protegeriam de qualquer coisa. Mas o vento não respeita fronteiras. Ele se infiltra pelas frestas, sussurra nos ouvidos e carrega segredos para aqueles que sabem ouvir.
Foi assim que descobri que meu pai planejava me casar com um senhor de terras ao sul. Na noite anterior ao anúncio, o vento deslizou por entre as cortinas do meu quarto e trouxe consigo palavras que escaparam do salão. Não havia como impedir. Eu não tinha voz. Apenas ouvidos atentos.
Mas o vento não sussurra apenas advertências. Às vezes, ele traz promessas.
Hoje, enquanto caminhávamos pela encosta da montanha, senti o mesmo sussurro antigo, carregando mais do que o cheiro de chuva distante.
Perigo.
— Lyria. — A voz de Arlen cortou o silêncio. Ele estava um passo atrás de mim, mas parecia ouvir o mesmo chamado invisível.
Não me virei de imediato. Meus olhos estavam fixos no horizonte, onde o céu se fundia em um cinza arroxeado. A tempestade se formava mais rápido do que esperávamos.
— Está mais perto do que deveria. — Minha voz saiu tensa. Arlen parou ao meu lado, analisando as nuvens distantes.
— Tempestades sempre vêm mais rápido quando estamos perto do Coração.
Ele dizia isso com a tranquilidade de quem lê um livro antigo pela milésima vez. Para Arlen, as correntes do céu eram familiares, quase como velhos amigos. Para mim, eram sombras rastejando atrás das colinas, espreitando.
— Se ela nos alcançar aqui, não teremos para onde correr.
Arlen tocou o medalhão em seu pescoço, distraído. Eu sabia que ele fazia isso sempre que estava nervoso.
— A tempestade não está atrás de nós — ele disse, após um momento. — Está nos guiando.
Aquilo deveria me confortar, mas apenas apertou o nó que crescia em meu estômago desde que saímos do último vilarejo.
Karlestava mais abaixo, amarrando o que restava de nossas provisões na sela do cavalo. Ele não parecia preocupado com a aproximação do céu em fúria. Nem mesmo quando uma rajada de vento derrubou o barril de água que tentava prender.
— Não confio no jeito que ele encara isso — murmurei, cruzando os braços.
— Ele é um pirata, Lyria. — Arlen lançou um olhar de soslaio para Kael. — Tempestades fazem parte da rotina.
— Talvez para ele, mas não para mim.
Virei-me, encarando Arlen de frente.
— Você não entende. Uma tempestade dessas não é como as outras. Ela carrega algo… maior.
Arlen me estudou. Não houve zombaria em seu olhar. Ele sabia que eu tinha razão, mas não diria isso em voz alta.
— Entendo mais do que você imagina.
Não respondi. O vento começava a ganhar força, e mesmo que Karlmantivesse os pés firmes, ele olhou para cima, franzindo a testa.
— Se vamos continuar, precisa ser agora. — Karlpuxou as rédeas do cavalo. — Não quero passar a noite exposto.
Ninguém discordou.
Caminhamos em silêncio por horas.
A montanha nos engolia pouco a pouco, e cada passo era uma lembrança de que não havia retorno. Eu sentia o peso do arco nas costas — um conforto familiar em meio ao desconhecido.
Costumava atirar em alvos de madeira nos jardins do palácio. Meu pai assistia de longe, orgulhoso da destreza da filha. Mas há uma diferença entre flechas que cortam o ar por esporte e aquelas disparadas quando sua vida depende disso.
Aprendi isso na primeira vez que encarei um soldado da Ordem dos Ventos Negros.
A lembrança fez meus dedos apertarem o cabo do arco.
— Estamos sendo seguidos.
Arlen parou. Ele não olhou para trás, mas vi sua mão deslizar até o punhal na cintura.
Karlsoltou um suspiro curto.
— Como você sabe?
— O vento está quieto.
Não sabia explicar melhor. Era um instinto, algo que vinha com anos de medo.
Karlolhou para o caminho deixado para trás.
— Não vejo nada.
— Não é algo que você possa ver. — Arlen falou baixo. — Lyria tem razão.
A floresta ao nosso redor parecia respirar conosco. Cada folha, galho, pedra… Tudo observava.
Karlbufou, mas manteve a mão na espada curta.
— Continuamos andando. Se alguém aparecer, resolvemos do nosso jeito.
Ele estava confiante, mas vi o suor escorrendo por sua testa.
— Lyria.
Arlen sussurrou meu nome e apontou discretamente para o topo das árvores. Meu olhar seguiu o dele.
E então eu vi.
Sombras aladas, deslizando entre as nuvens.
— Malditos… — murmurei.
— Grifos. — Arlen assentiu. — Eles patrulham as regiões próximas ao Coração.
Os grifos da Ordem não eram criaturas comuns. Criados em cativeiro, treinados para caçar e obedecer apenas aos ventos mais sombrios, seguiam seus mestres com lealdade cega.
— Estão nos procurando — disse Kael, estreitando os olhos. — Devemos nos esconder?
— Não adianta. — Arlen continuou andando. — Se pararmos, nos alcançarão mais rápido.
— Ótimo. — Karlsorriu, forçando despreocupação. — Nada como uma boa caçada antes de dormir.
Eu não sorri.
Seguimos em frente, mas o silêncio era diferente. Não era apenas o vento que se calava. Era a sensação de que cada passo nos aproximava de algo que talvez não estivéssemos prontos para enfrentar.
Quando paramos para descansar, a noite já havia se derramado sobre nós. As primeiras gotas de chuva começaram a cair.
Karlpreparou uma fogueira pequena. Arlen analisava o mapa encontrado na montanha.
Sentei-me perto do fogo, secando as pontas do cabelo.
— Acha que esse mapa realmente nos levará ao Coração?
Arlen ergueu os olhos.
— Se não acreditar, não há razão para estar aqui.
Karljogou um pedaço de pão seco para mim.
— Quando isso acabar, vamos rir em uma taverna.
Eu queria responder, mas o trovão engoliu as palavras.
O vento voltou, uivando como um animal libertado.
E no horizonte, os grifos nos encontraram.
O vento tinha cheiro de metal. Sempre odiei isso.
Estávamos há três dias subindo essas malditas montanhas, e tudo o que eu conseguia pensar era em como a umidade deixava minha capa mais pesada do que devia. Cada passo parecia mais alto na minha cabeça, mesmo que eu me movesse com a leveza de quem passou metade da vida roubando debaixo do nariz de outros piratas.
Mas não era o peso da capa ou o barulho dos passos que me incomodava. Eram os olhos invisíveis, grudados em nós desde a manhã anterior.
Arlen e Lyria sentiam o mesmo, mas não falavam disso. Eles eram discretos, calculistas. Lyria, principalmente. Ela sempre andava com a mão próxima do arco, como se estivesse a um sussurro de sacar uma flecha e perfurar a noite. Arlen apenas observava o céu, conversando com as nuvens como se fossem velhos conhecidos.
— Estão atrás de nós — ela disse, mais cedo.
Eu ri, mas não porque achava graça.
A questão não era se eles estavam nos seguindo. Era quando iriam aparecer.
Agora, sentado perto do fogo baixo, mastigando um pedaço de pão duro como pedra, eu observava Arlen traçar linhas invisíveis sobre o mapa.
— Não adianta encarar isso por tanto tempo. Ele não vai se desenhar sozinho.
Arlen levantou a cabeça e me lançou aquele olhar de quem prefere a companhia de livros à de pessoas.
— O mapa responde ao vento. Eu só preciso decifrar a direção certa.
— Direção certa para quê?
— Para o Coração.
Revirei os olhos.
— Claro. O Coração da Tempestade. Vamos direto até ele, pegar a relíquia mais poderosa que já existiu e voltar para casa, como se estivéssemos trazendo uma lembrancinha de mercado.
Lyria ergueu os olhos do fogo, e mesmo na penumbra eu senti o olhar dela me atravessar.
— Se não acredita, por que veio conosco?
— Aventura — respondi com um sorriso enviesado. — E um pagamento generoso, se é que se lembram.
— Você acha que vai gastar esse dinheiro se não sairmos vivos daqui?
— Eu prefiro pensar que vamos sair vivos. Dá menos dor de cabeça.
Ela não respondeu. O problema de Lyria é que levava tudo a sério demais. Sempre em alerta, sempre pronta para atirar. Isso era bom. Até certo ponto.
O problema era quando se esquecia de respirar.
Nós somos sombras, Lyria. Mas até sombras dançam de vez em quando.
O trovão que rugiu naquela noite me tirou do devaneio, e foi então que eu os vi.
Grifos.
Malditas criaturas de asas largas e bicos afiados. O tipo de monstro que só existe quando um homem brinca de deus e se acha mais esperto que a natureza.
Eles planavam sobre as árvores, como predadores esperando o momento certo para mergulhar.
— Lyria… — Arlen sussurrou.
— Eu vi.
Ela já tinha o arco em mãos. A flecha deslizou com facilidade sobre a corda.
Levantei devagar, tomando cuidado para não chamar atenção antes da hora. Não que isso importasse. Eles nos viam. Eles sempre viam.
— Não atirem primeiro — murmurei. — Se provocarmos, não vai sobrar nada além de cinzas nossas nessa montanha.
Lyria estreitou os olhos.
— Eles estão patrulhando. Isso significa que os cavaleiros da Ordem não estão longe.
— Ótimo — falei, batendo de leve na adaga na minha cintura. — Sempre quis reencontrar velhos amigos.
— Fique quieto, Karl.
— O quê? Não posso nem tentar aliviar o clima?
Ela me lançou um olhar afiado, mas foi Arlen quem falou.
— Ele não está errado. Se reagirmos agora, atrairemos a Ordem.
— E o que sugere? Que fiquemos sentados esperando?
Ele fechou o mapa e guardou no manto.
— Sugiro que corram.
E foi o que fizemos.
O cavalo disparou primeiro, guiado por Lyria, que se movia com a precisão de quem nasceu para aquilo. Arlen correu atrás dela, com o manto esvoaçando, e eu fechei a retaguarda, sempre com uma adaga na mão.
Os grifos não demoraram a nos seguir.
Ouvi o som de asas cortando o ar, próximo o suficiente para sentir o deslocamento do vento.
— Direita! — gritei.
Lyria puxou as rédeas, e o cavalo desviou na hora certa. Um dos grifos mergulhou onde estávamos segundos antes, as garras rasgando a terra.
— Malditos!
— Continue correndo, Karl!
Eu ri, mesmo quando outro grifo quase arrancou minha cabeça.
O problema de fugir de grifos é que eles não se cansam. Nós sim.
— Não vamos aguentar por muito tempo! — gritei.
Arlen olhou por cima do ombro.
— Precisamos nos esconder.
— Aonde? Não tem nada aqui além de pedra e mato!
E então, como se as montanhas tivessem ouvido meu desespero, uma entrada surgiu à nossa frente. Uma caverna, meio escondida por raízes e vegetação.
Lyria não hesitou. Entrou de uma vez, e o cavalo desapareceu na escuridão.
Eu e Arlen seguimos logo atrás, e assim que entramos, senti a umidade fria das paredes nos engolir.
Respiramos em silêncio, ouvindo as asas dos grifos lá fora.
— Eles vão esperar — Lyria sussurrou, passando a mão no arco.
— Eles podem esperar o quanto quiserem. Não podem entrar aqui.
Arlen assentiu.
— Essa caverna tem proteção.
— Como sabe?
Ele não respondeu, apenas tocou uma das paredes. Símbolos antigos, quase apagados, cobriam a pedra.
Eu ri baixinho.
— É sorte demais para ser verdade.
Lyria olhou para mim, mas dessa vez, não havia irritação. Apenas cansaço.
— Não é sorte, Karl. É o vento nos guiando.
Cruzei os braços, me recostando na parede fria.
— Espero que esse vento saiba para onde está indo.
Naquele momento, enquanto a tempestade rugia lá fora e os grifos giravam no céu, não me importei se o vento guiava ou não.
Eu só queria sair dali vivo.
Para mais, baixe o APP de MangaToon!