A Rua 2 estava em festa. As casas simples estavam iluminadas por luzes coloridas, e o som de conversas e risadas preenchia o ar. Era o dia do casamento de Ketelin, irmã de Caio. No quintal de sua casa, a decoração delicada e artesanal contrastava com a tensão que ele sentia.
Sentado em um banco de madeira, Caio olhava para os preparativos com um sorriso distante, enquanto Renato, seu melhor amigo, puxava assunto ao seu lado.— Caio, tenho uma ideia que pode mudar nossas vidas. — Renato começou, sua voz carregada de entusiasmo.
Caio ergueu uma sobrancelha, curioso.
— Que tipo de ideia?
— Montar nossa própria empresa de videogames. — Renato respondeu com convicção. — Começar com algo simples, um jogo indie.
Caio riu, mas havia interesse em seu olhar.
— Renato, jogos custam uma fortuna. Como a gente vai fazer isso?
Renato já tinha a resposta na ponta da língua.
— Com o mínimo: 12 mil. Eu vendo meu videogame, que vale dois mil, e com os seus cinco mil guardados, já temos um começo. O resto, a gente consegue economizando e trabalhando.
O brilho nos olhos de Renato era contagiante. Caio sabia que, por mais maluca que a ideia parecesse, ele confiava no amigo.
— Pode demorar, mas acho que não é impossível. — Ele concluiu.
Enquanto isso, na outra extremidade da cidade, o clima era bem diferente.
Dentro de um luxuoso carro preto, Sonya, a filha de um magnata recentemente falido, estava sentada com os braços cruzados, expressando sua irritação.
— Não acredito que agora vou morar... com a ralé! — Ela exclamou, indignada.
Bianca, sua melhor amiga, soltou uma risadinha, tentando aliviar o clima.
— Calma, Sonya. Pense que pode ser só por um tempo.
Do banco da frente, seu pai, Marcelo, olhou pelo retrovisor com um tom conciliador.
— É só uma fase, filha. Vai passar.
Sonya bufou e respondeu com ironia:
— Claro, quando acharem meu corpo em alguma vala da cidade.
A Rua 2 se tornaria o novo lar de Sonya, mas ela ainda não sabia o impacto que aquela mudança traria em sua vida.
De volta ao quintal de Caio, Ketelin se olhava no espelho. A maquiagem e o vestido branco estavam impecáveis, mas algo em seu olhar denunciava insegurança. Sua mãe, Nice, entrou no quarto e percebeu o desconforto da filha.
— Está tudo bem, Ketelin?
Ela tentou disfarçar.
— Está ótimo, mãe.
Mas Nice insistiu.
— Não esconda nada de mim.
Com um suspiro pesado, Ketelin desabafou.
— Acho que não amo o Wallaf o suficiente para casar com ele.
Nice ficou surpresa.
— Mas por quê?
— Estou apaixonada por outro homem. — Ketelin admitiu com os olhos marejados.
Nice tentou argumentar, mas a filha parecia decidida. Mesmo com o coração dividido, Ketelin escolheu seguir em frente com o casamento, na esperança de que as coisas mudassem.
Horas depois, Wallaf esperava no altar com um sorriso nervoso. A clássica marcha nupcial começou a tocar, e Ketelin entrou, atraindo os olhares de todos. Cada passo era um peso em sua consciência, mas ela continuou até chegar ao altar.
O pastor iniciou a cerimônia, fazendo as perguntas de praxe. Wallaf respondeu com entusiasmo:
— Sim, eu aceito.
Quando chegou a vez de Ketelin, ela hesitou. Olhou ao redor e encontrou o olhar angustiado de sua mãe. Sua resposta ecoou como um choque.
— Não.
O silêncio caiu sobre a cerimônia como uma tempestade. Wallaf, incrédulo e humilhado, agarrou o braço dela com força.
— Que palhaçada é essa?
Ketelin se soltou e respondeu com firmeza:
— Eu não amo você.
A confusão que se seguiu foi caótica. Renato e Caio intervieram, e Ketelin fugiu para casa, chorando. No meio do tumulto, a mãe de Wallaf passou mal e precisou ser socorrida.
Na calçada, Caio e Renato se juntaram a Júnior e Isabela, que observavam a movimentação.
— Que bagunça é essa? — Isabela perguntou.
— Mano, deu tudo errado. — Caio respondeu com um suspiro.
E assim, o dia que deveria ser uma celebração se transformou no início de uma série de mudanças inesperadas.
No horizonte, um carro luxuoso se aproximava, anunciando a chegada de Sony e sua família. Quando ela desceu do veículo, Caio a viu pela primeira vez. Algo nele mudou. Seu coração bateu mais rápido, e ele soube que aquele encontro marcaria sua vida.
Caio observava curioso a chegada da nova família. Um carro luxuoso estacionava a poucos metros, destoando completamente do ambiente humilde da Rua 2. Ele pensava consigo mesmo: "Por que diabos uma pessoa com um carro desses está se mudando para cá?" Júnior, Isabela e Renato, também intrigados, observavam atentamente.
“Quem será que é?”, Isabela questionou, quebrando o silêncio.
“Não sei, mas tá interessante”, respondeu Renato.
Enquanto o grupo permanecia hesitante, Jefferson, outro morador da rua, aproximou-se animado. “E aí, que carrão é aquele lá?”, perguntou ele, notando o movimento.
“Essa é a pergunta que todos nós estamos fazendo”, disse Júnior, com um tom de ironia.
Jefferson sorriu, sagaz. “Todos estão perguntando, mas só eu vou descobrir.”
Sem esperar mais, ele caminhou em direção à família. Aproximou-se discretamente e logo iniciou uma conversa com Marcelo, o pai da recém-chegada.
“Vocês serão nossos novos vizinhos?”, perguntou Jefferson, de forma educada.
Marcelo, descontraído, respondeu: “Sim, acabamos de chegar. Aproveitando, você poderia me tirar uma dúvida?”
Jefferson assentiu.
“O bairro aqui é tranquilo?”, indagou Marcelo.
Jefferson pensou por um instante antes de responder: “É como qualquer outro. Às vezes, é uma paz, mas a região tem bastante assalto.”
Sonya, que ouvia a conversa, revirou os olhos e sussurrou para Bianca: “Você viu? Certeza que daqui a um mês minha família não vai ter mais nada, vão roubar tudo.”
Bianca riu. “Para de ser pessimista, Sonya.”
“Pessimista? Olha isso! E a gente que tá fazendo nossa própria mudança. Isso é o fim”, reclamou Sonya, antes de voltar a carregar caixas com Bianca.
Enquanto isso, Wallaf estava no hospital com sua mãe. Ela estava visivelmente fraca, mas, mesmo assim, preocupava-se com o filho.
“Você está bem?”, perguntou ela, com dificuldade.
Wallaf, ainda tomado pela mistura de raiva e vergonha, respondeu: “Ketelin não deveria ter me feito passar por aquela humilhação.”
“Concordo. Pelo menos você descobriu que iria se casar com a mulher errada”, disse a mãe, tentando consolar o filho.
“Não, mãe. A Ketelin precisa pagar pelo que ela fez comigo. Eu só não sei como...”, afirmou ele, com um olhar sombrio.
Já Ketelin estava em seu quarto, imersa em uma confusão de sentimentos. Apesar da culpa, sentia-se aliviada. Em sua mente, a imagem do homem por quem estava apaixonada — ainda um mistério — era constante. Tentando afastar os pensamentos, disse a si mesma: “Agora é bola pra frente.”
De volta à Rua 2, o grupo de amigos decidiu se dispersar. Renato e Caio caminhavam juntos.
“Percebi que você estava viajando nos pensamentos”, comentou Renato.
Caio ficou desconfortável, sem querer revelar que havia se encantado por Sonya, uma desconhecida. “Eu tava pensando na empresa de games”, mentiu.
“Então você vai entrar de cabeça nessa?”, perguntou Renato, com um sorriso animado.
“Sim. Vai ser trabalhoso, mas divertido. Agora deixa eu ir, porque amanhã é dia de trabalho.”
Ambos se despediram, cada um indo para sua casa.
Sonya e Bianca, no novo quarto de Sonya, conversavam.
“E aí, o que achou do quarto?”, perguntou Bianca, animada.
Sonya, irônica, respondeu: “Nossa, meu sonho de vida.”
“Até quando você vai ficar na defensiva?”, insistiu Bianca.
“Até eu ter minha vida de volta. Olha ao redor, essa não é minha vida. Eu nunca vou me acostumar com isso aqui”, reclamou Sonya.
“Pode ser uma oportunidade de viver a vida com um ângulo diferente”, disse Bianca, tentando animá-la.
“Claro, o pior ângulo possível. Ah, quer saber? Vamos dormir.”
Na manhã seguinte, Caio, Ketelin e Nice se preparavam para tomar café.
“Ontem foi um dia agitado”, comentou Nice.
Ketelin riu levemente, ainda com um pouco de culpa. “Pois é.”
Caio, tentando aliviar o clima, brincou: “Foi bem emocionante, tava parecendo novela.”
Todos riram.
“Sim, parecia aquelas novelas mexicanas que a mãe assiste”, acrescentou Ketelin.
“Pior que sim, mas tem uma diferença”, retrucou Nice.
“Qual?”, perguntaram os dois, curiosos.
“A gente não tem nome composto”, respondeu Nice, arrancando risadas.
Pouco depois, Caio se levantou. “Bom, vou pra Pimpola antes que eu me atrase”, disse ele, referindo-se à lanchonete onde trabalhava.
Enquanto isso, na casa de Renato, ele estava no computador quando sua mãe, Neide, entrou, visivelmente triste.
“Mãe? Aconteceu alguma coisa?”, perguntou Renato, preocupado.
“Fui demitida hoje”, respondeu Neide.
Renato ficou sem palavras. “Caramba, mãe... E agora? Eu não tava esperando por isso.”
“Nem eu”, disse ela. “Vou receber um dinheiro, mas não é muito. O que mais me preocupa é o aluguel.”
Renato, mesmo preocupado, abraçou a mãe. “Vamos dar um jeito, mãe. Não sei como, mas vamos.”
Caio chegou à Pimpola, onde foi recebido por seu chefe, Djalma.
“E aí, Caio, já tomou café?”, perguntou Djalma.
“Claro, tô pronto pra trabalhar”, respondeu Caio, animado.
Djalma hesitou antes de tocar no assunto que vinha adiando. “E aí, já pensou no meu pedido?”
Caio, desconfortável, respondeu: “Sim, mas, Djalma, esse negócio não é pra mim.”
Djalma insistiu: “Você sabe que tenho muita fé. Quando inaugurei essa loja, prometi que, se ela fizesse sucesso, todos os meus funcionários iriam frequentar a igreja. Todos frequentam, menos você.”
“Com todo respeito, sabe, Djalma, mas eu não quero participar da sua igreja.”
“Não precisa ser a minha, pode ser qualquer uma. Gosto muito do seu trabalho, mas preciso manter minha promessa. Promete que vai pensar?”
Caio, inseguro, respondeu: “Prometo que vou pensar.”
Com isso, o assunto se encerrou e todos começaram a trabalhar.
Bianca acordou sentindo a brisa leve de um dia que parecia promissor. O céu azul brilhava pela janela do pequeno quarto, mas o brilho da manhã não refletia exatamente o que ela sentia por dentro. Levantou-se preguiçosamente, esticando os braços antes de pegar o celular na mesinha ao lado. A tela iluminou-se com uma mensagem de sua mãe:
"Vem pra casa. Preciso de você."
Sem pensar duas vezes, Bianca começou a se arrumar. Apesar da preocupação, decidiu não acordar Sonya, que ainda dormia profundamente. Observou a amiga por um momento. Apesar de toda a pose, Bianca sabia o quanto Sonya estava fragilizada pela mudança brusca de vida. Com um suspiro, saiu silenciosamente do quarto.
Enquanto isso, Renato calçava os chinelos para ir comprar pão, como fazia todas as manhãs. Ao abrir a porta, ele avistou algo incomum: um motoqueiro estava parado no final da rua, observando ao redor com um comportamento que ele só poderia descrever como suspeito. Sua intuição acendeu um sinal de alerta
Renato rapidamente se escondeu atrás do muro, observando atentamente. O motoqueiro parecia inquieto, olhando para os lados como se estivesse prestes a agir.
Do outro lado da rua, Bianca fechava o portão da casa de Sonya. Ela tinha o celular na mão, tentando guardar na bolsa, mas não teve tempo. O motoqueiro acelerou em sua direção, parando bruscamente à sua frente.
Passa o celular! gritou ele, com a voz firme, apontando uma arma para Bianca.
O mundo pareceu parar. Bianca congelou.
Suas mãos tremiam, e o olhar de pânico em seu rosto era evidente.
Vai, anda! Ou eu atiro! o ladrão gritou novamente, ainda mais agressivo.
Renato, ainda escondido, observava tudo sem saber o que fazer. Seu coração disparava, mas ele hesitava entre ajudar Bianca ou preservar sua própria segurança.
Bianca com medo congela o assaltante aos gritos pede para ela soltar o celular Bianca fecha os olhos é ela consegue ouvir o marginal engatinhando sua arma pronto para atirar quando Bianca percebe um barulho alto a o abrir os olhos ela tem uma grande surpresa.
Bianca ainda tremia, suas mãos suadas tentando segurar o celular enquanto o pânico tomava conta de seu corpo. Lentamente, ela abriu os olhos, acreditando que ainda estaria encarando a arma do ladrão, mas o cenário era outro. O assaltante estava caído no chão, gemendo de dor, enquanto Renato estava em pé ao lado, segurando uma barra de ferro com firmeza, mas com o olhar preocupado.
"Você está bem?", perguntou Renato, sua voz carregando uma mistura de urgência e alívio. Ele se aproximou um pouco, tentando avaliar a condição de Bianca.
Bianca, ainda em choque, gaguejou: "Eu... eu não sei... Nunca passei por algo assim."
Renato assentiu, compreensivo, mas sem abaixar a guarda. "A gente precisa sair daqui agora. Isso pode ficar perigoso."
Bianca, embora ainda assustada, respirou fundo e sacudiu a cabeça. "Não. Não podemos fugir. Temos que chamar a polícia. Esse cara não pode simplesmente sair impune."
Renato hesitou, olhando ao redor. A rua começava a se encher de curiosos. Alguns moradores já estavam saindo de suas casas, atraídos pela confusão. Ele então tentou imobilizar o assaltante, mas o homem resistia com força, mesmo estando ferido.
Foi então que alguns vizinhos, entre eles Júnior e Isabela, se aproximaram, percebendo a situação. "O que tá acontecendo aqui?", perguntou Júnior, e quando entendeu a gravidade da situação, foi direto ajudar Renato a segurar o ladrão.
"Esse bandido tentou assaltar a moça!", explicou Renato rapidamente. Com a ajuda dos moradores, finalmente conseguiram imobilizar o assaltante no chão.
Enquanto isso, Bianca, ainda trêmula, discou para a polícia. "Alô? Sim, um assalto... A gente conseguiu conter o assaltante... Por favor, venham rápido." Sua voz era firme, mesmo com o nervosismo evidente.
De longe, escondido entre as sombras, o cúmplice do ladrão observava tudo. Ele rangeu os dentes, frustrado com a situação. Seus olhos dançavam entre o grupo que segurava o comparsa e a barra de ferro ainda na mão de Renato. Ele percebeu que não havia o que fazer. Sem chamar mais atenção, recuou lentamente, desaparecendo pelas ruelas da comunidade.
Pouco tempo depois, as sirenes da polícia ecoaram pela Rua 2, e o barulho trouxe um suspiro de alívio a Bianca. O assaltante foi levado sob os aplausos e celebrações dos moradores.
Renato olhou para Bianca, que ainda segurava o celular, com os olhos cheios de lágrimas. "Tá tudo bem agora", ele disse, colocando uma mão tranquilizadora no ombro dela. "Aliás qual seu nome pergunta Renato curioso"
Bianca respirou fundo e sorriu, mesmo com a tensão ainda presente. "Obrigada, me chamo Bianca e você ?"
Renato responde feliz " bom eu sou o Renato"
Bianca responde agradecida "Renato. Se não fosse você... eu nem sei o que teria acontecido."
Renato deu de ombros, tentando disfarçar o nervosismo. "A gente tem que se ajudar, né? Aqui na Rua 2, ninguém fica sozinho."
Enquanto a rua comemorava a prisão do assaltante, em um canto mais sombrio da favela, Cléber, o cúmplice do ladrão capturado, caminhava rapidamente. Seus passos eram apressados, e seus olhos varriam o ambiente, inquietos. Ele finalmente se aproximou de uma área isolada, onde dois homens armados faziam guarda, seus rostos sérios à luz fraca do poste próximo.
"Ei, onde você pensa que vai?", perguntou um dos homens, segurando firmemente sua arma.
Cléber ergueu as mãos, tentando mostrar que não representava ameaça. "Calma aí, mano. Eu preciso falar com o Robson. Fala pra ele que é o Cléber."
Os homens trocaram olhares, avaliando a situação, antes que um deles pegasse o celular e ligasse para o chefe. Após uma breve conversa, o homem acenou com a cabeça, autorizando Cléber a passar.
Minutos depois, Cléber já estava no barraco de Robson, o dono do morro, um homem imponente com cicatrizes que contavam histórias de batalhas anteriores. Robson estava sentado em uma cadeira simples, mas sua presença enchia o espaço pequeno e abafado. Ele observava Cléber com olhos afiados, impaciente.
"Fala logo, Cléber. O que aconteceu pra você vir correndo até aqui?", Robson perguntou, cruzando os braços.
Cléber respirou fundo antes de começar: "Você não vai acreditar no que aconteceu, Robson."
"Vai, diz logo. Não enrola."
Cléber abaixou um pouco a cabeça, sabendo que o que diria não agradaria. "Um dos moradores chamou a polícia."
Robson imediatamente ficou de pé, a raiva estampada em seu rosto. "O quê? Como assim? Todo mundo aqui sabe que polícia só atrapalha o esquema. Qualquer problema na favela, quem resolve sou eu!"
Cléber tentou acalmar o chefe. "Eu concordo contigo, mas escuta só... Você lembra daquele pé de chinelo, o Bagulhinho?"
Robson franziu o cenho por um momento antes de assentir. "Sei quem é. Aquele idiota vive se metendo onde não deve."
"Então... ele tentou roubar na quebrada. Só que se deu mal. Um dos moradores reagiu, a polícia foi chamada, e agora o Bagulhinho tá preso."
Robson socou a mesa à sua frente, o som ecoando no pequeno barraco. "Que cara burro! Eu já tinha avisado que roubar aqui ia dar merda. Mas depois eu resolvo isso com ele. O problema agora é que a polícia tá na favela, atrapalhando nosso esquema."
Cléber assentiu, cauteloso. "É, parece que tá tudo parado lá fora."
Robson respirou fundo, tentando controlar a raiva, mas sua expressão mostrava que ele já tinha um plano em mente. "Hoje à noite, você vai me mostrar quem foi esse morador que chamou a polícia. Quero trocar uma ideia com ele. Ninguém faz isso na minha quebrada sem falar comigo antes."
Cléber engoliu seco, mas acenou com a cabeça. "Pode deixar, Robson. Eu te levo até ele."
Robson voltou a se sentar, os olhos fixos no nada enquanto sua mente trabalhava. "Essa história ainda não acabou. Vamos resolver isso do jeito certo."
A tensão pairava no ar enquanto Cléber saía do barraco, ciente de que a noite seria movimentada
Enquanto isso no trabalho de caio
O ambiente tranquilo da Pimposa era preenchido apenas pelo som distante da televisão ligada no fundo. Caio, concentrado, dava os toques finais em sua organização antes de encerrar o dia. Enquanto limpava o balcão, sentiu a presença de Djalma, que se aproximou com seu jeito típico, sempre tentando parecer casual.
"Caio," começou ele, cruzando os braços, "sua mãe e sua irmã vão à igreja hoje?" Pergunta Djalma
Caio parou o que estava fazendo e pensou por um momento. "Provavelmente sim, elas não perdem um culto."
Djalma sorriu discretamente, tentando disfarçar a satisfação com a resposta. "Ah, que bom! Olha, se você quiser ir para casa, pode ir, viu?"
Surpreso, Caio olhou para ele com um sorriso de gratidão. "Tem certeza, Djalma? Não vai atrapalhar aqui?"
Djalma fez um gesto com a mão, como se afastasse qualquer preocupação. "O movimento tá fraco hoje, e já já eu vou fechar a loja mesmo. Pode ir tranquilo."
Sem perder tempo, Caio pegou suas coisas, animado com a oportunidade inesperada de sair mais cedo. Já estava quase na porta quando Djalma o chamou novamente.
"Ó, Caio!"
Ele se virou, olhando curioso. "O que foi?"
Djalma apontou o dedo, com um tom meio sério, meio brincalhão. "Não esqueça de pensar naquele nosso assunto, hein!"
Caio assentiu, mantendo o sorriso no rosto. "Pode deixar, vou pensar direitinho."
Com isso, ele saiu pela porta, deixando Djalma sozinho na loja. O chefe o observou partir, balançando a cabeça levemente. "Bom garoto... só precisa enxergar as coisas do jeito certo", murmurou para si mesmo antes de voltar ao balcão.
Rua 2, final de tarde. Bianca está sentada em uma roda improvisada com Júnior, Jefferson, Renato e Isabela. O clima é descontraído, e todos estão curiosos sobre a nova moradora.
Isabela: (curiosa) "Ei, Bianca, é verdade que você é cheia da grana?"
Bianca: (rindo de leve) "Bem... eu não. Mas meu pai é. Ou pelo menos era, né?"
Todos riem da sinceridade dela, e o clima fica mais leve. Bianca parece mais confortável com o grupo. Renato cruza os braços, pensativo, mas sem perder o tom amigável.
Renato: "Ah, então tá explicado aquele carrão chegando aqui na rua!"
Jefferson: "Mas fala aí, você tá curtindo a favela ou tá só fazendo cara boa pra gente?"
Bianca: (sorrindo) "Olha, ainda tô me adaptando... Mas vocês são bem mais legais do que eu esperava."
Todos riem novamente. De repente, Bianca se lembra de algo e se levanta rapidamente.
Bianca: "Nossa, gente! Com toda essa confusão, eu esqueci completamente que minha mãe queria conversar comigo. Preciso ir agora. Obrigada pela recepção!"
Ela sai apressada, acenando para os amigos. Os rapazes a observam enquanto ela se afasta. Júnior quebra o silêncio.
Júnior: "E aí, o que achamos dela?"
Renato: "Bom, aparentemente, ela é gente boa."
Jefferson: "Concordo. Mas o problema é aquela amiga dela, né? A Sonya parece ser bem diferente."
Isabela: (balançando a cabeça) "Verdade. Dá pra ver que a Bianca tenta, mas a Sony... sei lá, parece que não desceu do salto ainda."
Os quatro continuam conversando
Robson e Cleber se Preparam para Agir
O barraco de Robson está agitado. Ele pega uma arma sobre a mesa e a guarda no cós da calça, enquanto Cleber termina de ajustar o boné, visivelmente ansioso.
Robson: (firme) "Cleber, onde é que tá esse tal dedo-duro? Quero resolver isso hoje mesmo."
Cleber: (hesitante) "É na rua 2, chefe... A famosa rua 2."
Robson para por um instante, seu olhar se endurecendo. Ele disfarça o desconforto ao ouvir o nome do lugar, fingindo confiança.
Robson: (calmo, mas determinado) "Rua 2, né? Beleza. Vamos nessa."
Cleber pega as chaves de um carro estacionado próximo ao barraco. Ambos saem, atravessando a viela até chegarem ao veículo. Entram no carro, e Cleber liga o motor. Enquanto o carro se afasta pela rua iluminada apenas pelos postes de luz, o clima de tensão aumenta.
Já em uma Igreja próxima a rua 2 está Nice e ketelin o interior da igreja, iluminada por lâmpadas amarelas e decorada com simplicidade. O culto está prestes a começar, e Nice e Ketelin estão sentadas em um dos bancos da frente. Djalma chega à igreja, cumprimentando as pessoas pelo caminho com um sorriso acolhedor.
Djalma: (simpático) "Boa noite, dona Nice. Ketelin."
Ele se aproxima de Ketelin, que retribui o cumprimento com um abraço tímido. Nice observa a cena com um olhar atento, percebendo algo a mais no gesto.
Nice: (sorrindo, mas curiosa) "Djalma, é sempre bom ver você por aqui."
Djalma: (cordial) "O prazer é meu, dona Nice. Com licença, vou ali falar com o pastor."
Ele se afasta, e Nice rapidamente se vira para Ketelin, aproveitando a oportunidade.
Nice: (curiosa) "Ketelin, posso te fazer uma pergunta?"
Ketelin: (desconfiada) "Claro, mãe. O que foi?"
Nice: (direta) "Por acaso... o homem por quem você está apaixonada é o Djalma?"
Ketelin fica visivelmente nervosa, desviando o olhar e gaguejando.
Ketelin: "C-claro que não, mãe! Tá louca?"
Nice: (dando uma risada leve) "Tá bom, tá bom. Vou fingir que acredito."
Ketelin solta um suspiro aliviado, mas o desconforto ainda está evidente. Nice lança um olhar desconfiado, mas decide não insistir. Ketelin, que tenta disfarçar seus sentimentos enquanto o culto começa.
Ainda não rua 2
Jefferson, Renato, Júnior e Isabela estão reunidos na calçada, conversando animadamente. O assunto se volta para a violência no bairro.
Jefferson: (sério) "Tá complicado, né? Parece que cada dia o bairro fica mais perigoso."
Renato: (concordando) "É... A gente ouve história de assalto quase todo dia agora."
Júnior: (com tom preocupado) "Eu tô pensando até em voltar a chegar mais cedo em casa, sabe? Melhor não dar bobeira por aí."
Isabela: (irônica) "É, porque antes você ficava até tarde na rua, né?"
Todos riem. Nesse momento, Caio se aproxima, com o semblante descontraído.
Caio: (brincando) "Sim, cara, esse aqui é o bairro mais violento da região. Quase não dá pra viver!"
As risadas continuam. Renato olha para Caio, empolgado, querendo compartilhar sua experiência.
Renato: "Mano, você não vai acreditar! Hoje eu me senti um super-herói."
Caio: (curioso) "Como assim, super-herói? O que você fez?"
Renato começa a contar, resumidamente, o que aconteceu mais cedo, enquanto o grupo ouve com atenção. Porém, no final da rua, Robson e Cleber estão dentro de um carro, andando lentamente. Cleber, sentado no banco do passageiro, observa atentamente.
Cleber: (apontando) "Olha lá, Robson. Aquele ali! Aquele moleque é o safado que chamou a polícia."
Robson, ao volante, fixa os olhos em Renato. Ele engatilha uma arma, respirando fundo, com um olhar decidido.
Robson: (frio) "Vamos dar uma lição nesse moleque."
O carro começa a se aproximar devagar, quase despercebido. O grupo continua conversando animadamente, alheio ao perigo que está por vir. Robson se prepara para agir, ajustando a arma em sua mão. No entanto, ao se aproximar ainda mais do grupo, ele trava. Seu coração dispara, e uma expressão de confusão e desconforto toma conta de seu rosto. Ele solta um suspiro pesado e, de repente, acelera o carro, saindo rapidamente do campo de visão dos amigos.
Cleber: (confuso) "Que foi isso, Robson? Por que não fez nada?"
Robson: (olhando fixamente para frente, ainda abalado) "Não deu. Olha esqueça esse negócio é melhor fingir que essa história nunca aconteceu"
Cleber: (insistindo) "Mas por quê? Qual é o problema?!"
Robson permanece em silêncio, com um olhar misterioso e perdido.
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